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Erros de Medicação em Hospitais Brasileiros: Influência da Prescrição Médica, Trabalhos de Farmacologia

artigo sobre as vias de administração

Tipologia: Trabalhos

2020

Compartilhado em 18/02/2020

myllena-quirino
myllena-quirino 🇧🇷

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Artigo Original
Rev. Latino-Am. Enfermagem
19(1):[07 telas]
jan-fev 2011
www.eerp.usp.br/rlae
Endereço para correspondência:
Fernanda Raphael Escobar Gimenes
Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto.
Departamento de Enfermagem Geral e Especializada.
Av. Bandeirantes, 3.900
Bairro Monte Alegre
CEP: 14040-902 Ribeirão Preto, SP, Brasil
Administração de medicamentos, em vias diferentes das prescritas,
relacionada à prescrição médica
Fernanda Raphael Escobar Gimenes1
Tatiane Cristina Marques2
Thalyta Cardoso Alux Teixeira3
Maria Lurdemiler Sabóia Mota4
Ana Elisa Bauer de Camargo Silva5
Silvia Helena De Bortoli Cassiani6
O objetivo foi analisar a influência da redação da prescrição médica nos erros de via de
administração, ocorridos em enfermaria de clínica médica de cinco hospitais brasileiros. Estudo
descritivo que utilizou dados de pesquisa multicêntrica, realizada em 2005. A população
foi composta por 1.425 erros de medicação e a amostra por 92 erros de via. As classes
farmacológicas mais envolvidas no erro foram as cardiovasculares (31,5%), drogas que atuam
no sistema nervoso (23,9%) e no sistema digestório e metabolismo (13,0%). No que diz
respeito aos itens da prescrição médica, que poderiam ter contribuído com os erros de via,
verificou-se que 91,3% das prescrições continham siglas/abreviaturas, 22,8% não continham
dados do paciente e 4,3% não apresentavam data e continham rasuras. Erros de via são
frequentes nos hospitais brasileiros e ao redor do mundo, e se sabe que essas situações podem
resultar em eventos adversos severos aos pacientes, incluindo morte.
Descritores: Erros de Medicação; Prescrições de Medicamentos; Gerenciamento de Segurança;
Vias de Administração de Medicamentos.
1 Enfermeira, Doutoranda em Enfermagem, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da
OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, SP, Brasil. Professor, Universidade Camilo Castelo Branco, São Paulo, SP,
Brasil. E-mail: [email protected].
2 Farmacêutica-Bioquímica, Mestre em Enfermagem, Hospital São Lucas, Ribeirão Preto, SP, Brasil. E-mail: [email protected].
3 Enfermeira, Hospital Vera Cruz, Campinas, SP, Brasil. Doutoranda em Enfermagem, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de
São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, SP, Brasil. E-mal: thalytacat@yahoo.com.br.
4 Enfermeira, Doutor em Farmacologia, Professor Assitente, Universidade de Fortaleza, CE, Brasil. E-mail: mila269@terra.com.br.
5 Enfermeira, Doutor em Enfermagem, Professor Adjunto, Universidade Federal de Goiás, Brasil. E-mail: [email protected].
6 Enfermeira, Doutor em Enfermagem, Professor Titular, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro
Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, SP, Brasil. E-mail: [email protected].
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Rev. Latino-Am. Enfermagem 19(1):[07 telas] Artigo Original

jan-fev 2011 www.eerp.usp.br/rlae

Endereço para correspondência: Fernanda Raphael Escobar Gimenes Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Departamento de Enfermagem Geral e Especializada. Av. Bandeirantes, 3. Bairro Monte Alegre CEP: 14040-902 Ribeirão Preto, SP, Brasil E-mail: [email protected] / [email protected]

Administração de medicamentos, em vias diferentes das prescritas,

relacionada à prescrição médica

Fernanda Raphael Escobar Gimenes^1

Tatiane Cristina Marques^2

Thalyta Cardoso Alux Teixeira^3

Maria Lurdemiler Sabóia Mota^4

Ana Elisa Bauer de Camargo Silva^5

Silvia Helena De Bortoli Cassiani^6

O objetivo foi analisar a influência da redação da prescrição médica nos erros de via de

administração, ocorridos em enfermaria de clínica médica de cinco hospitais brasileiros. Estudo

descritivo que utilizou dados de pesquisa multicêntrica, realizada em 2005. A população

foi composta por 1.425 erros de medicação e a amostra por 92 erros de via. As classes

farmacológicas mais envolvidas no erro foram as cardiovasculares (31,5%), drogas que atuam

no sistema nervoso (23,9%) e no sistema digestório e metabolismo (13,0%). No que diz

respeito aos itens da prescrição médica, que poderiam ter contribuído com os erros de via,

verificou-se que 91,3% das prescrições continham siglas/abreviaturas, 22,8% não continham

dados do paciente e 4,3% não apresentavam data e continham rasuras. Erros de via são

frequentes nos hospitais brasileiros e ao redor do mundo, e se sabe que essas situações podem

resultar em eventos adversos severos aos pacientes, incluindo morte.

Descritores: Erros de Medicação; Prescrições de Medicamentos; Gerenciamento de Segurança;

Vias de Administração de Medicamentos.

(^1) Enfermeira, Doutoranda em Enfermagem, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, SP, Brasil. Professor, Universidade Camilo Castelo Branco, São Paulo, SP, 2 Brasil. E-mail: [email protected]. 3 Farmacêutica-Bioquímica, Mestre em Enfermagem, Hospital São Lucas, Ribeirão Preto, SP, Brasil. E-mail: [email protected]. Enfermeira, Hospital Vera Cruz, Campinas, SP, Brasil. Doutoranda em Enfermagem, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de 4 São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, SP, Brasil. E-mal: [email protected]. 5 Enfermeira, Doutor em Farmacologia, Professor Assitente, Universidade de Fortaleza, CE, Brasil. E-mail: [email protected]. 6 Enfermeira, Doutor em Enfermagem, Professor Adjunto, Universidade Federal de Goiás, Brasil. E-mail: [email protected]. Enfermeira, Doutor em Enfermagem, Professor Titular, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, SP, Brasil. E-mail: [email protected].

Tela 2

Medication Wrong-Route Administrations in Relation to Medical

Prescriptions

This study analyzes the influence of medical prescriptions’ writing on the occurrence of medication errors in the medical wards of five Brazilian hospitals. This descriptive study used data obtained from a multicenter study conducted in 2005. The population was composed of 1,425 medication errors and the sample included 92 routes through which medication was wrongly administered. The pharmacological classes most frequently involved in errors were cardiovascular agents (31.5%), medication that acts on the nervous system (23.9%), and on the digestive system and metabolism (13.0%). In relation to the prescription items that may have contributed to such errors, we verified that 91.3% of prescriptions contained acronyms and abbreviations; patient information was missing in 22.8%, and 4.3% did not include the date and were effaced. Medication wrong-route administrations are common in Brazilian hospitals and around the world. It is well established that these situations may result in severe adverse events for patients, including death. Descriptors: Medication Errors; Drug Prescriptions; Safety Management; Drug Administration Routes.

Administración de medicamentos en vías diferentes de las indicadas en la

prescripción médica

El objetivo fue analizar la influencia de la redacción de la prescripción médica en los errores de vía de administración ocurridos en la enfermería de clínica médica de cinco hospitales brasileños. Se trata de un estudio descriptivo que utilizó datos de investigación multicéntrica realizada en 2005. La población fue compuesta por 1.425 errores de medicación y la muestra por 92 errores de vía. Las clases farmacológicas más envueltas en el error fueron: 1) las cardiovasculares (31,5%), 2) las drogas que actúan en el sistema nervioso (23,9%), y 3) las que actúan en el sistema digestivo y metabolismo (13,0%). En lo que se refiere a los ítems de la prescripción médica que podrían haber contribuido con los errores de vía, se verificó que 91,3% de las prescripciones contenían siglas/abreviaturas; 22,8% no contenían datos del paciente, y 4,3% no presentaban fecha y contenían raspados. Errores de vía son frecuentes en los hospitales brasileños y alrededor del mundo y se sabe que estas situaciones pueden resultar en eventos adversos severos en los pacientes, incluyendo la muerte. Descriptores: Errores de Medicación; Prescripciones de Medicamentos; Administración de La Seguridad; Vías de Administración de Medicamentos.

Introdução

O erro no cuidado em saúde resulta de ação não intencional, causada por algum problema ou falha durante a realização da assistência ao paciente(1), podendo ser cometido por qualquer membro da equipe e ocorrendo em qualquer momento do processo do cuidado, como, por exemplo, na medicação do paciente. Os erros de medicação podem ocorrer em qualquer etapa da terapia medicamentosa que vai desde a prescrição até a administração do medicamento ao paciente, representando cerca de 65 a 87% de todos os eventos adversos(2).

Os médicos decidem, tradicionalmente, a terapia medicamentosa a ser utilizada e, então, fazem a prescrição para que farmacêuticos e a equipe de enfermagem implementem suas decisões. Dessa forma, no processo de medicação, a prescrição médica é o documento de referência que norteia e influencia as outras etapas do processo. As prescrições médicas têm importante papel na prevenção e também na ocorrência de erros. Atualmente, sabe-se que prescrições ambíguas, ilegíveis ou incompletas, o uso de abreviaturas, a presença de rasuras e a falta

Rev. Latino-Am. Enfermagem jan-fev 2011;19(1):[07 telas] Tela 4

Classe ATC – Nível 1 N % Grupo C - Sistema cardiovascular 29 31, Grupo N - Sistema nervoso 22 23, Grupo A - Sistema digestório e metabolismo 12 13, Grupo H - Hormônios de uso sistêmico, exceto hormônios sexuais 9 9, Grupo M - Sistema musculoesquelético 4 4, Grupo J – Anti-infecciosos de uso sistêmico 3 3, Grupo B - Sangue, órgãos e derivados 3 3, Outros 10 10, Total 92 100

Na sequência, os medicamentos do grupo A (sistema digestório e metabolismo) estiveram presentes em 13,0% dos erros de via, sendo a ranitidina o mais comum (6,5%) desse grupo. O grupo H (hormônios de uso sistêmico, exceto hormônios sexuais) também foi administrado em via deferente da prescrita, representando 9,8% do total de casos (Tabela 2).

Itens da Prescrição*

Hospital A B C D E Total (n=34) (n=22) (n=5) (n=26) (n=5) (n=92) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) Ausência de dados do paciente (registro) 0 (0,0) 0 (0,0) 1 (20,0) 15 (57,7) 5 (100) 21 (22,8) Ausência de data 0 (0,0) 0 (0,0) 1 (20,0) 1 (3,8) 0 (0,0) 2 (2,2) Ausência de dados do medicamento (via de administração) 0 (0,0) 0 (0,0) 1 (20,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 1 (1,1) Presença de siglas e/ou abreviaturas 26 (76,5) 22 (100) 5 (100) 26 (100) 5 (100) 84 (91,3) Presença de alterações e/ou suspensão do medicamento 0 (0,0) 1 (4,5) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 1 (1,1) Presença de rasuras 1 (2,9) 0 (0,0) 0 (0,0) 1 (3,8) (^0) (0,0) 2 (2,2)

Tabela 2 - Distribuição da frequência de medicamentos, administrados em vias diferentes das prescritas, em unidades de clínica médica, de cinco hospitais brasileiros, segundo a classificação anatômica terapêutica clínica da OMS. Ribeirão Preto, SP, 2006

Analisando os itens da prescrição médica que poderiam estar relacionados às discrepâncias nas vias de administração, observou-se que 84 (91,3%) prescrições apresentavam siglas e/ou abreviaturas (exemplo: clindamicina 600mg GTT; dipirona 1amp EV S/N; Predfort 1 gota OE); em 21 (22,8%) não constava o número de registro do paciente; duas (2,2%) prescrições omitiram a data de elaboração e continham rasuras. Em uma prescrição (1,1%) não havia a especificação da via de administração do medicamento (Tabela 3). Todavia, em todas as situações em que a via administrada estava diferente da prescrita, havia especificado o nome e o leito do paciente. A Tabela 3 apresenta a análise dos itens da prescrição que poderiam ter relação com a administração de medicamentos, em vias diferentes das prescritas, segundo o hospital investigado. De acordo com a Tabela 3, dos 34 medicamentos administrados em vias diferentes das prescritas no hospital A, 26 (76,5%) continham siglas e/ou abreviaturas na redação das doses, mesmo sendo a prescrição do tipo eletrônica. Tabela 3 - Distribuição de frequências de doses de medicamentos, administrados em vias diferentes das prescritas, em unidades de clínica de médica, de cinco hospitais brasileiros, segundo a presença ou ausência de itens na prescrição. Ribeirão Preto, SP, 2006

*Cada prescrição pode apresentar mais de uma inadequação.

As siglas e abreviaturas verificadas foram: CP para comprimido (exemplo: complexo B comprimido 1 CP); a utilização da letra D para indicar o número de dias em que o antibiótico deveria ser administrado (exemplo: metronidazol comprimido 100mg via oral início em 22/06/2005 D1/3); UI em detrimento de Unidades Internacionais (exemplo: heparina sódica 5.000 UI subcutânea); GTS para descrever gotas (exemplo: clonazepam 10 GTS via oral), dentre outras. Nos hospitais B, C, D e E, 100% das prescrições continham siglas e/ou abreviaturas. Ainda, segundo a Tabela 3, faltou o número de registro

do paciente em 100% dos medicamentos administrados em vias diferentes daquelas especificadas na prescrição do hospital E, e em 15 (57,7%) do D. Foram omitidas, também, a data e a via de administração em uma (20,0%) prescrição no hospital C. Discussão Em estudo conduzido nos Estados Unidos da América, foram identificados 1,8% de medicamentos administrados em vias diferentes das prescritas, em um total de 146.974 eventos notificados no sistema da United

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Gimenes FRE, Marques TC, Teixeira TCA, Mota MLS, Silva AEBC, Cassiani SHB. States Pharmacopeia (USP)(4). Nesse mesmo país, em um hospital universitário de grande porte, foi detectado apenas um erro de via (0,4%) do total de 240 eventos(8). Na Europa, em investigação realizada em seis hospitais, dentre 798 doses administradas, 1% ocorreu em via diferente da prescrita(9). Entretanto, em outro estudo realizado em hospital francês, foram identificados 102 (19,0%) casos de medicamentos administrados em vias diferentes das prescritas, do total de 538 eventos adversos, relacionados à medicação. A maioria desses eventos estavam relacionados à administração de doses através de sondas nasogástricas (SNG) em substituição à via oral, de forma semelhante aos dados encontrados na presente investigação e que corroboram também outros estudos(5,10-11). A frequência de situações encontradas neste estudo, em que a via de administração estava diferente da prescrita, difere de alguns demais provavelmente pelas diferenças metodológicas adotadas, visto que nem todos consideram erro quando o medicamento é administrado por meio de sondas gástricas ou entéricas, em detrimento da via oral, ou vice-versa(9). Na prática, o que ocorre normalmente é que a equipe de enfermagem tritura comprimidos e drágeas ou abre cápsulas e solubiliza o pó em algum líquido para viabilizar a administração de medicamentos prescritos, por via oral, a pacientes com sonda gástrica ou entérica(12). Precisa ser notado, todavia, que, na administração de medicamentos, é fundamental que seja considerada a forma farmacêutica e as características químicas e físicas de cada fármaco. Entre essas características estão solubilidade, coeficiente de partição, velocidade de dissolução, forma física e estabilidade. A variação de pH do trato gastrintestinal, por exemplo, afeta o grau de ionização das moléculas do fármaco, que, por sua vez, influencia a sua solubilidade e capacidade de absorção(12- 13). Desse modo, a administração de medicamentos em vias diferentes da indicada pelo fabricante pode representar variação na biodisponibilidade do fármaco e, portanto, modificar a resposta terapêutica. Além disso, o processo de trituração e solubilização de formas farmacêuticas sólidas orais pode gerar outros problemas como a destruição do revestimento de proteção dos medicamentos de liberação entérica ou controlada ou, até mesmo, o entupimento da sonda, gerando, assim, aumento no risco de morbimortalidade e, também, nos custos referentes ao tratamento medicamentoso(14). Considerando esses aspectos, a literatura tem apresentado estudos demonstrando que, entre os erros de via, a situação mais frequentemente identificada foi aquela em que medicamentos prescritos para uso oral

foram administrados por meio de sondas(5,10-11). Diversos fatores contribuem para que essas falhas aconteçam, como, por exemplo, a falta de conhecimento ou informação sobre a terapêutica e formas farmacêuticas alternativas, inadequada avaliação e uso das informações sobre os pacientes, prescrição e nomenclaturas confusas da droga, cálculos de dosagens inadequadas e inapropriadas formulações das drogas, fatores esses que, também, contribuem para que os erros de prescrição aconteçam(6,15). Dessa maneira, administrar medicamentos corretamente aos pacientes é tarefa que compete à equipe de enfermagem que representa importante barreira para interceptação de erros(15). Entretanto, é preciso que os profissionais estejam respaldados técnica e cientificamente para realização de prática segura e eficaz de administração da farmacoterapia. Estudo realizado na Europa comprovou que ações muldisciplinares integradas, envolvendo enfermeiros, farmacêuticos, médicos e nutricionistas, promoveram a correta aplicação da terapia medicamentosa, principalmente em pacientes com utilização de sondas gástricas e enterais(14). No que diz respeito aos grupos farmacológicos, a administração de medicamentos em vias diferentes das prescritas foi mais frequente neste estudo nos grupos C, N e A, ou seja, medicamentos para os sistemas cardiovascular, nervoso e digestivo. Outros levantamentos apontam também os medicamentos cardiovasculares e digestivos como as principais classes envolvidas na ocorrência de discrepâncias, entre a via prescrita e administrada(10,11). Esse achado pode ser explicado pela vasta utilização dessas classes de medicamentos, especialmente captopril e ranitidina, em unidades de clínica médica. O hospital A, em que a prescrição era eletrônica, foi responsável pela maior frequência de erros de via na administração dos medicamentos. A prescrição eletrônica é tecnologia que deve ser utilizada para facilitar e garantir o uso dos medicamentos de forma mais segura(16), mas, se não for adequadamente utilizada, poderá não atingir tais objetivos. Dessa forma, mostra-se que apenas a prescrição eletrônica não erradica a possibilidade de erros de medicação, uma vez que a administração de medicamentos em vias diferentes das prescritas ainda ocorre com frequência em hospitais brasileiros e ao redor do mundo. Tais achados são preocupantes, pois se sabe que, dependendo do medicamento e da sua classe farmacológica, essas situações podem resultar em eventos adversos severos nos clientes, incluindo a morte. Em relação à redação da prescrição médica e que poderia ter contribuído com esse tipo de erro, o uso de siglas e abreviaturas foi a mais comum. Parece que a

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Gimenes FRE, Marques TC, Teixeira TCA, Mota MLS, Silva AEBC, Cassiani SHB.

Como citar este artigo:

Gimenes FRE, Marques TC, Teixeira TCA, Mota MLS, Silva AEBC, Cassiani SHB. Administração de medicamentos, em vias diferentes das prescritas, relacionada à prescrição médica. Rev. Latino-Am. Enfermagem [Internet]. jan-fev 2011

[acesso em: ___ ___ ___];19(1):[07 telas]. Disponível em: _____________________________________

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mês abreviado com ponto^ dia^ ano^ URL

Recebido: 8.10.2009 Aceito: 4.8.