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modulo1 apostila, Notas de estudo de Contabilidade

geografia usp usp

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 03/04/2015

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leticia-haskel-9 🇧🇷

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Organizadores e elaboradores
Sonia Maria Vanzella Castellar
Elvio Rodrigues Martins
Geografia
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Organizadores e elaboradores

Sonia Maria Vanzella Castellar

Elvio Rodrigues Martins

Geografia

Nome do aluno

módulomódulo

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Governador: Geraldo Alckmin Secretaria de Estado da Educação de São Paulo Secretário: Gabriel Benedito Issac Chalita Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas – CENP Coordenadora: Sonia Maria Silva

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Reitor: Adolpho José Melfi Pró-Reitora de Graduação Sonia Teresinha de Sousa Penin Pró-Reitor de Cultura e Extensão Universitária Adilson Avansi Abreu

FUNDAÇÃO DE APOIO À FACULDADE DE EDUCAÇÃO – FAFE Presidente do Conselho Curador: Selma Garrido Pimenta Diretoria Administrativa: Anna Maria Pessoa de Carvalho Diretoria Financeira: Sílvia Luzia Frateschi Trivelato

PROGRAMA PRÓ-UNIVERSITÁRIO Coordenadora Geral: Eleny Mitrulis Vice-coordenadora Geral: Sonia Maria Vanzella Castellar Coordenadora Pedagógica: Helena Coharik Chamlian

Coordenadores de Área Biologia: Paulo Takeo Sano – Lyria Mori Física: Maurício Pietrocola – Nobuko Ueta Geografia: Sonia Maria Vanzella Castellar – Elvio Rodrigues Martins História: Kátia Maria Abud – Raquel Glezer Língua Inglesa: Anna Maria Carmagnani – Walkyria Monte Mór Língua Portuguesa: Maria Lúcia Victório de Oliveira Andrade – Neide Luzia de Rezende – Valdir Heitor Barzotto Matemática: Antônio Carlos Brolezzi – Elvia Mureb Sallum – Martha S. Monteiro Química: Maria Eunice Ribeiro Marcondes – Marcelo Giordan Produção Editorial Dreampix Comunicação

Revisão, diagramação, capa e projeto gráfico: André Jun Nishizawa , Eduardo Higa Sokei , José Muniz Jr. Mariana Pimenta Coan , Mario Guimarães Mucida e Wagner Shimabukuro

Caro aluno, Com muita alegria, a Universidade de São Paulo, por meio de seus estudantes e de seus professores, participa dessa parceria com a Secretaria de Estado da Educação, oferecendo a você o que temos de melhor: conhecimento. Conhecimento é a chave para o desenvolvimento das pessoas e das nações e freqüentar o ensino superior é a maneira mais efetiva de ampliar conhecimentos de forma sistemática e de se preparar para uma profissão. Ingressar numa universidade de reconhecida qualidade e gratuita é o desejo de tantos jovens como você. Por isso, a USP, assim como outras universidades públicas, possui um vestibular tão concorrido. Para enfrentar tal concorrência, muitos alunos do ensino médio, inclusive os que estudam em escolas particulares de reconhecida qualidade, fazem cursinhos preparatórios, em geral de alto custo e inacessíveis à maioria dos alunos da escola pública. O presente programa oferece a você a possibilidade de se preparar para enfrentar com melhores condições um vestibular, retomando aspectos fundamentais da programação do ensino médio. Espera-se, também, que essa revisão, orientada por objetivos educacionais, o auxilie a perceber com clareza o desenvolvimento pessoal que adquiriu ao longo da educação básica. Tomar posse da própria formação certamente lhe dará a segurança necessária para enfrentar qualquer situação de vida e de trabalho. Enfrente com garra esse programa. Os próximos meses, até os exames em novembro, exigirão de sua parte muita disciplina e estudo diário. Os monitores e os professores da USP, em parceria com os professores de sua escola, estão se dedicando muito para ajudá-lo nessa travessia. Em nome da comunidade USP, desejo-lhe, meu caro aluno, disposição e vigor para o presente desafio.

Sonia Teresinha de Sousa Penin. Pró-Reitora de Graduação.

Carta da

Pró-Reitoria de Graduação

Caro aluno, Com a efetiva expansão e a crescente melhoria do ensino médio estadual, os desafios vivenciados por todos os jovens matriculados nas escolas da rede estadual de ensino, no momento de ingressar nas universidades públicas, vêm se inserindo, ao longo dos anos, num contexto aparentemente contraditório. Se de um lado nota-se um gradual aumento no percentual dos jovens aprovados nos exames vestibulares da Fuvest — o que, indubitavelmente, comprova a qualidade dos estudos públicos oferecidos —, de outro mostra quão desiguais têm sido as condições apresentadas pelos alunos ao concluírem a última etapa da educação básica. Diante dessa realidade, e com o objetivo de assegurar a esses alunos o patamar de formação básica necessário ao restabelecimento da igualdade de direitos demandados pela continuidade de estudos em nível superior, a Secretaria de Estado da Educação assumiu, em 2004, o compromisso de abrir, no programa denominado Pró-Universitário, 5.000 vagas para alunos matriculados na terceira série do curso regular do ensino médio. É uma proposta de trabalho que busca ampliar e diversificar as oportunidades de aprendizagem de novos conhecimentos e conteúdos de modo a instrumentalizar o aluno para uma efetiva inserção no mundo acadêmico. Tal proposta pedagógica buscará contemplar as diferentes disciplinas do currículo do ensino médio mediante material didático especialmente construído para esse fim. O Programa não só quer encorajar você, aluno da escola pública, a participar do exame seletivo de ingresso no ensino público superior, como espera se constituir em um efetivo canal interativo entre a escola de ensino médio e a universidade. Num processo de contribuições mútuas, rico e diversificado em subsídios, essa parceria poderá, no caso da estadual paulista, contribuir para o aperfeiçoamento de seu currículo, organização e formação de docentes.

Prof. Sonia Maria Silva Coordenadora da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas

Carta da

Secretaria de Estado da Educação

Neste módulo – Geografia Regional do Brasil –, nossos objetivos são o de compreender a Geografia do Brasil mediante a formação territorial brasileira, bem como a diversidade que caracteriza a geografia brasileira na localização e distribuição dos seus distintos lugares. Observar a evolução e as metamorfo- ses da relação homem/meio, no sentido de observar como esta dinâmica mar- ca a regionalidade deste país.

Ao fazermos a opção por essa concepção metodológica, buscamos por meio do tema central – Regional do Brasil – a integração dos conceitos que estruturam a Geografia na interação da natureza (relevo, solo, clima, vegeta- ção, hidrografia) com a ação determinada da sociedade, no sentido de estabe- lecer sua reprodução e ordenação espacial na cidade e no campo. Neste sen- tido, consideramos que estaremos abordando o tema observando a geografia aí presente na realidade.

Apresentação

do módulo

Unidade 1

A divisão regional

que conhecemos: suas implicações

Organizadores Sonia Maria Vanzella Castellar Elvio Rodrigues Martins Elaborador Elvio Rodrigues Martins

Observe o mapa abaixo (figura 1). Com certeza você já o viu em diferen- tes situações, principalmente no material didático das aulas de geografia, ou mesmo na previsão do tempo na televisão. Trata-se da carta que mostra as distintas regiões brasileiras.

Figura 1. Fonte: IBGE. Entretanto, algumas perguntas devem ser feitas a este mapa, como: o que essas diferentes regiões significam? Ou mesmo, por que os estados brasileiros estão agrupados dessa maneira, ou seja, o que justifica, por exemplo, que os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná estejam agrupados numa mesma região, que é a região sul? Para que serve essa divisão? Quem a propôs? E mesmo, quando isso ficou estabelecido?

seja, o Estado brasileiro necessita fazer a gestão do seu território. Isso significa políticas de geração de energia, aproveitamento dos recursos naturais, políti- cas de transporte, políticas de fomento ao desenvolvimento agropecuário e industrial e mesmo política demográfica, ou seja, de como estão distribuídos os brasileiros pelo território do Brasil. E como é sabida a diversidade do Bra- sil, resta ao poder público estabelecer políticas diferenciadas para cada lugar, ou, mais exatamente, intervenções específicas de acordo com a natureza regio- nal do território. Assim, o Estado brasileiro toma para si os principais aspectos a serem relacionados, tanto da natureza como da sociedade; e diante do objeti- vo de melhor aproveitamento desses aspectos, estabelece políticas nesse sen- tido. Isso é legítimo e todo Estado-nacional com seu respectivo território tem como meta aproveitar de forma ótima as suas potencialidades, buscando com isso a coesão do território e o pleno desenvolvimento econômico e social. É como se a geografia interferisse no tipo de política adotada, ou seja, uma geopolítica. Tudo isso está em pleno acordo, inclusive com a origem da pala- vra região, que vem do latim regere , que significaria dominar, reger.

Mas alguém poderia dizer: não seria essa divisão regional proposta pelo IBGE suficiente para quem quer conhecer a Geografia do Brasil? Afinal, quem quer intervir, ou planejar, deve ter clareza da natureza daquilo que será objeto de intervenção e planejamento. Isso é verdade, pelo menos em tese. Todavia, para quem quer ser gestor da realidade – e, nesse caso, o gestor é o Estado – certas dinâmicas e aspectos da realidade lhe escapam aos olhos ou não lhe dizem respeito (ou dizem muito pouco). É como se para quem administra, interessasse ver somente determinadas características da realidade, e também possuísse um determinado modo de vê-las. Em síntese, para quem administra, certas características não importam, entretanto, para quem quer conhecer todas as características, importam. Veja um exemplo, observe o que acontece no limite entre a região sudeste e a região nordeste. Não chama a atenção o fato de que subitamente o que caracteriza a região sudeste acabasse exatamente na linha que demarca o estado de Minas Gerais e o da Bahia? Curioso, não? Natureza e sociedade se comportam em suas diferenças exatamente como se divide as unidades federativas brasileiras. Evidentemente, isso não ocorre, en- tretanto, em nome da finalidade administrativa, as regiões brasileiras têm de respeitar os contornos dos estados brasileiros.

Mas as coisas não necessitam terem só esse propósito. E como dissemos: nosso caso aqui é conhecer a Geografia do Brasil em sua dimensão regional, onde interagem o homem e seu meio, a sociedade e a natureza.

Unidade 2

Divisão regional:

quando a natureza fala mais alto

Organizadores Sonia Maria Vanzella Castellar Elvio Rodrigues Martins Elaborador Elvio Rodrigues Martins

Há muito tempo geógrafos e outros profissionais interessados nesse as- sunto pensaram nisso. E com isso (como dito linhas atrás), deram origem a diferentes propostas para divisão regional do Brasil. Observe o que apresenta- mos na figura 2 na próxima página.

Aqui encontramos uma série de propostas para a definição da divisão regional brasileira, produzidas por diferentes autores. Vale observar as seme- lhanças e diferenças entre elas, bem como o número de regiões que cada um propôs. E é certo também que cada um fez a sua escolha para concluir quais regiões existiriam no Brasil e quais são os seus respectivos limites. Cada um deve ter tido para si a convicção de que, ou é a natureza ou é a sociedade que determina e marca mais a definição das regiões. Ou é o relevo, o clima, a vegetação, a hidrografia, os tipos de solos, a geologia que influenciam mais, ou é a sociedade com seus aspectos culturais, políticos e econômicos, sobretudo. Em síntese perguntamos: o que define uma região é o comportamento da sociedade ou são as características típicas da natureza?

Veja, por exemplo, a divisão proposta por Delgado de Carvalho. A divisão regional apresentada por ele é muito antiga, data de 1913. Este eminente pro- fessor tomou como ponto de partida para dividir o Brasil a premissa de que o importante para identificar a divisão regional brasileira eram as condições da natureza, num combinado de aspectos que levou o nome de “grandes regiões naturais”. Acreditava que os fatos humanos deveriam ser considerados so- mente quando estavam diretamente relacionados com os condicionantes da natureza. A razão, segundo argumentava, estava no fato de que se tomásse- mos primordialmente os aspectos humanos, teríamos uma divisão regional muito instável, pois os aspectos humanos mudariam com velocidade muito maior que os da natureza. E assim, propôs as seguintes regiões para o Brasil (ver na figura 2 o mapa correspondente à divisão de Delgado de Carvalho): 1- Brasil Setentrional ou Amazônico (composto por Acre, Amazônia e Pará); 2- Brasil Norte-Oriental (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas); 3- Brasil Oriental (Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais); 4- Brasil Meridional (São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e 5- Brasil Central (Goiás e Mato Grosso). Como é possível observar, nesta época não tínhamos o estado do Mato Grosso do Sul nem o estado de Tocantins, entre outras modificações relacionadas com os antigos territórios brasileiros.

Figura 3. Fonte: Boletim Paulista de Geografia, 1949.

O que Delgado de Carvalho considerou mais exatamente? Acompanhe com os mapas das figuras 3, 4 e 5 nas páginas seguintes. Em relação ao Brasil Setentrional, evidentemente considerou a Floresta Amazônica, constituindo um complexo que reúne o clima equatorial úmido, a planície amazônica cor- tada pelo rio Amazonas, ao norte o planalto das Guianas e ao sul uma parte do planalto central brasileiro, formando assim o domínio das Terras Baixas Flores- tadas Equatoriais. É interessante observar que nas diferentes propostas apre- sentadas na figura 2, em quase todas, com exceção do Conselho Técnico de Economias e Finanças, a região amazônica tem os mesmos limites.

No caso da região Norte-Oriental, se fizermos uma comparação com o mapa da figura 1, observamos que a Bahia é retirada do que é hoje considera- da a região nordeste. Uma justificativa difícil de ser encontrada, dado que toda essa região, do ponto de vista das características naturais incluiria perfei- tamente o estado da Bahia, já que se caracteriza por uma combinação de três tipos climáticos, sendo que na faixa costeira encontramos um clima litorâneo úmido, mais para dentro do continente, em parte do chamado agreste, o tropi- cal semi-árido, e já no sertão, a transição do tropical semi-árido para o tropi- cal. Sobre o relevo temos três formações: a parte oriental do planalto central brasileiro, o planalto atlântico, e a chamada planície costeira. Diante disso definem-se três domínios: a Caatinga, esta a predominante, tendo a oeste uma faixa extensa de transição com a floresta Amazônia e a leste outra faixa inter- mediária com a chamada Mata Atlântica, floresta que iniciava e se estendia até o Rio Grande do Sul.

Figura 4. Elaboração: SIMIELLI, 1999, com base em Geoatlas, 1988, Atlas Fename, 1986 e Ross,

  1. © 2000, M. E. SIMIELLI.

extremo oeste de Pradarias, e no seu norte e avançando por Santa Catarina e interior de São Paulo o universo das Araucárias, e finalmente ao longo de praticamente toda a costa dessa região (com exceção da parte mais extrema do Rio Grande do Sul) a continuação da Mata Atlântica.

Por fim, temos o Brasil Central, que hoje seria a região Centro-Oeste, so- mando o fato de que hoje temos também o estado do Mato Grosso do Sul. Este é o domínio do Serrado, onde se combinam um relevo composto ao sul pelo Planalto Meridional, ao norte, ocupando uma vasta extensão, o Planalto Central Brasileiro. Soma-se ainda, e merecendo destaque a essa caracteriza- ção do relevo, o extremo oeste na divisa entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a presença da Planície do Pantanal, onde encontra-se o conhecido Pantanal Mato-grossense, caracterizado por uma biodiversidade impressionante. Trata-se também de uma região marcada pela presença da Bacia do Rio Paraná.

Estas, como vimos nessas descrições, eram as regiões propostas por Del- gado de Carvalho. Aproveitamos para assinalar algumas das mais destacadas características que marcam cada uma dessas grandes regiões naturais. Nunca é demais assinalar que para este geógrafo são os aspectos da natureza que devem marcar as diferentes regiões. Ele mesmo, Delgado de Carvalho assina- lava com toda a ênfase: “o homem ligado ao solo em que vive, moldado pela natureza, constitui em cada um desses quadros uma sociedade característica, com seus usos, seus costumes, seu gênio; deste conjunto e desta conexão geográfica nascem interesses regionais próprios, preocupações locais, os quais fazem da região um organismo inteiro (...)”. Observe que, nestes termos, aque- las observações que fizemos sobre a miséria social no nordeste e a questão da seca parecem perfeitamente corretas. Lembremos mais uma vez, há grandes problemas neste raciocínio e para que possamos ver quais são as limitações, necessitamos avançar mais um pouco.

Terminadas essas descrições derivadas da divisão regional proposta por Delgado de Carvalho, coisa que muitas vezes acontece nas aulas de geogra- fia, a questão que se coloca é a seguinte: qual a importância de saber isso? Saber por saber todas essas características pode até ser muito bonito. Mas nosso propósito não é esse. Lembre-se, mesmo com a força dada por Delga- do, da natureza na definição das regiões, nem ele desconsiderou a presença da sociedade em tudo isso. Ou seja, essas descrições impõem a necessidade de observar a relação existente entre este quadro extremamente rico da natu- reza com a sociedade. Mas, e aí, como ficamos? Na descrição de Delgado, como vimos, a natureza fala mais alto. Sem dúvida, isso tudo é muito impor- tante considerar, mas resta saber qual a importância que será dada por de- terminados tipos de sociedade a diferentes características da natureza. Por exemplo, as populações indígenas brasileiras olharam e olham para este qua- dro natural e o consideram num determinado sentido, isso em função da ma- neira de prover a sua subsistência, ou mesmo em função da sua perspectiva cultural. Considerando o fato de que os povos indígenas brasileiros são e representam diferentes culturas na sua integridade, e se compararmos ao tipo de sociedade que é predominante no Brasil, chegaremos a conclusão de que a nossa visão é bastante distinta dos povos indígenas. Não exatamente no senti- do de uma suposta disparidade no desenvolvimento tecnológico, e nem que há uma visão melhor ou superior a outra, mas sim que tipo de valor ou im- portância cada sociedade dá a determinadas características da natureza. Ou seja: qual a importância do clima subtropical úmido para nós? E o clima

tropical semi-árido, qual a importância que teve e tem para a sociedade brasi- leira? O mesmo perguntamos sobre a Bacia do rio Paraná. E o Cerrado, carac- terística principal do Planalto Central Brasileiro, dotado de solos em geral po- bres, são pobres em que sentido e para quem? E quando olhamos o Planalto das Araucárias, o que nos interessa saber de sua existência, ou mesmo qual o tipo de rocha predominante em sua composição, quais os solos que aí tiveram origem, que importância damos a eles? Qual a importância da Amazônia, do rio Amazonas, da Mata Atlântica, do Pantanal Mato-grossense? Enfim, pode- ríamos ficar perguntando por páginas e páginas acerca da importância e valor que tem a natureza para a sociedade brasileira?

Cada sociedade dá e tem o seu sentido de natureza. E assim, neste olhar que atribui valor e importância, a sociedade brasileira se apropriou da natureza presente em seu território, e com isso deu origem a Geografia do Brasil na sua dimensão regional. E por que dimensão regional? Porque, mais que dizer que “este pais é grande demais e é muito diferente de norte a sul”, devemos considerar o fato de que fomos nos apropriando da natureza em momentos diferentes e em lugares diferentes ao longo do territó- rio. Esta sociedade brasileira que hoje conhecemos e fazemos parte já foi muito diferente e por sua vez olhou para a natureza de formas diferentes. Certos aspectos não tinham valor num determinado momento e posteriormen- te passaram a ter, e outras perderam a importância que tinham. Em outras palavras, por um momento, um lugar tem ou teve mais importância que ou- tros, pois contém no seu interior determinadas características que são mais interessantes em relação a outras, isso para um determinado momento. Numa hora um lugar vale mais e noutra hora é um outro que vale. Uma vez aqui, depois ali. Agora, imagine isso ao longo da História do Brasil. É nesse proces- so que foi se formando a Geografia do Brasil ou, como podemos dizer, a Formação Territorial Brasileira.

Mas o que significa dar valor e importância e, portanto, apropriar-se da natureza? Significa: caça, pesca, coleta, mineração, agricultura, pecuária, in- dústria, mito, crença, arte, imaginação, luta, disputa, conflito, identidade e assim por diante. Para melhor entender este processo, vamos aproveitar mais um mapa presente na figura 2.

adaptados ao clima subtropical úmido, como o trigo, a cevada, além do plan- tio da uva destinada à produção de vinho, que nesta época representava 78% da produção nacional.

Com relação à questão do Piauí e do Maranhão pertencerem à região Norte, a justificativa possível estava relacionada com o extrativismo presente nesses estados, uma vez que os demais estados dessa região destacavam-se exatamente por esse tipo de atividade agrícola. No Amazonas, Acre e Pará predominava o extrativismo da borracha, da castanha, das madeiras e já no Maranhão e no Piauí a extração era do babaçu e da carnaúba.

Este mapa, portanto, proposto pelo CTEF, centra-se como dito nas ativida- des produtivas, todavia, nos deixa pistas de que ao fazer essa identificação das regiões, o Conselho levou em consideração indiretamente as condições naturais presentes ao longo do Brasil. É como se cada uma dessas atividades produtivas, com exceção da indústria, apontasse sob quais condições am- bientais elas se adaptaram. Em verdade, seria interessante se sobrepusésse- mos o mapa de Delgado de Carvalho sobre o do CTEF, tentando com isso verificar as características ambientais e a resposta que a sociedade dá median- te o desenvolvimento das atividades produtivas, especialmente, como dito, nas atividades agrárias.

Figura 6. Fonte: Elaboração: SIMIELLI, 1999, com base em LEPSCH, 1993; IBGE, 1997; entrevista DIAS FERREIRA, 1999. © 2000, M. E. SIMIELLI.

Figura 7. Geoatlas, 1987, atualizado com Quatro Rodas , 1999. © 2000, M. E. Simielli.