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aula4 - series numericas, Notas de aula de Matemática

series, bom para estudar

Tipologia: Notas de aula

Antes de 2010

Compartilhado em 22/12/2010

heides-lima-santana-12
heides-lima-santana-12 🇧🇷

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bg1
UFPA alculo 1
Nenhuma pesquisa feita pelo ser humano pode ser chamada
realmente de ciˆencia se ela ao puder ser demonstrada mate-
maticamente.1
Analise4
NOC¸ ˜
OES INICIAIS SOBRE S´
ERIES
NUM´
ERICAS
Na aula anterior estudamos certas seq¨encias que tinham a particula-
ridade de que seus termos gerais eram representados por somas. Relem-
bremos algumas delas.
Exemplo 1. Comecemos com a seq¨encia dada por
Sn= 1 + r+r2+. . . +rn,
em que r´e um umero real, e observemos que as parcelas desta soma ao
termos de uma progress˜ao geom´etrica de raz˜ao r. Como a foi visto
Sn= 1 + r+r2+. . . +rn=1rn+1
1r,se r6= 1.
Supondo que |r|<1 a seq¨encia acima converge para 1
1r, ou seja, a
medida que ncresce a soma Snaumenta o umero de parcelas de modo
que fazer n+seria, grosso modo, considerar uma soma com um
umero infinito de parcelas, de modo que ´e razo´avel pensar em fazer
lim
n→∞
Sn= lim
n→∞
(1 + r+r2+. . . +rn) = lim
n→∞
n
X
j=0
rj=
X
j=0
rj
que ´e, de maneira ainda pouco rigorosa, um tipo de soma com a qual
trabalharemos nesta aula e a seguinte. Assim, poder´ıamos escrever
X
n=0
rn=1
1r
desde que |r|<1. Isto nos diz que podemos ”somar”uma quantidade
infinita de parcelas mas o resultado desta opera¸ao pode ser algo finito.
Vejamos um outro exemplo.
Exemplo 2. Consideremos a seq¨encia (Sn) dada por
Sn= 1 + 1
2+1
3+. . . +1
n
1Leonardo da Vinci
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UFPA C´alculo 1

Nenhuma pesquisa feita pelo ser humano pode ser chamada realmente de ciˆencia se ela n˜ao puder ser demonstrada mate- maticamente.^1

Analise

NOC¸ ˜OES INICIAIS SOBRE S´ERIES

NUM´ERICAS

Na aula anterior estudamos certas seq¨uˆencias que tinham a particula- ridade de que seus termos gerais eram representados por somas. Relem- bremos algumas delas.

Exemplo 1. Comecemos com a seq¨uˆencia dada por

Sn = 1 + r + r^2 +... + rn,

em que r ´e um n´umero real, e observemos que as parcelas desta soma s˜ao termos de uma progress˜ao geom´etrica de raz˜ao r. Como j´a foi visto

Sn = 1 + r + r^2 +... + rn^ = 1 − rn+ 1 − r , se r 6 = 1.

Supondo que |r| < 1 a seq¨uˆencia acima converge para (^1) −^1 r , ou seja, a medida que n cresce a soma Sn aumenta o n´umero de parcelas de modo que fazer n → +∞ seria, grosso modo, considerar uma soma com um n´umero infinito de parcelas, de modo que ´e razo´avel pensar em fazer

nlim→∞ Sn^ = lim n→∞(1 +^ r^ +^ r^2 +^...^ +^ rn) = lim n→∞

∑^ n

j=

rj^ =

∑^ ∞

j=

rj

que ´e, de maneira ainda pouco rigorosa, um tipo de soma com a qual trabalharemos nesta aula e a seguinte. Assim, poder´ıamos escrever

∑^ ∞

n=

rn^ =

1 − r

desde que |r| < 1. Isto nos diz que podemos ”somar”uma quantidade infinita de parcelas mas o resultado desta opera¸c˜ao pode ser algo finito.

Vejamos um outro exemplo.

Exemplo 2. Consideremos a seq¨uˆencia (Sn) dada por

Sn = 1 +

n (^1) Leonardo da Vinci

2 C´alculo UFPA

vista no exemplo 4 da Aula 3 e fa¸camos as seguintes estimativas:

1 +

e prosseguindo desta maneira, obtemos

1 +

2 n^

1 + n ·

Como lim n · 12 = ∞ tem-se, por compara¸c˜ao, que a seq¨uˆencia (Sn) tende para +∞. Neste caso, a ”soma”de uma quantidade infinita de parcelas ´e infinita, muito embora as parcelas tendam a zero. Neste caso, diz-se que a s´erie

1 +

n

∑^ ∞

n=

n

´e divergente e a sua soma ´e +∞.

Exemplo 3. No exemplo 1 ”somamos”infinitas parcelas o que resultou em algo finito. No exemplo 2 tivemos um resultado infinito. Vejamos um outro exemplo em que nenhuma destas coisas ocorre. Consideremos a seq¨uˆencia cujos termos s˜ao somas dadas por

S 1 = 1, S 2 = 1 − 1 , S 3 = 1 − 1 + 1, S 4 = 1 − 1 + 1 − 1 ,....

Na nota¸c˜ao de soma infinita podemos escrever

∑^ ∞

n=

(−1)n+1.

Pode-se observar que

S 1 = S 3 = S 5 = · · · = 1

ao passo que S 2 = S 4 = S 6 = · · · = 0

de modo que a seq¨uˆencia (Sn) diverge pois ela possui duas subsequˆencias convergindo para limites distintos. Assim, a ”soma infinita”

n=1(−1)n+ nem possui valor finito nem resulta em +∞.

Para concluir este exemplo, convidamos o leitor a analisar criticamente o que ser´a feito abaixo e identificar as falhas nos argumentos.

Consideremos a ”soma”

S = 1−1+1−1+1−1+· · · = (1−1)+(1−1)+(1−1)+· · · = 0+0+0+· · · = 0.

4 C´alculo UFPA

Vejamos alguns exemplos ilustrativos

Exemplo 4. Consideremos o n´umero decimal

0 , 999...

que pode ser visto como sendo a s´erie

0 , 9 + 0, 09 + 0, 009 + 0, 0009 + · · ·

e que pode ser reescrita como

9 10

[

]

em que o termo entre colchetes ´e familiar ao leitor. Basta que ele recorde da soma dos termos de uma s´erie geom´etrica com raz˜ao 0 < r < 1. No presente caso tem-se que r = 101. Deste modo,

o que confirma exatamente aquilo que esper´avamos, ou seja,

0 , 999... = 1.

Mais geralmente, dado r pertencente ao intervalo (− 1 , 1) tem-se que

∑^ ∞

n=

rn^ =

1 − r

sendo que nos outros casos em que |r| ≥ 1 a s´erie geom´etrica diverge.

Exemplo 5. Vejamos uma outra situa¸c˜ao que tamb´em recai em uma s´erie geom´etrica. Consideremos a d´ızima peri´odica d = 0, 215626262... e determinemos a sua geratriz. Neste caso tem-se

d = 0, 215 + 0, 00062 + 0, 0000062 + 0, 000000062 +...

de modo que

d =

e da´ı

d =

[

]

UFPA C´alculo 5

em que o termo entre colchetes ´e um s´erie geom´etrica cuja raz˜ao ´e 1012. Logo,

d =

e ent˜ao d =

que ´e a geratriz da d´ızima peri´odica em estudo.

Exemplo 6. Consideremos, agora, a s´erie

1 1 · 2

n(n + 1)

conhecida como S´erie Telesc´opica. Observando que

1 n(n + 1)

n

n + 1

pode-se escrever a soma parcial sn como

sn =

n(n + 1)

n

n + 1

n + 1

Deve-se notar que nesssa soma os termos 12 e −^12 , 13 e −^13 ,... , (^1) n e − (^1) n se cancelam, sobrando apenas 1 e − (^) n^1 +1. De modo que

lim sn = lim

[

n(n + 1)

]

= lim

[

n + 1

]

Portanto, a s´erie telesc´opica converge e

∑^ ∞

n=

n(n + 1)

Antes de prosseguirmos com mais exemplos, estabeleceremos alguns resultados ´uteis, alguns dos quais s˜ao consequˆencias imediatas das pro- priedades satisfeitas por sequˆencias.

Teorema 1. Se λ 6 = 0, ent˜ao a s´erie

∑^ ∞

n=

λan converge se, e somente se,

∑^ ∞

n=

an convergir.

UFPA C´alculo 7

Observa¸c˜ao 2. A convergˆencia( ou a divergˆencia) de uma s´erie n˜ao ´e alterada se adicionarmos ou suprimirmos um n´umero finito de termos na parte inicial da s´erie. Por exemplo, se suprimirmos os primeiros k termos

de uma s´erie

∑^ ∞

n=

an e se a soma dos termos suprimidos for igual a c, ent˜ao

cada nova soma parcial Tn possui a forma Sn+k − c. Mas lim(Sn+k − c) existe se, e somente se, lim Sn+k existir, e lim Sn+k existe se, e somente se, lim Sn existir.

A partir de agora usaremos simplesmente a nota¸c˜ao

an para designar

a s´erie

∑^ ∞

n=

an deixando claro que em alguns casos, como o leitor deve ter

percebido, os ´ındices representados na s´erie podem come¸car com n = 0,

ou seja, podemos ter

∑^ ∞

n=

an.

O Teste de Cauchy para seq¨uencias ´e traduzido na linguagem das s´eries como

Teorema 4. (Teste de Cauchy para S´eries.)A s´erie

an converge se, e somente se, dado  > 0, existir n 0 ∈ N tal queI ∣∣ ∣ ∣∣

∑^ m

j=n

aj

∣∣ < ^ para todos^ m^ ≥^ n^ ≥^ n 0.

O leitor deve reler o Teste de Cauchy para seq¨uencias e observar que o teorema acima ´e conseq¨uˆencia imediata dele, observando que a con- vergˆencia(ou divergˆencia) de uma s´erie ´e simplesmente a convergˆencia(ou divergˆencia) de uma seq¨uencia de somas parciais.

Deve-se observar que ainda n˜ao temos testes gerais para an´alise da convergˆencia de s´eries. Come¸caremos, a partir de agora, a introduzir v´arios crit´erios que nos garantir˜ao se uma determinada s´erie converge ou n˜ao.

Teorema 5. Consideremos a s´erie

an em que an ≥ 0 para todo n ∈ N e que exista um n´umero positivo K tal que

sn =

∑^ n

j=

aj ≤ K

para todo n ∈ N. Ent˜ao a s´erie

an ´e convergente.

Demonstra¸∑ c˜ao. Inicialmente relembremos que a convergˆencia da s´erie an ´e equivalente `a da convergˆencia da seq¨uˆencia das somas parciais (sn). Desde que os termos da s´erie s˜ao n˜ao-negativos tem-se que

sn =

∑^ n

j=

aj ≤ sn+1 = sn + an+

8 C´alculo UFPA

e como, por hip´otese, a seq¨uˆencia (sn) ´e limitada, ent˜ao ela ´e convergente, o que conclui a demonstra¸c˜ao do teorema.

Vejamos, a seguir, o Teste da Compara¸c˜ao

Teorema 6. (Teste da Compara¸c˜ao)Sejam (an) e (bn) seq¨uˆencias tais que 0 ≤ an ≤ bn, para todo n ∈ N. Se a s´erie

∑ bn^ convergir, ent˜ao a s´erie an converge.

Demonstra¸c˜ao. Sejam Sn e sn as somas parciais

Sn =

∑^ n

j=

bj

e

sn =

∑^ n

j=

aj

de modo que, em virtude de 0 ≤ an ≤ bn, para todo n ∈ N, tem-se

0 ≤ sn ≤ Sn.

Como

bn converge, existe K > 0 tal que Sn ≤ K, para todo n ∈ N e da´ı, como conseq¨uˆencia da compara¸c˜ao acima, obt´em-se

0 ≤ sn ≤ Sn ≤ K,

para todo n ∈ N, de modo que a seq¨uˆencia (sn) ´e n˜ao-decrescente e lim- itada superiormente. Pelo teorema anterior ela ´e convergente, ou seja, a s´erie

an converge.

Corol´ario 3. Sejam (an) e (bn) seq¨uˆencias tais que 0 ≤ an ≤ bn, para todo n ∈ N. Se a s´erie

an divergir, ent˜ao a s´erie

bn diverge.

Demonstra¸c˜ao. A demonstra¸c˜ao deste corol´ario ´e imediata e ser´a deixada como exerc´ıcio.

Exemplo 8. Como aplica¸c˜ao do teste acima, estudemos a s´erie ∑ (^1) √ n

e a comparemos com a s´erie harmˆonica ∑ (^1) n

Observando que

n ≤ n, para todo n ∈ N, obt´em-se 1 n

n

para todo n ∈ N, e usando o corol´ario 3, conclu´ımos que

n diverge pois a s´erie harmˆonica diverge.

10 C´alculo UFPA

Exerc´ıcio 12. Mostre que a s´erie

1 2

diverge.

Exerc´ıcio 13. Para cada uma das s´eries abaixo, determine os valores de x para os quais ela converge.

(a)

(5x)n

(b)

(x − 1)n

(c)

∑ (x 4

)n

(d)

∑ (x− 2 3

)n

Exerc´ıcio 14. Verifique se a s´erie

∑ 3 n^ + 4n 5 n

converge e, em caso afirmativo, calcule sua soma.

Exerc´ıcio 15. Mostre que a s´erie

∑ (^1) √ n +

n − 1

diverge.

Exerc´ıcio 16. Se (an) e (bn) forem seq¨uˆencias com termos n˜ao-negativos e se

a^2 n e

n convergirem, ent˜ao^

anbn convergir´a.

Exerc´ıcio 17. Use fra¸c˜oes parciais para mostrar que

∑^ ∞

n=

(n + 1)(n + 2)

Exerc´ıcio 18. Se

an, an > 0, for convergente, ent˜ao

a^2 n ´e conver- gente. Falso ou verdadeiro? Justifique.

Exerc´ıcio 19. Se

an, an > 0, for convergente, ent˜ao

an ´e conver- gente. Falso ou verdadeiro? Justifique.