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Humanização, Notas de estudo de Enfermagem

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Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 08/11/2008

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vanessa-moura-cantaruti-6 🇧🇷

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HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNIA MÉDICA, HUMANIZAÇÃO DA
ASSISTÊNCIA À SAÚDE*
Dezembro 2004
Você, profissional da saúde,
sente,
reconhece,
concorda,
que a assistência à saúde está, ou, está ficando muito “desumanizada”?
Você,
vivenciou, ou
foi informada,
que a “assistência à saúde” era muito mais “humanizada”, no passado que
atualmente?
Você,
crê
que a humanização da assistência à saúde, é algo de ser obtido, ou a ser
recuperado?
Se “Humanização da Assistência” for algo a ser conquistado vamos ao
“imaginário”, futurista, para se caracterizar o que se quer: ...e haja teologia,
filosofia, sociologia, história, psicologia, ... .
* Trabalho apresentado no 1º Encontro Estadual de Humanização, São Paulo, 9 e 10/12/04. Seixas, J.Carlos –
Assessor Técnico do G.S.
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HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNIA MÉDICA, HUMANIZAÇÃO DA

ASSISTÊNCIA À SAÚDE *

Dezembro 2004 Você, profissional da saúde, sente, reconhece, concorda, que a assistência à saúde está, ou, está ficando muito “desumanizada”?

Você, vivenciou, ou foi informada, que a “assistência à saúde” era muito mais “humanizada”, no passado que atualmente?

Você, crê que a humanização da assistência à saúde, é algo de ser obtido, ou a ser recuperado?

Se “Humanização da Assistência” for algo a ser conquistado vamos ao “imaginário”, futurista, para se caracterizar o que se quer: ...e haja teologia, filosofia, sociologia, história, psicologia, ....

  • (^) Trabalho apresentado no 1º Encontro Estadual de Humanização, São Paulo, 9 e 10/12/04. Seixas, J.Carlos – Assessor Técnico do G.S.

Se “Humanização da Assistência” é algo que se perdeu, e que se quer reconquistar e praticar, creio ser bom caracterizar bem o que se quer e recuperar, de essencial, deste “arquétipo” desejado (“Se não sabemos onde queremos chegar, qualquer caminho serve e, poderemos chegar a nada”!).

No relacionamento interpessoal do “paciente com o médico”, ou, do usuário com o profissional de saúde, o cliente sentia-se acolhido, apoiado e tranqüilizado pelo prestador da assistência.

Acolhido: como pessoa, como um igual, mas com uma incapacidade física ou psíquica, valorizada a partir de um determinado momento ou circunstância; pessoas com uma dor física, com ou sem um sofrimento mental; com uma insegurança, quanto ao futuro; pessoa com um medo, quanto a sua sobrevi da.

Acolhido como pessoa, como gente, como um igual, porém fragilizada, física e psiquicamente.

Apoiado: por um ou por vários profissionais com capacitação técnico- científica e psicossocial, a serviço do paciente, para ajudá-lo a superar suas limitações e sofrimentos.

Tranqüilizado: pela esperança do profissional, de ser sempre possível buscar melhorar, esperança transmitida ao paciente atemorizado.

Na essência, a humanização, no atendimento é recuperar este tipo de relacionamento interpessoal, sempre que possível, afastando os fatores, as

que mudaram as características dos relacionamentos interpessoais entre usuários e prestadores da assistência à saúde:

(lª) A complexibilidade, a diversidade e a complementaridade da tecnologia científica disponível na atual assistência à saúde, com conseqüente melhoria de sua efetividade, qualificável e quantificável.

(2ª) A rápida evolução na incorporação da ética social, à ética individual (aos que tinham tido acesso aos serviços de saúde), reconhecendo e propiciando o direito de todos ao acesso a todos os tipos de serviços de saúde, provocando uma admirável incorporação de pessoas, até então, marginalizadas da assistência à saúde.

(3ª) A mudança cultural, dos usos e costumes, nos relacionamentos interpessoais, bilaterais, libertando-os de padrões comportamentais estereotipados e aceitos, facilitadores dos relacionamentos, mas, que eram também facilitadores de mecanismos de dominação – alienação e impeditivos de expressões expontaneistas e criativas. Seguramente as novas formas de relacionamentos interpessoais, por vezes até mesmo agressivas, são libertárias e progressistas, sempre quando ocorre em relacionamentos simétricos, entre iguais. Entretanto, eventualmente, são extremamente constrangedoras e aflitivas quando numa “relação assimétrica”, como ocorre no caso entre usuário e o prestador de saúde por se dar entre dois iguais, em essência, porém, com uma das partes totalmente fragilizada pela “doença”, frente à outra parte, presumivelmente e desejadamente, segura de suas competências e atribuições.

Para que tal relacionamento seja efetivo e eficaz não é possível ser totalmente livre e expontaneista para ambas as partes.

Há que ser controlado por uma valoração ética que considere a assimetria da relação, a fragilidade do cliente, e a responsabilização do profissional assistente, a ponto de exigir-lhe eventuais sacrifícios pessoais a legítimos direitos de expressão, seus para que o relacionamento não desande e que seja bom. Daí porque tal relacionamento exige uma valoração ética especial da parte do profissional.

Como se pode perceber os três determinantes, sócio-culturais, da modernidade, não são fatores maléficos para a humanidade, pelo contrário, mas trouxeram conseqüências maléficas para o relacionamento usuário – prestador de saúde e, em principio, sem culpabilidades pessoais:

(1º) O desenvolvimento técnico-científico da saúde – dos profissionais e dos meios materiais, para diagnóstico e terapias (com a exigência de elevada capitalização do setor)-redundou numa inevitável segmentação no relacionamento, que deixou de ser bilateral, para ser de um lado, do lado do paciente, ainda quase que unitário, mas de outro, plural. E, mais, com muita redução de tempo necessário e disponível para o relacionamento, por parte de tantos profissionais envolvidos.

(2º) A ampliação, rápida, do acesso, aumentou muito, e também, rapidamente, o volume de atendimento por serviços disponíveis, o que necessariamente, redundou numa redução do tempo para um relacionamento interpessoal, acolhedor, apoiador e tranqüilizador para o paciente.

Uma longa demora ou a incerteza de atendimento, facilita a “coisificação”.

A desarmonia do trabalho em equipe – exteriorizada ou não para o paciente – desqualifica e “coisifica” a assistência.

O despreparo ético-profissional dos prestadores do atendimento, que já não é de uma pessoa, de um profissional, mas de todos os profissionais pelos quais passam os usuários dos serviços, “coisifica” o atendimento.

A ociosidade compulsória, sem distração ou entretenimento, em uma espera prolongada ou em uma internação hospitalar, “coisifica”.

As tensões, preocupações, aborrecimentos pessoais, até mesmo neuroses, mal resolvidas dos servidores, sem mecanismos de superação ou alívio, estouram na presença, ou, e em cima do paciente, coisificando a assistência.

Como se vê, há centenas, milhares de medidas que tomadas e desenvolvidas – com consciência clara do que se quer obter – permitirão a retomada e, até mesmo, o aperfeiçoamento de uma assistência à saúde humanizada, que é um componente, mas, a mais, de uma assistência qualificada e concorrencial.

Como se vê na atualidade, a retomada ou a melhoria da assistência humanizada não é um trabalho, um esforço, de um tipo de profissional ou em cima de uma profissão, é um esforço de todas as pessoas pertencentes ao estabelecimento de assistência à saúde, e, até mesmo da comunidade onde se insere.

É sempre bom reafirmar que a multi-causalidade de um fenômeno, especialmente social, é um facilitador na modificação da manifestação do mesmo, posto que, pode-se, intervir, simultaneamente em muitas causas. Porém, uma única causa pode, também, determinar múltiplos efeitos e, assim, ao interferir uma causa, posso obter diversos e diferentes efeitos e resultados.

Assim, é importantíssimo ter bem claro aonde se quer chegar, o que se quer obter, quando se interfere numa causa, por exemplo, da “coisificação” da assistência à saúde.