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ENSINO SUPERIOR
Tipologia: Notas de estudo
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MATEMÁTICA
Graduação
2ª Edição Florianópolis, 2011
Cálculo I
Carmem S. Comitre Gimenez
Rubens Starke
Presidente da República: Dilma Vana Rousseff Ministro de Educação: Fernando Haddad Secretário de Ensino a Distância: Carlos Eduardo Bielschowky Coordenador Universidade Aberta do Brasil: Celso José da Costa
Reitor: Alvaro Toubes Prata Vice-Reitor: Carlos Alberto Justo da Silva Secretário de Educação a Distância: Cícero Barbosa Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Yara Maria Rauh Müller Pró-Reitora de Pesquisa e Extensão : Débora Peres Menezes Pró-Reitor de Pós-Graduação: Maria Lúcia de Barros Camargo Pró-Reitor de Desenvolvimento Humano e Social: Luiz Henrique Vieira Silva Pró-Reitor de Infra-Estrutura: João Batista Furtuoso Pró-Reitor de Assuntos Estudantis: Cláudio José Amante Centro de Ciências da Educação: Wilson Schmidt Centro de Ciências Físicas e Matemáticas: Tarciso Antônio Grandi Centro de Filosofia e Ciências Humanas: Roselane Neckel
Coordenação de Curso: Neri Terezinha Both Carvalho Coordenação de Tutoria: Jane Crippa Coordenação Pedagógica/CED: Roseli Zen Cerny Coordenação de Ambientes Virtuais/CFM: Nereu Estanislau Burin
Antônio Carlos Gardel Leitão Albertina Zatelli Elisa Zunko Toma Igor Mozolevski Luiz Augusto Saeger Roberto Corrêa da Silva Ruy Coimbra Charão
Coordenação Pedagógica Coordenação Geral: Andrea Lapa, Roseli Zen Cerny Núcleo de Formação : Nilza Godoy Gomes, Marina Bazzo de Espíndola Núcleo de Pesquisa e Avaliação: Daniela Karine Ramos
Núcleo de Criação e Desenvolvimento de Materiais Design Gráfico Coordenação: Laura Martins Rodrigues, Thiago Rocha Oliveira Projeto Gráfico Original: Diogo Henrique Ropelato, Marta Cristina Goulart Braga, Natal Anacleto Chicca Junior Redesenho do Projeto Gráfico: Laura Martins Rodrigues, Thiago Rocha Oliveira Diagramação: Karina Silveira, Thiago Felipe Victorino, Kallani Maciel Bonelli, Laura Martins Rodrigues Ilustrações: Gabriela Dal Toé Fortuna, Flaviza Righeto, Karina Silveira, Rafael de Queiroz Oliveira, Kallani Maciel Bonelli Capa: Alexandre dos Santos Oliveira Design Instrucional Coordenação: Elizandro Maurício Brick Design Instrucional: Gislaine Teixeira Borges Guérios Revisão do Design Instrucional: Dyan Carlo Pamplona, Maria Carolina Machado Magnus, Jaqueline Luiza Horbach Revisão Gramatical: Mirna Saidy, Renata de Almeida
Copyright © 2011, Universidade Federal de Santa Catarina/CFM/CED/UFSC Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Coordenação Acadêmica do Curso de Licenciatura em Matemática na Modalidade à Distância.
G491c Gimenez, Carmem Suzane Comitre Cálculo I / Carmem Suzane Comitre Gimenez, Rubens Starke. —
Apresentação
Esta disciplina, Cálculo I, continua uma jornada que começou com as disciplinas Fundamentos de Matemática I e Introdução ao Cálculo (estudo dos conjuntos numéricos e funções). As discipli- nas de Cálculo, mais precisamente Cálculo Diferencial e Integral, que se iniciam com o Cálculo I têm como objetivo estudar o com- portamento das funções, fazendo uso de conceitos até então não abordados: limites, derivada, continuidade, integral, séries. Estes conceitos foram desenvolvidos no século XVII por dois grandes matemáticos, independentemente: Isaac Newton (1642-1727) e Gottfried Wilhelm von Leibniz (1646-1716). O que Newton e Leib- niz fizeram foi universalizar as regras para lidar com problemas de áreas, taxas de variação, máximos e tangentes, que até então eram tratados para casos particulares de funções.
A disciplina de Cálculo I vai estudar os conceitos de limites, deri- vadas e continuidade. No capítulo 1, estudaremos seqüências (um conceito fundamental em Matemática), como uma introdução ao estudo de limites. Começaremos com as progressões aritméticas e geométricas (já conhecidas) para generalizar a idéia de seqüên- cia infinita e o estudo de sua convergência. O conceito de limite de uma seqüência é o objetivo principal deste capítulo, e de sua compreensão depende o desenvolvimento dos capítulos posterio- res. No capítulo 2, apresentaremos o conceito de limite de uma função, que determina como se comportam os valores (^) f ( ) x de uma função (^) f quando x toma valores arbitrariamente próximos de um determinado ponto x 0 de seu domínio. Esta idéia estará presente ao longo de todas as disciplinas de Cálculo. No capítu- lo 3, será estudada uma classe de funções “bem comportadas”: as funções contínuas. A continuidade confere à função uma es- pecial regularidade de comportamento e seu estudo depende do conceito de limite. Algumas conseqüências da continuidade serão apresentadas, incluindo um teorema essencial para o Cálculo: o Teorema do Valor Intermediário. No capítulo 4, será estudada a derivada de uma função. O conceito de derivada também depen- de do conceito de limite, e está relacionado ao comportamento de uma função. Este capítulo estuda a derivada de uma função de modo geral e o cálculo da derivada das funções elementares, já previamente estudadas em Introdução ao Cálculo.
Capítulo 1
Sequências
Observação. Três termos consecutivos de uma P.A. de razão r po- dem ser representados por x , x+ r, x+ 2 r. No entanto, para resolver certos problemas é conveniente representá-los por x - r, x, x+r.
Exercício resolvido
Resolução. Seja r a razão da progressão. Representando os lados do triângulo por x – r , x, x + r,, temos que:
( ) ( ) 24 3 24
x r x x r x x
A razão não pode ser zero, pois neste caso o triângulo seria equiláte- ro, e não retângulo. Considerando r > 0 , a hipotenusa corresponde a x + r. Pelo Teorema de Pitágoras: 2 2 2 2 2 2 2 2
x r x x r r r r r r r r r
Logo, x – r = 6, x= 8 e x^ +^ r=10. Resposta. Os lados do triângulo medem 6, 8 e 10 metros. (Note que, caso considerássemos r < 0 , obteríamos o mesmo resultado).
A proposição a seguir estabelece uma relação entre um termo de uma P.A. e a sua posição na progressão.
Proposição 1. Seja an um termo de uma P.A. de razão r cujo primei- ro termo é a 1. Então, a (^) n = a 1 +(n - 1 )rpara todo número natural (^) n.
Demonstração. Sabemos que an é o termo da P.A. que ocupa a posi- ção n. Queremos provar que este termo se relaciona com o primeiro termo e com a razão através da igualdade a (^) n = a 1 +( n- 1 )r. De fato, usando a definição de P.A., temos:
a a r.
a a r
a a r
n n 1
3 2
2 1
Somando ambos os lados destas igualdades:
( ) ( ) ( ) ( ) . n 1 vezes
a 2 a 1 a 3 a 2 a 4 a 3 an an 1 r r r
Observe que a 2 , a 3 , ... , an (^) - 1 e seus opostos - a 2 , - a 3 , ... , - an (^) - 1 aparecem como parcelas no membro da esquerda. Como a soma de um número com seu oposto é zero, teremos após a soma: an - a 1 = ( n - 1) r.
Logo, a (^) n = a 1 +(n - 1 )r. ■
Observação. Ao termo an , que ocupa a posição n , chamamos de termo geral da P.A. Assim, a expressão do termo geral da P.A. é dada por a (^) n = a 1 +( n- 1 )r.
Exercícios propostos
e a razão 1 9
. Calcule o décimo sexto termo.
2)Sabendo que o primeiro termo de uma P.A. é 4 e o vigésimo primeiro termo é - 4, calcule a razão da progressão.
3)O décimo segundo termo de uma P.A. vale 52, e o vigésimo quinto termo vale 117. Calcule o primeiro termo e a razão.
Exercício resolvido
Seja r a razão da P.A. Então, a 2 + an (^) - 1 = ( a 1 + r ) + ( an - r ) = a 1 + an + ( r - r )= a 1 + an.
Da mesma forma,
a 3 + an (^) - 2 = ( a 1 + 2 )r + ( an - 2 )r = a 1 + an. De modo geral, se 1 ≤ k≤n, então
ak + an (^) - ( k - 1) = ( a 1 + ( k - 1) ) r + ( an - ( k - 1) ) r = a 1 + an.
Portanto, no membro da direita de (1) somam-se n parcelas, cada uma com soma a 1 + an.
Logo, (1) é equivalente a: 2 S (^) n = n ⋅ ( a 1 +an)
1 2
Sn = n ⋅^ a^ +a^ n . ■
Exercícios resolvidos
Resolução. A diferença entre dois múltiplos de 6 consecutivos é constante e é 6. Devemos, pois, achar a soma dos termos de uma P.A. finita de razão 6.
Para aplicar a fórmula dada pela Proposição 2, a saber,
1 2
Sn = n ⋅^ a^ +a^ n
devemos achar a 1 , an e n. Como os números naturais com três algarismos são maiores ou iguais a 100, temos que:
Pela fórmula do termo geral, a (^) n = a 1 +(n - 1 )r. Então,
n n n n
Logo, (^150)
Resposta. A soma pedida é 82350.
Resolução. Se um número deixa resto 2 na divisão por 5 , ele é da forma 5 k + 2 , para algum k natural.
O primeiro número que deixa resto 2 na divisão por 5 é 2 , pois 2 = 5 0⋅ + 2.
O último número a ser considerado (menor do que 500 ) é 497 , pois 497 = 495 + 2 , ou seja, 497 = 5 99⋅ + 2.
Portanto, devemos achar a soma dos termos de uma P.A. de razão 5 , cujo primeiro termo é 2 e o último termo é an = 497.
Para achar n , observe que 497 = a 1 + ( n - 1)r.
497 2 ( 1) 5 5 ( 1) 495 1 99
n n n n
Logo, 100 2 497 100 24950 2
Resposta. A soma pedida é 24950.
Exercícios propostos
5)Calcule a soma dos números naturais inferiores a mil que não são múltiplos de 7.
2 1 1 2 1 1 2 1
Se P 3 representa a população daquele país daqui a 2 anos, temos:
3 2 2 3 2
De maneira análoga conclui-se que se Pk (^) + 1 representa a população daqui a k anos, então Pk (^) + 1 = 1, 02Pk.
Note que os números P 1 , P 2 , P 3 , ... formam uma sequência que obe- dece à seguinte regra:
“O quociente entre dois termos consecutivos é constante.”
De fato, k^1 1, 02, 1 k
P (^) k P
Exemplo 9. Suponha que uma bomba a vácuo retira a cada sucção 3% do líquido existente em uma câmara. Seja L 0 a quantidade ini- cial e L 1 a quantidade de líquido que permanece na câmara após a primeira sucção. Então, 1 0 0 1 0
Houve um decréscimo da quantidade de líquido na câmara.
Analogamente, após a n -ésima sucção, a quantidade de líquido na câmara será Ln = 0,97Ln (^) - 1. A sequência L 0 , L 1 , L 2 ,… também obedece
à regra n^1 0, n
Proposição 3. Uma sequência de números ( P 1 , P 2 , P 3 , ...) tem taxa de crescimento constante i se, e somente se, Pn (^) + 1 = (1 + i P) (^) n , ∀n ≥ 1.
Demonstração. Observe que neste resultado aparece a expressão “se, e somente se,”. Isso significa que devemos provar duas implicações:
1) Se uma sequência de números ( P 1 , P 2 , P 3 , ...) tem taxa de cresci- mento constante i^ , então Pn (^) + 1 = (1 + i P) (^) n , ∀n ≥ 1.
2) Se para uma sequência de números ( P 1 , P 2 , P 3 , ...) tem-se Pn (^) + 1 = (1 + i P) npara todo n ≥ 1 , então essa sequência tem taxa de crescimento constante igual a i^.
(1) Hipótese. A sequência de números ( P 1 , P 2 , P 3 , ...) tem taxa de crescimento constante i.
Tese. Pn (^) + 1 = (1 + i P) (^) n , ∀n ≥ 1. Da Definição 2 decorre:
1
1 1 (1^ )
n n n n n n n n
P P (^) i P P P iP P i P
(2) Hipótese. Pn (^) + 1 = (1 + i P) (^) n , ∀n ≥ 1.
Tese. A sequência de números ( P 1 , P 2 , P 3 , ...) tem taxa de crescimen- to constante i.
Por definição, a taxa de crescimento é dada por:
n 1 n (1^ )^ n n (1^ 1) n n n n
P P i P P i P i P P P
■
Tarefa. Volte agora aos Exemplos 8 e 9 e verifique a validade da Proposição 3.
Definição 3. Uma progressão geométrica (P.G.) é uma sequência P 1 , P 2 , P 3 , ... de números reais satisfazendo: Pn (^) + 1 = qPn, para todo n ≥ 1 , sendo q uma constante chamada razão.
Observações: