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behaviorismo, Notas de estudo de Psicologia

cap.3 - cap.3

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 30/10/2009

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juliana-albuquerque-3 🇧🇷

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ÁREAS DE APLICAÇÃO:
UMA VISÃO GERAL
O valor das técnicas de modificação de comportamento, para aprimorar uma grande
variedade de comportamentos, foi amplamente demonstrado em milhares de relatos de pesquisa.
Foram documentadas aplicações bem sucedidas com populações que variam desde pessoas com
severas deficiências de aprendizagem até as altamente inteligentes, dos muito jovens aos muito
velhos, tanto em programas institucionais controlados como em cenários comunitários menos
controlados. Os comportamentos têm variado de simples habilidades motoras à complexa
resolução de problemas intelectuais. As aplicações têm ocorrido, com crescente freqüência, em
áreas como educação, serviço social, enfermagem, psicologia clínica, psiquiatria, psicologia
comunitária, medicina, reabilitação, negócios, indústria e esportes. Este capítulo descreve
brevemente as principais áreas de aplicação, nas quais a modificação de comportamento tem uma
base sólida e um futuro promissor.
PAIS E FILHOS
Ser pai (ou mãe) é uma tarefa tremendamente desafiadora. Além de atender às
necessidades básicas da criança, os pais são totalmente responsáveis pelo desenvolvimento
comportamental inicial da criança, continuando a partilhar dessa responsabilidade com
professores e outros, à medida que a criança amadurece, passando pelos primeiros anos da escola,
pela adolescência, até a idade adulta. Existem diversas aplicações de modificação de
comportamento para ensinar aos pais métodos para melhorar suas práticas de educação dos
filhos. Técnicas comportamentais já foram utilizadas para ajudar os pais a ensinarem a seus filhos,
de maneira mais eficaz, a andar; a desenvolver habilidades iniciais de linguagem; a adquirir
repertório para o uso do banheiro; e a incentivar os filhos a realizar tarefas domésticas
(Kendall,2000; Meadows, 1996). Os pais também foram ensinados a usar estratégias
comportamentais para reduzir comportamentos problemáticos, como: roer unhas, ataques de
birra, comportamentos agressivos, desatenção a regras, não atendimento de solicitações dos pais e
discussões freqüentes (Christopherson e Mortweet, 2001; Schaefer e Briesmeister, 1998; Serketich
e Dumas, 1996). Allen e Warzak (2000) forneceram uma análise útil sobre as condições que
fortalecem ou enfraquecem a adesão dos pais a programas comportamentais eficazes com seus
filhos. Alguns problemas comportamentais de crianças e adolescentes são complexos o bastante
para que, além de ajudar os pais a trabalhar com seus filhos, psicólogos clínicos de orientação
comportamental tratem diretamente dos problemas (Blum e Friman, 2000; Gimpel e Holland,
2003; Hersen e Last, 1999; Watson e Gresham, 1998).
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ÁREAS DE APLICAÇÃO:

UMA VISÃO GERAL

O valor das técnicas de modificação de comportamento, para aprimorar uma grande variedade de comportamentos, foi amplamente demonstrado em milhares de relatos de pesquisa. Foram documentadas aplicações bem sucedidas com populações que variam desde pessoas com severas deficiências de aprendizagem até as altamente inteligentes, dos muito jovens aos muito velhos, tanto em programas institucionais controlados como em cenários comunitários menos controlados. Os comportamentos têm variado de simples habilidades motoras à complexa resolução de problemas intelectuais. As aplicações têm ocorrido, com crescente freqüência, em áreas como educação, serviço social, enfermagem, psicologia clínica, psiquiatria, psicologia comunitária, medicina, reabilitação, negócios, indústria e esportes. Este capítulo descreve brevemente as principais áreas de aplicação, nas quais a modificação de comportamento tem uma base sólida e um futuro promissor.

PAIS E FILHOS

Ser pai (ou mãe) é uma tarefa tremendamente desafiadora. Além de atender às necessidades básicas da criança, os pais são totalmente responsáveis pelo desenvolvimento comportamental inicial da criança, continuando a partilhar dessa responsabilidade com professores e outros, à medida que a criança amadurece, passando pelos primeiros anos da escola, pela adolescência, até a idade adulta. Existem diversas aplicações de modificação de comportamento para ensinar aos pais métodos para melhorar suas práticas de educação dos filhos. Técnicas comportamentais já foram utilizadas para ajudar os pais a ensinarem a seus filhos, de maneira mais eficaz, a andar; a desenvolver habilidades iniciais de linguagem; a adquirir repertório para o uso do banheiro; e a incentivar os filhos a realizar tarefas domésticas (Kendall,2000; Meadows, 1996). Os pais também foram ensinados a usar estratégias comportamentais para reduzir comportamentos problemáticos, como: roer unhas, ataques de birra, comportamentos agressivos, desatenção a regras, não atendimento de solicitações dos pais e discussões freqüentes (Christopherson e Mortweet, 2001; Schaefer e Briesmeister, 1998; Serketich e Dumas, 1996). Allen e Warzak (2000) forneceram uma análise útil sobre as condições que fortalecem ou enfraquecem a adesão dos pais a programas comportamentais eficazes com seus filhos. Alguns problemas comportamentais de crianças e adolescentes são complexos o bastante para que, além de ajudar os pais a trabalhar com seus filhos, psicólogos clínicos de orientação comportamental tratem diretamente dos problemas (Blum e Friman, 2000; Gimpel e Holland, 2003; Hersen e Last, 1999; Watson e Gresham, 1998).

EDUCAÇÃO: DA PRÉ-ESCOLA À UNIVERSIDADE

Desde o início dos anos 60, aplicações de modificação de comportamento em salas de aula progrediram em várias áreas. Muitas aplicações, nas séries iniciais do ensino fundamental, foram desenvolvidas para modificar comportamentos disruptivos ou incompatíveis com a aprendizagem acadêmica. Não permanecer na carteira escolar, ataques de birra, comportamento agressivo, socialização excessiva — todos foram modificados com sucesso em contexto de sala de aula. Outras aplicações se voltaram para a modificação direta do comportamento acadêmico, incluindo leitura oral, compreensão de leitura, soletrar, caligrafia, matemática, redação, criatividade e domínio de conceitos de ciências. Também se alcançou considerável sucesso em aplicações com indivíduos com problemas especiais, como crianças com déficits de aprendizagem e crianças hiperativas. (Barkley, 1998). Também foram feitos avanços no uso de modificação de comportamento em educação física. O progresso alcançado inclui: (a) desenvolvimento de observações confiáveis para monitorar o comportamento de professores e alunos de educação física, de forma a fornecer informações úteis sobre "o que está acontecendo no ginásio de esportes (ou no campo)?"; (b) aceitação crescente de habilidades comportamentais de ensino como componentes importantes nos programas de preparação de professores; e (c) aceitação crescente de estratégias comportamentais para ajudar os professores de educação física a lidar com uma variedade de dificuldades comportamentais dos estudantes (Martin, 1992). Discussões sobre modificação de comportamentos em educação física podem ser encontradas em Sindentop e Tannehill (2000) e Ward (2005). Uma inovação importante nas abordagens comportamentais do ensino foi o Sistema Personalizado de Ensino (PSI)^1. O PSI foi desenvolvido por Fred S. Keller e seus colegas, nos Estados Unidos e no Brasil, nos anos 60, como uma abordagem de modificação de comportamento direcionada ao ensino universitário (Keller, 1968). Desde então, ele se estendeu a uma grande variedade de assuntos e níveis de instrução (Keller e Sherman, 1982). A abordagem tem uma série de características marcantes que possibilitam que os professores utilizem, com eficácia, os princípios de modificação de comportamento para melhorar o ensino em sala de aula. Particularmente, o PSI (também conhecido como Plano Keller):

  1. identifica os comportamentos-alvo ou as necessidades de aprendizagem de um curso, na forma de questões de estudo, como as que aparecem no final de cada capítulo deste livro;
  2. exige que os alunos estudem apenas um volume pequeno de material antes de demonstrar domínio do conteúdo, como, por exemplo, o material de um ou dois capítulos, que possam ser estudados em uma ou duas semanas;
  3. tem testes freqüentes (ao menos uma vez por semana ou a cada duas semanas), nos quais os alunos demonstram seu conhecimento sobre as respostas das questões de estudo;
  4. tem critérios de proficiência, de maneira que os alunos têm que demonstrar proficiência num determinado nível antes de passar para o nível seguinte;
  5. é não-punitivo, no sentido de que os alunos não são penalizados por deixar de mostrar proficiência num teste, mas simplesmente estudam e tentam novamente;
  6. utiliza professores-assistentes (chamados de monitores) para avaliar os testes imediatamente e comentar com os alunos seu desempenho nos testes;
  7. tem uma característica de "siga-seu-próprio-ritmo", através da qual os alunos podem avançar, dentro do material do curso, num ritmo que seja adequado à capacidade e ao tempo disponível de cada um;
  8. usa aulas expositivas basicamente para motivação e demonstração, e não como meio principal de apresentação Anotação 1 de novas informações.

Como concebidos originalmente por Keller (1968), os cursos PSI podem exigir bastante trabalho para sua administração, principalmente em turmas grandes, devido à grande necessidade de manutenção de registros. Com o crescimento da informática, alguns instrutores

(^1) N. da T.: Em inglês , Personalized System of Inst ruction.

extenso ou generalizado). Embora os pesquisadores ainda considerem úteis, freqüentemente, as categorias mais tradicionais de diagnóstico — retardamento mental leve, moderado, severo e profundo (Conyers, Martin, Martin e Yu, 2002), a definição estabelecida pela AAMR em 2002 coloca maior ênfase na avaliação e no desenvolvimento do comportamento adaptativo do indivíduo, se comparada às definições anteriores a 1992. Tal enfoque modificado foi o resultado de progressos ocorridos nas últimas quatro décadas. Até os anos 60, os programas de tratamento e treinamento para todos os níveis de déficits de desenvolvimento eram mínimos, sendo especialmente limitados para os níveis severo e profundo. Felizmente, apareceram três forças que, coletivamente, revolucionaram a educação de pessoas com déficits de desenvolvimento. Uma força foi representada pelos defensores da normalização, como Wolfensberger (1972), que afirmava que as pessoas com déficits de desenvolvimento deveriam ser ajudadas a ter uma vida o mais normatizada possível e que as grandes instituições tradicionais simplesmente não eram normatizadas. Isto levou a um movimento de desinstitucionalização e ao desenvolvimento de opções de vida em comunidade para as pessoas com déficits de desenvolvimento. A segunda força foi representada pelos defensores dos direitos civis e por pais de pessoas com déficits de desenvolvimento, que asseguraram aos indivíduos com déficits severos o direito legal à educação. Isso significava que precisavam ser desenvolvidos programas de educação para pessoas com desenvolvimento atípico. A terceira força veio basicamente dos esforços dos modificadores de comportamento, que criaram a tecnologia que tornou possível desenvolver, de maneira impressionante, o comportamento de pessoas com déficits severos ou profundos de desenvolvimento. Nas décadas seguintes, muitos estudos demonstraram a possibilidade de aplicação de técnicas comportamentais para ensinar, a pessoas com desenvolvimento atípico, comportamentos como: utilização do banheiro, habilidades de auto-ajuda (alimentar-se, vestir-se e realiza a higiene pessoal, por exemplo), habilidades sociais, habilidades de comunicação, habilidades vocacionais, atividades de lazer e uma variedade de comportamentos de sobrevivência em comunidade. Revisões da literatura podem ser encontradas em fontes como Carr, Coriaty e Dozier (2000); Cuvo e Davis (2000); Konarski, Favell e Favell (1997); e Williams (2004); ver também edições do Journal of Applied Behavior Analysis.

Autismo Infantil

Crianças diagnosticadas como autistas apresentam, com freqüência, alguns comportamentos semelhantes aos de crianças diagnosticadas como tendo déficits de desenvolvimento, uma vez que se situam bem abaixo da média numa variedade de tarefas de autocuidado, como se vestir, se cuidar e se alimentar. No entanto, elas têm probabilidade, também, de apresentar algum tipo de combinação de comportamento social prejudicado (por exemplo: não demonstrar perturbação quando a mãe deixa a sala); ecolalia (repetir palavras ou frases sem indicação de que as palavras transmitem qualquer significado); comportamentos anormais de brincar; e comportamentos repetitivos de auto-estimulação (por exemplo, girar objetos diante dos olhos). A partir dos anos 60 e continuando até o presente momento, Ivar Lovaas (1966) e outros desenvolveram tratamentos comportamentais para crianças autistas. Utilizando técnicas de modificação de comportamento, Lovaas (1977) concentrou-se em estratégias para ensinar comportamentos sociais, eliminar comportamentos auto-estimuladores e desenvolver habilidades de linguagem. Quando seus programas de tratamento intensivo foram aplicados a crianças autistas com menos de 30 meses de idade, 50% dessas crianças foram capazes de freqüentar uma sala de aula comum na idade escolar normal (Lovaas, 1982), e o tratamento comportamental produziu ganhos duradouros (McEachin, Smith e Lovaas, 1993). Apesar de revisores de tais pesquisas levantarem questionamentos importantes sobre as limitações experimentais do estudo de Lovaas (por exemplo, Gresham e McMillan, 1997), nenhuma alternativa de tratamento para

crianças autistas demonstrou ser tão bem-sucedida quanto a análise aplicada do comportamento (Frea e Vittimberga, 2000; Ghezzi, Williams e Carn, 1999; Lovaas, 1993). Atualmente, há um número crescente de programas governamentais que oferecem treinamento através da análise do comportamento para crianças autistas. No Canadá, por exemplo, tais programas são utilizados atualmente em sete dentre dez províncias.

Esquizofrenia

A partir de alguns poucos estudos de caso nos anos 50, os terapeutas comportamentais dedicaram grande atenção à esquizofrenia nos anos 60 e no início dos anos 70 (Kazdin, 1978). Durante o final da década de 70 e início da de 80, no entanto, o interesse por esta área decresceu, e foi publicado apenas um pequeno número de artigos na área de modificação de comportamento (Bellack, 1986). Existe, no entanto, clara evidência do sucesso de tratamentos por modificação de comportamento com tal população. Por serem um forte determinante para a baixa qualidade de vida experimentada pelas pessoas com esquizofrenia, os relacionamentos sociais inadequados foram uma das classes de comportamentos escolhidas para modificação. A pesquisa disponível indica considerável sucesso no ensino, a tais pacientes, de interações sociais positivas, habilidades de comunicação, habilidades de assertividade e habilidades de busca de emprego (Bellack e Hersen, 1993; Bellack e Muser, 1990; Bellack, Muser, Gingerich e Agresta, 1997). Técnicas cognitivo-comportamentais também foram utilizadas com sucesso para reduzir ou eliminar alucinações ou delírios em pacientes esquizofrênicos (Bouchard, Vallieres, Roy e Maziade, 1996). Esses e outros estudos indicam consistentemente que a terapia comportamental pode dar uma contribuição significativa para o tratamento, controle e reabilitação de pacientes esquizofrênicos (McKinney e Fiedler, 2004; Wong e Liberman, 1996).

TERAPIA COMPORTAMENTAL CLÍNICA

O tratamento comportamental de pessoas que são atendidas por terapeutas clínicos aumentou consistentemente desde a década de 70. Nos Capítulos 27 e 28, fornecemos uma discussão detalhada do tratamento de problemas clínicos como transtornos de ansiedade, transtornos obsessivo-compulsivos, problemas relacionados a estresse, depressão, obesidade, problemas conjugais, disfunção sexual etc. Uma discussão mais detalhada destas e de outras áreas de tratamento clínico podem ser encontradas em Antony e Barlow (2004); Dougher (2000); Emmelkamp (2004); Hayes e Bisset (2000); e Hayes, Follette e Linehan (2004). Quão comum é a terapia comportamental entre os psicólogos clínicos? No início dos anos 80, as pesquisas indicavam que pelo menos a metade dos psicólogos clínicos infantis seguiam uma orientação comportamental e que a terapia comportamental se tornara uma das duas maiores abordagens (aproximadamente em igualdade de condições com a orientação psicodinâmica) para psicólogos que tratavam adultos (O'Leary, 1984). Ainda que muitos psicólogos comportamentais qualifiquem sua abordagem como “cognitivo-comportamental” (a modificação cognitivo-comportamental é discutida no Capítulo 27), a abordagem comportamental em geral continua a crescer. Qual a eficácia da terapia comportamental com populações clínicas? Muitos estudos demonstraram que existem classes de problemas (por exemplo: fobias, transtornos obsessivo- compulsivos), nas quais procedimentos específicos da terapia comportamental são comprovadamente superiores às alternativas psicoterapêuticas existentes. Em alguns casos, o tratamento de escolha pode ser uma combinação de terapia comportamental e tratamento médico (como utilização de medicamentos). Tratamentos comportamentais para transtornos clínicos são discutidos em maior detalhe no Capítulo 28.

outros problemas médicos, como o mal de Parkinson (Mohr et al., 1996) e comprometimento cerebral (Jacobs, 2000).

  1. Estabelecer Adesão a Tratamento. Você sempre comparece às consultas marcadas no dentista? Você sempre toma medicação exatamente como prescrita por seu médico? Muitas pessoas não o fazem. Por se tratar de um comportamento, a adesão às prescrições médicas é um campo natural de aplicação da modificação de comportamento (Taylor, 2003). Assim, uma parte importante da psicologia da saúde é estabelecer a adesão aos tratamentos e esquemas médicos prescritos.
  2. Promoção de uma Vida Saudável. Você se exercita ao menos três vezes por semana? Você ingere alimentos saudáveis e reduz ao mínimo seu consumo de gorduras saturadas, colesterol e sal? Você limita seu consumo de álcool a, digamos, não mais do que cinco drinques por semana? Você diz não à nicotina e a outras drogas que causam dependência? Caso você possa responder sim a tais perguntas, e continue a responder sim com o passar dos anos, então você pode programar consideravelmente o seu tempo de vida (Figura 2-1). Como indicado no Capítulo 1, comportamentos evitáveis, como uso de tabaco, uma dieta inadequada e sedentarismo, são a causa subjacente a metade das mortes nos Estados Unidos (ver a edição de março de 2004 do Journal of the American Medical Association e a de janeiro de 2003 do Behavior Modification ). Uma área importante da modificação de comportamento envolve a aplicação de técnicas para ajudar as pessoas a controlar seu próprio comportamento, de maneira a se manterem saudáveis, como, por exemplo, ingerindo refeições bem balanceadas e fazendo exercícios adequados (Taylor, 2003; Williamson, Champagne, Jackman e Varnado, 1996).

Figura 2-1 Estratégias comportamentais têm sido utilizadas com eficácia para ajudar as pessoas a persistirem em programas de aptidão física.

  1. Orientação para Cuidadores. Os psicólogos da saúde se preocupam não apenas com o comportamento do cliente ou paciente, mas também com o comportamento daqueles que têm um impacto sobre a condição médica do cliente. Assim, os psicólogos da saúde lidam com o

comportamento da família ou dos amigos do cliente, assim como com a equipe de paramédicos. Modificar o comportamento de médicos, enfermeiros, enfermeiros psiquiátricos, terapeutas ocupacionais e outros, a fim de aprimorar o serviço prestado aos pacientes, é algo que tem recebido crescente atenção (por exemplo, ver Engelman, Altus, Mosier e Mathews, 2003; Hrydowy e Martin, 1994).

  1. Controle de Estresse. Assim como a morte e os impostos, o estresse é uma das coisas que você pode ter certeza de encontrar na vida. Estressores são condições ou eventos (por exemplo, ficar preso no tráfego; falta de sono; neblina; provas por fazer; dívidas; divórcio; doenças sérias; ou morte na família), cujo enfrentamento se apresenta difícil. Reações ao estresse são respostas comportamentais e fisiológicas, tais como fadiga, hipertensão e úlceras, que são acarretadas pelos estressores. Uma área importante da psicologia da saúde se preocupa com o estudo de estressores, seus efeitos sobre o comportamento e o desenvolvimento de estratégias comportamentais para enfrentá-los (por exemplo, Moller, Milinski e Slater, 1998; Taylor 2003). Algumas dessas estratégias são descritas nos capítulos posteriores. O amplo campo interdisciplinar da medicina comportamental e o subcampo da psicologia da saúde têm potencial para trazer uma profunda contribuição para a eficiência e eficácia da medicina e dos cuidados de saúde modernos. Para leituras adicionais nessa área, ver publicações de The Journal of Behavioral Medicine e os livros de Cummings, O’Donohue e Ferguson (2003) e Taylor (2003).

GERONTOLOGIA

Você quer saber como é ficar velho? Então, "você deveria esfregar sujeira nos seus óculos, enfiar algodão nos ouvidos, calçar sapatos pesados que sejam grandes demais para você e usar luvas e, então, tentar passar o dia de uma maneira normal" (Skinner e Vaughan, 1983, p. 38). Uma vez que uma percentagem crescente da população se constitui de idosos, mais e mais indivíduos têm que lidar diariamente com a perda de habilidades e da capacidade de ser funcionalmente independente, que ocorre com a velhice ou com a doença crônica. Mais uma vez, a modificação de comportamento pode dar uma contribuição positiva. Por exemplo: as formas habituais de realizar tarefas diárias em casa ou no trabalho talvez não sejam mais viáveis. Rotinas novas têm que ser desenvolvidas e aprendidas. Talvez seja necessário lidar também com a ansiedade ou com o medo de não conseguir agüentar. E talvez seja necessário desenvolver novos relacionamentos com os profissionais cuidadores. Técnicas comportamentais têm sido cada vez mais usadas para ajudar idosos e pacientes crônicos a solucionar tais problemas (Coon e Thompson, 2002; Derenne e Baron, 2002; Dick-Siskin, 2002; Wetherall, 2002; Wisocki, 1999).

ANÁLISE COMPORTAMENTAL COMUNITÁRIA

Como você verá no Capítulo 29, que fornece uma breve história da modificação de comportamento, a maioria das primeiras aplicações (anos 50) foram realizadas com indivíduos (tais como pessoas com desenvolvimento atípico e pacientes psiquiátricos) que tinham problemas sérios, e foram realizadas em instituições ou ambientes altamente controlados. Nos anos 70, no entanto, importantes projetos de modificação de comportamento estavam sendo desenvolvidos em áreas como: controlar o despejo de lixo em locais públicos; aumentar a reciclagem de vasilhames de refrigerantes; ajudar Associações Comunitárias a resolver problemas; promover a economia de energia através do incentivo ao uso de ônibus; encorajar pessoas assistidas pela Previdência Social a participar de reuniões de auto-ajuda; e ajudar estudantes universitários a viverem juntos num projeto habitacional cooperativo (para revisões das pesquisas iniciais em tais

funcionários colocarem pacotes em containers especiais – foi aumentado de 45% para 95%, através do uso de reforçamento positivo, na forma de elogios por parte dos supervisores. Outros estudos, desde então, têm usado técnicas comportamentais para modificar comportamento, de maneira a aumentar a produtividade; diminuir o atraso e o absenteísmo; aumentar o volume de vendas; criar novos negócios; melhorar a segurança do trabalhador; reduzir furtos por parte de funcionários; reduzir furtos em lojas por parte de fregueses; e melhorar as relações entre gerentes e funcionários. Para leituras adicionais nesta área, ver Austin (2000a), Johnson, Redmon e Mawhinney (2001), Poling, Dickinson, Austin e Normand (2000), Reid e Parsons (2000), e edições do Journal of Organizational Behavior Management.

PSICOLOGIA DO ESPORTE

Desde o início dos anos 70, tem havido uma demanda crescente, por parte de técnicos e atletas, por mais pesquisas aplicadas à ciência do esporte, particularmente na área de psicologia do esporte. Psicologia do esporte aplicada foi definida como a utilização de conhecimentos psicológicos para promover o desenvolvimento do desempenho esportivo e a satisfação dos atletas e outras pessoas associadas ao esporte (Blimke, Gowan, Patterson e Wood, 1984). A modificação de comportamento fez várias contribuições a esta área (Martin, 2003; Martin, Thomson e Regehr, 2004).

Técnicas para Aprimorar Habilidades dos Atletas. Qual a maneira mais eficaz de ajudar um atleta a aprender novas habilidades, eliminar maus hábitos e combinar habilidades simples para formar padrões complexos de execução? Muitas pesquisas têm trabalhado com técnicas de modificação de comportamento para aprimorar eficazmente as habilidades de atletas (Martin e Tkachuk, 2000) e foram descritas estratégias práticas para a aplicação de tais técnicas (Martin, 2003).

Estratégias para Motivar a Prática e o Treino de Resistência. Como um técnico pode melhorar eficazmente o comparecimento aos treinos, motivar os atletas a aproveitarem ao máximo o tempo de treinamento, organizar práticas em que haja poucos momentos em que os atletas fiquem inativos? Técnicas para solucionar tais tipos de problemas incluem: estratégias de fixação de objetivos; estratégias de reforçamento (ou recompensa); auto-registro e automonitoramento individual dos atletas; e sessões de desenvolvimento de equipe (Martin, 2003). Todas essas técnicas motivacionais se baseiam em princípios descritos em capítulos posteriores deste livro e podem ser facilmente aprendidas pelos técnicos.

Modificando o Comportamento de Técnicos. Os técnicos têm um emprego muito difícil. Na perspectiva da modificação de comportamento, um técnico deve instruir, fixar objetivos, elogiar, censurar e desempenhar outras atividades que, coletivamente, determinam sua eficiência como modificador de comportamento. Vários estudos de pesquisa foram feitos nessa área (Martin e Tkachuk, 2000).

Preparação "Psicológica" para Competições. Todos já escutamos expressões como: "O motivo pelo qual o time perdeu foi psicológico", ou "Se quiser dar o melhor de si, tem que se preparar psicologicamente". Embora tenhamos alguma idéia do que tais frases significam, ter uma idéia geral de seu significado e aprender como ensinar aos atletas habilidades psicológicas de enfrentamento são duas coisas muito diferentes. Muitas estratégias comportamentais foram descritas para ajudar atletas a se prepararem para competições esportivas importantes (ver edições recentes do The Sport Psychologist, e livros de Martin, 2003; Martin, Toogood e Tkachuk, 1997).

MODIFICAÇÃO DE COMPORTAMENTOS EM INDIVÍDUOS COM

DIFERENÇAS CULTURAIS

Os modificadores de comportamento passaram a dar maior atenção a itens como raça, gênero, etnia e orientação sexual, como variáveis que podem influenciar a eficácia de um tratamento (ver, por exemplo, Hatch, Friedman e Paradis, 1996; Iwamasa, 1999; Iwamasa e Smith, 1996; Paradis, Friedman, Hatch e Ackerman, 1996; Purcell, Campos e Perilla, 1996). É importante que os terapeutas saibam, por exemplo, que muitos clientes de origem asiática preferem que o terapeuta lhes diga especificamente o que fazer (em oposição a uma abordagem menos diretiva) (Chen, 1995). Por outro lado, com muitos clientes de origem hispânica, a obediência a sugestões específicas orientadas para metas tem maior probabilidade de ocorrer, caso tais sugestões sejam precedidas de um período de familiarização e “bate-papo”. (Tanaka– Matsumi e Higginbotham, 1994). Outro exemplo: o Dr. Tawa Witko, um psicólogo que morou e exerceu sua profissão numa reserva Lakota Sioux^3 , perto das Badlands, na Dakota do Sul, descreveu o caso de um indivíduo da reserva que fora diagnosticado por um psicólogo como esquizofrênico, porque ouvia vozes, especialmente na época de cerimônias. Dr. Witko explicou que, caso a terapeuta tivesse se aprofundado mais, teria descoberto que tal fenômeno é comum entre os índios norte-americanos, tem um significado espiritual e, em si, não é indicativo de doença mental (Winerman, 2004). Embora tal informação possa ser útil para os terapeutas, devemos ser sensíveis também aos perigos da supergeneralização a respeito de determinado grupo cultural. (Com relação a isso, é relevante a mesma prudência já recomendada anteriormente quanto aos perigos da rotulação). Como pontuado por Iwanasa (1999), por exemplo, a população norte-americana de origem asiática é composta de mais de 30 grupos étnicos e culturais diferentes, sendo que cada um tem sua própria linguagem, valores, estilos de vida e padrões de adaptação aos Estados Unidos. Outro exemplo: talvez seja apropriado selecionar o contato visual como um comportamento-alvo, para um programa de treinamento de habilidades sociais para alguns índios norte-americanos; no entanto, isso seria inapropriado para os Navajos^4 , uma vez que, em sua cultura, o contato visual prolongado é tipicamente considerado como um comportamento agressivo (Tanaka-Matsumi, Higginbautham e Chang, 2002). Leitores interessados em tratamento comportamental com clientes de diferentes culturas são encorajados a consultar a edição especial sobre diversidade cultural no Cognitive and Behavioral Practice (1996, Vol. 3, N°. 1) e no The Behavior Therapist (1999, Vol. 22, N°. 10).

CONCLUSÃO

A ascensão da modificação de comportamento, como abordagem bem sucedida para lidar com uma grande variedade de problemas humanos, foi notável. Livros e artigos de revistas descrevem procedimentos e pesquisas comportamentais que variam da educação dos filhos a formas de lidar com a velhice e do trabalho ao lazer. A modificação do comportamento foi utilizada tanto com pessoas com déficits profundos, como com estudantes talentosos, para o auto-aprimoramento e para preservar o ambiente em que vivemos. Milhares de livros foram publicados a respeito de questões básicas, aplicadas e teóricas da modificação de comportamento. Há pelo menos 31 revistas de orientação predominantemente comportamental. Exemplos de aplicações em muitas dessas áreas são descritas e ilustradas nos capítulos que se seguem.

Anotação 2

(^3) N. da T.: Tribo de índios norte-americanos. (^4) N. da T.: Idem.

o behaviorismo está bem vivo, vital e crescente. Parte da evidência que dá suporte a tal argumento é a abundância de revistas que têm orientação basicamente comportamental, incluindo as seguintes: Behavior Analyst for Social Action (1980 -), originalmente Behaviorists for Social Action ; Behavior and Social Issues (1991-); Behavior Change (1984-), revista oficial da Associação Australiana de Modificação de Comportamento, que mudou seu nome, em 1995, para Associação Australiana de Terapia Cognitiva e Comportamental; Behavior Modification (1977-); Behavior Research and Therapy (1963-); Behavior Therapy (1970-); Behavioral and Cognitive Psychotherapy (1973-), originalmente Behavioral Psychotherapy ; Behavioral Counselling Quarterly (1981-); Behavioral Interventions (1986-); Behavioral Processes (1981-), originalmente Behavior Analysis Newsletters ; Behavioral Residential Treatment (1986-); Child and Family Behavior Therapy (1979-), originalmente Child Behavior Therapy; Education and Treatment of Children (1969-), originalmente School Applications of Learning Theory; Japanese Journal of Behavior Therapy (1976-); Journal of Applied Behavior Analysis (1968-); Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry (1970-); Journal of Behavioral Education (1991-); Journal of the Experimental Analysis of Behavior (1958-); Journal of Organizational Behavior Management (1978-); Journal of Psychopathology and Behavioral Assessment (1979-), originalmente Journal of Behavioral Assessment; Journal of Rational- Emotive and Cognitive Behavior Therapy (1983-); La Technologie du Comportment (1977-); Mexican Journal of Behavior Analysis (1975-); Research in Developmental Disabilities (1987-) (em 1987, Applied Research in Mental Retardation [1980- 86] e Analysis and Intervention in Developmental Disabilities [1981-1986], que foram unificados em uma única revista); Scandinavian Journal of Behavior Therapy (1972-); The Behavior Analyst (1978-); The Behavior Therapist (1978-); Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva (2000-).

Questões para Estudo sobre as Anotações

  1. O que é mais eficaz para o ensino de alunos de graduação, as aulas tradicionais ou o PSI? Justifique sua resposta.
  2. O que é behaviorismo? Ele está morto, adormecido ou bem vivo? Justifique sua resposta.