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Resumo de Limites e Sequências com Aplicações
Tipologia: Resumos
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Neste capÌtulo vamos apresentar a deÖniÁ„o rigorosa de limite de uma se- quÍncia de n˙meros reais bem como seu uso na demonstraÁ„o de limites ele- mentares e algumas propriedades b·sicas envolvendo esse conceito. A noÁ„o de limite tem um papel central no estudo da An·lise Matem·tica, pois todos os conceitos e resultados importantes se referem a limites direta ou indiretamente.
Uma sequÍncia de elementos de um conjunto X qualquer È uma funÁao x : N! X; cujo domÌnio È N e os valores est„o contidos no conjunto X. Nesta seÁ„o estaremos interessados em sequÍncias de n˙meros reais e no signiÖcado de convergÍncia dessas sequÍncias. Uma sequÍncia de n˙meros reais nada mais È do que uma lista inÖnita de n˙meros reais, arranjados em uma certa ordem. Mais precisamente, temos uma sequÍncia (inÖnita) se para cada n˙mero natural n associamos um n˙mero real x (n) = xn, conforme deÖniÁ„o que segue. ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó
DeÖniÁ„o 4.1 (SequÍncia) Uma sequÍncia de n˙meros reais È uma funÁ„o
x : N! R n 7! xn
deÖnida no conjunto N = f 1 ; 2 ; 3 ; : : :g dos n˙meros naturais e tomando valores no conjunto R dos n˙meros reais.
ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó Os valores xn s„o chamados os termos ou elementos da sequÍncia. … muito comum chamar o termo xn de n Èsimo termo da sequÍncia. Us- aremos frequentemente as notaÁıes (x 1 ; x 2 ; : : : ; xn; : : :) ou (xn)n 2 N ou (xn) ou simplesmente xn; como formas alternativas de representar a sequÍncia x. Claramente, poder„o ser usadas outras letras, como
y = (yk)k 2 N ; z = (zt)t 2 N ; w = (w) 2 N
e assim por diante. O uso de parÍnteses ( ) em vez de chaves { } serve para distinguir a sequÍncia (xn) do conjunto de seus valores
x (N) = fxn : n 2 Ng = fx 1 ; x 2 ; : : : ; xn; : : :g
Assim, por exemplo, a sequÍncia xn = 1 + ( 1)n^ tem inÖnitos termos
(x 1 = 0; x 2 = 2; : : : ; x 50 = 2; x 51 = 0; : : :)
ao passo que o conjunto
x (N) = fx 1 = 0; x 2 = 2; : : : ; x 50 = 2; x 51 = 0; : : :g
coincide com o conjunto f 0 ; 2 g, que tem apenas dois elementos. Observe que, atravÈs da deÖniÁ„o de igualdade entre funÁıes, duas sequÍncias
x = (xn)n 2 N e y = (yk)k 2 N
s„o iguais se xn = yn, para todo n 2 N. Duas sequÍncias podem ter a mesma imagem, mas serem distintas. De fato, considere as sequÍncias
(xn) = (1; 2 ; 1 ; 2 ; : : :) e (yn) = (2; 1 ; 2 ; 1 ; : : :)
Estas sequÍncias s„o distintas, pois x 1 = 1 e y 1 = 2 diferentes. Por outro lado,
x (N) = y (N) = f 1 ; 2 g
… muito comum deÖnir-se uma sequÍncia dando-se uma fÛrmula para o n Èsimo termo xn, como acabamos de fazer com xn = 1 + ( 1)n. Quando tal fÛrmula pode ser facilmente deduzida a partir do conhecimento de seus primeiros termos, È tambÈm comum listar-se os termos da sequÍncia atÈ que a regra de formaÁ„o pareÁa evidente. Assim, a sequÍncia dos n˙meros Ìmpares pode ser apresentada na forma (1; 3 ; 5 ; : : :), que È o mesmo que (2n + 1)n 2 N. Uma outra forma de se deÖnir uma sequÍncia È especiÖcar o valor de x 1 e dar uma fÛrmula para xn+1 em termos de xn, para n > 1 , ou, de modo equivalente, dar uma fÛrmula para xn em termos de xn 1 , para n > 2. Dizemos, nesses casos, que a sequÍncia est· deÖnida recursivamente ou indutivamente. Um exemplo disso È obtido se deÖnirmos a sequÍncia ( (^21) n ) na forma
x 1 =
; xn+1 =
x 2 2
; para n > 1
Outro exemplo e fornecido pela sequÍncia deÖnida por
x 1 = 1; x 2 = 1 e xn = xn 1 + xn 2 ; para n > 3
que È conhecida como sequÍncia de Fibonacci. Mas nem sempre o termo geral de uma sequÍncia È dado por uma fÛrmula, por exemplo a sequÍncia dos n˙meros primos 2 ; 3 ; 5 ; 7 ; 11 ; 13 ; 17 ; 19 ; 23 ; : : :
n„o existe fÛrmula para o n-Èsimo termo desta sequÍncia. Nota: Algumas vezes, as sequÍncias n„o iniciam com o termo correspondente a n = 1. Por exemplo, na sequÍncia
xn =
n! n
ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó
DeÖniÁ„o 4.2 Quando a sequÍncia x : N! R for injetiva, ou seja, xn 6 = xm; se n 6 = m; dizemos que x È uma sequÍncia de termos dois a dois distintos.
ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó
Problema 4.1 Seja (xn) uma sequÍncia deÖnida por
xn = xn 1 +
xn 1
; para todo n > 1 ; x 0 = 5
Mostre que, x 1000 > 45.
SoluÁ„o. Veja que para todo n > 1 ; temos
x^2 n =
xn 1 +
xn 1
= x^2 n 1 + 2 +
x^2 n 1
x^2 n 1 + 2
e x^2 n 1 > x^2 n 2 + 2 e portanto, x^2 n > x^2 n 2 + 2 + 2: Segue-se x^2 n > x^20 + 2n; e em particular, x^21000 > 25 + 2000 = 2025 = 45^2
e portanto, x 1000 > 45.
Problema 4.2 Se a sequÍncia de n˙meros reais positivos (x 1 ; x 2 ; : : : ; xn; : : :) È uma progress„o geomÈtrica de raz„o igual a q, mostre que a sequÍncia (y 1 ; y; : : : ; yn; : : :) deÖnida para todo n natural por yn = log xn È uma progress„o aritmÈtica de raz„o log q.
SoluÁ„o. Por deÖniÁ„o xn = x 1 qn ^1 ; onde n 2 N. Por outro lado, 8
<
:
y 1 = log xn
y 2 = log x 2 = log (x 1 q) = log x 1 + log q
y 3 = log x 3 = log
x 1 q^2
log x 1 + 2 log q .. .
yn = log xn = log
x 1 qn ^1
= log x 1 + (n 1) log q
Como y 2 y 1 = y 3 y 2 = = yn yn 1 = log q, ent„o yn = log xn È uma progress„o aritmÈtica de raz„o log q.
Problema 4.3 Todos os termos da progress„o geomÈrica (xn) s„o positivos. Se x 10 = 2 e x 18 = 3. Determine x 16 e x 3 x 27 :
SoluÁ„o. Como 14 + 14 = 10 + 18; ent„o x^214 = x 10 x 18 = 2 3 = 6 e portanto,
x 14 =
p 6
Por outro lado, como 16 + 16 = 14 + 18, ent„o x^216 = x 14 x 18 = 3
p 6 : Logo,
x 16 =
q 3
p 6
Finalmente, como 14 + 16 = 3 + 27; ent„o
x 14 x 16 = x 3 x 27 =) x 3 x 27 =
p 6
q 3
p 6 = 3
q 2
p 6
4.2 Limite de uma sequÍncia
A noÁ„o de limite de uma sequÍncia constitui o eixo fundamental de toda a An·lise Matem·tica. Nesta seÁ„o apresentaremos esse conceito na sua forma mais b·sica que È aquela aplicada as sequÍncias de n˙meros reais. Considere a sequÍncia (xn), cujo termo geral È xn = (^) n^1 , ent„o os primeiros termos desta sequÍncia s„o:
1 ;
Intuitivamente, observando a Ögura abaixo
vemos que os termos da sequÍncia tornam-se arbitrariamente prÛximos de zero quando n tende a inÖnito. Mas o que signiÖca isto? Tomemos um inter- valo centrado em zero, digamos de raio 10 ^3. Ser· que È possÌvel encontrar- mos um inteiro positivo n 0 a partir do qual todos os xnís estar„o no intervalo 0 10 ^3 ; 0 + 10 ^3
? Isto È equivalente a dizer que
0 10 ^3 < xn < 0 + 10 ^3
ou ainda, que jxn 0 j < 10 ^3. Note que jxn 0 j = (^) n^1 ; portanto jxn 0 j < 10 ^3 , se tivermos n > 103. Se ao invÈs de 10 ^3 tivÈssemos pegado 10 ^10 , ent„o jxn 0 j < 10 ^10 , para n > 1010. Em geral, dado um n˙mero positivo " > 0 , n„o importa o qu„o pequeno ele seja, se n 0 for um inteiro positivo tal que n 0 > (^1) " , ent„o para todo n > n 0 , temos
jxn 0 j =
n
n 0
A deÖniÁ„o a seguir abre caminho para estudarmos sequÍncias convergentes. ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó
DeÖniÁ„o 4.3 (Limite) Diz-se que uma sequÍncia x = (xn) em R converge para a 2 R, ou que a È limite de (xn), se para todo " > 0 existe um n˙mero natural n 0 (") tal que, para todo n > n 0 ("), xn satisfaz jxn aj < ".
ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó ó Se uma sequÍncia possui limite, dizemos que ela È convergente; caso con- tr·rio dizemos que ela È divergente. Em linguagem simbÛlica temos que
lim n! xn = a () 8" > 0 ; 9 n 0 (") 2 N tal que n > n 0 (") =) jxn aj < "
ou seja,
lim n! xn = a () 8" > 0 9 n 0 (") 2 N tal que n > n 0 (") =) xn 2 (a "; a + ")
Assim, lim n! xn = a se, e somente se, todo intervalo aberto de centro a
contÈm todos os termos xn da sequÍncia, salvo, talvez, para um n˙mero Önito de Ìndices n, ou seja, para qualquer intervalo aberto centrado em torno do limite a, sempre pode-se encontrar um Ìndice n 0 2 N a partir do qual todos os termos de (xn) estar„o dentro desse intervalo, conforme mostra a seguinte Ögura.
Veja que lim n! xn 6 = a se, e somente se, existe " 0 > 0 tal que para todo
n 0 (") 2 N; existe n 1 > n 0 com jxn 1 aj > " 0 : Na deÖniÁ„o que acabamos de dar denotamos n 0 (") e n„o, simplesmente, n 0 , apenas para enfatizar o fato de que o referido n˙mero natural n 0 depender· em geral do n˙mero " > 0 que tenha sido escolhido. Frequentemente vamos usar a notaÁ„o mais simples n 0 deixando de explicitar a dependÍncia desse n˙mero em relaÁ„o a ". Como veremos nos exemplos que daremos a seguir, de modo geral, quanto menor for o " escolhido, maior ter· de ser o valor de n 0 , para que tenhamos, para todo n > n 0 , jxn aj < ". Em termos coloquiais, a deÖniÁ„o de limite pode ser traduzida da seguinte maneira: · medida que os valores de n se tornam mais e mais altos, os elementos xn se tornam mais e mais prÛximos de a. Matematicamente, a veriÖcaÁ„o dessa sentenÁa assume um formato semelhante ao de um jogo em que um jogador A, que aÖrma ser a limite de xn, È desaÖado por um outro jogador B a provar tal aÖrmaÁ„o. Sendo assim, B escolhe um " > 0 arbitrariamente pequeno e desaÖa A a encontrar um n˙mero natural n 0 , n„o importando qu„o grande ele seja, tal que para todo n > n 0 valha que jxn aj < ". Se A conseguir mostrar que para qualquer " > 0 escolhido ele È capaz de exibir n 0 veriÖcando tal propriedade, ent„o ele ganha o jogo, provando que a È limite de xn. Caso contr·rio, ele perde e quem ganha È B, Öcando provado que a n„o È limite de xn.
Exemplo 4.3 Prove que a sequÍncia dada por
xn = ( 1)n
n
SoluÁ„o. Temos que
jan 1 j =
2 n^ ( 1)n 2 n^
2 n
e pela desigualdade de Bernoulli,
2 n^ = (1 + 1)n^ > 1 + n > n =)
2 n^
n
Logo, dado " > 0 qualquer, considere n 0 > (^1) ". Ent„o
n > n 0 =) jxn 1 j =
2 n^
n
n 0
e portanto, lim n! xn = 1:
Teorema 4.1 Se lim n! xn = e c È uma constante, ent„o lim n! (xn c) =