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Curso de Licenciatura em Matematica
Tipologia: Notas de estudo
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FICHA TÉCNICA
Governador Eduardo Braga Vice−Governador Omar Aziz Reitor Lourenço dos Santos Pereira Braga Vice−Reitor Carlos Eduardo S. Gonçalves Pró−Reitor de Planej. e Administração Antônio Dias Couto Pró−Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários Ademar R. M. Teixeira Pró−Reitor de Ensino de Graduação Carlos Eduardo S. Gonçalves Pró−Reitor de Pós−Graduação e Pesquisa Walmir de Albuquerque Barbosa
Coordenador Geral do Curso de Matemática (Sistema Presencial Mediado) Carlos Alberto Farias Jennings NUPROM Núcleo de Produção de Material Coordenador Geral João Batista Gomes Projeto Gráfico Mário Lima Editoração Eletrônica Helcio Ferreira Junior
Revisão Técnico−gramatical João Batista Gomes
Silva, Domingos Anselmo Moura da. S586m Matemática elementar III / Domingos Anselmo Moura da Silva, Genilce Ferreira Oliveira, Dario Souza Rocha. – Manaus/AM: UEA,
125 p.: il. ; 29 cm. Inclui bibliografia
CDU (1997): 51 CDD (19.ed.): 510
PALAVRA DO REITOR
A realidade amazônica, por si só, é um desafio à educação tradicional, aquela que teima em ficar arraigada à sala de aula, na dependência única dos métodos triviais de ensino. A Universidade do Estado do Amazonas já nasceu consciente de que o ensino presencial mediado é a única estratégia capaz de respon- der aos anseios de um público que, por estar disperso, tem de ser atendido por projetos escudados em dinamismo técnico−científico.
Assim, a Licenciatura Plena em Matemática, ancorada no Sistema Presencial Mediado, nasceu para ofere- cer aos discentes as habilidades necessárias para que eles venham a construir seus próprios objetivos exis- tenciais, estimulando−lhes a ousadia de aceitar o novo e de criar novas possibilidades de futuro, dando− lhes uma visão multifacetada das maneiras de educar.
Os livros−textos em que o curso se apóia são produzidos com o rigor didático de quem sabe que a história da educação, no nosso Estado, está sendo reescrita. Os agentes desse processo têm visão crítica e apos- tam na formação de novos professores que saberão aliar inteligência e memória, não permitindo que o ensi- no em base tecnológica ganhe a conotação de “um distanciado do outro”.
A autonomia de agir que cada um está aprendendo a conquistar virá, em breve, como resposta aos desafios que se impõem hoje.
Lourenço dos Santos Pereira Braga Reitor da Universidade do Estado do Amazonas
Como o homem percebeu que tudo e todos estão relacionados de forma que nenhum efeito tem origem numa única causa?
Ao lermos um jornal ou uma revista, diaria- mente nos deparamos com gráficos, tabelas e ilustrações. Estes são instrumentos muito uti- lizados nos meios de comunicação. Um texto com ilustrações é muito mais interessante, chamativo, agradável e de fácil compreensão. Não é só nos jornais ou nas revistas que encontramos gráficos. Os gráficos estão pre- sentes nos exames laboratoriais, nos rótulos de produtos alimentícios, nas informações de composição química de cosméticos, nas bulas de remédios, enfim, em todos os lugares. Ao interpretarmos esses gráficos, verificamos a necessidade dos conceitos de plano carte- siano.
O Sistema ABO dos grupos sangüíneos é ex- plicado pela recombinação genética dos alelos (a,b,o) , e este é um bom exemplo de uma apli- cação do conceito de produto cartesiano. Uma aplicação prática do conceito de relação é a discussão sobre a interação de neurônios (cé- lulas nervosas do cérebro).
Ao relacionarmos espaço em função do tem- po, número do sapato em função do tamanho dos pés, intensidade da fotossíntese realizada por uma planta em função da intensidade de luz a que ela é exposta ou pessoa em função da impressão digital, percebemos quão impor- tantes são os conceitos de funções para com- preendermos as relações entre os fenômenos físicos, biológicos, sociais...
Vamos ler um pouco mais.
As necessidades do homem, com os mais vari- ados propósitos, fizeram dele, através dos tem- pos, um estudioso dos problemas naturais, bem como das suas causas e dos seus efeitos.
Essa busca nos fez perceber que tudo e todos estão relacionados de tal forma que nenhum efeito tem origem numa única causa.
Para perceber essa relação, vamos usar como exemplo uma flor, que aos olhos de um admi- rador representa a beleza, o amor e a paz, e aos olhos de um sensível observador, a ima- gem do nosso mundo, com fatores individu- ais, físicos, econômicos, humanos e sociais. Na linguagem do dia−a−dia, é comum ouvir- mos frases como “Uma coisa depende da outra” ou “Uma está em função da outra”. Não é raro também abrirmos revistas ou jornais e encontramos gráficos sobre os mais variados assuntos, mostrando a dependência entre os fatores em estudo. A idéia de um fator variar em função do outro e de se representar essa variação por meio de gráficos, de certa forma, já se tornou familiar em nossos dias. No entanto essa forma de re- presentação não foi sempre assim. O conceito de função sofreu várias interpretações até che- gar ao modernamente utilizado. No século XVIII, Gottfried Wilhelm Leibniz (1646−
(*) A relação entre graus Farenheit (F) e graus Celsius (C) é dada pela equação: F = C x 1,8 + 32
Temperatura em Graus Farenheit (*) 50 60 70 80 Número de cricrilos em 15s 10 20 30 40
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Matemática Elementar III – Funções
Seja S o conjunto das pessoas que moram na rua A, e seja N o conjunto dos inteiros posi- tivos. Se s é um dos residentes da rua A, defi- nimos f(s) como sendo o número da residência de s na rua A. Portanto, se o Sr. Silva mora na casa de número 25 da rua A,
f (Sr. Silva) = 25. Observe que, se Maria é a esposa do Sr. Silva, então f(Maria) = 25.
Consideramos o conjunto S das pessoas resi- dentes na rua A e N o conjunto dos inteiros positivos. Suponha que o sistema da identifi- cação da polícia seja perfeito, de modo que cada pessoa tenha sua carteira de identidade
com o respectivo número, independente se é homem, mulher, criança. Definimos a função
identidade da pessoa s. Observe que, quais- quer duas pessoas distintas, s 1 e s 2 , são tais
função aqui definida é distinta da função f
definida acima, quanto a esse aspecto. Lá, f(Sr. Silva) = f(Maria). Isto é, dois elementos distin- tos de S podem ter a mesma imagem. Aqui, ocorre que elementos distintos de S têm ima- gens distintas. Nesse caso, dizemos, então, que g é injetiva ( ou injetora).
somente se, para todo par
Ou, equivalentemente, dizemos que h é injetiva se, e somente se, para todo par
Exemplos
Exemplo 1 :
Sejam os conjuntos A= { 0, 1, 2, 3}, B= {2, 4,
f(x) = 2x + 2.
Observe, no diagrama de flecha, que elemen- tos distintos do conjunto A estão em corres- pondência com elementos distintos do con- junto B. Então, a função é injetora.
Exemplo 2 Mostre que a função polinomial do 1.o^ grau é injetiva. Solução: Seja f uma função polinomial do 1. o^ grau, de-
Sendo assim,
Exemplo 3 : Sejam N conjunto dos inteiros positivos e T con- juntos dos inteiros positivos ímpares. Definimos
Assim, f(1) = 2.1 − 1 = 2 − 1 = 1 f(10) = 2.10 − 1 = 20 − 1 = 19 f(35) = 2.35 − 1 = 70 − 1 = 69 f define uma função de N em T. Observe que, como no Exemplo 2 , f é injetiva, ou seja,
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Matemática Elementar III – Funções
Exemplo 4 :
injetora, pois sempre que tomamos dois va- lores diferentes para x, obtemos dois valores diferentes para f(x) (Veja o exemplo 2 ).
Exemplo 5 :
não é injetora, pois para x = 1, temos f(1) = 6 e para x = −1, temos f(−1) = 6. Mostraremos, a seguir, que a função f do exemplo 3 possui uma propriedade que a fun- ção do Exemplo 1 não possui. De fato, seja x qualquer inteiro positivo ímpar; podemos es- crever x como sendo x = 2r – 1 para algum inteiro positivo r. Agora, f(r) = 2r − 1 = x. Isso significa dizer que qualquer elemen- to de T aparece como imagem de um elemen- to de N. Esta propriedade de f é muito impor- tante, e dizemos que f é uma função sobrejeti- va (ou sobrejetora ).
Equivalentimente,dizemos que f é sobrejetiva se, e somente se, o conjunto imagem da fun- ção f é igual ao contradomínio da função f.
Exemplo 6 :
sobrejetora, pois todo elemento de IR é ima- gem de um elemento de IR pela função, ou
f(x) = f( ) = y.
Exemplo 7 :
f(x) = x^2 é sobrejetiva. Solução:
f(a) = b. Tome a =. Sendo assim f(a) = a^2 = ( )^2 = b,
Então, concluímos que f é sobrejetiva.
Exemplo 8 :
sobrejetora, pois o número −1 é elemento do contradomínio IR e não é imagem de nenhum elemento do domínio.
Exemplo 9 : Para qualquer conjunto não vazio podemos
Esta função aplica cada elemento de S sobre ele próprio. A função i é chamada função iden- tidade. Algumas vezes, notamos a função iden- tidade por id. É fácil ver que a função identidade é injetiva e sobrejetiva.
Para refletir
(i) f(n) = 1, se n é para todo inteiro negativo. (ii) f(0) = 101 (iii) f(n) = n, se n é inteiro positivo. A função f é injetiva? É sobrejetiva?
Reforçando : Dizemos que uma função é sobrejetora (ou
mente, se o conjunto imagem for igual ao con- junto C(f), ou seja, Im(f) = C(f).
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UEA – Licenciatura em Matemática
Sendo assim, temos que a função g tem uma inversa, que vamos denotar por g−^1 a qual vamos determinar.
Portanto g−^1 (y) =
Para refletir Quando podemos dizer que duas funções f e g são iguais? Duas funções f e g são iguais se, e somente
e C(f) = C(g).
Para refletir Sejam IR+ o conjunto dos números reais posi- tivos e
sobrejetiva?
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UEA – Licenciatura em Matemática
UNIDADE II
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No estudo de funções, há um caso muito inte- ressante que vale a pena estudar pela sua oportunidade de generalização e conseqüente utilidade.
Sejam S um conjunto não-vazio e f, g duas fun-
mento de S, pode ser aplicado pela função f,
dessa observação, podemos definir a chama- da função composta , denotada por fog , defini-
Observe o diagrama de flecha abaixo:
Sendo h, g e f funções, definimos assim a função h por gof, ou seja, h = gof
temos que a função composta de g com f é a
Exemplos Exemplo 1 :
f(s) = 5s + 6 e g(s) =. Determine fog e
gof. Solução: Sendo assim, temos: (f o g) (s) = f(g(s)) = f( ) = 5( )+ 6 =
= e (gof)(x) =
g(f(x)) = g(5x + 6)= =
acima, temos: (fog) (0) = f(g(0)) = f(1) = 5.1 + 6 = 11 e (gof) (0) = g(f(0)) = g(6) =
funções não comuta. Exemplos 2 :
Matemática Elementar III – Funções Compostas
por: f(x) = x+2, g(x) = x^2 – 1 e h(x) =.
Determine as funções compostas gof, fog, hof e fof. Solução: a) Vamos determinar gof : (gof)(x) = g(f (x) ) = g(x + 2) = ( x + 2)^2 – 1 = x^2 + 4x + 4 – 1= x^2 + 4x + 3 portanto (gof)(x) = x^2 + 4x + 3 b) Vamos determinar fog: (fog)(x) = f(g(x) = (x^2 – 1) = x^2 – 1 + 2 = x^2 + c) Vamos determinar hof: (hof)(x) = h(f(x)) = h(x + 2) =
d) Vamos determinar f o f: (fof)(x) = f(f(x))= f(x+2) = (x+2) + 2 = x+
Exemplo 3 :
Se f (x – 3) = x^2 – 4x + 1, determine f(x). Solução: Sendo f (x – 3) = x^2 – 4x + 1, faça
f(u) = (u + 3)^2 – 4. (u + 3) + = u^2 + 6u + 9 – 4u – 12+ = u^2 +2u – 2 Assim, concluímos que f(x) = x^2 + 2x – 2
Exemplo 4 : Sejam f e g duas funções reais, tais que
determine f(x). Solução: Sendo g(x) = , temos que g(f (x)) =
= 2x^2 – 2x + 3
Exemplo 5 : Sejam f e g duas funções reais, tais que
determine g(x). Solução:
Logo, substituindo x = 3 – f (x) em g(f(x)) = x^2 − x − 3, temos g(f(x)) = (3 – f(x))^2 – (3 – f(x)) – 3 g(f(x)) = 9 – 6 f(x) + (f(x))^2 – 6 + f(x) g(f(x)) = (f(x))^2 – 5 f(x) + Dessa forma, concluímos que g(x) = x^2 – 5x + 3
IMPORTANTE:
sobre T, podemos definir a inversa de f , a qual vamos denotar por f−^1 , onde f−^1 é uma
Exemplo 6: Sejam IR+ o conjunto dos números reais posi-
tiva. Quem é f−^1?
Solução: Vamos mostrar um fato surpreendente : f(x) = f−^1 (x) para cada x de IR+, ou seja,
f(s) = = x, concluímos que S =.
Logo, f−^1 (x) = S = = f(x)
jetiva, onde f−^1 é a inversa de f. Pergunta–se: Que função resultará de f−^1 of e fof−^1?
pela definição de f−^1 se t = f(s), então f−^1 (t) = s. Em outras palavras, (f−^1 o f) (s) = f−^1 (f(s)) = f−^1 (t) = s.
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UEA – Licenciatura em Matemática