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Guias e Dicas
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Programas de Matemática, Resumos de Matemática

1.2.1 Programa do 3o ciclo do Ensino Básico . ... 1.2.2 Programa de Matemática do Ensino Secundário . ... 3.2 Análise dos programas dos 1o e 2o ciclos .

Tipologia: Resumos

2023

Compartilhado em 16/01/2023

Jandiara62
Jandiara62 🇵🇹

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Inovoes nos Planos Curriculares
dos Ensinos asico e Secund´ario
Crit´erios de elabora¸ao
de
Programas de Matem´atica
do 7oao 12oano
Eduardo Marques de a
Isabel Seruca dos Reis
Miguel Ramos
Jorge Pato
Instituto de Inova¸ao Educacional
Sociedade Portuguesa de Matem´atica
Setembro de 1998
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Inova¸c˜oes nos Planos Curriculares

dos Ensinos B´asico e Secund´ario

Crit´erios de elabora¸c˜ao

de

Programas de Matem´atica

do 7o^ ao 12o^ ano

Eduardo Marques de S´a

Isabel Seruca dos Reis

Miguel Ramos

Jorge Pato

Instituto de Inova¸c˜ao Educacional

Sociedade Portuguesa de Matem´atica

Setembro de 1998

PREF ACIO´

No final do ano de 1996 foi assinado um Protocolo de coopera¸c˜ao entre o Ins-

tituto de Inova¸c˜ao Educacional e diversas institui¸c˜oes, entre as quais a Sociedade

Portuguesa de Matem´atica, com o prop´osito de desenvolver um estudo de ele-

mentos do sistema educativo portuguˆes `a luz dos sistemas educativos espanhol,

belga frac´ofono e inglˆes. Coube `a Sociedade Portuguesa de Matem´atica estudar

o que se refere ao ensino das disciplinas de matem´atica dos ´ultimos seis anos de

escolaridade n˜ao superior em Portugal e das correspondentes nos outros pa´ıses

considerados.

Este relat´orio responde a uma parte das finalidades desse estudo. Nomeada-

mente, identificam-se, em cada sistema, os crit´erios que presidem `a concep¸c˜ao

dos programas de ensino das referidas disciplinas de matem´atica e, com base

nessa identifica¸c˜ao, apresentam-se recomenda¸c˜oes sobre os crit´erios de concep¸c˜ao

dos programas portugueses.

Estando envolvidas outras disciplinas e muito diversas equipas neste estudo, com

experiˆencias diferentes e diferentes modos de pensar, procedeu-se a um aturado

trabalho comum de concep¸c˜ao que harmonizasse, na medida do poss´ıvel, a me-

todologia de an´alise e o tipo de resposta final. A coordena¸c˜ao foi da Senhora

Doutora Ivone Gaspar, a quem dedicamos uma palavra de reconhecimento pela

sua disponibilidade, pela correc¸c˜ao de estrat´egias e pelas muitas sugest˜oes dadas

no decorrer do processo.

E. Marques de S´a Isabel Seruca dos Reis Miguel Ramos Jorge Pato

3 B´elgica

  • 3.1 Apresenta¸c˜ao dos documentos
  • 3.2 An´alise dos programas dos 1o e 2o ciclos
  • 3.3 An´alise de material de apoio
  • 3.4 Compara¸c˜ao com o caso portuguˆes
  • 4.1 O ‘National Curriculum’ 4 Inglaterra e Pa´ıs de Gales
    • 4.1.1 Apresenta¸c˜ao dos documentos
    • 4.1.2 An´alise do programa
  • 4.2 A Matem´atica ‘16-18’
    • 4.2.1 Enquadramento e apresenta¸c˜ao de um ‘Syllabus’
    • 4.2.2 An´alise do ‘Syllabus’ de Oxford e Cambridge
  • 4.3 Compara¸c˜ao com o caso portuguˆes
  • 1 Recomenda¸c˜oes III. Conclus˜ao
  • 2 Ilustra¸c˜ao
  • 3 Considera¸c˜oes finais
  • Bibliografia

I

Introdu¸c˜ao

´INDICE

1 Descri¸c˜ao sum´aria do relat´orio.......... 2 2 Metodologia de an´alise............... 2 2.1 Os programas em presen¸ca.......... 2 2.2 A grelha de an´alise.............. 4

Ap´os uma muito breve descri¸c˜ao do relat´orio, abordam-se quest˜oes gen´eri- cas sobre os programas em presen¸ca e os instrumentos propostos para a an´alise da sua estrutura. Estes est˜ao materializados numa grelha de an´alise cuja especifica¸c˜ao ser´a tamb´em discutida.

Espanha

Neste pa´ıs, a Educa¸c˜ao Secund´aria Obrigat´oria tem uma dura¸c˜ao de 4 anos, divi-

didos em dois ciclos de 2 anos cada. Seguem-se 2 anos de ensino n˜ao obrigat´orio,

com duas vias: o ‘Bachillerato’, que analisaremos em pormenor, e uma via de

profissionaliza¸c˜ao de grau m´edio sobre a qual n˜ao nos vamos pronunciar. Os 4

anos da Educa¸c˜ao Secund´aria Obrigat´oria ser˜ao confrontados com os 3 anos do

nosso 3 o^ ciclo e os 2 anos do ‘Bachillerato’ com os 3 anos do nosso Ensino Secun-

d´ario. Note-se que, no cˆomputo geral, analisaremos os programas de 6 anos de

escolaridade em ambos os sistemas, correspondentes `a mesma faixa et´aria.

B´elgica franc´ofona

O Ensino Secund´ario belga consta de 6 anos de escolaridade, divididos em 3 ciclos,

ou graus (‘degr´es’) de 2 anos cada, que correspondem `a mesma faixa et´aria, dos

12 aos 18 anos, que a nossa sequˆencia 3 o^ ciclo + Ensino Secund´ario. A entrada

no ensino superior faz-se ap´os mais um ano de prepara¸c˜ao 2. Pareceu-nos razo´avel

estabelecer a correspondˆencia do nosso 3 o^ ciclo aos primeiros dois graus belgas,

tanto mais que, nesta correspondˆencia, as cargas hor´arias globais coincidem. O

nosso Ensino Secund´ario ficaria, assim, em confronto com os dois anos do 3 o^ grau

da B´elgica franc´ofona.

Quanto aos programas belgas de Matem´atica, a situa¸c˜ao que se nos oferece ´e,

no momento presente, complicada pelo facto de o sistema estar em plena fase de

ajustamento. Damos os pormenores a partir da p´agina 52, onde justificamos a

op¸c˜ao de n˜ao analisar o 3 o^ ciclo do Ensino Secund´ario belga, que possibilitou uma

an´alise bastante mais ajustada `as nossas finalidades do que a do extenso texto

sobre os programas belgas do relat´orio preliminar [3].

Inglaterra e Pa´ıs de Gales

Os programas de ensino deste sistema apresentam uma estrutura muito simples

e rigorosa, que n˜ao tornou menor, nem menos interessante, o esfor¸co de an´alise,

pelo contraste flagrante com o caso portuguˆes.

Poderia pensar-se numa correspondˆencia do nosso 3 o^ ciclo aos ‘Key Stage’s 3 e

4, estes englobando os 5 ´ultimos anos da escolaridade obrigat´oria, dos 11 aos 16

anos de idade (cf. p´agina 67), e do nosso Ensino Secund´ario aos dois anos da

educa¸c˜ao secund´aria ‘post-16’. Nesse caso, o desajuste seria consider´avel, pelo

que preferimos n˜ao estabelecer uma op¸c˜ao r´ıgida sobre o assunto.

Os documentos adiante identificados e analisados como ‘programas de matem´a-

tica’ da Inglaterra e Pa´ıs de Gales s˜ao os do ‘National Curriculum’ e o ‘Syllabus’

(^2) De acordo com [1].

de Oxford e Cambridge [46, 50] a entrar em vigor em 1998-99. A uniformidade

de estrutura dos programas do ‘National Curriculum’ permitiu uma an´alise que

abrange, em muitos aspectos, todo o ‘National Curriculum’, e n˜ao apenas os dois

‘Key Stage’s que nos competiam; procur´amos fazˆe-lo sem intromiss˜ao em ´areas

que, neste projecto, est˜ao fora da nossa competˆencia. Regist´amos, nas p´aginas

74-75, os resultados do nosso esfor¸co de entendimento do conceito e fun¸c˜ao dos

‘Syllabuses’ no sistema em causa.

2.2 A grelha de an´alise

Os objectos de estudo foram j´a sumariamente esbo¸cados: s˜ao documentos oficiais

dos pa´ıses em considera¸c˜ao, constituindo um n´ucleo central de referˆencia, e ou-

tros de proveniˆencia diversa, que servir˜ao de auxiliares na elucida¸c˜ao de quest˜oes

sobre as quais houve d´uvidas ou lacunas de informa¸c˜ao. Uns e outros ir˜ao sendo

devidamente identificados e referenciados.

O instrumento de an´alise ser´a constitu´ıdo por uma lista estruturada de quesi-

tos, elaborada e longamente discutida em reuni˜oes de coordenadores das diversas

disciplinas do projecto. No decorrer do processo de utiliza¸c˜ao dessa ‘grelha de

an´alise’, foram ocorrendo dificuldades na sua interpreta¸c˜ao e tenta¸c˜oes de alterar

a sua forma. Lev´amos `a pr´atica algumas altera¸c˜oes, apenas as que n˜ao tocassem

a essˆencia e o prop´osito do que foi concebido nas reuni˜oes de coordena¸c˜ao.

Assim, a grelha de an´alise, pontualmente alterada, foi utilizada para obter res-

postas t˜ao objectivas quanto poss´ıvel sobre cada um dos seus quesitos, com o

objectivo de determinar quais os princ´ıpios que presidem `a concep¸c˜ao dos pro-

gramas de ensino da matem´atica em cada um dos pa´ıses considerados. Por outro

lado, sendo finalidade central deste processo a produ¸c˜ao de um corpo de re-

comenda¸c˜oes sobre os programas do nosso Pa´ıs, a an´alise do caso portuguˆes ´e

mais desenvolvida e pormenorizada.

Apresentamos a grelha de an´alise tal como foi concebida nas referidas reuni˜oes

de coordenadores, seguida da que efectivamente utiliz´amos no processo de an´alise

exposto no cap´ıtulo II.

5. Orienta¸c˜oes metodol´ogicas

adequa¸c˜ao aos objectivos enunciados

6. Sugest˜oes de estrat´egias / actividades

adequa¸c˜ao aos objectivos enunciados

7. Clareza

8. Referˆencia a materiais a utilizar

adequa¸c˜ao aos objectivos enunciados

9. Apresenta¸c˜ao e natureza dos crit´erios / normas ou “modelo” de avalia¸c˜ao

das aprendizagens

adequa¸c˜ao aos objectivos enunciados

10. Introdu¸c˜ao de:

· vocabul´ario (entende-se por ‘vocabul´ario’ uma lista de termos) · gloss´ario (entende-se por ‘gloss´ario’ uma lista com defini¸c˜oes de termos) − gloss´ario cient´ıfico − gloss´ario pedag´ogico

11. Referˆencias bibliogr´aficas

12. Determina¸c˜ao dos tempos lectivos

13. Crit´erios para a constitui¸c˜ao dos grupos de aprendizagem

14. Coerˆencia interna dos elementos constitutivos do programa

A grelha que efectivamente adopt´amos e a seguir descrevemos apenas difere da

original na ordena¸c˜ao e organiza¸c˜ao dos itens e na redac¸c˜ao de algumas frases

e t´ıtulos. Al´em disso, na nova vers˜ao, e de acordo com o que se discutiu na

coordena¸c˜ao do projecto, pareceu-nos conveniente enquadrar alguns dos termos

utilizados, procurando explic´a-los, nomeadamente aqueles que, por inerente di-

versidade de sentidos, suscitam d´uvidas naturais, que mesmo as explica¸c˜oes dadas

n˜ao eliminar˜ao na totalidade. Aqui, enquadrar n˜ao ´e definir : sobre as defini¸c˜oes

deve tomar-se, na nossa ´optica, uma atitude muito circunspecta e restritiva.

Grelha adoptada

1. Fundamenta¸c˜ao/justifica¸c˜ao

Procuramos, neste item, determinar se o programa em an´alise apresenta, ou n˜ao, finalidades da disciplina, princ´ıpios gerais de orienta¸c˜ao do programa, justi- fica¸c˜oes de op¸c˜oes feitas.

2. Objectivos

A express˜^ ao “objectivos gerais” atribui-se um sentido menos amplo que ao termo “finalidades”. Trata-se de metas, de grau de generalidade vari´avel, que se pre- tende ver atingidas pelos alunos no seu processo de aprendizagem, eventualmente transcendendo a matem´atica propriamente dita. Usamos tamb´em a express˜ao “objectivos espec´ıficos” para referir os objectivos que mais directamente se rela- cionam com t´opicos particulares da substˆancia matem´atica. Interess´amo-nos pe- los objectivos especificados no texto de cada programa, procurando classific´a-los quantoa sua natureza, em quatro categorias: intelectual, pessoal, social e vo- cacional, que obviamente podem coexistir, em maior ou menor grau, em cada objectivo individual. Seguem-se notas explicativas sobre cada uma delas:

Diremos que um objectivo apresenta natureza intelectual sempre que aponte para a aquisi¸c˜ao ou constru¸c˜ao de saberes e o desenvolvimento cognitivo do indiv´ıduo; pode, essa natureza, vir eventualmente expressa em capacidades como a compreens˜ao e a express˜ao correcta das ideias, o questionamento, o racioc´ınio l´ogico, a an´alise cr´ıtica. Diremos que um objectivo apresenta natureza pessoal sempre que aponte para o desenvolvimento da personalidade, das capacidades de pensar e ac- tuar por si pr´oprio, para a valoriza¸c˜ao de princ´ıpios morais e est´eticos, para o favorecimento do equil´ıbrio f´ısico e emocional. Diremos que um objectivo apresenta natureza social sempre que aponte para o desenvolvimento das rela¸c˜oes do indiv´ıduo com o meio, eventual- mente expressas em valores como a tolerˆancia, a solidariedade, o respeito pelo outro e pela natureza. Diremos que um objectivo apresenta natureza vocacional sempre que aponte para o desenvolvimento e express˜ao das aptid˜oes naturais, conducentes a uma orienta¸c˜ao profissional.

3. Conte´udos

Os conte´udos especificados em cada programa ser˜ao analisados de acordo com diversas perspectivas, entre as quais as seguintes:

  • Resposta aos objectivos definidos
  • Formas organizativas gob este t´ıtulo tratar-se-´a de determinar de que modo o programa apresenta
  • crit´erios para a constitui¸c˜ao de grupos de aprendizagem
  • sugest˜oes de estrat´egias e actividades
  • referˆencia a materiais a utilizar

e se o faz de modo adequado aos objectivos enunciados.

5. Avalia¸c˜ao das aprendizagens

Sob este t´ıtulo tratar-se-´a de determinar se os documentos expressam, ou n˜ao, e de que modo o fazem, crit´erios ou normas de avalia¸c˜ao das aprendizagens, e se h´a adequa¸c˜ao aos objectivos enunciados.

6. Organiza¸c˜ao do texto do programa

Neste item, discutem-se certas caracter´ısticas do texto, como a sua clareza, termo este a que demos um sentido local , envolvendo, por exemplo, quest˜oes de car´acter sint´actico e semˆantico, estas, naturalmente, para n´os, mais percept´ıveis no caso dos programas portugueses. Anota-se, tamb´em, a presen¸ca ou a ausˆencia de componentes como: vocabul´ario, gloss´ario (cient´ıfico, pedag´ogico) e referˆencias bibliogr´aficas.

7. Coerˆencia interna do programa

Sob este t´ıtulo, observ´amos a articula¸c˜ao, entre si, dos diversos elementos con- stitutivos do programa. Trata-se de uma caracter´ıstica de car´acter global do texto, em contraponto, mas n˜ao em oposi¸c˜ao, ao que se considerou no t´ıtulo an- terior, nomeadamente no que respeita `a clareza. Tivemos ocasi˜ao de observar, no concreto, no caso do programa de matem´atica do nosso Ensino Secund´ario, a im- portante influˆencia que uma frequente falta de clareza do texto tem na avalia¸c˜ao da sua coerˆencia global.

Modifica¸c˜oes

De modo muito breve, descrevemos as modifica¸c˜oes mais relevantes que sofreu

a grelha original. N˜ao consider´amos o item comportamentos e inclu´ımos o item

destrezas no ˆambito mais geral dos conte´udos. Os temas determina¸c˜ao dos tem-

pos lectivos, crit´erios para a constitui¸c˜ao dos grupos de aprendizagem, sugest˜oes

de estrat´egias e actividades e referˆencia a materiais a utilizar , que se encon-

travam dispersos na grelha original, passaram a ser subtemas das orienta¸c˜oes

metodol´ogicas e did´acticas. Agrup´amos num novo t´ıtulo, Organiza¸c˜ao do texto

do programa, os seguintes temas de an´alise da grelha original: introdu¸c˜ao de vo-

cabul´ario e gloss´ario, referˆencias bibliogr´aficas e clareza. Pensamos que estas

altera¸c˜oes contribuem para uma melhor arruma¸c˜ao dos crit´erios de an´alise.

No cap´ıtulo seguinte, n˜ao explicit´amos a an´alise da relevˆancia social (cient´ıfica,

pedag´ogica) dos conte´udos, nem da validade quanto `a sua importˆancia actual e

futura, preferindo fazˆe-lo aqui, com brevidade, num coment´ario comum a todos

os programas envolvidos. Por um lado, todos eles s˜ao, digamos, minimais, no

que respeita `a sua lista de conte´udos, podendo afirmar-se, sem medo de errar,

que qualquer corte a que se proceda em qualquer dos t´opicos inclu´ıdos, eliminar´a

mat´eria importante. Por outro, as quest˜oes da actualidade e da relevˆancia social

(cient´ıfica ou pedag´ogica) n˜ao se colocam, na Matem´atica, do mesmo modo que

em ´areas como as Ciˆencias F´ısicas e Naturais. N˜ao faz, por exemplo, grande

sentido determinar a actualidade e a relevˆancia social do estudo dos polin´omios ou

do conceito de derivada, do mesmo modo que se determinam as de uma tecnologia.

A este respeito faz todo o sentido citar a introdu¸c˜ao do programa espanhol de

Matem´atica da Educa¸c˜ao Secund´aria Obrigat´oria [18]:

[...] durante a educa¸c˜ao obrigat´oria as matem´aticas dever˜ao desempenhar, indissoci´avel e equilibradamente, um papel formativo b´asico [de desen- volvimento] de capacidades intelectuais, um papel aplicado, funcional, e um papel instrumental, enquanto estrutura formalizadora de conhecimento noutras mat´erias. Tudo isso justifica, numa linha nem sempre coincidente com a tradicional, os conte´udos das matem´aticas nesta etapa, assim como as caracter´ısticas b´asicas do seu ensino. Das considera¸c˜oes expostas sobre o modo de constru¸c˜ao do conhecimento matem´atico, na hist´oria e na aprendizagem das pessoas, assim como das fun¸c˜oes educativas desta ´area na educa¸c˜ao obrigat´oria, seguem-se os prin- c´ıpios que presidem `a selec¸c˜ao e organiza¸c˜ao dos seus conte´udos.

Estes coment´arios completam-se com a verifica¸c˜ao, que fizemos, da muita proxi-

midade dos programas em an´alise, no que respeita `as suas listas de conte´udos.

Resumo da grelha adoptada

1. Fundamenta¸c˜ao/justifica¸c˜ao.

2. Objectivos.

3. Conte´udos.

4. Orienta¸c˜oes metodol´ogicas e did´acticas.

5. Avalia¸c˜ao das aprendizagens.

6. Organiza¸c˜ao do texto do programa.

7. Coerˆencia interna do programa.

1 PORTUGAL

1.1 Apresenta¸c˜ao dos Documentos................ 12 1.2 An´alise dos Programas..................... 15 1.2.1 Programa do 3 o^ ciclo do Ensino B´asico....... 15 1.2.2 Programa de Matem´atica do Ensino Secund´ario... 25 1.2.3 Programa de M´etodos Quantitativos......... 33

Por op¸c˜oes discutidas no processo de coordena¸c˜ao, apresent´amos o caso portuguˆes

num texto que englobasse como um todo os 6 anos de escolaridade em considera-

¸c˜ao. Mas n˜ao podemos deixar de assinalar o facto incontorn´avel que ´e a existˆencia

de uma fractura bem pronunciada na estrutura dos programas, na passagem do

3 o^ ciclo do Ensino B´asico para o Ensino Secund´ario. O assunto ser´a referido com

alguma frequˆencia e em particular na compara¸c˜ao do caso espanhol com o caso

portuguˆes (vejam-se as p´aginas 49 a 51).

1.1 Apresenta¸c˜ao dos Documentos

3 o^ ciclo do Ensino B´asico

No que se refere ao 3 o^ ciclo, analis´amos dois documentos oficiais. Em primeiro

lugar, o programa (normativo) inclu´ıdo na brochura em formato A5, Organiza¸c˜ao

Curricular e Programas, para o 3 o^ ciclo do Ensino B´asico (veja-se [6]). Considera-

ram-se apenas as p´aginas 171 a 201 (do total de 421 que constituem a brochura),

que se referem `a disciplina de Matem´atica. Aquele texto est´a dividido em seis

cap´ıtulos:

  1. Introdu¸c˜ao
  2. Finalidades
  3. Objectivos gerais
  4. Conte´udos
  5. Orienta¸c˜ao metodol´ogica
  6. Avalia¸c˜ao.

Em segundo lugar, analis´amos o Plano de Organiza¸c˜ao do Ensino-Aprendizagem

(veja-se [7]), adiante designado pela sigla “POEA”, brochura de 68 p´aginas em for-

mato A4, contendo uma sugest˜ao de desenvolvimento do programa de Matem´atica

do 3 o^ ciclo do Ensino B´asico. O texto inicia-se com uma Introdu¸c˜ao, considera¸c˜oes

sobre os tempos lectivos e uma listagem dos objectivos gerais do programa, tudo

em 4 p´aginas. Segue-se o corpo do texto, com especifica¸c˜ao dos temas, objec-

tivos espec´ıficos, pesos lectivos e sugest˜oes metodol´ogicas para cada um dos trˆes

anos do ciclo, ocupando cerca de 15 p´aginas por ano de escolaridade. A fechar, 2

p´aginas com sugest˜oes bibliogr´aficas.

Ensino Secund´ario

Os documentos oficiais a considerar s˜ao os que constam na bibliografia, de [9] at´e

[15], nomeadamente:

Os Programas de Matem´atica e M´etodos Quantitativos, aprovados por despacho de Julho de 1991 [9]; Quatro documentos com Orienta¸c˜oes de gest˜ao do programa de Matem´atica do Ensino Secund´ario, de 1995 e 1996, [10] a [13]; O documento [14], M´etodos Quantitativos. Orienta¸c˜oes de gest˜ao de pro- gramas, de Julho 1996; O documento de s´ıntese, Matem´atica – Programas 10 o, 11 o^ e 12 o^ anos, de Janeiro de 1997, [15].

Trata-se de documentos em formato A4, contendo os programas de duas disci-

plinas: Matem´atica e M´etodos Quantitativos.

O PROGRAMA DE MATEM ATICA foi estabelecido em [9] e sofreu modifica¸´ c˜oes

substanciais, resultantes de dificuldades de aplica¸c˜ao no terreno devidas, princi-

palmente, `a sua extens˜ao. No conturbado processo surgiram as orienta¸c˜oes de

gest˜ao [10], [11] e [12], que tˆem o seguinte pref´acio comum:

O processo de ajustamento do programa de Matem´atica actualmente em vigor transforma os pr´oximos anos lectivos 1995/96 e 1996/97 num per´ıodo transit´orio que exige medidas de adequa¸c˜ao da gest˜ao do programa `as condicionantes reais do trabalho nas Escolas. E esse o sentido do presente documento constitu´´ ıdo por duas partes:

  • um conjunto de orienta¸c˜oes para a gest˜ao do Programa Oficial por parte dos professores que, em particular, procura definir com maior clareza os n´ıveis de dificuldade e o ˆambito de tratamento de cada tema;
  • um n´ucleo significativo de objectivos/conte´udos com vista ao exame final de Matem´atica de [ano lectivo dependente do documento].

A reconstitui¸c˜ao do programa de Matem´atica a partir das cinco pe¸cas [9]-[13] ´e

tarefa muito complicada e de pouca utilidade para o projecto em que este relat´orio

se enquadra. De facto, foi recentemente aprovada e publicada (veja-se [15]) uma

s´ıntese reajustada e recomposta do programa de Matem´atica e das respectivas

sofrido um ajustamento em Julho de 1996, com a publica¸c˜ao da brochura M´etodos

Quantitativos, Orienta¸c˜oes de gest˜ao de programas [14] que, em 10 p´aginas, se-

lecciona “um n´ucleo significativo de objectivos e conte´udos” e d´a um conjunto de

“orienta¸c˜oes suplementares para a gest˜ao do programa”.

1.2 An´alise dos Programas

1.2.1 Programa do 3o^ ciclo do Ensino B´asico

Nesta sec¸c˜ao analisamos, sucessivamente, o Programa e o Plano de Organiza¸c˜ao

do Ensino-Aprendizagem, referentes ao 3o^ ciclo do Ensino B´asico.

Programa do 3o^ ciclo

1. Fundamenta¸c˜ao/justifica¸c˜ao. A Introdu¸c˜ao come¸ca com o “mundo em mu-

dan¸ca”, as “novas tecnologias” e a consequente altera¸c˜ao na “utiliza¸c˜ao do racioc´ınio

e dos conhecimentos matem´aticos”. Depois justifica a altera¸c˜ao fundamental relati-

vamente aos programas anteriores, que “consiste em serem considerados conte´udos

de aprendizagem tanto os conhecimentos a adquirir como as atitudes e as aptid˜oes a

desenvolver”. Este ponto ´e retomado adiante (nas Orienta¸c˜oes metodol´ogicas),

quando se refere que o professor deve “contemplar equilibradamente o desenvolvi-

mento de atitudes, o desenvolvimento de capacidades, a aquisi¸c˜ao de conhecimentos”;

esta orienta¸c˜ao segue, embora de forma matizada, o prescrito na Introdu¸c˜ao da

brochura [6], onde se menciona o recurso a uma “pedagogia do desenvolvimento in-

tegrado, em que o dom´ınio de aptid˜oes e capacidades sobreleva e condiciona a aquisi¸c˜ao

de conhecimentos”.

O programa justifica tamb´em a escolha dos temas em torno dos quais se organizam

os conte´udos: geometria, n´umeros e c´alculo, estat´ıstica e fun¸c˜oes.

Estabelece como finalidades da disciplina no ensino b´asico:

· desenvolver a capacidade de usar a matem´atica como instrumento de inter- preta¸c˜ao e interven¸c˜ao no real

· promover a estrutura¸c˜ao do indiv´ıduo no campo do pensamento, desenvolvendo os conceitos de espa¸co, tempo e quantidade ou estabelecendo rela¸c˜oes l´ogicas, avaliando e hierarquizando

· desenvolver as capacidades de racioc´ınio e resolu¸c˜ao de problemas, de comu- nica¸c˜ao, bem como a mem´oria, o rigor, o esp´ırito cr´ıtico e criatividade

· facultar processos de aprender a aprender e condi¸c˜oes que despertem o gosto pela aprendizagem permanente

· promover a realiza¸c˜ao pessoal mediante o desenvolvimento de atitudes de autono- mia e coopera¸c˜ao.

Notamos que as trˆes ´ultimas finalidades est˜ao contidas na Lei de Bases do Sistema

Educativo, quedando-se muito aqu´em dessa Lei. Por exemplo, a prop´osito da

terceira finalidade, recordamos a al´ınea a) do artigo 7 o^ da Lei:

a) Assegurar [...] o desenvolvimento [da] capacidade de racioc´ınio, mem´oria e esp´ı- rito cr´ıtico, criatividade, sentido moral e sensibilidade est´etica [...]

No programa omitiu-se “sentido moral e sensibilidade est´etica” e n˜ao se referem

outros princ´ıpios e objectivos presentes na Lei de Bases. Sobre as duas ´ultimas

finalidades, compare-se com os Princ´ıpios Gerais da Lei de Bases do Sistema

Educativo e os Objectivos do Ensino B´asico.

2. Objectivos. O cap´ıtulo Objectivos gerais ocupa duas p´aginas com 12 enuncia-

dos de objectivos da disciplina, desagregados em al´ıneas explicativas, num total

de 50. Esses 12 objectivos est˜ao classificados em trˆes grupos: valores/atitudes,

capacidades/aptid˜oes e conhecimentos.

Desses 12 objectivos, os 8 que constituem os dois ´ultimos grupos, capacidades/apti-

d˜oes e conhecimentos, s˜ao de natureza quase exclusivamente intelectual. Nos 4

que integram o grupo valores/atitudes, domina a natureza pessoal, com cerca de

metade do peso (ou seja, cerca de 1/12 do total), surgindo as naturezas intelectual

e social repartidas equitativamente.

3. Conte´udos. Parece-nos haver, relativamente aos conte´udos do programa, nesta

variante como em muitas cong´eneres, uma boa adequa¸c˜ao aos objectivos definidos.

Eles organizam-se em torno de quatro temas, com pesos relativos estipulados do

seguinte modo:

Geometria 40% N´umeros e C´alculo 35% Fun¸c˜oes 15% Estat´ıstica 10%.

Os temas est˜ao desenvolvidos, numa m´edia de 3 p´aginas (A5) por tema, em

subtemas e subsubtemas. Nesse desenvolvimento n˜ao se estipula a divis˜ao das

mat´erias por ano de escolaridade; os temas Fun¸c˜oes e Estat´ıstica s˜ao desenvolvidos

conjuntamente.