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Introdução à Álgebra Linear, Notas de estudo de Matemática

Introdução à Álgebra Linear - Licenciatura em Matemática - UFPBVirtual

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 20/04/2010

alexandre-oliveira-99
alexandre-oliveira-99 🇧🇷

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Disciplina: Introdução à Álgebra Linear
Prof. Dra. Shirley Maria Santos e Souza
Curso de Licenciatura em Matemática – UFPBVIRTUAL
Ambiente Virtual de Aprendizagem: Moodle www.ead.ufpb.br
Site da UFPBVIRTUAL www.virtual.ufpb.br
Site do curso www.mat.ufpb.br/ead
Telefone UFPBVIRTUAL (83) 3216 7257
Carga horária: 60 horas Créditos: 04
Ementa
Espaços Vetoriais e Subespaços. Aplicações Lineares e Matrizes. Vetores Próprios e Valores
Próprios. Diagonalização de Operadores. Produto Interno.
Descrição
Esta disciplina é parte indispensável da formação básica, não só de matemáticos, mas de
quantos necessitem aplicar Matemática, mesmo em suas formas mais rudimentares. Os pré-requisitos
para a leitura deste texto são os tópicos de Matemática, normalmente vistos até o curso nível médio e
o curso de Geometria Analítica, do semestre anterior. O estudante deve desenvolver sua capacidade
de leitura, escrita e discussão dentro de um ambiente interativo, trabalhando em grupo e utilizando
como ferramenta a plataforma Moodle.
Objetivos
Ao final do curso, espera-se que o aluno esteja habilitado para:
Compreender o conceito de espaços e subespaços vetoriais.
Compreender o conceito de espaços isomorfos.
Encaminhar os conceitos para a solução de problemas nos quais os alunos já tenham
sentido dificuldades.
Ser capaz de modelar problemas e provas envolvendo combinações lineares, aplicações
e matrizes, diagonalizações de operadores lineares.
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Disciplina: Introdução à Álgebra Linear

Prof. Dra. Shirley Maria Santos e Souza Curso de Licenciatura em Matemática – UFPB VIRTUAL [email protected]

Ambiente Virtual de Aprendizagem: Moodle www.ead.ufpb.br Site da UFPB VIRTUAL www.virtual.ufpb.br Site do curso www.mat.ufpb.br/ead

Telefone UFPB VIRTUAL (83) 3216 7257

Carga horária: 60 horas Créditos: 04

Ementa

Espaços Vetoriais e Subespaços. Aplicações Lineares e Matrizes. Vetores Próprios e Valores

Próprios. Diagonalização de Operadores. Produto Interno.

Descrição

Esta disciplina é parte indispensável da formação básica, não só de matemáticos, mas de

quantos necessitem aplicar Matemática, mesmo em suas formas mais rudimentares. Os pré-requisitos

para a leitura deste texto são os tópicos de Matemática, normalmente vistos até o curso nível médio e

o curso de Geometria Analítica, do semestre anterior. O estudante deve desenvolver sua capacidade

de leitura, escrita e discussão dentro de um ambiente interativo, trabalhando em grupo e utilizando

como ferramenta a plataforma Moodle.

Objetivos

Ao final do curso, espera-se que o aluno esteja habilitado para:

Compreender o conceito de espaços e subespaços vetoriais.

Compreender o conceito de espaços isomorfos.

Encaminhar os conceitos para a solução de problemas nos quais os alunos já tenham

sentido dificuldades.

Ser capaz de modelar problemas e provas envolvendo combinações lineares, aplicações

e matrizes, diagonalizações de operadores lineares.

Unidades Temáticas Integradas

Unidade I Espaços Vetoriais

  • Espaços Vetoriais
  • Subespaços
  • Combinação Linear
  • Dependência e Independência Linear
  • Bases, dimensão e mudança de base

Unidade II Aplicações Lineares e Matrizes

  • Aplicações Lineares
  • Núcleo e imagem de uma aplicação linear
  • Aplicação inversa. Isomorfismo
  • Matriz de uma Transformação Linear

Unidade III Vetores Próprios e Valores Próprios

  • Vetores e Valores Próprios
  • Polinômios Característico e Minimal
  • Diagonalização de Operadores

Unidade IV Produto Interno

  • Produto Interno
  • Espaços com Produto Interno

Trabalhamos nesses espaços de maneira idêntica àquela vista em ℝ

2 e ℝ

3

. Por exemplo, se,

u = ( x 1 , x 2 ,…, xn )e v = ( y 1 , y 2 ,…, yn )são vetores no ℝ

n e α um escalar, definimos:

a) u = vse , esomente , sexi = yi , i = 1 , 2 ,…, n ,

b) u + v =( x 1 + y 1 , x 2 + y 2 ,…, xn + yn ),

c) α u =( α x 1 , α x 2 ,…, α xn ),

d) u. v = x 1 y 1 + x 2 y 2 +…+ xn yn ,

e). ....

2 2 2

2 u = uu = x 1 + x + + xn

Consideremos, agora, o conjunto ℝ

n e o conjunto das matrizes reais de ordem m × n ,

representado por (^) M ( m , n ). Com relação a estes conjuntos estão definidas as operações de adição e

multiplicação por escalar, que tem em comum as seguintes propriedades:

Se u,v,w∈ ℝ

n , α , β∈ℝ (escalares) e A,B,C ∈ M ( m , n ), podemos verificar que:

Em relação à adição temos as propriedades:

  1. (u+v)+w=u+(v+w) e (A+B)+C=A+(B+C) (associatividade)

  2. u+v=v+u e A+B=B+A (comutatividade)

  3. Existe um único elemento(neutro) em ℝ

n e em M ( m , n ), representado por 0 tal que:

u+0=u, onde 0 = ( 0 , 0 ,…, 0 )e

A+0=A, onde ( , ).

0 ∈ Mmn

  1. Para cada vetor u∈ ℝ

n e para cada matriz A ∈ M ( m , n )existe um único vetor e uma única matriz,

representados por –u e –A, tais que:

u+(-u)=0 e A+(-A)=0, onde − u =( − x 1 , − x 2 ,…, − xn ), se u = ( x 1 , x 2 ,…, xn ) e

m m mn

n

n

a a a

a a a

a a a

A

1 2

21 22 2

11 12 1

, quando

m m mn

n

n

a a

a a a

a a a

A

1 2

21 22 2

11 12 1

. Neste caso, -u e –A são

chamados de elementos simétricos.

Com relação à multiplicação por escalar valem as seguintes propriedades:

  1. ( αβ ) u = α( β u ) e ( αβ A )= α( β A ),

  2. ( α + β) u = α u + β u e ( α+ β) A = α A + β A ,

  3. α ( u + v )= α u + α v e α( A + B )= α A + α B ,

  4. 1 u = u e 1 A = A.

De acordo com o exposto, os conjuntos ℝ

n e M ( m , n ), munidos desse par de operações

apresentam uma “estrutura” comum em relação a essas operações. Tal fato vale também para outros

conjuntos munidos com duas operações, como veremos mais tarde, os quais são chamados de

espaços vetoriais.

3.1.2. - Espaços Vetoriais

Consideremos V um conjunto não vazio, no qual introduziremos as operações adição e

multiplicação por escalar, ou seja,

u , vV , temos ( u + v )∈ V ,

∀α ∈ℝ , ∀ uV , então α uV.

O conjunto V munido destas duas operações, é denominado espaço vetorial real , ou espaço

vetorial sobre ℝ, se forem satisfeitas as seguintes propriedades:

  1. ( u + v )+ w = u +( v + w ),∀ u , v , wV ,

  2. (^) u + v = v + u , ∀ u , vV ,

  3. (^) Existe 0 ∈ V , talqueu + 0 = u ,∀ uV ,

  4. Existe ( − u )∈ V , talqueu +(− u )= 0 ,∀ uV ,

( ) ( , ) ( , ) ( , ) ( , ) ,

1 1 1 1 1 1 1 1

1 1 1 1 1 1 1 1

u x y x y x y x y u u

u x y x y x x y y

α β α α β β α β α β

α β α β α β α β α β α β

  • = + = + = +

( ) ( , ) ( , ) ,

1 1 2 2

1 2 1 2 1 1 2 2

1 1 2 2 1 2 1 2 1 2 1 2

u v x y x y u v

u v x x y y x y x y

u v x y x y x x y y x x y y

α α α α α

α α α α α α α α α

α α α α α

1.8 1 u = 1 ( x 1 , y 1 )=( 1 x 1 , 1 y 1 )=( x 1 , y 1 )= u ,∀ u ∈ℝ

2 .

  1. O conjunto ℝ, em relação às operações usuais de adição e multiplicação por escalar, é também um

espaço vetorial. Os vetores, nesse caso, são números reais.

  1. Seja V o conjunto de todas as funções V = { f : X → ℝ}, munido das operações

( f + g )( x )= f ( x )+ g ( x ) e α ( f ( x ))=( α f )( x )), é um espaço vetorial, pois tais operações satisfazem as

oito propriedades da definição 3.1.2.

  1. O conjunto de todos os polinômios, = = + + + i

n V { f ( t ) an ta 1 t a 0 ; a ℝ}, é um espaço vetorial

sobre ℝ em relação às operações usuais de adição de polinômios e multiplicação por escalar.

  1. Um conjunto pode ser um espaço vetorial com relação a um par de operações e não ser com

relação a outro par de operações. De fato. Podemos considerar o conjunto ℝ

2 = {( x , y ); x , y ∈ ℝ },

agora munido das seguintes operações:

( 5. 1 ) ( x 1 , y 1 )+( x 2 , y 2 )=( x 1 + x 2 , y 1 + y 2 ) e α ( x 1 , y 1 )=( α x 1 , y 1 ).

Observemos que a operação adição é a usual, portanto do exemplo 1 as quatro primeiras

propriedades da definição 3.1.2. Entretanto, com relação multiplicação por um escalar temos:

1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

1 1 1 1 1 1 1

u u u

u u x y x y x y x y x x y istoé

u x y x y x x y porém

α β α β

α β α β α β α β

α β α β α β α β

Ou seja, a propriedade 6, da definição de espaço vetorial não é satisfeita, portanto, ℝ

2 munido das

operações definidas em (5.1), não é um espaço vetorial.

3.1.4. - Subespaços Vetoriais

Sejam V um espaço vetorial sobre ℝ e W um subconjunto não vazio de V. O subconjunto W é

um subespaço vetorial de V se as seguintes condições são satisfeitas:

  1. u + vW , ∀ u , vW ,

  2. α uW , ∀ uW , α ∈ℝ.

Dialogando e construindo o seu conhecimento

3.1.5. - Exemplos

  1. Sejam V= ℝ^4 e W = {( x 1 (^) , x 2 , x 3 , x 4 ); x 2 = 0 }={( x 1 , 0 , x 3 , x 4 ); x 1 , x 3 , x 4 ∈ℝ} , Então W é um

subespaço vetorial de V. De fato.

a. 0=(0,0,0,0)∈W, isto é, W ≠ Ø.

b. Dados u,v∈W e α ∈ℝ, então u = u = ( x 1 , 0 , x 3 , x 4 ) e v =( y 1 , 0 , y 3 , y 4 ). Logo,

1 3 4 1 3 4 1 3 4

1 3 4 1 3 4 1 1 3 3 4 4

u x x x x x x x x x W

u v x x x y y y x y x y x y W e

= = = ∈

α α α α α α α α α

De onde concluímos que W é um subespaço vetorial de V= ℝ

4 .

  1. Sejam (^) ⎥ ∈ ⎦

= = abcd c d

a b V M ( 2 , 2 ) { ; , , , ℝ} e (^) ⎥ ∈ ⎦

= bc c

b W ; , 0

{ ℝ}, com V munido das

operações soma de matrizes e multiplicação por escalar, ou seja, as operações usuais.

Notemos que (^) ⎥∈ ≠ ⎦

= W , istoé , W 0 0

0 Ø.

Dados (^) ⎥∈ ⎦

2

2

1

1

c

b v c

b u W então W c c

b b

c

b

c

b u v ⎥∈ ⎦

1 2

1 2

2

2

1

1 e

1

1

1

1 W c

b

c

b u (^) ⎥∈ ⎦

α

α α α

Portanto, W é um subespaço vetorial de V.

  1. Sejam V= ℝ^2 munido das operações usuais de adição e multiplicação por escalar

e (^) W = {( x , y ); y = 4 x }={( x , 4 x ); x ∈ℝ}. W representa geometricamente uma reta que passa pela

origem.

  1. Todo subespaço vetorial W de V contém pelo menos o vetor nulo 0, pois quando

α = 0 ,temos 0 = 0 uW.

  1. Um subespaço vetorial W de V é também um espaço vetorial com todas as oito

propriedades herdadas de V.

  1. Todo espaço vetorial V admite pelo menos dois subespaços: o conjunto {0},

chamado subespaço nulo, e o próprio espaço vetorial V. Os demais subespaços são

denominados subespaços não triviais ou próprios. Por exemplo, o conjunto unitário

{(0,0,0)} é um subespaço vetorial do V= ℝ

3 , assim como o conjunto W= ℝ

3 .

Portanto, W 1 ∩W (^2)

b b R

.

  1. Seja V= ℝ^3 = {( x , y , z ); x , y , z ∈ℝ} e W 1 (^) = {( x , y , 0 ); x , y ∈ℝ} e W (^) 2 = {( 0 , 0 , z ); z ∈ℝ} subespaços

vetoriais de V. Se u = ( x , y , z )∈W 1 ∩W 2 , então pela definição de W 1 e W 2 , x = y = z = 0, ou seja,

W 1 ∩W 2 = {(0,0,0)}.

3.1.8. - Soma de dois Subespaços Vetoriais

Sejam W 1 e W 2 dois subespaços vetoriais de V. A soma de W 1 e W 2 , denotada por W =

W 1 +W 2 , é o conjunto de todos os vetores u+v de V tais que uW 1 evW 2.

3.1.8.1. - Teorema

Se W 1 e W 2 são subespaços vetoriais de V então W 1 +W 2 também é um subespaço vetorial de

V.

Demonstração: (i) Sejam u (^) 1, u 2 ∈ W 1 e v (^) 1, v 2 ∈W 2 então u 1 +u 2 ∈W 1 , pois W 1 é um espaço vetorial.

Analogamente, v 1 +v 2 ∈W 2.

Por outro lado, u 1 +v 1 ∈W 1 +W2, como também u 2 +v 2 ∈W 1 +W 2 , logo

(u 1 +v 1 )+(u 2 +v 2 ) = (u 1 +u 2 ) + (v 1 +v 2 ) ∈W 1 +W 2.

(ii) Para qualquer α∈ℝ, sendo u 1 ∈W 1 , v 1 ∈W 2 , então αu 1 ∈W 1 e αv 1 ∈W 2.

Por outro lado, u 1 +v 1 ∈W 1 +W 2 , logo α(u 1 +v 1 ) = αu 1 + αv 1 ∈W 1 +W 2.

3.1.9. - Exemplos

Observando os exemplos 3.1.7, temos que:

  1. O conjunto W 1 +W 2

a b b a b c R c

⎩⎣ ⎦^ ⎣^ ⎦ ⎭

a b a b c R c

⎩ ⎣^ ⎦ ⎭

é um subespaço

vetorial de V, pelo Teorema 3.1.8.1.

  1. A soma de W 1 (^) = {( x , y , 0 ); x , y ∈ℝ} com W (^) 2 = {( 0 , 0 , z ); z ∈ ℝ} é o subespaço vetorial W 1 +W 2

= {( x , y , z ); x , y , z ∈ℝ}, que é o próprio ℝ

3 .

3.1.10 Soma Direta de dois Subespaços Vetoriais

Sejam W 1 e W 2 dois subespaços vetoriais de V. Diremos que V é a soma direta de W 1 e W2, denotada

por V=W 1 ⊕W 2 , se

V=W 1 +W 2 e W 1 ∩W 2 ={0}.

3.1.11 Observação

Se V = W 1 ⊕W 2 , todo v ∈ V se escreve, de modo único, na forma:

v = u + w, onde u∈W 1 e w∈W (^) 2.

De fato. Suponhamos que v = u+w, com u∈W 1 e w∈W 2 e também v = u’+w’, onde u’∈W 1 e w’∈W 2.

Daí,

u + w = v = u’+w’ ou u – u’ = w’ – w.

Como u – u’ ∈W 1 e w’ - w∈W (^) 2, então u – u’ = w – w’∈ W 1 ∩W 2.

Mas, W 1 ∩W 2 = {0}, então u – u’ = w’ – w = 0, ou seja, u = u’ e w = w’.

3.1.12. - Exemplo

  1. O espaço vetorial ℝ

3 é a soma direta dos subespaços vetoriais W 1 = {(x,y,0) ; x,y∈ℝ} e W 1 =

{(0,0,z) ; z∈ℝ}, pois qualquer vetor (x,y,z) ∈ℝ

3 pode ser escrito como soma de um vetor de W 1 e

um vetor de W 2 de maneira única

(x,y,z) = (x,y,0) + (0,0,z),

além disso, W 1 ∩W 2 = {(0,0,0)}. Portanto, ℝ

3 = W 1 ⊕W 2.

3.2. - Combinação Linear

Seja V um espaço vetorial sobre ℝ. Um vetor v em V é combinação linear dos vetores

v 1 ,v 2 ,...,v (^) n em V se existirem escalares x 1 ,x 2 ,...,xn ∈ℝ tais que

u = x 1 v 1 + x 2 v 2 + ... + xn v (^) n.

3.2.1. - Exemplos

  1. Escreveremos o vetor v = (2,5,3) do ℝ

3 como combinação linear dos vetores v 1 = (1,2,1) e v 2 =

(0,1,1).

Para isto, devemos encontrar x,y ∈ℝ tais que

v = (2,5,3) = x(1,2,1) + y(0,1,1) = (x,2x + y,x + y)

ou seja, resolveremos o seguinte sistema

x

x y

x y

⎧^ =

⎨ +^ =

daí, x = 2 e y =1.

Segue de (i) e (ii), que W é um subespaço vetorial de V.

Este subespaço é denominado subespaço gerado pelos vetores v 1 ,v 2 ,...,vn , o qual se denota

W = [v 1 ,v 2 ,...,v (^) n].

3.2.3.1. - Exemplos

  1. Os vetores i = (1,0,0) e j = (0,1,0) geram o conjunto W = {(x,y,0) ; x,y ∈ℝ}, pois qualquer vetor v de

W pode ser escrito como combinação linear dos vetores i e j, ou seja,

v = (x,y,0) = x(1,0,0) + y(0,1,0).

Neste caso, W é gerado pelos vetores i e j, ou seja, W = [i,j].

  1. No caso dos vetores i = (1,0,0), j = (0,1,0) e k = (0,0,1), estes geram o ℝ

3 , já que todo vetor (x,y,z)

do ℝ

3 é escrito como combinação linear dos vetores, i, j e k,

(x,y,z) = x(1,0,0) + y(0,1,0) + z(0,0,1).

3 = [i,j,k].

3.O subespaço gerado pelos vetores v 1 = (1,-2,-1) e v 2 = (2,1,1) será:

[v 1 ,v 2 ] = {(x,y,z) ; (x,y,z) = a(1,-2,1) + b(2,1,1), a,b∈ℝ}.

Da igualdade acima temos:

a b x

a b y

a b z

⎧^ +^ =

⎨−^ +^ =

⎩−^ +^ =

e, resolvendo o sistema, usando as 2 primeiras equações b = 2/5x + 1/5y e a = 1/5x -2/5y.

Substituindo na terceira equação, teremos x + 3y – 5z = 0.

Portanto, [v 1 ,v 2 ] = {(x,y,z) / x + 3y – 5z = 0}, isto é, o subespaço gerado pelos vetores v 1 e v 2 é um

plano que passa pela origem.

  1. Sejam V = M(2,2), v 1 = (^) ⎥

e v 2 = (^) ⎥ ⎦

. O subespaço gerado pelos vetores v 1 e v 2 , será:

[ 1 , 2 ]

x y v v z t

⎩⎣^ ⎦

= a (^) ⎥ ⎦

  • b

a b R

⎢ ⎥ ∈^ ⎬

e, daí o sistema:

a b x

a b y

a b z

a b t

⎧^ −^ +^ =

⎪ −^ =

⎪−^ +^ =

e teremos z = -y e x = -2y + t. Logo, o subespaço gerado pelas matrizes v 1 e v 2 ,

1 2

[ , ] ,

y t y v v y t R y t

⎩⎣ − ⎦^ ⎪

.

3.3. - Dependência e Independência Linear

Seja V um espaço vetorial sobre ℝ. Os vetores v 1 ,v 2 ,...,v (^) n de V são ditos linearmente

independentes (LI) se a equação vetorial

x 1 v 1 + x 2 v 2 + ... + x (^) nv (^) n = 0

admite apenas a solução trivial nula x 1 = x 2 = ... = xn = 0. Caso contrário, se a equação admite pelo

menos uma solução não nula, os vetores são denominados linearmente dependentes (LD).

3.3.1. - Exemplos

  1. Mostraremos que os vetores v 1 = (6,2,3,4), v 2 = (0,5,-3,1), v 3 = (0,0,7,-2) do ℝ

4 são LI. De fato,

suponhamos que existem x 1 ,x 2 e x 3 tais que

x 1 v 1 + x 2 v 2 + x 3 v 3 = 0 = (0,0,0,0),

x 1 (6,2,3,4) + x 2 (,0,5,-3,1) + x 3 (0,0,7,-2) = (0,0,0,0)

logo,

1

1 2

1 2 3

1 2 3

x

x x

x x x

x x x

⎪ +^ =

⎪ −^ +^ =

e teremos, da primeira equação x 1 = 0, da segunda x 2 = 0, e, da terceira, x 3 = 0. Portanto, a

combinação linear acima admite apenas a solução nula. Daí, os vetores são LI.

  1. No espaço V = ℝ

3 , os vetores v 1 = (2,-1,3), v 2 = (-1,0,-2) e v 3 = (2,-3,1) são LD. Pois, dada a

combinação linear x 1 v 1 + x 2 v 2 + x 3 v 3 = 0 = (0,0,0), temos

x 1 (2,-1,3) + x 2 (-1,0,-2) + x 3 (2,-3,1) = (0,0,0) ,isto é,

1 2 3

1 2 3

1 2 3

x x x

x x x

x x x

⎧^ −^ +^ =

⎨−^ −^ −^ =

e, das primeiras equações x 1 = -3x 3 e x 2 = - 4x (^) 3, os quais substituindo na terceira equação 0x 3 = 0.

Isto é válido para qualquer valor de x 3. Daí, escolhendo, por exemplo, x 3 = -1, teremos x 1 = 3 e x 2 =

fazendo, a (^) j = - (x (^) j /xi), com j ≠ i, teremos

v (^) i = a 1 v 1 + a 2 v 2 + ... +a (^) i-1 v (^) i-1 + ai+1 v (^) i+1 + ... + anv (^) n,

Reciprocamente, se

v (^) i = a 1 v 1 + a 2 v 2 + ... +a (^) i-1 v (^) i-1 + ai+1 v (^) i+1 + ... + anv (^) n,

temos

a 1 v 1 + a 2 v (^) 2 + ... + ai-1v (^) i-1 + (-1)vi + ai+1v (^) i+1 + ... + anv (^) n = 0,

observando que o escalar de v (^) i da última combinação é não nulo. Portanto, {v (^) 1, v 2 ,...,v (^) i,...,vn } é LD.

3.3.3 Observações

  1. O Teorema 3.3.2 é equivalente a: “O conjunto {v (^) 1, v 2 ,...,vi,...,v (^) n} é LI, se, e somente se, nenhum

desses vetores for escrito como combinação linear dos outros”.

  1. Dois vetores v 1 e v 2 são LD se, e somente se, um vetor é múltiplo escalar do outro. Por exemplo, v 1

= (1,-2,3) e v 2 = (-2,4,-6) são LD, pois v 2 = -2v 1.

  1. Se v ≠ 0, o conjunto unitário {v} é LI. De fato. av = 0 se, e somente se, a = 0.
  2. Note que, se um conjunto {v (^) 1, v 2 ,...,0,...,vn} contém o vetor nulo, então é LD. Pois,

0v 1 +0v 2 + ... + a0 + ... + 0v (^) n = 0,

é verdadeira para todo a ≠ 0. Logo, {v (^) 1, v 2 ,...,0,...,vn } é LD.

3.4. - Base e Dimensão

Um subconjunto β = {v1, v 2 ,...,v (^) n} de um espaço vetorial V é uma base do espaço vetorial V se;

(i) β é LI;

(ii) β gera V.

3.4.1. - Exemplos

  1. O conjunto β = {(1,1),(-1,0)} é uma base do ℝ

2

. Pois:

(i) Dados x,y escalares tais que x(1,1) + y(-1,0) = 0 = (0,0), então

x y

x y

ou seja, x = y = 0. Logo, W é LI;

(ii) Para todo vetor (x,y) do ℝ

2 verificaremos se existem escalares a e b tais que

(x,y) = a(1,1) + b (-1,0)

a 0 b y ,

a b x

− =

logo, a = y e b = y – x. Ou seja, todo vetor (x,y) do ℝ

2 pode ser escrito como combinação linear dos

vetores de β, isto é, β gera o conjunto ℝ

2 .

  1. O conjunto W = {i,j} é uma base do ℝ

2 , denominada base canônica do ℝ

2 , onde i = (1,0) e j = (0,1).

A base canônica do ℝ

n é dada pelos vetores {e 1 , e 2 ,..., en }, onde e 1 = (1,0,...0), e 2 = (0,1,...0),... ,

e (^) n = (0,0,...,1).

Ampliando o seu conhecimento...

3.4.2. - Teorema

Se β = {v 1 ,v 2 ,...,v (^) n} for uma base de um espaço vetorial V, então todo conjunto com mais de n

vetores será LD.

Demonstração: Sem perda de generalidade, consideremos n=2, e W = {w 1 ,w 2 ,w 3 }. Mostraremos que

W é LD, isto é, que se existirem escalares x 1 ,x 2 ,x 3 não todos nulos tais que

x 1 w 1 +x 2 w 2 + x 3 w 3 = 0. (*)

Como β = {v 1 ,v 2 } é uma base de V, para cada w (^) i ∈W, w (^) i é uma combinação linear dos vetores de β,

ou seja, existem escalares a 11 , a 12 , a 21 , a 22 , a11, a 31 , a 32 tais que:

1 11 1 12 2

2 21 1 22 2

3 31 1 32 2 ,

w a v a v

w a v a v

w a v a v

⎧^ =^ +

⎨ =^ +

⎩ =^ +

Substituindo as relações acima na combinação linear (*), temos:

x 1 ( a 11 (^) v 1 + a 12 v 2 ) + x 2 ( a 21 (^) v 1 + a 22 v 2 ) + x 3 ( a 31 (^) v 1 + a 32 v 2 ) = 0

e, ordenando os termos de maneira conveniente,

( x 1 a 11 + x 2 a 12 + x 3 a 31 ) v 1 +( x 1 a 12 + x 2 a 22 + x 3 a 32 ) v 2 = 0

Sendo β = {v 1 ,v 2 } uma base de V, β é LI, logo os escalares da última combinação são nulos,

x 1 a 11 + x 2 a 12 + x 3 a 31 = 0

x 1 a 12 + x 2 a 22 + x 3 a 32 = 0

e este sistema homogêneo possui 3 variáveis x 1 ,x 2 ,x 3 e 2 equações, logo existem soluções não

triviais. Portanto, W ={w 1 ,w 2 ,w 3 } é LD.

Em V = M(2,2), a base canônica é {v 1 ,v 2 ,v 3 ,v 4 }, onde v 1 = (^) ⎥ ⎦

v 2 =

v 3 = (^) ⎥ ⎦

e v 4 = (^) ⎥ ⎦

.

Não demonstraremos, apenas daremos um exemplo.

3.5.3. - Exemplo

  1. Consideremos os vetores v 1 = (1,1,0) e v 2 = (0,1,2). Observe que {v 1 ,v 2 } é LI.

Como dimℝ

3 =3, pela observação 3.5.1 (4), uma base terá 3 vetores LI. Encontraremos um vetor v 3 ∈

3 tal que {v 1 ,v 2 ,v 3 } seja LI.

Ou seja, v 3 não pode como combinação linear de v 1 e v 2 , isto é, v 3 ≠av 1 +bv 2 , a,b∈ℝ,

v 3 =(x,y,z) ≠ a(1,1,0) + b(0,1,2) = (a,a+b,2b).

Escolhendo v 3 = (1,0,2), o conjunto {v 1 ,v 2 ,v 3 } seja LI.

3.5.3. - Componentes de um Vetor

Sejam β = {v 1 ,v 2 ,...,v (^) n} base de V e v∈V. v pode ser escrito como combinação linear dos

vetores de β, isto é, existem a 1 ,a 2 ,...,an escalares tais que

v = a 1 v 1 + a 2 v 2 + ... + an vn.

Os escalares a 1 ,a 2 ,...,a (^) n são chamados de coordenadas de v em relação à base β, as quais

denotamos por

[ ].

2

1

a n

a

a

v

β

3.5.3.1 Exemplo

  1. Consideremos V = ℝ

2 e β = {i,j} base canônica do ℝ

2 , β = {(1,0),(0,1)}.

Dado v = (2,-5) um vetor do ℝ

2 ,

v = (2,-5) = 2(1,0) - 5(0,1),

isto é, 2 e -5 são as coordenadas de v em relação à base β, denotadas por

[( 2 , 5 )] ⎥

− β=

Considerando, agora, a base β’ = {(1,1),(0,1)}. O vetor v = (2,-5) pode ser escrito como

combinação dos vetores da base β’, existem escalares a e b tais que

(2,-5) = a(1,1) + b(0,1),

isto é, a = 2 e b = -7. Logo, 2 e -7 são as coordenadas do vetor v em relação à base β’, ou seja,

[( 2 , 5 )]' ⎥

− β =

3.5.3.2. - Observação

Notem que a ordem dos vetores de uma base também influi na matriz das coordenadas de um

vetor em relação a esta base. Se β = {(1,0),(0,1)} e β 1 = {(0,1),(1,0)} então

[( 2 , 5 )]

[( 2 , 5 )]

− β = e β

Por isso, ao considerarmos uma base subentendemos que seja ordenada.

3.6. - Exercícios Resolvidos

  1. Determinar a dimensão e uma base do espaço vetorial W = {(x,y,z)∈ℝ

3 / 2x + y + z = 0}.

Solução : Com a condição, 2x + y + z = 0, temos z = -2x - y. Se (x,y,z) ∈ℝ

3 , este tem a forma:

(x,y,z) = (x,y,-2x-y) = (x,0,-2x) + (0,y,-y),

ou ainda,

(x,y,z) = x(1,0,-2) + y(0,1,-1).

Vejam que todo vetor de W é combinação linear dos vetores (1,0,-2) e (0,1,-1). Como esses dois

vetores geradores de W são LI, estes formam uma base de W e, por definição, dimW = 2.

Observem que, como a cada variável livre corresponde um vetor da base na última igualdade,

conclui-se que o número de variáveis livres é a dimensão do espaço.

  1. Dados os vetores v 1 = (1,2,3), v 2 = (0,2,4) e v 3 = (0,0,-3), mostrar que o conjunto β = {v 1 ,v 2 ,v 3 } é

uma base do ℝ

3 .

  1. Solução: (a) Consideremos a seguinte combinação linear

av 1 + bv 2 + cv 3 = 0 = (0,0,0),

isto é,

(a,2a,3a) + (0,2b,4b) + (0,0,-3c) = (0,0,0),

ou, equivalentemente,

a b c

a b

a

de onde, a = b = c = 0. Logo, β é LI. Como β tem 3 vetores, então β é base do ℝ

3 .

3.5. - Mudança de Base

Considerando um determinado problema em que um corpo se move no plano xy, cuja

trajetória é uma elipse de equação x

2

  • xy + y

2

  • 3 = 0, a descrição do movimento se torna muito

simplificada se, ao invés de trabalharmos com os eixos x e y (ou seja, o referencial determinado pela

base canônica do ℝ

2 ), utilizarmos um referencial que se apóia nos eixos principais da elipse.