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Sequencias e Séries, Notas de estudo de Engenharia Ambiental

Apostila de Sequências e Séries

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 05/12/2011

ju-aramaqui-10
ju-aramaqui-10 🇧🇷

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bg1
SEQUÊNCIAS E SÉRIES DE NÚMEROS REAIS
Introdução
As séries infinitas aparecem quando tentamos somar um número
infinito de termos de uma sequência
,a,,a , a , a n321
n321 aa a a
O significado e o entendimento de uma soma infinita de termos, que
pode ser finita ou infinita, intrigaram os matemáticos desde os anos 400
A.C.
Arquimedes (287 212 A.C.) alcançou resultados importantes
envolvendo áreas e volumes de regiões e sólidos respectivamente; para
citar um exemplo, um dos seus resultados é que a área da região sob um
arco de parábola é igual a 2/3 da base vezes a altura.
O estudo das séries de potências, que veremos, em geral serve para
definir uma função totalmente nova. E essa possibilidade de criar novas
funções é muito importante nas aplicações, como por exemplo, resolver
equações diferenciais. Essas ries servem também para definir funções
conhecidas, tais como as funções seno, cosseno, exponencial, etc.
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pfa
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pfe
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SEQUÊNCIAS E SÉRIES DE NÚMEROS REAIS

Introdução

As séries infinitas aparecem quando tentamos somar um número

infinito de termos de uma sequência a 1 ,a 2 ,a 3 , ,an,

a 1  a 2 a 3 an

O significado e o entendimento de uma soma infinita de termos, que

pode ser finita ou infinita, intrigaram os matemáticos desde os anos 400

A.C.

Arquimedes (287 – 212 A.C.) alcançou resultados importantes

envolvendo áreas e volumes de regiões e sólidos respectivamente; só para

citar um exemplo, um dos seus resultados é que a área da região sob um

arco de parábola é igual a 2/3 da base vezes a altura.

O estudo das séries de potências, que veremos, em geral serve para

definir uma função totalmente nova. E essa possibilidade de criar novas

funções é muito importante nas aplicações, como por exemplo, resolver

equações diferenciais. Essas séries servem também para definir funções

conhecidas, tais como as funções seno, cosseno, exponencial, etc.

  1. SEQUÊNCIAS INFINITAS DE NÚMEROS REAIS

Ao associarmos a cada número natural n IN 1,2,3,... um único

número real an, os números an ordenados de acordo com seus índices

a 1 ,a 2 ,a 3 , ,an,

formam uma sequência infinita de números reais.

Usamos a notação  a n  para representar a sequência, onde n é o

índice e ano termo geral da sequência.

Deve-se ter clareza de que a sequência ( an ) e o conjunto a(IN) dos

termos da sequência são objetos matemáticos distintos.

Exemplos de sequências:

a)   , n

1 , = (1/n)

b) Sequência constante an=

3 , 3 , 3 ,...,3 ,...

Note que a(IN) =  3

c) 

2 n n 3

d) Às vezes se faz necessário numerar os elementos de uma sequência a

partir de 0, 2, ou outro inteiro. Exemplo:

2 2 n

= 

n

i

i 0

Exercício

Encontre o termo geral an das sequências

a)

2 2 ,   

2 2 2

b) , 4

A representação geométrica de uma sequência ( an) pode ser dada de

duas maneiras:

Obs.: Toda sequência que não é convergente é dita divergente.

Exemplos:

a) Considere a sequência ( 2 , 2 , 2 ,...,2,...), onde an = 2.

É fácil provar que lim an  2 , pois

dado ε  0 , n 0  1 talque nn 0 an 2  2  2 ε.

b) Dada a sequência 

n

, vamos provar usando a definição que esta

converge para 0, isto é, 0

n

lim .

Dado 0 ε n

ε n

ε

ε  0 , n 0  talque nn 0 n     

,

portanto 0 n

lim . Note que a escolha do índice n 0 depende do ε dado,

por exemplo, ε= 10

significa que basta tomar n> n 0 >10 para se ter

ε 10

n

c) Vamos mostrar que a sequência 

n 2

, n 1 converge para zero.

            ε

1 2 ε

1 nln2 ln ln

ε

1 ln

talque n n n ln

ε

1 ln

Dado 0 ε 1 , n

n 0 0

0 ε 2

ε 2

n n

Dado 0 ε

2

1 ε 2

ε 1, n 0 talquen n 2 1 n n

n   0   0        .

Assim, dado 0 ε

2

ε 0 n talquen n (^0 0) n       , ou seja, 0 2

n

1.1. Limites Infinitos

Dizemos que uma sequência ( an) diverge para , e indicamos

lim an , an ouliman n

 

se, e somente se dado M>0,  n 0 INtalquenn 0 anM.

IR

IR

Exemplo:

Vamos mostrar que  n 1

n

2

.

Dado M>0, M 2

2M

2

n

2

n

2n

n

n 1

n n 2M talque n n

0

2 2

0 0      

   .

Assim,  n 1

n

2

.

De maneira análoga, uma sequência ( an) diverge para , e

indicamos

lim an , an ouliman n

 

se, e somente se dado M>0,  n 0 INtalquenn 0 anM.

Exemplo:

Mostraremos que  n 10

  • n

2

.

Dado M>0, -n -n M.

n

n

n 10

  • n n Mtalquen n 0

2 2

0 0   

Portanto, 

n 10

  • n

2

.

Da analogia entre limite de sequências e de funções é natural que, se

uma sequência a n é dada como restrição de uma função, isto é,

an f(n) , para todo n>0, então

f x L an L x n

    

lim ( ) lim

A recíproca não é verdadeira, tome f(x)=cos  

  x

e verifique.

1.2. Propriedades do limite de uma sequência

n 0 n 0  1 n 0  2

M

an 0  1

an 0  2

Exemplos:

a)

3

lim 2 3

lim 3 2

lim

3

2

3

4

2

4

4

4 2 

   

n

n

n

n

n

n

n n

n n

n n n

b) 0

1 1

lim 1 1

lim 1

lim

4

2 3

4

4

2 3

3

4

3

   

n

n

n n

n

n

n n

n

n

n n

n n n

c) 

   

n

n n

n

n

n

n n

n

n

n n

n n n 3 1

lim 3 1

lim 3

lim

2 2

2 2

 

  

2

2

2

2

2

3

2

2

2

3

2

3

lim

lim 1 1

lim 1

)lim

n

n

n

n

n

n

n

n

n

n

n

n

n n d

n

n n n

e)

3

lim 1 9

lim 9

lim

2

3

2

3

3

3

3

3

   

n

n

n

n

n

n

n n

n

n n n

lim

1

) lim 1 lim 2 2

2 2

2 

 

    n n n n

n n n n

f n n n n n

g) Vamos mostrar que se a>1, então lim  1  

n

n

a.

lim 1

0

ln

1 ln(lim ) lim        

a e e e

a n

a n

n

n

n n

h) Mostrar que  1

n n.

  ^ ^ lim 1 1 0

1 / ln lim

1 lnlim lim         

n e e e e

n n n

n n

n

n

n n

1.3. - Sequências Monótonas

Dizemos que uma sequência ( ) an é monótona não decrescente

(respectivamente não crescente) se, e somente se para todo nIN temos

anan  1 (respectivamente anan  1 ).

Uma sequência ( an ) é limitada superiormente se, e somente se

existe um número real K tal que anK para todo nIN. Nesse caso, K é

dito uma cota superior, onde a menor das cotas superiores é denominada

supremo de ( ) an

  • (notação: sup( ) an ).

Analogamente ( an ) é limitada inferiormente se, e somente se existe

um número real K tal que a K n  para todo n  IN. O número K é

denominado uma cota inferior de ( an ), onde a maior das cotas inferiores é

chamada de ínfimo de ( an )- (notação: inf( an )).

Se uma sequência ( an ) é limitada superior e inferiormente, dizemos

que ( an )é limitada, isto é, existe K  IR tal que anK , para todo n  IN.

1.3.1. Propriedades

a - lim 0 e b  éumasequêncialimitada,entãolim 0.

n

 (^) n    

n n n n

Se a ab

Hipótese:

 

K

IN a

K

n

n

ii)Dado 0, n talque n n

i) K IRtalqueb , n IN

Tese: anbn  0

Prova

Dado 0 , n 0 talque n n 0 an .

         K 

K

IN bn anbn

Assim, anbn  0.

b - Selim ,limbn ean bnparatodo n n 0 ,entãoL M. n

      

a L M n

n

Prova (exercício)

c - Se lim (lim ) n

  

n n n

a a e anbna^ nbn para todo nn 0 ,

então  

 

n n n

b b n

lim lim.

Prova (exercício)

1.3.2. Teorema do Confronto

a) Seja  an  uma sequência definida por recorrência, isto é,

a 1  1 ,an 1  2  an. Mostrar que  a (^) n  é convergente e calcular seu

limite.

Solução

Começamos mostrando, por indução finita, que an é limitada superiormente

por 2.

Para n=1, temos a 1  1  2.

Hipótese de indução: n=k  ak  2.

Vamos mostrar que ak  1  2 .De fato, como

1   2   2 2 4 1 2.

2 1

2 ak  1   akak  1   akak      ak  

Concluímos assim que  a (^) n  é limitada superiormente, isto é, 2 é uma cota

superior.

Agora vamos mostrar que  a (^) n é não decrescente.

Suponha o contrário, isto é, anan  1 , então

    2   (^202)

2 2 1

2 anan    ananan    an ^ (absurdo).

Portanto, anan  1. Concluímos assim, pelo teorema 1.3.3., que  an é

convergente.

Para encontrar o valor do limite de an, observamos que, como an é

convergente e n n

n n

a a 

 

lim 1  lim =L, então   (^) n n

n n

a a 

 

lim  2 lim

2 1 , ou seja,

2 2 L   LLL    L  , portanto lim  2.  

n n

a

b) Mostrar que 0 , a IR. !

lim     (^) n

a

n

n

Solução

i) Se a  1 , o resultado é óbvio.

ii) Se a>1, então existe 1.

n

a talque

0

n 0  IN

Como 0<

n n n n n n

n

a

n

n

n

a

n

a

n n

a a a

n

a a a

n

a

0 0

0 0

0

0 0

0

Temos, pelo teorema do confronto, a desigualdade

lim !

lim

0 0

0 0  

 

n^ n

n

n

n (^) n

a

n

n

n

a

Portanto, 0 , a 1.

!

lim     (^) n

a

n

n

iii) Se a<-1, então a  1 e portanto,

 

lim !

lim n

a

n

a

n n

n

n

n

 

=0.

De i), ii) e iii) temos 0 , a IR. !

lim     (^) n

a

n

n

c) Mostrar que 0.

lim  n   nn

n

Solução

Como 0<

n n

n

n

n

n n n n

n

n

n

n

Pelo teorema do confronto, como 0

n

, temos 0.

lim  n   nn

n

d) Mostrar que lim 1.

2    

n

n

n n

Solução

Note que

n n n n n n n

2 2 2    2.

Como lim 1

1 0

2 / ln lim

2 lim 2

    

 

  

 

n e e e

n

n

n n n n n

e

 

lim 2 1

1 0

2 / ln 2 lim

2 (^2) lim

    

 

  

 

n e e e

n

n

n n n n n

, temos, pelo teorema do

confronto, que lim 1.

2    

n

n

n n

d) Mostre que 1.

lim 2 2 2

 n n n n

n

Solução

  1. SÉRIES DE NÚMEROS REAIS

Considere uma sequência  an dada por a 1 , a 2 ,...,an,...

Fazendo s 1 (^)  a 1 , s 2  a 1  a 2 ,...,sn  a 1  a 2  an ,...

formamos uma nova sequência  sn  dada por s 1 , s 2 ,...,sn,... que recebe

o nome de série, a qual representamos por

1

1 2

n

a a an an

onde an é o termo geral da série e

n

n

k

sn   ak  a  a  a

1 2

1

é a soma parcial de ordem n da série.

Se



n 1

lim sn s , s IR,entãoasérie an n

é dita convergente e

1

a s

n

n

Se n n

s  

lim não existir, então a série

n  1

an é dita divergente.

2.1. Séries geométricas

Toda série do tipo

0

2 1

n

n n r r r r , r  IR é

denominada uma série geométrica de razão r.

Note que

n sn   rr  r

2 1 e

2  1    

n n rsn r r r r , então

,se r 1. 1

1 s

1

n

1  

 

r

r s rs r

n n n n^ Assim, para r^ ^1 , temos



 

 

 

  , se r -

, se r 1

, se r 1 1

1

1

1 lim lim

1

não existe

nãoexiste

r

r

r s

n

n

n n

Se r=1, temos 1 econsequentementelim lim 1 .

n n

 

s (^) n n sn n

Conclusão

A série

n  0

n r converge para 1  r

se r  1 e diverge se r  1.

Exemplos:

a) A série

0

n

n

é uma série geométrica de razão 2

r  ,

portanto é convergente e

0

n

n

= 2.

b) A série

0

n

n é uma série geométrica de razão r = -2,

portanto divergente.

2.2. Teorema

Se

n  0

an e

n  0

bn são séries convergentes, então

i) , c IR

0

n

can é convergente.

ii)  

n 0

an bn é convergente e  

0 0 n 0

n

n

n

n

an bn a b.

Prova i)

Seja

n

k

sn ak

0

, como por hipótese

n  0

an é convergente, então

lim sn s. n

  

A soma parcial sn da série

n  0

can é dada por

 (^) kkcsn

 

n

k 0

n

k 0

sn ca c a.

Portanto, sn cs n

  

lim e a série , c IR

0

n

can é convergente.

d) Encontre a soma da série telescópica

  1

2 12 1

1

n

n n

.

Note que

,então 2 1

1 / 2

2 1

1 / 2

2 12 1

1

 

nnn n

a soma parcial da série é

dada por 

n n

sn

n

.

Portanto, como

2

sn  , temos que

1

n

n n

.

Obs.: A inclusão ou exclusão de um número finito de termos numa série

não altera sua convergência ou divergência, fica alterada apenas sua soma.

2.3. Corolário

a - Se

an e

anbn são convergentes, então

bn é

convergente.

b - Se

 n

a é convergente e

 n

b é divergente, então

anbn é divergente.

Prova a

Note que

 n

b =  

an  bn  an , como  

an  bn e  

an são

convergentes, então, pelo teorema 2.2., temos que

 n

b é convergente.

Prova b

Suponhamos por absurdo que  

anbn seja convergente, então, pelo

item a, temos que  

anbnanbn é convergente. Como isso é

um absurdo, pois, por hipótese

n

b

é divergente, conclui-se que

absurdo foi supor que

anbn seja convergente, portanto

anbn

é divergente.

Exemplo:

A série

n n 2

é uma série divergente, pois

 n

é uma série

geométrica convergente de razão r = ½ e

n é obviamente divergente.

Assim, pelo corolário acima, temos que a série

n n 2

é divergente.

Exemplo:

Se

 n

a e

 n

b são divergentes, o que podemos afirmar sobre a série

anbn?

A resposta a essa pergunta é: “Não podemos afirmar nada.”.

De fato, se considerarmos as séries divergentes

n e

n , é fácil ver

que a soma é convergente e, se considerarmos as séries divergentes

n

e

n , a soma das duas, dada por

2 n , é divergente.

2.4. Teorema

Se

 n

a é convergente, então lim  0.  

n n

a

Prova

Por hipótese, a soma parcial s (^) na 1  a 2  ans , como

an   a 1  a 2  an   a 1  a 2  an  1   sn  sn  1 , temos

lim  lim lim  1    0.   

a s sn s s n

n n

n n

Obs.: A recíproca não é verdadeira, por exemplo, 0

lim  n   (^) n

e a série

 1

n

n

é divergente.

IR

IR

Note que    n

sn

n

dx x 1

 

 

lim 1 1

1

1

1

n

n

n s

x n ssn é limitada

superiormente. (**)

De () e (*), a série

 1

n

n

é convergente para 1.

ii) Para 0  1.

Pelo item i)    n

sn

 1    é uma sequência monótona não

decrescente. (*)

Vamos mostrar agora que sn não é uma sequência limitada superiormente.

Observe o gráfico abaixo:

IR

Note que    n

sn

 1

1

1

n

dx x

sn

  

 

  

, se 0 1 1

1

1 - 1

x

ln ln 1 , se 1

1

1

1

1-

1 1

  n

x n

n

n

(**)

Portanto, de () e (*) concluímos que limsn.

Portanto, a série

 1

n

n

é divergente para 0   1.

iii) Para   0.

A série

 1

n

n

é obviamente divergente, pois 0. n

lim  

Conclusão

De i), ii) e iii), a série

 1

n

n

é convergente para

 1 e divergentepara 1.

Exemplo:

Analisar quanto à convergência.

IR