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behaviorismo, Notas de estudo de Psicologia

cap.15 - cap.15

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 30/10/2009

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juliana-albuquerque-3 🇧🇷

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CONDICIONAMENTOS RESPONDENTE E
OPERANTE, JUNTOS
“Tenho que terminar meu trabalho de final de semestre!”
EMITINDO RESPOSTAS PARA CUMPRIR PRAZOS
Ricardo era um aluno do segundo ano do curso de Psicologia. No início do segundo ano, foi pedido aos alunos um
trabalho que deveria ser entregue no final do semestre. Como muitos estudantes, Ricardo gostava de “balada”. Uma semana
antes do prazo final do trabalho, Ricardo ainda não tinha começado a se dedicar a ele. Cinco dias antes do prazo final, ele
começou a ficar um pouco preocupado. Mas, quando os amigos o convidaram para ir a um barzinho, ele pensou: “Poxa,
ainda tenho cinco dias”. No barzinho, ele disse aos amigos: “Não me liguem nos próximos quatro dias. Tenho que terminar
um trabalho importante”. Apesar de Ricardo começar o trabalho no dia seguinte, o prazo final estava se aproximando
rapidamente. Conforme passavam os dias, ele se sentia cada vez mais nervoso sobre a possibilidade de terminar o trabalho em
tempo. Felizmente, depois de três noites seguidas de muito pouco sono, o trabalho ficou pronto. Ricardo sentiu que lhe saía um
enorme peso dos ombros.
INTERAÇÕES OPERANTE-RESPONDENTE
Nos Capítulos 3 a 13, falamos sobre princípios de condicionamento operante. No
Capítulo 14, falamos sobre princípios de condicionamento respondente. Tal fato pode ter lhe
dado a impressão de que os dois tipos de condicionamento ocorrem em seqüência. No
entanto, todo evento quase certamente inclui condicionamento tanto respondente quanto
operante, ambos ocorrendo simultaneamente. Consideremos o caso de Ricardo. Como todos
nós, Ricardo provavelmente tinha uma história de punição por deixar de cumprir prazos. A
punição elicia sentimentos de ansiedade, uma reação respondente. Como conseqüência de
pareamentos anteriores de prazos com punição, o prazo iminente provavelmente era um CS
para Ricardo, eliciando ansiedade como CR. Quanto mais próxima a data final do prazo, mais
forte seria a associação da perda do prazo com punição e mais forte a ansiedade como
resposta condicionada. E quanto ao envolvimento com o trabalho? As respostas relevantes
(pesquisar referências, ler material relacionado, fazer anotações etc.) são respostas operantes.
À medida que tais respostas ocorriam e que Ricardo começou a perceber que cumpriria o
prazo, a ansiedade diminuiu. Assim, pensar sobre o prazo provavelmente fez Ricardo sentir-se
ansioso, uma resposta reflexa, e as respostas emitidas para cumprir o prazo, respostas
operantes, eram mantidas por condicionamento de fuga (a redução da ansiedade). Sem dúvida
havia outros fatores influenciando o comportamento de Ricardo neste caso, mas, apesar disso,
a análise acima apresentada ilustra a maneira como os condicionamentos operante e
respondente podem ocorrer simultaneamente.
Eis outro exemplo de uma seqüência comportamental que envolve condicionamento
tanto respondente quanto operante. Uma criança pequena corre para agradar um cachorro
grande. Nunca tendo tido motivos para ter medo de cachorros, a criança não demonstrou
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CONDICIONAMENTOS RESPONDENTE E

OPERANTE, JUNTOS

“Tenho que terminar meu trabalho de final de semestre!”

EMITINDO RESPOSTAS PARA CUMPRIR PRAZOS

Ricardo era um aluno do segundo ano do curso de Psicologia. No início do segundo ano, foi pedido aos alunos um trabalho que deveria ser entregue no final do semestre. Como muitos estudantes, Ricardo gostava de “balada”. Uma semana antes do prazo final do trabalho, Ricardo ainda não tinha começado a se dedicar a ele. Cinco dias antes do prazo final, ele começou a ficar um pouco preocupado. Mas, quando os amigos o convidaram para ir a um barzinho, ele pensou: “Poxa, ainda tenho cinco dias”. No barzinho, ele disse aos amigos: “Não me liguem nos próximos quatro dias. Tenho que terminar um trabalho importante”. Apesar de Ricardo começar o trabalho no dia seguinte, o prazo final estava se aproximando rapidamente. Conforme passavam os dias, ele se sentia cada vez mais nervoso sobre a possibilidade de terminar o trabalho em tempo. Felizmente, depois de três noites seguidas de muito pouco sono, o trabalho ficou pronto. Ricardo sentiu que lhe saía um enorme peso dos ombros.

INTERAÇÕES OPERANTE-RESPONDENTE

Nos Capítulos 3 a 13, falamos sobre princípios de condicionamento operante. No Capítulo 14, falamos sobre princípios de condicionamento respondente. Tal fato pode ter lhe dado a impressão de que os dois tipos de condicionamento ocorrem em seqüência. No entanto, todo evento quase certamente inclui condicionamento tanto respondente quanto operante, ambos ocorrendo simultaneamente. Consideremos o caso de Ricardo. Como todos nós, Ricardo provavelmente tinha uma história de punição por deixar de cumprir prazos. A punição elicia sentimentos de ansiedade, uma reação respondente. Como conseqüência de pareamentos anteriores de prazos com punição, o prazo iminente provavelmente era um CS para Ricardo, eliciando ansiedade como CR. Quanto mais próxima a data final do prazo, mais forte seria a associação da perda do prazo com punição e mais forte a ansiedade como resposta condicionada. E quanto ao envolvimento com o trabalho? As respostas relevantes (pesquisar referências, ler material relacionado, fazer anotações etc.) são respostas operantes. À medida que tais respostas ocorriam e que Ricardo começou a perceber que cumpriria o prazo, a ansiedade diminuiu. Assim, pensar sobre o prazo provavelmente fez Ricardo sentir-se ansioso, uma resposta reflexa, e as respostas emitidas para cumprir o prazo, respostas operantes, eram mantidas por condicionamento de fuga (a redução da ansiedade). Sem dúvida havia outros fatores influenciando o comportamento de Ricardo neste caso, mas, apesar disso, a análise acima apresentada ilustra a maneira como os condicionamentos operante e respondente podem ocorrer simultaneamente. Eis outro exemplo de uma seqüência comportamental que envolve condicionamento tanto respondente quanto operante. Uma criança pequena corre para agradar um cachorro grande. Nunca tendo tido motivos para ter medo de cachorros, a criança não demonstrou

medo algum. Suponha, no entanto, que o cachorro, querendo brincar, pule e derrube a criança. Seria natural que a criança começasse a chorar devido à dor e à surpresa pelo tratamento violento. Em relação a tal seqüência comportamental, ilustrada na Figura 15-1, consideremos em primeiro lugar por que ela é um exemplo de condicionamento respondente. Um estímulo (visão do cachorro) que anteriormente não era um CS para determinada resposta (chorar e outros tipos de comportamento de medo), se transformou num CS porque foi pareado com um US (ser repentinamente derrubado) que eliciou tal resposta.

_________________________________________________________________________

Seqüência Comportamental

Ver cachorro por perto---------------------------------------------------------------->

Criança se aproxima Criança é Criança chora (e apresenta do cachorro derrubada reação emocional chamada de “medo” ou “ansiedade”)


Condicionamento Respondente

NS (ver cachorro por perto)

Pareamento

US (ser derrubado) UR (“ansiedade”)

Resultado: CS (ver cachorro por perto) tende a eliciar a CR “ansiedade”


Condicionamento Operante

S (ver cachorro por perto) R (criança se aproxima Evento punitivo (criança do cachorro) é derrubada pelo cachorro)

Resultado 1: R tende a não ocorrer novamente.

Resultado 2: A visão do cachorro por perto tende a ser um evento punitivo condicionado (devido ao pareamento com ter sido derrubada). (A visão do cachorro pode ter se tornado um evento punitivo, ao menos em parte, porque agora eliciará ansiedade, como mostrado no diagrama.)


Figura 15-1 Uma seqüência comportamental que envolve condicionamento respondente e operante e que leva ao desenvolvimento de um estímulo como evento punitivo condicionado.

Consideremos agora como tal seqüência comportamental envolveu um exemplo de condicionamento operante. A resposta operante da criança, de se aproximar do cachorro, foi seguida de um evento punitivo (a criança foi derrubada). De acordo com o princípio da punição, a criança terá menor probabilidade de se aproximar de cachorros grandes no futuro. Mais que isso, a visão de um cachorro grande por perto tem probabilidade de ser um evento punitivo condicionado (devido ao pareamento com ser derrubada). Um resultado de tal interação dos condicionamentos operante e respondente é que provavelmente levará a criança a fugir ou a se esquivar de cachorros grandes no futuro.Ou seja, quando a criança vir um cachorro grande por perto, tal fato provavelmente será um CS

completas às vezes precisam considerar as duas coisas (ver Pear e Eldridge, 1984). Uma área na qual é preciso considerar tanto o condicionamento respondente quanto o operante é o estudo das emoções.

COMPONENTES RESPONDENTES E OPERANTES DAS

EMOÇÕES

As emoções têm um papel importante em nossa vida diária. Para total compreensão desse tópico importante, examinamos o papel dos condicionamentos respondente e operante em quatro áreas: (a) a reação que temos ao sentir uma emoção (tal como o “mal- estar” no estômago logo antes de uma importante entrevista de emprego); (b) a maneira como aprendemos a expressar externamente ou a disfarçar uma emoção (tal como apertar as mãos com força para esconder o nervosismo); (c) como nos tornamos conscientes de nossas emoções e como as descrevemos (por exemplo, “Estou nervoso”, ao invés de “Estou zangado”); e (d) algumas causas das emoções.

O Componente Respondente: Nossos Sentimentos

O componente respondente das emoções envolve basicamente as três principais classes de respondentes discutidas no Capítulo 14 — reflexos do sistema digestivo, do sistema circulatório e do sistema respiratório. Tais reflexos são controlados pela parte do nosso sistema nervoso chamada de sistema nervoso autônomo. O que acontece dentro de você, por exemplo, num momento de medo intenso? Seu corpo é fisicamente estimulado — mobilizado para a ação. Suas glândulas supra-renais secretam adrenalina em sua corrente sangüínea para maior energia. Seus batimentos cardíacos se aceleram (sistema circulatório). Ao mesmo tempo, você respira mais rapidamente (sistema respiratório), fornecendo mais oxigênio para o sangue. Tal oxigênio flui pelo seu corpo com a freqüência cardíaca elevada, fornecendo oxigênio aos seus músculos. Você pode começar a transpirar, o que age como mecanismo de resfriamento, em preparação para maior liberação de energia pelo corpo. Ao mesmo tempo em que estão ocorrendo tais mudanças, você pode ter uma sensação de “mal-estar” no estômago (sistema digestivo). Os vasos sangüíneos que vão para o estômago e para os intestinos se contraem e o processo de digestão é interrompido, desviando sangue de seus órgãos internos para os seus músculos. Sua boca fica seca, uma vez que a ação das glândulas salivares é prejudicada. Você pode até perder temporariamente o controle intestinal ou urinário (uma reação que, para nossos ancestrais primitivos, deixava seus corpos mais leves em preparação para a fuga e tendia a deter seus perseguidores). Tais reações internas do corpo mobilizam os recursos que se tem para lutar ou para fugir. Tiveram valor de sobrevivência em nossa história evolucionária, mas nem sempre são úteis na sociedade moderna (p. ex., quando somos chamados para fazer um discurso ou para responder uma pergunta em sala de aula). Respostas autonômicas ocorrem como reações incondicionadas aos estímulos, e tais respostas podem ser visíveis, como enrubescer, tremer e chorar. Em estudos com recém-nascidos, a perda da sustentação, sons altos ou um empurrão são estímulos incondicionados que eliciam as respostas incondicionadas de suspender a respiração, de agarrar ou estender as mãos, de franzir os lábios e de chorar, os quais chamamos de medo. Impedir os movimentos de um bebê elicia choro, berros e enrijecimento corporal que chamamos de irritação. E cócegas, embalo suave e carícias parecem ser estímulos incondicionados para as respostas de sorrir e balbuciar, que chamamos de alegria. Evidências inter-culturais sugerem que tais reações reflexas podem ser universais (Ekman,

1972). Aprendemos a descrever tais componentes fisiológicos de nossas emoções como nossos sentimentos. Apesar da necessidade de futuras pesquisas para determinar o número exato de reflexos emocionais herdados, não há dúvida sobre a importância do condicionamento respondente na associação de componentes fisiológicos das emoções a novos estímulos. Praticamente todos os órgãos e glândulas controlados pelo sistema nervoso autônomo são suscetíveis a condicionamento respondente (Airapetyantz e Bykov, 1966). Ao demonstrarem o condicionamento respondente de emoções com seres humanos, os pesquisadores freqüentemente recorrem aos sinais visíveis das mudanças fisiológicas para demonstrar que a aprendizagem ocorreu. Considere um experimento clássico realizado por John B. Watson e Rosalie Rayner (1920). Eles tinham interesse em demonstrar que os medos podiam ser aprendidos através de procedimentos pavlovianos. Realizaram seu experimento com um bebê normal de 11 meses, que recebeu o nome de Albert no relatório. Albert estava no hospital no qual o estudo foi feito porque sua mãe trabalhava ali como enfermeira. Durante observações preliminares, foi demonstrado que Albert não tinha medo de uma variedade de itens que eram colocados perto dele, enquanto brincava alegremente num tapete no chão. Os pesquisadores demonstraram também que o ruído feito ao bater com um martelo numa caixa de aço eliciava uma reação de medo. Eles apresentaram um rato branco (do qual Albert não demonstrara medo anteriormente) e, enquanto Albert observava o rato atentamente, um dos pesquisadores bateu com o martelo na caixa, perto de Albert. O ruído alto causou susto, choro e outros comportamentos de medo em Albert. Depois de um total de sete pareamentos do ruído alto diante da visão do rato, em duas sessões separadas por um período de cerca de uma semana, Albert apresentou uma reação de medo muito forte diante do rato. Sempre que o rato aparecia, Albert chorava, tremia e assumia a expressão facial de medo. Ao serem introduzidos outros itens, diante dos quais Albert não havia demonstrado medo anteriormente, o medo de Albert se estendeu também para tais objetos. Particularmente, tal medo se transferiu para um coelho, um cachorro, um casaco de pele e um pedaço de algodão. Mary Cover Jones (1924) levou adiante algumas das sugestões de Watson e demonstrou que reações de medo em bebês podiam ser eliminadas através de extinção respondente. Hoje em dia seria considerado antiético submeter bebês a estímulos aversivos para fins experimentais. Também já foram levantadas dúvidas sobre o procedimento utilizado no estudo de Watson e Rayner (Harris, 1979). Apesar disso, a descoberta de que medos podem ser instalados por aprendizagem reflexa está bem demonstrada. Os sentimentos associados a outras emoções também são influenciados pelo condicionamento respondente. Numa reunião familiar, por exemplo, os membros da família vivenciam muitos momentos felizes. Algumas semanas depois, ao ver as fotografias tiradas na reunião, as imagens provavelmente serão estímulos condicionados que eliciarão sentimentos “felizes”. Mas as emoções envolvem mais do que as respostas autonômicas que sentimos. Vejamos como também o condicionamento operante está envolvido.

Componentes Operantes: Nossas Ações, Descrições e Conscientização

Quando você vivencia um evento causador de emoção, seu corpo responde com uma reação fisiológica imediata, acompanhada de uma expressão facial. Depois, o que acontece? Isso depende de suas experiências de aprendizagem operante. Numa situação que causa raiva, por exemplo, uma pessoa pode cerrar os punhos e xingar (ver Figura 15-3). Outra pessoa, na mesma situação, pode respirar de maneira ofegante e se afastar. Albert, inicialmente, demonstrou os componentes respondentes de medo chorando e tremendo (assim como a reação interna mencionada anteriormente neste capítulo). No entanto, ele

Assim, ao nomear as emoções, nem sempre temos acesso aos eventos que as causam, aos sentimentos internos e aos comportamentos operantes relevantes. Tal fato contribui para inconsistências na maneira como falamos sobre as emoções.

Algumas Causas de Emoções

A apresentação e a retirada de reforçadores e a apresentação e a retirada de estímulos aversivos constituem as quatro causas principais das emoções. A apresentação de reforçadores produz a emoção chamada satisfação. Tirar 10 numa prova, receber um cumprimento, receber o salário e assistir a um filme divertido são exemplos nos quais está envolvida a apresentação de reforçadores positivos. A retirada ou perda de reforçadores produz a emoção chamada de raiva. Todos nós já vivenciamos eventos causadores de raiva, tais como uma máquina de vender que “engole” nosso dinheiro, mas não entrega o item comprado; ficar esperando muito para ser atendido pelo médico; uma caneta que pára de escrever no meio de um teste; e o fechamento de uma bilheteria logo antes de chegar a sua vez de comprar um ingresso. A apresentação de estímulos aversivos produz a emoção chamada de ansiedade. Pessoas estranhas de aparência suspeita, se aproximando numa rua deserta; ver um carro vindo em sua direção em alta velocidade; ou escutar um cachorro latindo atrás de você são todos eventos com probabilidade de fazê-lo se sentir ansioso. Finalmente, a retirada de estímulos aversivos produz uma emoção que é chamada de alívio. Por exemplo, quando uma mulher recebe os resultados do exame de um nódulo no seio, ou um homem recebe os resultados de um exame de próstata aumentada, e fica sabendo que o problema não é um câncer, o indivíduo provavelmente sente alívio. Cada uma de tais emoções ocorre num continuum que vai de muito fraca a muito forte. A apresentação de reforçadores, por exemplo, pode causar emoções que variam de uma leve satisfação até a alegria, chegando ao êxtase. A retirada de reforçadores pode causar emoções que variam de um leve aborrecimento até a raiva, chegando à fúria. A apresentação de eventos aversivos pode causar uma leve apreensão, ansiedade ou total terror. E os efeitos da retirada de estímulos aversivos podem variar de um pequeno alívio até um colapso emocional. Outras emoções podem representar uma mistura de algumas dessas emoções básicas (ver, p.ex., Martin e Osborne, 1993). Resumindo, muitas de nossas emoções são causadas quer pela apresentação, quer pela retirada de reforçadores ou de estímulos aversivos. Nossas emoções têm três características importantes: (a) a reação autonômica que se sente durante a vivência de uma emoção (tipicamente acompanhada por sinais visíveis, tais como carrancas ou sorrisos), que é determinada por condicionamento respondente; (b) a maneira como você aprende a expressar publicamente uma emoção (tal como pular, gritar), que é determinada pelo condicionamento operante; e (c) a maneira pela qual você descreve e se conscientiza de suas emoções, que também é determinada pelo condicionamento operante. Nos Capítulos 27 e 28 discutiremos exemplos de como os condicionamentos respondente e operante foram utilizados para modificar emoções perturbadoras.

COMPONENTES RESPONDENTES E OPERANTES DO

PENSAMENTO

Como as emoções, muito daquilo que chamamos de “pensar”, em linguagem coloquial, envolve tanto componentes respondentes, quanto operantes.

Um Componente Respondente: Nossas Imagens

Tente fazer o seguinte exercício. Feche os olhos e imagine que você está sentado numa espreguiçadeira, no seu quintal, num dia quente de verão. Você olha para o alto e vê o céu claro e azul. Imagine algumas nuvens brancas e fofas sendo levadas lentamente pela brisa. A probabilidade é de que você consiga formar uma imagem clara do céu azul e das nuvens brancas e fofas — tão clara, que você quase consegue enxergar as cores. Portanto, um dos tipos de pensamento parece consistir em imaginar em resposta a palavras — imaginar tão vividamente, que às vezes pode parecer realidade. Isso provavelmente ocorre através de condicionamento respondente ou pavloviano. Se você realmente olhar para um céu claro e azul, a cor eliciará atividade no sistema visual, quase como o alimento eliciou salivação nos cães de Pavlov. Conforme você foi crescendo, passou por muitas experiências nas quais as palavras “céu azul” foram pareadas com o comportamento de realmente olhar e ver um céu azul. Como conseqüência, quando você fecha os olhos e imagina que está olhando para um céu azul (com algumas nuvens brancas e fofas), as palavras provavelmente eliciam atividade na parte visual do cérebro, de forma que você vivencia o comportamento de “ver” a cena real. Isso foi chamado de visão condicionada (Skinner, 1953). Num sentido mais amplo, poderíamos pensar em um sentir condicionado. Isto é, assim como conseguimos a visão condicionada através da experiência, também conseguimos audição condicionada, olfato condicionado e sentimento condicionado. Considere o exemplo descrito por Martin e Osborne (1993), no qual um indivíduo vivencia vários encontros sexuais ardentes com uma parceira que usava, de maneira consistente, um perfume muito característico. Depois, certo dia numa loja, alguém passa caminhando perto desse indivíduo, usando o mesmo perfume. O indivíduo imediatamente imaginou ver a parceira (visão condicionada), sentiu um formigamento por todo o corpo (sensação condicionada) e até imaginou ouvir a voz da parceira (audição condicionada). Tal tipo de coisa também é parte do que acontece durante a fantasia. Fantasiar ou ler ou escutar uma história significa, em certo sentido, estar lá. É como se você pudesse ver o que as pessoas da história vêem, sentir o que elas sentem e ouvir o que elas ouvem. Somos capazes disso devido a muitas ocorrências de sensação condicionada. Nossas longas histórias de associação de palavras com visões, sons, cheiros e sensações reais nos permitem vivenciar as cenas que as palavras de um autor descrevem. As ações internas que ocorrem quando estamos pensando são reais — realmente estamos vendo ou sentindo ou ouvindo enquanto respondemos às palavras (Mallott e Whaley, 1983; Pear, 2001).

Um Componente Operante: Nossa Auto-Verbalização

Imaginar (visão condicionada) e outros tipos de sensação condicionada constituem um tipo de pensamento. Outro tipo de pensamento é o comportamento verbal auto-direcionado ou auto-verbalização. Como indicamos em capítulos anteriores, nosso comportamento verbal nos é ensinado pelos outros através de condicionamento operante. Aprendemos a falar devido a conseqüências eficazes por fazê-lo. Na infância, aprendemos a pedir coisas tais como nossos alimentos favoritos e a oportunidade de assistir a nossos desenhos animados prediletos, e aprendemos a dizer coisas que agradam à Mamãe e ao Papai, a tias e tios e outras pessoas. Grande parte de nosso pensamento é comportamento verbal. Enquanto somos crianças, aprendemos a pensar em voz alta, porque isso nos ajuda a realizar as tarefas de maneira mais eficaz (Roberts, 1979). Quando as crianças começam a freqüentar a escola, muitas vezes repetem as regras para si mesmas, em voz alta, a fim de se adaptar a tarefas difíceis (Roberts e Tharp, 1980). Quando estão com cerca de cinco ou seis anos, no entanto, as crianças também começam a se engajar em fala subvocal, no sentido de que suas autoverbalizações começam a acontecer abaixo do nível de fala (Vygotsky, 1978). Aprendemos muito cedo a conversar silenciosamente conosco mesmos, por nos depararmos com eventos punitivos quando pensamos em voz alta (Skinner, 1957). Por

Anotação 1

comportamento se interessaram em lidar com comportamento privado.Como ilustrado pelo trabalho de Joseph Cautela e seus colegas, pensamentos e sentimentos, como comportamentos privados, são um objeto de estudo apropriado para modificadores de comportamento e é possível lidar com eles através dos princípios dos condicionamentos respondente e operante (p. ex., Cautela e Kearney, 1993). Nos Capítulos 27 e 28, descreveremos estratégias comportamentais para superar pensamentos e sentimentos perturbadores.

QUESTÕES PARA ESTUDO

  1. Explique como o condicionamento respondente e o condicionamento operante podem interagir para levar um indivíduo a fugir ou se esquivar de um determinado estímulo. Utilize diagramas e exemplos para tornar clara sua explicação.
  2. Descreva várias atividades fisiológicas que vivenciamos num momento de grande medo.
  3. Descreva reflexos incondicionados que parecem caracterizar as emoções de medo, raiva e alegria.
  4. No experimento com Albert, qual era o US? E a UR? E o CS? E a CR?
  5. Estudos interculturais sobre as emoções sugerem que as emoções são universais e culturais. Como podemos explicar tal aparente contradição?
  6. Em uma sentença para cada característica, resuma três importantes características que compõem nossas emoções.
  7. Descreva um exemplo de pensamento respondente que não seja extraído do livro.
  8. Descreva um exemplo de pensamento operante que não seja extraído do livro.
  9. Quando modificadores de comportamento falam de comportamento privado, a que estão se referindo?
  10. Qual o pressuposto básico expresso pelos autores sobre comportamento público e privado?
  11. Descreva um comportamento não descrito no livro que ilustre como o pensamento operante pode funcionar como um CS para eliciar o componente respondente da emoção.
  12. Modificadores de comportamento negam a existência e a importância de pensamentos e sentimentos. Discuta.

EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO

A. Exercício Envolvendo Terceiros

Escolha uma emoção (por ex., raiva) e observe demonstrações operantes dessa emoção em duas pessoas que você conheça. Os componentes operantes são similares ou diferentes nas duas pessoas?

B. Exercício de Auto-Modificação

Pense numa emoção que você sinta com freqüência. Descreva em que tal experiência inclui tanto respostas respondentes quanto operantes.

ANOTAÇÃO E DISCUSSÃO ADICIONAL

  1. Várias técnicas comportamentais dependem de imagens. No Capítulo 28, descrevemos como Wolpe usava imagens na dessensibilização sistemática. Outro procedimento envolvendo imagens é chamado de sensibilização encoberta (Cautella, 1966), que, na essência, é uma forma de terapia de aversão (ver Capítulo 14), na qual um reforçador pernicioso é pareado repetidamente com um estímulo aversivo. Você se lembra que a terapia de aversão se baseia no contracondicionamento — supõe-se que o reforçador pernicioso se tornará menos reforçador porque virá a eliciar uma resposta similar àquela eliciada pelo estímulo aversivo. Na sensibilização encoberta, o cliente imagina tanto o reforçador pernicioso, quanto o estímulo aversivo. Tal procedimento recebe esse nome porque o pareamento dos estímulos ocorre apenas na imaginação do cliente (em outras palavras, é encoberto), e o resultado esperado de tal processo de pareamento encoberto é que o reforçador indesejado se torne aversivo (isto é, o cliente se torna sensibilizado a ele). O procedimento foi utilizado com clientes que querem deixar de fumar (como descrito por Irey, 1972). Durante uma determinada tentativa, o cliente pode ser instruído a imaginar vividamente que acende um cigarro depois de um jantar num restaurante, traga e, então, subitamente se sente tão mal que vomita nas mãos, nas roupas, na toalha de mesa e nas outras pessoas à mesa. Ele continua a vomitar e, depois, quando o estômago estiver vazio, a ter náuseas, enquanto as outras pessoas que estão no restaurante o fitam com nojo. Em resumo, faz-se com que a cena seja extremamente realista e aversiva. Quando o grau máximo de aversividade é sentido, o cliente é instruído a imaginar que se afasta de seu cigarro e que imediatamente começa a se sentir melhor. A cena termina com o cliente se lavando no banheiro, sem os cigarros e sentindo enorme alívio. Pesquisa sobre sensibilização encoberta pode ser encontrada em Cautella e Kearney (1993).

Questões para Estudo sobre a Anotação

  1. Qual a racional da sensibilização encoberta?
  2. Descreva um exemplo plausível de sensibilização encoberta.