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cap.8 - cap.8
Tipologia: Notas de estudo
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“Pedro, qual é o seu nome?”
ENSINANDO O PRÓPRIO NOME A PEDRO^2
Pedro, diagnosticado com autismo, possuía um extenso repertório vocal imitativo (era capaz de repetir muitas das palavras que as outras pessoas diziam), mas apresentava pouco comportamento verbal de outro tipo. Imitava muitas palavras, mesmo quando isso não era adequado. Por exemplo: quando lhe perguntavam: “Qual o seu nome?”, respondia: “Nome”. Às vezes, repetia a pergunta toda: “Qual o seu nome?” O problema era de controle de estímulo, uma vez que as perguntas (estímulos) evocavam respostas imitativas em vez de respostas apropriadas. Verônica, uma estudante universitária, ensinou Pedro a responder adequadamente à pergunta “Qual o seu nome?” Primeiro, Verônica identificou um reforçador eficaz. Uma vez que Pedro havia sido ensinado a trabalhar em troca de fichas de plástico que poderiam ser trocadas, por exemplo, por balas e pipocas, Verônica decidiu usar as fichas como reforçadores. Pedro sentava-se a uma mesinha numa sala tranqüila, e Verônica sentava-se à sua frente. Num sussurro muito suave, Verônica perguntava: “Qual o seu nome?”. Em seguida, antes que Pedro conseguisse responder, ela gritava bem alto e bem depressa: “PEDRO!” Logicamente, Pedro repetia a palavra “Pedro”, e Verônica reforçava isso dizendo “Muito bem!” e dando-lhe uma ficha. Você talvez esteja pensando se isso representava algum progresso, uma vez que o menino continuava apenas imitando a universitária. No entanto, depois de várias tentativas, Verônica começou a fazer a pergunta “Qual o seu nome?”, em voz mais alta e começou a fornecer a resposta “Pedro” em tom mais baixo. Em cada tentativa,
“Qual o seu nome? e simplesmente executava o movimento de lábios correspondente à palavra “Pedro”. Mesmo assim, o menino emitia a resposta correta. Depois de várias repetições, Verônica parou até mesmo de esboçar a resposta correta, mas Pedro continuou respondendo corretamente à pergunta “Qual o seu nome?”
(^1) A tradução literal de to fade é “desbotar” e, desse verbo, vem o termo fading , traduzido como esvanecimento. Como existe a diferenciação entre fading in e fading out , alguns tradutores optam por manter esses termos em inglês. Optamos, aqui, pela utilização das expressões “esvanecimento através da remoção gradual do estímulo” e “esvanecimento através da introdução gradual de estímulos”, conforme proposto pelas tradutoras do livro Princípios Elementares do Comportamento, de Whaley e Malott (1980). (N. da T.)
(^2) Este caso foi retirado de Martin, England, Kaprowy, Kilgour e Pilek (1968).
ESVANECIMENTO
O esvanecimento é a mudança gradual, ao longo de repetições sucessivas, de um estímulo que controla a resposta, de maneira que a resposta eventualmente ocorre diante de um estímulo parcialmente modificado ou completamente novo (Deitz & Malone, 1985). No caso descrito, Pedro, inicialmente, só dizia seu nome, quando este fosse pronunciado por outra pessoa. Através de um processo de esvanecimento, o controle de estímulo sobre a resposta “Pedro” foi gradualmente transferido do estímulo “Pedro” para o estímulo “Qual o seu nome?” (Neste ponto, alguém poderia perguntar se Pedro sabia que estava dizendo seu próprio nome. Mas essa é uma questão vaga, portanto tentemos expressá-la de forma mais comportamental. Será que Pedro teria respondido corretamente, de maneira consistente, quando lhe fizessem outras perguntas envolvendo seu nome; por exemplo, será que teria respondido “Pedro”, consistentemente, ao lhe mostrarem seu reflexo num espelho e lhe perguntarem “Quem é aquele?” Provavelmente, não. No entanto, ensiná-lo a responder à pergunta “Qual o seu nome?” foi um início adequado e importante para ensiná-lo a responder a outras perguntas envolvendo seu nome e para seu conhecimento sobre estar dizendo seu nome.) O esvanecimento está envolvido em muitas situações cotidianas nas quais uma pessoa ensina um comportamento a outra. Pais certamente esvanecem sua ajuda e apoio quando ensinam uma criança a andar ou a andar de bicicleta. Um professor de dança talvez use cada vez menos pressão na mão ao conduzir uma aluna através de novos passos de dança. E, à medida que um jovem progride nas aulas da auto-escola, o instrutor provavelmente fornece cada vez menos dicas verbais em relação a várias regras de trânsito. Em qualquer situação em que um estímulo exerça um controle poderoso sobre uma resposta, o esvanecimento pode ser um procedimento muito útil para transferir o controle de tal resposta para outro estímulo. A descoberta e o desenvolvimento de técnicas de esvanecimento levaram a algumas mudanças nos pontos de vista dos educadores com relação ao processo de aprendizagem. Em determinada época, acreditava-se que as pessoas tinham que cometer enganos durante a aprendizagem, a fim de saber o que não deveriam fazer. No entanto, é possível ocorrer a transferência de uma discriminação, sem erros, e isso tem pelo menos três vantagens em relação aos procedimentos que envolvem tentativa e erro. Em primeiro lugar, os erros consomem um tempo valioso. Segundo: se um erro ocorre uma vez, tende a ocorrer muitas vezes, ainda que esteja sendo colocado em extinção. (Lembre-se que no Capítulo 5 dissemos que, durante a extinção, “as coisas podem piorar antes de melhorar”.) Terceiro: o não-reforçamento que acontece quando os erros estão sendo colocados em extinção muitas vezes produz efeitos colaterais emocionais, tais como ataques de birra, comportamento agressivo e tentativas de fugir da situação. Utilizamos procedimentos de esvanecimento em muitas situações de aprendizagem em nossos programas com indivíduos com déficits de desenvolvimento e autismo, assim como com crianças bem pequenas. Ao ensinar alunos a dar nome a uma peça de roupa ⎯ uma camisa, por
exemplo, ⎯ os instrutores podem proceder de acordo com as seguintes passos:
reforçamento dos comportamentos de sentar-se atentamente; comportamento verbal adequado; desenhar; copiar e outros comportamentos desejados. A carteira de cada criança foi colocada ao lado da parede, de maneira a dificultar sua saída da situação. Em uma semana, as crianças aprenderam a permanecerem sentadas quietas, a prestar atenção ao instrutor e a repetir palavras no treinamento verbal. Fora estabelecido controle de estímulo entre a situação geral de treinamento e a atenção por parte das crianças. Mas, naquele momento, nosso objetivo era ensinar as crianças a atuar adequadamente numa situação de sala de aula normal, com uma professora à frente da classe. No entanto, caso tivéssemos passado imediatamente para tal situação, depois da primeira semana, as crianças sem dúvida teriam apresentado muitos comportamentos de desatenção e agitação. Portanto, depois de um período de quatro semanas, mudamos gradualmente de uma sala pequena, com três alunos e três instrutores, para uma sala de aula de tamanho padrão, com sete alunos e uma instrutora. Tal esvanecimento ocorreu através de duas dimensões de estímulo. Uma das dimensões foi a estrutura física da sala. Transferimos as crianças da sala pequena para a sala de aula normal. No entanto, o fizemos colocando, inicialmente, as três carteiras de encontro à parede da sala de aula normal, exatamente como havíamos feito na sala pequena. As três cadeiras nas quais os instrutores se sentavam também foram levadas para a sala de aula normal. O restante da sala permaneceu vazio. Com o passar de vários dias, as carteiras foram gradualmente afastadas da parede e movidas em direção ao centro da sala, até que, finalmente, as três carteiras estavam lado a lado. Carteiras adicionais e outros móveis foram acrescentados, um item por vez, até que as crianças finalmente estavam sentadas em carteiras numa sala de aula mobiliada normalmente. A segunda dimensão foi o número de crianças por instrutor. O esvanecimento em relação a tal dimensão ocorreu conjuntamente com o esvanecimento da primeira dimensão. Inicialmente, cada instrutor trabalhou com um aluno, durante várias sessões. O instrutor trabalhou, então, com duas crianças, alternando perguntas entre as duas, durante várias sessões. Desta forma, a razão aluno-instrutor foi aumentada gradualmente até que apenas um instrutor estivesse trabalhando com até sete crianças numa situação de sala de aula.
FATORES QUE INFLUENCIAM A EFICÁCIA DO ESVANECIMENTO
1. Escolha do Estímulo Final Desejado
O estímulo final desejado (i.e., o estímulo que queremos que evoque ou produza o comportamento no final do procedimento de esvanecimento) deve ser escolhido com cuidado. É importante selecionar o estímulo final desejado de forma que a ocorrência da resposta diante de tal estímulo tenha probabilidade de ser mantida no ambiente natural. Alguns programas de esvanecimento cometem um erro ao encerrar o procedimento com um estímulo que não inclui algum aspecto da situação que o aluno encontrará freqüentemente no ambiente natural. Considere o caso de Pedro. Teria sido fácil para Verônica interromper o treinamento no penúltimo passo, no qual Verônica perguntava em voz bem alta: “Qual é o seu nome?” e depois sussurrava a palavra “Pedro”. No entanto, quando outras pessoas se aproximavam de Pedro, em seu ambiente natural, e lhe perguntavam “Qual o seu nome?”, era pouco provável que sussurrassem “Pedro”. Por isso, Verônica realizou a última etapa do programa, na qual Pedro respondia corretamente a pergunta “Qual é o seu nome?”, sem ajuda e sem deixas.
2. Escolha do Estímulo Inicial: Uma Deixa
No início de um programa de esvanecimento, é importante selecionar um estímulo inicial que evoque, com certeza, o comportamento desejado. Na tarefa de ensinar o próprio nome a
Pedro, Verônica sabia que Pedro repetiria a última palavra de uma pergunta, quando tal palavra fosse dita em voz alta. Assim, o estímulo inicial com Pedro foi a pergunta “Qual o seu nome?”, dita de maneira muito suave e seguida rapidamente da resposta “Pedro!”, em voz bem alta. A palavra “Pedro” era a deixa para que ele desse a resposta correta. Uma deixa é um estímulo (tal como dizer “Pedro”) introduzido para aumentar a probabilidade da emissão do comportamento desejado, mas que não é o estímulo final desejado para controlar tal comportamento. Comportamentos do Instrutor como Deixas. Convém distinguir entre diversos tipos de comportamento do instrutor que podem ser utilizados como deixas. D eixas físicas (também chamadas de ajuda física ) consistem em o instrutor tocar o aprendiz para conduzi-lo adequadamente. Os pais muitas vezes utilizam ajuda física para auxiliar seus filhos a aprenderem novos comportamentos, tal como quando seguram a mão da criança que está aprendendo a andar. Outros exemplos: dançarinos iniciantes, alunos de artes marciais e jogadores de golfe novatos geralmente consideram útil uma “mão condutora”. Deixas gestuais são certos movimentos que o instrutor faz, tais como apontar para a alternativa correta ou fazer movimentos em direção ao aprendiz, sem tocá-lo. Um instrutor pode, por exemplo, levar um dedo aos lábios como deixa para que as crianças façam silêncio na biblioteca ou estender a mão com a palma para fora como deixa para andar devagar pelo corredor. Deixas de imitação acontecem quando o instrutor demonstra o comportamento correto (a imitação é discutida em mais detalhes no Capítulo 18). Um professor de natação pode dar modelo dos movimentos de braço corretos a crianças que estão aprendendo o nado livre. Um instrutor de golfe pode dar o modelo da maneira correta de empunhar um taco para um grupo de jogadores iniciantes. Deixas verbais são dicas ou pistas verbais. Um instrutor de auto-escola pode utilizar deixas verbais, dizendo a um aluno para “verificar se vêm vindo carros, antes de se afastar da calçada”. Pais geralmente utilizam deixas verbais quando ensinam seus filhos a se vestirem (p. ex., “Agora enfie o braço na manga”.).
Anotação 1
Alterações Ambientais como Deixas. Deixas ambientais consistem em alterações no ambiente físico, de uma maneira que evocará o comportamento desejado. Uma pessoa que esteja tentando se alimentar de maneira saudável, por exemplo, poderia colocar uma vasilha com frutas frescas num lugar de fácil acesso e, ao mesmo tempo, manter os alimentos não saudáveis num armário de difícil acesso. Uma estudante poderia, por exemplo, assegurar-se de que seu local de estudo contivesse apenas objetos e materiais relacionados aos estudos. Deixas Extra-Estímulo e Deixas Intra-Estímulo. Deixas por comportamento do instrutor e deixas ambientais podem ainda ser subdivididas em deixas extra-estímulo e deixas intra-estímulo. Uma deixa extra-estímulo é algo que é acrescentado ao ambiente para tornar mais provável uma resposta correta. Suponha, por exemplo, que uma mãe queira ensinar a filho a colocar a faca, o garfo e a colher no local adequado, ao arrumar a mesa para o jantar. Uma opção seria a mãe apontar para o local adequado de cada talher, enquanto ele vai sendo nomeado e posicionado. Apontar seria uma deixa extra-estímulo tipo comportamento do instrutor e seria esvanecida através de sucessivas repetições. Como alternativa, a mãe poderia desenhar uma faca, um garfo e uma colher, em suas devidas posições, num jogo americano, e pedir à criança que posicionasse os talheres adequadamente. Os desenhos seriam uma deixa ambiental extra-estímulo, e eles poderiam ser gradualmente apagados no decorrer das repetições. Uma deixa intra-estímulo é uma alteração nas características do SD^ ou do SΔ^ para torná-los mais conspícuos e, portanto, mais fáceis de discriminar. No exemplo de arrumar a mesa, o treino poderia ser iniciado com um garfo e uma faca comuns em suas posições normais, e com uma grande colher de madeira como item de treino. Essa seria uma deixa ambiental intra-estímulo. O enfoque inicial seria ensinar a criança a colocar a colher no local correto. No decorrer das tentativas, o tamanho da colher poderia ser esvanecido até o tamanho normal. Tal processo poderia então ser repetido com a faca e com o garfo, até que a criança arrume a mesa corretamente. Uma deixa intra-estímulo também poderia envolver comportamento do instrutor. Caso um instrutor, por exemplo, quisesse ensinar uma criança a responder adequadamente a duas palavras com som semelhante, tais como mão e mamão (ambas incluem o som “mão”), ele poderia, inicialmente, exagerar as diferenças nos sons
CILADAS DO ESVANECIMENTO
Assim como outros princípios e procedimentos comportamentais podem ser aplicados de maneira não intencional, por pessoas não familiarizadas com eles, também o esvanecimento pode ser mal empregado. No entanto, parece ser mais difícil a utilização equivocada e inadvertida do esvanecimento, porque a necessária mudança gradual nas deixas raramente acontece por acaso. O caso da criança que batia a cabeça sobre superfícies duras (descrito no Capítulo 8) pode ser um exemplo dos efeitos da má utilização do esvanecimento. No Capítulo 10, ressaltamos que a modelagem pode produzir tal comportamento. Também é possível que o esvanecimento seja responsável por ele. Suponha que, inicialmente, a criança tenha começado a atrair atenção por bater a cabeça em superfícies macias, tais como grama. No início, tal comportamento pode ter levado os adultos a virem correndo para ver se a criança havia se machucado. Quando, eventualmente, percebiam que não ocorria nenhum ferimento como resultado de tal comportamento, paravam de lhe dar atenção. A criança pode ter passado, então, a bater a cabeça com a mesma força, mas sobre superfícies um pouco mais duras, tais como pisos acarpetados. Por algum tempo, isso talvez tenha aumentado a atenção dada pelos adultos, mas, eventualmente, tal atenção pode ter decrescido, quando os adultos perceberam que a criança não se machucava dessa maneira. Somente quando a criança passou a bater a cabeça em superfícies como pisos duros e até concreto, o que causava autoferimentos reais e sérios, os adultos lhe deram atenção contínua. Note que neste exemplo houve uma mudança gradual no estímulo (o tipo de superfície do piso) que evocava o comportamento indesejado; por fim, o comportamento era evocado pelo estímulo mais indesejado possível. Assim, este exemplo se encaixa à definição técnica de esvanecimento.
DIRETRIZES PARA APLICAÇÃO EFICAZ DO ESVANECIMENTO
QUESTÕES PARA ESTUDO
EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO
A. Exercícios Envolvendo Terceiros