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Curso de Licenciatura em Matematica
Tipologia: Notas de estudo
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Manaus 2007
FICHA TÉCNICA
Governador Eduardo Braga Vice-Governador Omar Aziz Reitor Lourenço dos Santos Pereira Braga Vice-Reitor Carlos Eduardo S. Gonçalves Pró-Reitor de Planejamento e Administração Antônio Dias Couto Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários Ademar R. M. Teixeira Pró-Reitor de Ensino de Graduação Carlos Eduardo S. Gonçalves Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Walmir de Albuquerque Barbosa Coordenador Geral do Curso de Matemática (Sistema Presencial Mediado) Carlos Alberto Farias Jennings Coordenador Pedagógico Luciano Balbino dos Santos NUPROM Núcleo de Produção de Material Coordenador Geral João Batista Gomes Projeto Gráfico Mário Lima Editoração Eletrônica Helcio Ferreira Junior Revisão Técnico-gramatical João Batista Gomes
Silva, Clício Ferreira da.
S586a Álgebra linear / Clício Ferreira da Silva, Disney Douglas de Lima Oliveira, Domingos Anselmo Moura da Silva. - Manaus/AM: UEA, 2007. - (Licenciatura em Matemática. 2. Período)
111 p.: il. ; 29 cm. Inclui bibliografia.
CDU (1997): 512. CDD (19.ed.): 512.
Clício Freire da Silva Licenciado em Matemática – UFAM Bacharel em Matemática – UFAM
Pós-graduado em Instrumentação para o Ensino da Matemática – UFF
Disney Douglas de Lima Oliveira Licenciado e Bacharel em Matemática - UFAM Mestre em Matemática - UFAM Doutorando em Computação Gráfica - UFRJ
Domingos Anselmo Moura da Silva Licenciado e Bacharel em Matemática - UFAM Mestre em Matemática - UFAM
PERFIL DOS AUTORES
PALAVRA DO REITOR
A realidade amazônica, por si só, é um desafio à educação tradicional, aquela que teima em ficar arraigada à sala de aula, na dependência única dos métodos triviais de ensino. A Universidade do Estado do Amazonas já nasceu consciente de que o ensino presencial mediado é a única estratégia capaz de respon- der aos anseios de um público que, por estar disperso, tem de ser atendido por projetos escudados em dinamismo técnico−científico.
Assim, a Licenciatura Plena em Matemática, ancorada no Sistema Presencial Mediado, nasceu para ofere- cer aos discentes as habilidades necessárias para que eles venham a construir seus próprios objetivos exis- tenciais, estimulando−lhes a ousadia de aceitar o novo e de criar novas possibilidades de futuro, dando− lhes uma visão multifacetada das maneiras de educar.
Os livros−textos em que o curso se apóia são produzidos com o rigor didático de quem sabe que a história da educação, no nosso Estado, está sendo reescrita. Os agentes desse processo têm visão crítica e apos- tam na formação de novos professores que saberão aliar inteligência e memória, não permitindo que o ensi- no em base tecnológica ganhe a conotação de “um distanciado do outro”.
A autonomia de agir que cada um está aprendendo a conquistar virá, em breve, como resposta aos desafios que se impõem hoje.
Lourenço dos Santos Pereira Braga Reitor da Universidade do Estado do Amazonas
1.1 Fique por dentro
Surgimento da Teoria das matrizes
como a maioria dos resultados básicos da Teo- ria da Matrizes, foram descobertos quando os matemáticos dos séculos XVIII e XIX passaram a investigar a Teoria das Formas Quadráticas. Hoje, consideramos imprescindível estudar es- sas formas por meio da notacão e da metodo- logia matricial, mas naquela época elas eram tratadas escalarmente. Mostremos aqui a re- presentação de uma forma quadrática de duas variáveis, tanto via notação escalar, como com a mais moderna notação matricial:
O primeiro uso implícito da noção de matriz ocorreu quando Lagrange (1790) reduziu a ca- racterização dos máximos e mínimos, de uma função real de várias variáveis, ao estudo do sinal da forma quadrática associada à matriz das segundas derivadas dessa função. Sempre trabalhando escalarmente, ele chegou a uma conclusão que hoje expressamos em termos de matriz positiva definida. Após Lagrange, já no século XIX, a Teoria das Formas Quadrá- ticas chegou a ser um dos assuntos mais impor- tantes em termos de pesquisas, principalmente no que toca ao estudo de seus invariantes. Es- sas investigações tiveram como subproduto a descoberta de uma grande quantidade de resul- tados e conceitos básicos de matrizes. Assim, podemos dizer que a Teoria das Matri- zes teve como mãe a Teoria das Formas Quadrá- ticas, pois seus métodos e resultados básicos foram lá gerados. Hoje, contudo, o estudo das formas quadráticas é um mero capítulo da Teo- ria das Matrizes. (Fonte de pesquisa: http://www.mat.ufrgs.br/~portosil/passa3)
1.2 Elementos básicos para matrizes Aqui, tomaremos o conjunto N dos números na- turais, como: N = {1,2,3,4,5,6,7,...}. O produto cartesiano N×N indicará o conjunto de todos os pares ordenados da forma (a, b), em que a e b são números naturais, isto é: N × N={(a, b): a e b são números naturais} Uma relação importante em N×N é:
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Álgebra Linear I – Matrizes
1.3 Definição de matriz
Considere um conjunto A de elementos aij , dis- postos em uma tabela com m linhas e n colu- nas, tais que A = (aij )m×n, onde:
1.4 Definições básicas sobre matrizes
Exemplo: Matriz 4 x 4 de números comple- xos.
1.5 Matrizes iguais Duas matrizes A = (ai,j)m×n e B = (bi,j)m× (^) n, de mesma ordem m×n, são iguais se todos os seus correspondentes elementos são iguais, isto é ai,j = bi,j para todo par ordenado (i,j) em Smn.
Determinar os valores de x e y para que sejam iguais as matrizes abaixo, isto é:
Solução:
x – 1 = 1 x = 2 y – 1 = 2 y = 3
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UEA – Licenciatura em Matemática
2.3.1 Propriedades a) Distributividade da soma à direita:
C(cij )p xn b) Distributividade da soma à esquerda: (A+B)C = A C + B C A(m,p), B(m,p), C(p,n) c) Associatividade: A (B C) = (A B) C A(m,p), B(p,k), C(k,n) d) Nulidade do produto – Pode acontecer que o produto de duas matrizes seja a ma- triz nula, isto é: AB = 0, embora nem A nem B sejam matrizes nulas, como é o caso do produto:
2.4 Matrizes com propriedades especiais
a) Uma matriz A é nilpotente de índice k natu- ral se A k^ = 0 b) Uma matriz A é periódica de índice k natu- ral se A k+1= A c) Uma matriz A é idempotente se A 2 = A d) As matrizes A e B são anticomutativas se A.B = –B.A e) A matriz identidade Id multiplicada por toda matriz A, fornecerá a própria matriz A, quan- do o produto fizer sentido, ou seja, Id A = A. f) A matriz A será a inversa da matriz B, se A.B = Id e B.A = Id g) Dada uma matriz A = (aij ) de ordem m × n, definimos a transposta da matriz A como a matriz At^ = (aij )nxm.
2.4.1 Propriedades a) A transposta da transposta da matriz é a própria matriz (A t)t^ = A b) A transposta da multiplicação de um esca- lar por uma matriz é igual ao próprio escalar multiplicado pela transposta da matriz (kA) t^ = k (A t) c) A transposta da soma de duas matrizes é a soma das transpostas dessas matrizes. (A + B) t^ = A t^ + B t d) A transposta do produto de duas matrizes é
igual ao produto das transpostas das matri- zes na ordem trocada: (A B) t^ = B t^ A t e) Uma matriz A é simétrica se é uma matriz quadrada tal que A t^ = A f) Uma matriz A é anti-simétrica se é uma ma- triz quadrada tal que A t^ = –A g) Se A é uma matriz simétrica de ordem n, então para todo escalar k, a matriz k.A é simétrica. h) Se A é uma matriz quadrada de ordem n, então a matriz B = A + At^ é simétrica. i) Se A é uma matriz quadrada de ordem n, então a matriz B = A – At^ é anti-simétrica.
2.5 Exemplos
Utilizando a regra de formação de seus ele- mentos, encontramos: a 11 = 1 + 1 = 2 a 12 = 1 + 2 = 3 a 13 = 1 + 3 = 4 a 21 = 2 + 1 = 3 a 22 = 2 + 2 = 4 a 23 = 2 + 3 = 5 Assim, a matriz pedida é.
Igualando os elementos de mesma posição, segue que: a = 4 b + 1 = –1 b = – c – 4 = 6 c = 10 d + 3 = 8 d = 5
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UEA – Licenciatura em Matemática
. Vamos ver dois mo-
dos de resolução. Modo 1: A matriz procurada é. Temos:
Igualando os elementos correspondentes, vem: p – 3 = 7 p = 10 q – 1 = 10 q = 11 r – 4 = –1 r = 3 s + 2 = 5 s = 3
Modo 2: Vamos “isolar” a matriz X na equação:
A seqüência acima mostra-nos que essa equação matricial é resolvida do mesmo modo que a equação x – a = b, sendo x, a, e b números reais. Assim, para adição e subtração de matri- zes, é possível simplesmente fazer:
Modo 1: A matriz procurada é. Temos:
Daí:
Modo 2: Vamos operar como se A, B e X fossem núme- ros reais:
3X= A + B X =. (A + B),
isto é:
, vamos determinar a matriz A. B.
Vejamos se é possível fazer tal produto:
Façamos. Temos:
Assim,
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Álgebra Linear I – Matrizes
matriz 2. X.
comutem.
Xt^ + (X–1)t.
sa da matriz T =.
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Álgebra Linear I – Matrizes
UNIDADE II
Determinantes
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UEA – Licenciatura em Matemática
3.2 Introdução
Como já vimos, matriz quadrada é a que tem o mesmo número de linhas e de colunas (ou seja, é do tipo n x n). A toda matriz quadrada está associado um nú- mero ao qual damos o nome de determinante. Dentre as várias aplicações dos determinantes na Matemática, temos:
3.3 Determinante de 1.a^ ordem
Dada uma matriz quadrada de 1. a^ ordem M=[a 11 ], o seu determinante é o número real a 11 : det M =Ia 11 I = a 11 Observação: Representamos o determinante de uma matriz entre duas barras verticais, que não têm o sig- nificado de módulo. Por exemplo:
3.4. Determinante de 2.a^ ordem
Dada a matriz (^) , de ordem 2, por
definição o determinante associado a M, deter- minante de 2.a^ ordem, é dado por:
detM = = a 11 a 22 – a 12 a 22
Portanto o determinante de uma matriz de or- dem 2 é dado pela diferença entre o produto dos elementos da diagonal principal e o produ- to dos elementos da diagonal secundária. Veja o exemplo a seguir.
Sendo , temos:
3.5 Menor complementar Chamamos de menor complementar relativo a um elemento aij de uma matriz M, quadrada e de ordem n > 1, o determinante MCij , de ordem n – 1, associado à matriz obtida de M quando suprimimos a linha e a coluna que pas- sam por a (^) ij. Vejamos como determiná-lo pelos exemplos a seguir:
a) Dada a matriz , de ordem 2,
para determinar o menor complementar re- lativo ao elemento a 11 (MC 11 ), retiramos a linha 1 e a coluna 1:
Da mesma forma, o menor complementar relativo ao elemento a 12 é:
b) Sendo , de ordem 3,
temos:
3.6 Cofator Chamamos de cofator ou complemento algé- brico relativo a um elemento aij de uma matriz quadrada de ordem n o número A (^) ij tal que A (^) ij = (–1)i+j^. MCij. Veja:
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Álgebra Linear I – Determinantes
a) Dada , os cofatores relativos
aos elementos a 11 e a 12 da matriz M são:
b) Sendo , vamos calcular
os cofatores A 22 , A 23 e A 31 :
3.7 Teorema de Laplace
O determinante de uma matriz quadrada M = [aij ]mxn, m = 2, pode ser obtido pela soma dos produtos dos elementos de uma fila qual- quer (linha ou coluna) da matriz M pelos res- pectivos cofatores.
em que é o somatório de
todos os termos de índice i, variando de 1 até
3.8 Regra de Sarrus
O cálculo do determinante de 3.a^ ordem pode ser feito por meio de um dispositivo prático, denominado regra de Sarrus. Acompanhe como aplicamos essa regra para
1. o^ passo – Repetimos as duas primeiras colu- nas ao lado da terceira: 2. o^ passo – Encontramos a soma do produto dos elementos da diagonal principal com os dois produtos obtidos pela multiplicação dos elementos das paralelas a essa diagonal (a soma deve ser precedida do sinal positivo):
3.o^ passo – Encontramos a soma do produto dos elementos da diagonal secundária com os dois produtos obtidos pela multiplicação dos elementos das paralelas a essa diagonal (a soma deve ser precedida do sinal negativo):
Assim:
= –(a 13 a 22 a 31 +a 11 a 23 a 22 +a 12 a 21 a 33 )+(a 11 a 22 a 33 +a 11 a 23 a 31 +a 13 a 21 a 32 )
Observação: Se desenvolvermos esse determinante de 3.a ordem aplicando o Teorema de Laplace, encontraremos o mesmo número real.
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Álgebra Linear I – Determinantes
b) Quando trocamos as posições de duas filas paralelas, o determinante de uma matriz mu- da de sinal. Exemplo:
Trocando- se as posições de L 1 e L 2 :
Exemplo:
4.5 Matriz triangular
a) Quando, em uma matriz, os elementos aci- ma ou abaixo da diagonal principal são todos nulos, o determinante é igual ao pro- duto dos elementos dessa diagonal. Exemplos:
a) b)
b) Quando, em uma matriz, os elementos acima ou abaixo da diagonal secundária são todos nulos, o determinante é igual ao produto dos elementos dessa diagonal mul-
tiplicado por.
Exemplos:
a) b)
4.6 Teorema de Binet Para A e B matrizes quadradas de mesma or- dem n, det (AB) = det A. det B A sendo inversível:
Exemplo:
Se , e , então:
matriz.
Assim: det M = –42 + 0 – 8 – 4 – 35 + 0 = –89.
Aplicando a regra de Sarrus no primeiro mem- bro, vem:
0 +6 –x^2 0 –12x 4x Daí: –x 2 – 8x + 6 = –3 x^2 + 8x – 9 = 0 x = –9 ou x = 1
a 1.a^ linha e a 3.a^ coluna, obtemos:
é o cofator do
elemento a 13.
a 3.a^ linha e a 2.a^ coluna, obtemos:
é o cofa-
tor do elemento b 32.
Escolhemos a linha 3 de D pelo teorema de Laplace vem: D = 7. A 31 + 4. A 32 + (–5). A 33 + 0. A 34 (*) Temos:
Observe que não é necessário calcular A 34. Daí, em (*), temos: D = 7. 9 + 4. 20 + (–5). 7 = 108
Embora a escolha seja arbitrária, devemos
optar pela fila com maior número de zeros, a fim de simplificar os cálculos. Escolhemos, dessa forma, desenvolver pelos elementos da 2.a^ coluna. Temos:
Assim, basta calcular A 22.
Como ,^ se-
gue que D = (–2). (–183) = 366.
observamos que todos os elementos da 1.a^ e da 2.a^ coluna são iguais. Vamos calcular o determinante da matriz: Det A =
transposta . Os seus determinantes valem:
O determinante de uma matriz quadrada A é igual ao determinante de sua transposta At.
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UEA – Licenciatura em Matemática