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ENSINO SUPERIOR
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!





























































































Florianópolis, 2009
Coordenação Pedagógica Coordenação Geral: Andrea Lapa, Roseli Zen Cerny Núcleo de Formação : Nilza Godoy Gomes Núcleo de Pesquisa e Avaliação: Claudia Regina Flores
Núcleo de Criação e Desenvolvimento de Materiais Design Gráfico Coordenação: Laura Martins Rodrigues, Thiago Rocha Oliveira Projeto Gráfico: Diogo Henrique Ropelato, Marta Cristina Goulart Braga, Natal Anacleto Chicca Junior Diagramação: Kallani Bonelli, Thiago Rocha Oliveira, Laura Martins Rodrigues, Natália de Gouvêa Silva Ilustrações: Kallani Bonelli, Cristiane Amaral Design Instrucional Coordenação: Juliana Machado Design Instrucional: Daynitti Ventura de Jesus
Revisão Gramatical: Christiane Maria Nunes de Souza, Marcos Eroni Pires
Copyright © 2009, Universidade Federal de Santa Catarina / Consórcio RediSul Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Coordenação Acadêmica do Curso de Licenciatura em Matemática na Modalidade à Distância.
G635e Gonçalves, Mirian Buss Elementos de análise / Mirian Buss Gonçalves, Daniel Gonçal- ves. - Florianópolis : UFSC/EAD/CED/CFM, 2009. 158p. ISBN 978-85-99379-66-
Elaborada pela Bibliotecária Eleonora M. F. Vieira – CRB – 14/
- n ��������������������������������������������������� 1 Noções Topológicas em Apresentação
Caro Leitor,
Seja bem-vindo ao estudo de Análise Matemática.
Provavelmente esta é uma das últimas disciplinas que faltam para você se graduar em Matemática. Os conteúdos apresentados neste livro aprofundam o seu conhecimento anterior e têm como principal finalidade ampliar sua intuição matemática e seu racio- cínio lógico.
Para isso, você será introduzido na linguagem formal da Ma- temática, onde os conceitos, proposições etc. são tratados com formalismo e rigor. No entanto, a linguagem matemática clara e precisa que vamos usar não será carregada em demasia, de forma a não prejudicar o desenvolvimento das ideias e o próprio aprendizado.
Sem descuidar do rigor matemático, procuramos apresentar os conteúdos de uma maneira envolvente, de forma a lhe propiciar uma aprendizagem autônoma e agradável. Caberá a você a busca do entendimento dos conceitos, das demonstrações, bem como a resolução dos exercícios propostos.
Os conceitos explorados são: noções básicas de topologia em espa- ços métricos, com ênfase para os espaços Euclidianos; convergên- cia de sequências em espaços métricos, explorando alguns resul- tados relevantes em ; continuidade, destacando-se os teoremas mais importantes utilizados no estudo de Cálculo.
A fim de tornar a notação utilizada mais leve e simples, inicial- mente apresentamos os conceitos no contexto de um espaço mé- trico geral. No entanto, no decorrer de todo o texto, a maior parte dos exemplos e aplicações é desenvolvida nos espaços Euclidia- nos n , n = 1, 2,3.
Mesmo que os conteúdos possam lhe parecer difíceis em alguns momentos, enfrente o desafio. Estude com afinco e dedicação.
Acreditamos que esta disciplina vai lhe proporcionar uma visão mais abrangente da Matemática, lhe abrindo horizontes como pro- fessor desta bela e desafiadora área do conhecimento humano.
Se você gostar do estudo de Análise, você é um forte candidato a seguir uma carreira acadêmica em Matemática, cursando um mestrado e, quiçá, um doutorado.
Quando finalizar a disciplina, guarde seu livro, pois ele ainda poderá lhe ser útil em seu caminho profissional.
Antes de iniciar o capítulo, vejamos o que Cantor e Hilbert afir- maram sobre o estudo de conjuntos:
“Por ‘conjunto’ entendemos a entidade formada quando colocamos certos objetos, definidos e distintos m, da nossa intuição ou pensa- mento. Estes objetos são chamados os ‘elementos de M’”. (G. Cantor, 1895, Werke, p. 282, apud [6, Hairer-Wanner])
“Ninguém nos expulsará do paraíso que Cantor criou para nós”. (Hilbert, Math. Ann, vol 95, p. 170, apud [6, Hairer-Wanner])
Embarcaremos agora no paraíso criado por Cantor, munidos principalmente de nossa intuição geométrica, a qual será nossa guia durante toda esta unidade. Não esqueça que durante o seu estudo é de extrema importância que você resolva os exercícios propostos neste livro, utilizando uma linguagem matemática cla- ra e precisa.
1.1 O espaço Euclidiano
n
“[...] É muito util considerar números “complexos”, ou números for- mados por várias unidades [...]” (Peano, 1888a, Math. Ann., vol. 32, p.450, apud [6, Hairer-Wanner])
Definição 1.1. Uma norma em n é uma função || ||: n^ → tal que para quaisquer x y , ∈ n e ∈ , valem as seguintes proprie- dades:
N 1:|| x || ≥ 0 e || x || = 0 ⇔ x =0;
N 2 :|| x || |= ||| x ||;
N 3 :|| x + y || ||≤ x || +|| y ||.
A norma de n que mais vamos utilizar é a norma Euclidiana, dada por || ||: n^ →
2 2 2 x = ( x 1 (^) , x 2 (^) , , xn ) →|| x ||= x 1 (^) + x 2 + + xn.
Observação. Veremos que outras normas podem ser definidas em n. Sempre que não fizermos uma referência explícita à nor- ma, estaremos subentendendo que a norma usada é a norma Eu- clidiana.
No nosso estudo, de forma geral, vamos trabalhar nos espaços ^ n , n = 1, 2,3. Isso nos permite visualizar geometricamente os conceitos que vamos explorar.
Exemplo 1.1. Identifique, no espaço ^1 , o conjunto X = { x ∈ ^1 / || x || <1}.
Observe que o espaço ^1 nada mais é que o conjunto dos núme- ros reais, que identificamos geometricamente com a reta real. Temos || x || |= x | < 1 ⇔ − 1 < x < 1. Portanto, X é o intervalo aberto ( 1,1)− , representado na figura 1.1.
Figura 1.
Exemplo 1.2. Identifique no espaço 2 o conjunto S = { x = ( x 1 (^) , x 2 )/ || x ||< 1}.
Geometricamente o espaço 2 é o plano cartesiano ×. Se ne- cessário, reveja a seção 3.7 do livro texto de Introdução ao Cálculo.
Temos || x || = x 1^2 + x 2^2 < 1 ⇔ x 12 (^) + x^22 < 1.
Portanto, S é o conjunto dos pontos interiores à circunferência de centro em (0,0) e raio 1, ilustrada na figura 1.2.
x 2
1^ x 1
Figura 1.
Exemplo 1.3. Identifique no espaço 3 o conjunto S = { x = ( x 1 (^) , x 2 (^) , x 3 )/ || x || = 1}.
^3 é o espaço cartesiano × × , que você utilizou no estudo da Geometria Analítica e no Cálculo para representar figuras geo- métricas espaciais como cubos, esferas e outras superfícies.
Temos || x || = x 1^2 + x 2^2 + x^23 (^) = 1 ⇔ x 12 (^) + x 22 (^) + x 32 = 1.
Assim, neste caso, S é o conjunto dos pontos de uma esfera de centro na origem (0,0,0) e raio 1, como mostra a figura 1.3.
x 3
1^ x 2
x 1
Figura 1.
Definição 1.2. Seja M um conjunto. Uma métrica em M é uma fun- ção d : M × M → , onde M × M é o produto cartesiano de M por M : M × M = {( x 1 (^) , x 2 (^) ) / x 1 (^) , x 2 ∈ M },tal que para quaisquer x y z , , ∈ M , temos:
M 1: d x y ( , ) ≥ 0 e d x y ( , ) = 0 ⇔ x = y ; M 2: d x y ( , ) = d y x ( , );
M 3: d x z ( , ) ≤ d x y ( , ) + d y z ( , ).
O par ( M d , ), onde M é um conjunto e d uma métrica, é chama- do um espaço métrico.
Exemplo 1.4. M = ,.
A partir das propriedades dos números reais podemos verificar fa- cilmente que d é uma métrica em .
Temos:
M 1: d x y ( , ) =| y − x |≥ 0
d x y ( , ) = 0 ⇔| y − x | = 0 ⇔ y − x = 0 ⇔ x = y ;
M 2: d x y ( , ) = d y x ( , ), pois | y − x | |= x − y |;
M d x z z x z y y x z y y x y x z y d x y d y z
Exemplo 1.5. Seja M ≠ ∅ qualquer. A função
0, se ( , ) 1, se
x y d x y x y
satisfaz as propriedades de métrica, sendo denominada métrica trivial ou métrica 0 − 1. Qual a deficiência que você identifica nesta métrica?
Ela não diferencia a distância entre pontos distintos. Por exemplo, se M = , d (4,9) = 1 , d (5,7) = 1 , etc.
Essa é a métrica que você utilizou nas disciplinas de Cálculo, quando estudou, por exemplo, limite de sequências. Se necessário, reveja a seção 1.3.4 do texto de Cálculo I [5, Gimenez-Starke].
Resolução: Note que d não é uma métrica em , pois não satisfaz a proprie- dade M 1. Por exemplo, d (1, −3) = − 5 < 0.
1.3 Métricas em
n
Sejam x = ( x 1 (^) , x 2 , , xn )e y = ( y 1 (^) , y 2 , , yn )pontos de n.
As métricas usualmente utilizadas no espaço n são:
i) Métrica Euclidiana
d : n^ × n →
2 2 2 d x y ( , ) = ( y 1 (^) − x 1 (^) ) + ( y 2 (^) − x 2 ) + + ( yn − xn ).
Nota. Observe que para esta métrica, a distância de x até y é dada pela norma euclidiana de x − y , isto é, d x y ( , ) =|| x − y ||.
ii)Métrica Retangular ou de Ângulo Reto
1 1 1 1 2 2
n n
n n
d d x y y x y x y x
iii)Métrica do Máximo
2 2 1 1 2 2
( , ) max{| |,| |, ,| |}.
n n
n n
d d x y y x y x y x
Observações.
Em nosso estudo a Métrica Euclidiana será considerada a mé- trica usual de n.
Pode-se provar que
d (^) 2 ( , x y ) ≤ d x y ( , ) ≤ d 1 (^) ( , x y ) ≤ kd (^) 2 ( , x y ),
onde k é uma constante. Devido a estas desigualdades, dizemos que as três métricas são equivalentes. A equivalência é no sentido de que elas vão produzir os mesmos abertos e fechados em n.
i) Para a métrica Euclidiana, temos 2 2 2 2 d x o ( , ) = 1 ⇔ ( x 1 (^) − 0) + ( x 2 (^) − 0) = 1 ⇔ x 1 (^) + x 2 = (^1).
ii) Para a métrica retangular, vem d 1 (^) ( , x o ) = 1 ⇔| x 1 (^) − 0 | + | x 2 (^) − 0 | = 1 ⇔| x 1 (^) | + | x 2 | = (^1).
iii) Para a métrica do máximo, temos
d 2 (^) ( , x o ) = 1 ⇔ max{| x 1 (^) − 0 |,| x 2 (^) − 0 |} = 1 ⇔ max{| x 1 (^) |,| x 2 |} = 1.
A figura 1.7 ilustra as 3 situações.
x 2
1^ x 1
(i)
x 2
1^ x 1
(ii)
x 2
1^ x 1
(iii) Figura 1.
1.4 Um Exemplo de Métrica num Conjunto de Funções
Seja X um conjunto não vazio. Seja M o conjunto das funções f : X → limitadas, isto é, tais que existe uma constante positiva k ∈ , de tal forma que | f ( ) | x ≤ k , ∀ ∈ x X.
A função d : M × M →
é uma métrica em M.
É importante você revisar bem a seção 2.6, que explora os conceitos de supremo e ínfimo, no texto de Introdução ao Cálculo [4, Gimenez-Starke].
A figura 1.8 ilustra a métrica dada para X = [ , ] a b ⊂ . x 2 g d ( f , g ) f a b x^1 Figura 1. Observe que para todo x ∈ X , temos um número real | g x ( ) − f ( ) | x. O supremo do conjunto desses números é a distância de f a g (note que este supremo existe, pois f e g são limitadas). Vamos verificar as propriedades de métrica. Sejam f , g h , ∈ M. M M 1:1: d ( f , g ) ≥ 0 pela própria definição da métrica. ( , ) 0 sup{| ( ) ( ) |} 0 | ( ) ( ) | 0 x X d f g g x f x g x f x ∈
p{| ( ) ( ) |} 0 | ( ) ( ) | 0 x X g x f x g x f x ∈ = ⇔ − = ⇔ − = , ∀ ∈ x X ⇔ f ( ) x = g x ( ), ∀ ∈ x X. M M 2 :2: d ( f , g ) = d g ( , f ). É imediata pelas propriedades de módulo de números reais. M 3: Seja x ∈ X. Temos | ( ) ( ) | | ( ) ( ) ( ) ( ) | | ( ) ( ) | | ( ) ( ) | | ( ) ( ) | | ( ) ( ) | sup | ( ) ( ) | sup | ( ) ( ) | ( , ) ( , ). x X x X g x f x g x h x h x f x g x h x h x f x h x f x g x h x h x f x g x h x d f h d h g ∈ ∈