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vetores - vetores
Tipologia: Notas de estudo
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Espa¸cos Vetoriais (^) M ODULO 2´ - AULA 8
Definir espa¸cos vetoriais, e estudar alguns dos principais exemplos dessa es- trutura. Identificar propriedades dos espa¸cos vetoriais.
Imagine um conjunto V onde seja poss´ıvel somar elementos e multipli- car os elementos por n´umeros reais, e que o resultado dessas opera¸c˜oes esteja no conjunto V. Imagine ainda que essas opera¸c˜oes tˆem ”boas”propriedades, aquelas que estamos acostumados a usar quando somamos e quando multi- plicamos por n´umeros reais:
Existem v´arios conjuntos onde a adi¸c˜ao e a multiplica¸c˜ao por n´umeros reais que fazemos usualmente gozam dessas propriedades. Os conjuntos R, R^2 e R^3 s˜ao exemplos. Os conjuntos de matrizes de mesma ordem (M 2 × 3 (R), M 3 × 4 (R) etc.) tamb´em s˜ao exemplos (veja aula 3). Na verdade, h´a mui- tos exemplos de conjuntos com essa mesma estrutura. Chamamos a esses conjuntos, munidos dessas opera¸c˜oes com as propriedades acima de espa¸cos vetoriais.
Espa¸cos Vetoriais
A vantagem de se estudar os espa¸cos vetoriais de forma mais abstrata, como faremos a partir de agora, ´e que estaremos estudando propriedades e leis que s˜ao v´alidas em qualquer espa¸co vetorial, em particular nos exemplos que acabamos de destacar. Ou seja, veremos o que existe de comum entre conjuntos de matrizes, R, R^2 , R^3 e v´arios outros espa¸cos vetoriais.
Considere um conjunto V no qual est˜ao definidas duas opera¸c˜oes: uma adi¸c˜ao, que a cada par de elementos u e v de V associa um elemento u + v de V , chamado soma de u e v, e uma multiplica¸c˜ao por escalar, que a cada n´umero real α e a cada elemento v de V associa um elemento αv de V , chamado produto de α por v. Dizemos que o conjunto V munido dessas opera¸c˜oes ´e um espa¸co vetorial real (ou um espa¸co vetorial sobre R, ou ainda, um R-espa¸co vetorial) se s˜ao satisfeitas as seguintes condi¸c˜oes, para todos os elementos de V , aqui designados pelas letras u, v e w, e todos os n´umeros reais, aqui designados pelas letras α e β:
De acordo com essa defini¸c˜ao, podemos concluir que n˜ao s˜ao espa¸cos vetoriais o conjunto N dos n´umeros naturais, e o conjunto Z dos n´umeros inteiros, para come¸car. Em nenhum dos dois, por exemplo, a opera¸c˜ao mul- tiplica¸c˜ao por escalar est´a bem definida: ao multiplicar um n´umero inteiro n˜ao nulo por
2, que ´e um n´umero real, a resposta certamente n˜ao ser´a um n´umero inteiro.
Espa¸cos Vetoriais
Em Rn, as opera¸c˜oes usuais s˜ao definidas da seguinte maneira: consi- derando u = (x 1 , x 2 ,... , xn) e v = (y 1 , y 2 ,... , yn) elementos de Rn, e α em R, temos u + v = (x 1 + y 1 , x 2 + y 2 ,... , xn + yn) e αu = (αx 1 , αx 2 ,... , αxn). A prova de que Rn^ ´e um espa¸co vetorial ´e an´aloga `as provas para R^2 e R^3 , que s˜ao casos particulares onde se considera n = 2 e n = 3.
P 2 (t, R) = {at^2 + bt + c : a, b, c ∈ R}.
Espa¸cos Vetoriais (^) M ODULO 2´ - AULA 8
A express˜ao “grau ≤ 2” ´e traduzida matematicamente pelo fato de que a pode ser qualquer n´umero real, inclusive zero: caso a seja 0, e b = 0, o polinˆomio em quest˜ao tem grau 1. Para o polinˆomio nulo, temos a = b = c = 0.
Lembre-se de que um polinˆomio ´e um objeto abstrato, ao trabalhar com uma express˜ao do tipo 2t^2 + t + 1 n˜ao estamos interessados em “encontrar t”(nem seria poss´ıvel, pois n˜ao se trata de uma equa¸c˜ao). No nosso curso estaremos interessados em somar tais express˜oes, ou multiplic´a-las por escalares, obtendo outras do mesmo tipo. Para isso, sejam p 1 = a 1 t^2 + b 1 t + c 1 e p 2 = a 2 t^2 + b 2 t + c 2 elementos de P 2 (t, R), e α ∈ R. Ent˜ao
p 1 + p 2 = (a 1 + a 2 )t^2 + (b 1 + b 2 )t + (c 1 + c 2 ),
αp 1 = αa 1 t^2 + αb 1 + αc 1.
Vamos `as propriedades das opera¸c˜oes:
O conjunto dos polinˆomios de grau exatamente 2 n˜ao ´e um espa¸co ve- torial. De fato, a soma n˜ao est´a bem definida nesse conjunto: somando t^2 + t + 1 e −t^2 + 2t − 3, que tˆem grau 2, obtemos o polinˆomio 3t − 2, que tem grau 1.
Espa¸cos Vetoriais (^) M ODULO 2´ - AULA 8
De novo, suponhamos que algum v de V admitisse dois sim´etricos, −v e −v′. Nesse caso, ter´ıamos
v + (−v) = v + (−v′ ),
pois os dois lados da igualdade resultam no vetor nulo. Somando (−v) aos dois membros, obtemos
(−v) + (v + (−v)) = (−v) + (v + (−v′ )).
Pela associatividade da soma, podemos escrever
((−v) + v) + (−v) = ((−v) + v) + (−v′ ).
Usando o fato de que −v ´e sim´etrico de v, e 0 ´e o elemento neutro da soma, obtemos 0 + (−v) = 0 + (−v′ )
−v = −v′.
Somando −w aos dois membros da equa¸c˜ao u + w = v + w, obtemos
(u + w) + (−w) = (v + w) + (−w).
Pela associatividade da soma e pelo fato de que −w ´e o sim´etrico de w e 0 ´e o neutro da soma, obtemos
u + (w + (−w)) = v + (w + (−w))
u + 0 = v + 0
u = v.
Como o sim´etrico de um vetor qualquer de V ´e ´unico (propriedade 2), e como v + (−v) = 0 , ent˜ao o sim´etrico de −v s´o pode ser v.
Espa¸cos Vetoriais
Somando −u aos dois membros da equa¸c˜ao u + x = v, obtemos
(−u) + (u + x) = (−u) + v
((−u) + u) + x = (−u) + v 0 + x = (−u) + v x = (−u) + v, ou seja, a equa¸c˜ao u + x = v tem pelo menos uma solu¸c˜ao, que ´e (−u) + v. Supondo que x e x′ sejam solu¸c˜oes da referida equa¸c˜ao, ou seja, que u + x = v e u + x′ = v, teremos
u + x = u + x′ ,
e, pela propriedade 3, x = x′.
Basta verificar que, pela propriedade distributiva,
0 v + 0v = (0 + 0)v = 0v.
Pela propriedade anterior, 0v = 0.
De novo usando a propriedade distributiva da adi¸c˜ao, e o fato de que 0 + 0 = 0 , temos α 0 = α( 0 + 0 ) = α 0 + α 0. Pela propriedade 6, α 0 = 0
Note que essa propriedade nos diz que a equa¸c˜oes das propriedades 7 e 8 representam as ´unicas formas de obter o vetor nulo como produto
Espa¸cos Vetoriais
a- O conjunto Q dos n´umeros racionais ´e um espa¸co vetorial real. b- O conjunto Q^2 = {(a, b) : a, b ∈ Q}, com as opera¸c˜oes usuais, ´e um espa¸co vetorial real. c- O conjunto unit´ario { 0 }, com as opera¸c˜oes usuais, ´e um espa¸co vetorial real. d- R+^ = {x ∈ R : x > 0 } com as opera¸c˜oes usuais n˜ao ´e espa¸co vetorial real. e- O conjunto dos n´umeros complexos com parte real n˜ao negativa ´e um espa¸co vetorial real.
Adi¸c˜ao: (z 1 , z 2 ) + (z 1 ′, z′ 2 ) = (z 1 + z 1 ′, z 2 + z 2 ′) Multiplica¸c˜ao por escalar: α(z 1 , z 2 ) = (αz 1 , αz 2 )
onde (z 1 , z 2 ) e (z′ 1 , z 2 ′) s˜ao elementos de C^2 e α ∈ R.
a lei associativa para a multiplica¸c˜ao por escalar eas leis distributivas.Adi¸c˜ao: 0 ⊕ 0 = 0, 0 ⊕ 1 = 1, 1 ⊕ 0 = 1 e 1 ⊕ 1 = 0 Multiplica¸c˜ao por escalar: α x = x se α > 0 e α x = 0 se α ≤ 0, onde α ∈ R e x ∈ A.
Espa¸cos Vetoriais (^) M ODULO 2´ - AULA 8
O conte´udo desta aula envolve conceitos muito abstratos. Para obter alguma seguran¸ca nesses conceitos, talvez seja necess´ario reler v´arias vezes algumas partes. N˜ao se preocupe se vocˆe n˜ao conseguiu fazer alguns dos exerc´ıcios de imediato, retorne a esta aula depois de estudar a pr´oxima, que trata dos Subespa¸cos Vetoriais, e vocˆe estar´a mais familiarizado com os conceitos aqui apresentados.
Subespa¸cos vetoriais (^) M ODULO 2´ - AULA 9
Pr´e-requisito: Aula 8. Caracterizar subespacos vetoriais; Identificar subespa¸cos vetoriais, demonstrando que atende `as condi¸c˜oes de subespa¸co.
Nesta aula veremos um tipo muito importante de subconjuntos de espa¸cos vetoriais: os subespa¸cos vetoriais. Nem todo subconjunto S de um espa¸co vetorial V ´e um seu subespa¸co: ´e necess´ario que o subconjunto em quest˜ao tenha a mesma estrutura de V , como estabelece a defini¸c˜ao a seguir.
Considere um espa¸co vetorial V. Um subconjunto S de V ´e dito um subespa¸co vetorial de V se S for um espa¸co vetorial com respeito `as mesmas opera¸c˜oes que tornam V um espa¸co vetorial.
Como primeira conseq¨uˆencia dessa defini¸c˜ao, um subespa¸co vetorial S deve ser n˜ao vazio, j´a que uma das condi¸c˜oes que devem ser satisfeitas para que S seja um subespa¸co vetorial de V ´e a existˆencia em S de um elemento neutro para a adi¸c˜ao de vetores: com isso, obrigatoriamente 0 ∈ S.
De acordo tamb´em com a defini¸c˜ao acima, para verificar se um dado subconjunto S de um espa¸co vetorial V ´e um subespa¸co vetorial de V , deve- se checar se as opera¸c˜oes de adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao por escalar est˜ao bem definidas em S, e se elas satisfazem a todas as condi¸c˜oes dadas na defini¸c˜ao de espa¸co vetorial.
Se observarmos melhor, no entanto, veremos que n˜ao ´e necess´ario ve- rificar cada uma das condi¸c˜oes: uma vez que a adi¸c˜ao em S esteja bem definida (ou seja, que a soma de dois elementos quaisquer de S seja tamb´em um elemento de S), ela n˜ao deixar´a de ser comutativa (por exemplo) apenas porque estamos considerando elementos de S, pois a adi¸c˜ao em V tem essa propriedade. O mesmo se verifica para a multiplica¸c˜ao por escalar.
Subespa¸cos vetoriais
A seguir, ent˜ao, listamos trˆes condi¸c˜oes que, se satisfeitas, garantem que um subconjunto S de um espa¸co vetorial V ´e um subespa¸co vetorial de V :
i- S = ∅? ii- Se u ∈ S e v ∈ S ent˜ao u + v ∈ S (a adi¸c˜ao est´a bem definida em S)? iii- Se α ∈ R e u ∈ S ent˜ao αu ∈ S (a multiplica¸c˜ao por escalar est´a bem definida em S)?
Subespa¸cos vetoriais
x + 2y − 4 z + 3t = 0 x + 4y − 2 z + 3t = 0 x + 2y − 2 z + 2t = 0 ´e o subconjunto de R^4 dado por {(− 2 y − 2 z, y, z, 2 z); y, z ∈ R}. Vocˆe pode verificar que esse conjunto satisfaz `as trˆes condi¸c˜oes de subespa¸co.
onde A ∈ Mm×n(R), X ´e o vetor-coluna (de n linhas) das inc´ognitas do sistema, e 0 ´e o vetor nulo de Rm^ representado como coluna. Va- mos verificar que o conjunto S de todos os vetores X de Rn^ que, se representados por vetores-coluna, satisfazem `a equa¸c˜ao matricial (1), formam um subespa¸co vetorial de Rn:
i- S = ∅? Como sabemos, um sistema homogˆeneo qualquer tem sempre a solu¸c˜ao trivial, portanto (0, 0 ,... , 0) ∈ Rn^ ´e um elemento de S (podemos tamb´em verificar que A 0 = 0 , tomando o cuidado de notar que o s´ımbolo 0 representa uma coluna de n zeros do lado direito da equa¸c˜ao, e uma coluna de m zeros do lado esquerdo da equa¸c˜ao). ii- Se U ∈ S e V ∈ S ent˜ao U + V ∈ S (a adi¸c˜ao est´a bem definida em S)? Sejam U e V duas solu¸c˜oes do sistema (1), ou seja, vetores-coluna de Rn^ qe satisfazem `aquela equa¸c˜ao matricial. Ent˜ao temos
onde a primeira igualdade vem da propriedade distributiva da adi¸c˜ao de matrizes, e a segunda do fato de que, como U e V s˜ao solu¸c˜oes do sistema (1), AU = 0 e AV = 0. Vemos, portanto, que U + V satisfaz `a equa¸c˜ao matricial (1), representando, portanto, uma solu¸c˜ao do sistema.
Subespa¸cos vetoriais (^) M ODULO 2´ - AULA 9
iii- Se α ∈ R e U ∈ S ent˜ao αU ∈ S (a multiplica¸c˜ao por escalar est´a bem definida em S)? Novamente, considere U um vetor coluna de Rn^ que satisfaz `a equa¸c˜ao (1). Seja α ∈ R. Ent˜ao temos
A(αU) = αAU = α 0 = 0. A primeira igualdade utiliza a propriedade mn1, de multiplica¸c˜ao de matrizes por n´umeros reais, vista na Aula 2.
Acabamos de verificar, usando representa¸c˜oes matriciais, que a soma de duas solu¸c˜oes de um sistema linear homogˆeneo tamb´em ´e solu¸c˜ao desse sistema e que qualquer m´ultiplo real de uma solu¸c˜ao tamb´em o ´e. Logo, o conjunto-solu¸c˜ao de um sistema linear homogˆeneo com n inc´ognitas ´e um subespa¸co vetorial de Rn.
a 0 c d
; a + c = d
´e subespa¸co vetorial de M 2 × 2 (R).
Observe que R e R^2 s˜ao espa¸cos vetoriais, e R n˜ao ´e um subespa¸co vetorial de R^2. Isso porque R n˜ao est´a contido em R^2 , assim como R^2 n˜ao est´a contido em R^3. A confus˜ao costuma acontecer, em parte, porque a repre- senta¸c˜ao geom´etrica de R^2 (plano cartesiano) parece incluir a representa¸c˜ao geom´etrica de R (reta). Na verdade, por´em, R ´e um conjunto de n´umeros, enquanto R^2 ´e um conjunto de pares ordenados de n´umeros, e esses dois objetos s˜ao completamente distintos. Veremos mais tarde que R^2 cont´em apenas “c´opias” de R, assim como R^3 cont´em “c´opias” tanto de R como de R^2.
Ja conhecemos alguns dos subespa¸cos de R^2 :
Subespa¸cos vetoriais (^) M ODULO 2´ - AULA 9
Note que o subespa¸co S n˜ao pode consistir apenas das duas retas da figura (2). Isso porque a adi¸c˜ao n˜ao est´a bem definida no conjunto formado pela uni˜ao das duas retas; se considerarmos, por exemplo, o vetor w + v, veremos que ele n˜ao pertence a nenhuma das duas retas. Lembre-se de como somar vetores geometricamente no plano!
w v
v + w
Fig. 3: Soma de w e v
Observe, agora, que qualquer vetor de R^2 (com origem em 0 = (0, 0)) pode ser obtido pela soma de vetores das duas retas, e isso significa que, nesse caso, S = R^2. Na figura (4), vemos alguns exemplos de vetores em diversas posi¸c˜oes, obtidos como soma de vetores das retas, e vocˆe pode procurar mais exemplos para se convencer desse fato.
w v
2w - v
v - w
3w + 12 v
Fig. 4: Vetores de R^2
Subespa¸cos vetoriais
At´e agora, resumindo, temos os seguintes fatos para um subespa¸co S de R^2 :
Com isso, os ´unicos subespa¸cos vetoriais de R^2 s˜ao { 0 }, R^2 e as retas Uma reta de R^2 que n˜ao de R^2 que passam pela origem. cont´em a origem (ponto (0, 0)) pode ser um subespa¸co
Os subespa¸cos vetoriais de R^3 s˜ao do seguinte tipo:
N˜ao faremos aqui uma demonstra¸c˜ao desse fato, como fizemos na se¸c˜ao passada. Os motivos que fazem com que esses sejam os ´unicos poss´ıveis subespa¸cos s˜ao inteiramente an´alogos ao caso de R^2. Nas pr´oximas aulas estudaremos conceitos que permitir˜ao uma demonstra¸c˜ao bem simples desse fato.
Nesta aula vimos a defini¸c˜ao de subespa¸co: trata-se de subconjuntos de espa¸cos vetoriais que s˜ao, por si mesmos, espa¸cos vetoriais tamb´em, con- siderando as mesmas opera¸c˜oes definidas no espa¸co que os contˆem. Vimos que, para comprovar que um subconjunto de um espa¸co vetorial ´e um su- bespa¸co, basta verificar trˆes condi¸c˜oes: ser n˜ao-vazio, e ser fechado para as opera¸c˜oes de adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao por n´umero real. Vimos tamb´em que, embora sejam em n´umero infinito, os subespa¸cos de R^2 e R^3 s˜ao facilmente identificados.