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Ilustrar Magazine, primeira revista 100% brasileira sobre ilustração, feita por ilustradores e para ilustradores.
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!




































Foto: arquivo Ricardo Antunes
DIREÇÃO, COORDENAÇÃO E ARTE-FINAL: Ricardo Antunes [email protected]
DIREÇÃO DE ARTE: Neno Dutra - [email protected] Ricardo Antunes - [email protected]
REDAÇÃO: Ricardo Antunes - [email protected]
REVISÃO:
COLABORARAM NESTA EDIÇÃO:
ILUSTRAÇÃO DE CAPA: Fernando Mosca - [email protected]
PUBLICIDADE: [email protected]
DIREITOS DE REPRODUÇÃO: Esta revista pode ser copiada, impressa, publicada, postada, distribuída e divulgada livremente, desde que seja na íntegra, gratuitamente, sem qualquer alteração, edição, revisão ou cortes, juntamente com os créditos aos autores e co-autores. Os direitos de todas as imagens pertencem aos respectivos ilustradores de cada seção.
© Revista Ilustrar
Helena Jansen - [email protected]
Angelo Shuman (Divulgação) - [email protected] Gil Tokio (Fotografia - Ignácio Justo) - [email protected]
Diferentes cenários...
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Foto: arquivo Luiz Rosso
© Luiz Rosso
Lembro-me de meu avô desenhando. Papel e lápis estavam sempre à disposição em seu estúdio. E eu tentando copiá-lo (sem êxito).
Com meu desenho já em mãos, era só aguardá-lo terminar a pintura da capa para receber dele a paleta de cores: um semicírculo de vidro grosso de aproximadamente 30 cm; um verdadeiro manual de misturas e composições cromáticas.
Um pouco mais adiante cheguei a fazer o preeenchimento com nanquim de páginas de quadrinhos, ou seja as famosas áreas com "X".
Isso não requeria conhecimento, nem habilidade.
Apesar de receber um dinheirinho extra pelo trabalho, este não rendia, pois passava a maior parte admirando o desenho,
a composição, e as soluções encontradas para resolver a cena.
Quando ele deixava o estúdio para ir lecionar, minha missão era o preenchimento e, principalmente, não danificar nada na sua ausência, para não pôr a perder o trabalho de um dia inteiro.
Pouco depois do AVC (*ver revista Ilustrar nº 1), com sua supervisão, cheguei até a colorir um trabalho iniciado por ele, com Ecoline, material que nunca tinha utilizado.
Nestes momentos e mesmo noutros, nunca me passou pela cabeça a hipótese de me tornar um profissional da área.
Nunca houve um direcionamento explícito quanto à minha profissão. Estava assim livre para escolher o que me deixasse mais feliz.
Mas juntamos todas essas lembranças na bagagem, para depois, finalmente, usá-las na nossa vida profissional.
luiz rosso
São paulo [email protected] www.rosso.com.br
Filme “O Grilo Feliz”
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Outras influências vieram dos livros que folheava na grande biblioteca que meu avô possuía: Tin Tin, Asterix, Billiken, Domenica del Corrieri.
Lembro-me das revistas com os carimbos "cortezia do editor", de diversos gêneros, muitos com outros quadrinistas, tais como:
Shimamoto, Colonnese, Jayme Cortez, e ilustradores: Manuel Vítor, Benício, Lanzellotti, Ignácio Justo.
Deixo bem claro que os nomes citados aqui são os que vieram à minha memória daquela época.
Quando me profissionalizei e até os dias de hoje, passei a me inspirar em muitos outros artistas, nomes conhecidos pela maioria e não seria o caso de elencá-los.
Filme “Fábrica de Mágicas”
Anúncio “Toddynho”
Concept “Arctia”
D A Q U Í M I C A P A R A O D E S E N H O
A minha opção pela química veio daquela parte "símia" e admiração pela profissão do meu pai que foi químico, e trabalhou, principalmente, na área de alimentos em empresas como a Kibon e a Maguari.
Interessante que ele percorreu o sentido inverso e "símio" começou no desenho.
Eu já via a química em outro lugar. Nas tintas e pigmentos, assuntos sempre abordados em família. Meus tios são donos de uma empresa de tintas e vernizes (e químicos também).
E se pensarmos em genética? Isso não é química?
A minha "viagem" para o mundo do desenho se deu com o falecimento do meu avô. Por que só nos damos conta da importância do que temos quando as perdemos?
Como primeiro passo decidi cursar a Escola Panamericana de Arte. E os caminhos da vida vão se bifurcando e outras escolhas teriam que ser tomadas.
Em certo momento teria que decidir se assumiria o cargo (concursado) de Oficial Legislativo da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Não assumi em prol do desenho.
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D O S A N Ú N C I O S P A R A A D I S N E Y
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Em 1989, Haroldo G. Neto havia retornado dos EUA após estudar e trabalhar nos estúdios Disney. Convidou-me para a produção de um “piloto”.
Antevendo a possibilidade de produzir os seriados aqui no Brasil, colaborei com cenários para o seriado "DuckTales".
Aprovado, passou a produzir os episódios dos "Ursinhos Gummi" (Gummi Bears) do qual não participei.
Trabalhando somente nos seriados "Bonkers", "Goof Troop" e "Aladdin" sendo que neste último, no episódio "Moonlight Madness", tenho nos créditos a direção de arte.
Isto com certeza abriu as portas para o mercado internacional.
Videoclip “Tieta” (^) Anúncio “Yakult”
No meu modo de ver, os cenários têm características próprias que os diferem de uma ilustração.
Baseio-me no cinema tradicional, onde elementos de composição da cena, iluminação e clima ajudam a animação a contar a história. O cenário é o palco onde os personagens contracenarão.
Veja por exemplo as imagens que ilustrarão esta matéria. Aqui serão apenas ilustrações. Já nos seus respectivos filmes, adquirem nova conotação.
Deixarão de ser estáticos e, na composição final, ganharão movimentos de câmera, “zoom in” e “zoom out”, “traveling” dos planos (“over lays”) e ganharão movimentos próprios simulando uma paralaxe.
Focagem e desfocagem dando a impressão de profundidade de campo. Isso sem contar os efeitos de pós-produção que poderão ser adicionados.
Em certos momentos, o cenário nem tem que ser percebido; já em outros, poderá ser o protagonista da cena. Como numa sinfonia, quando um instrumento sola os outros fazem a base, sempre em perfeita harmonia.
Filme “Fada Fofa”
Filme “O Grilo Feliz”
Filme “Nikitos”
C O N C E P T B O A R D & M A T T E P A I N T I N G
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Concept “CCAA” Filme “Boticário”
Matte painting “C&A”
Viu a necessidade, atenda! A frase não é minha, é de um personagem de desenho animado.
Aqueles testes de cores que eu fazia antes de começar o trabalho na busca da melhor solução, os conceptboards, tornaram-se uma necessidade de mercado.
Então por que não produzi-los? Várias produtoras procuram este tipo de trabalho em vários níveis e detalhamento, seja para uma direção de arte, desenvolvimento de
ambientes para CG e 2D, apresentação ao cliente. Nesta onda passei a fornecer o matte painting.
Lambram se “Star Wars” e “Raiders of the Lost Ark”? Muitos daqueles cenários nunca existiram realmente, o “live action” foi composto com pinturas em vidro alterando assim a cena.
Atualmente, nada mais é que uma pintura digital, convincente com a cena que irá alterar.
Utiliza-se o matte painting também em animação 3D com o intuito de reduzir os custos e tempo de renderização.
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Concept “Arctia”
Foto: arquivo Alberto Ruiz-Diaz
© Alberto Ruiz-Diaz
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CONTA-SE QUE VOCÊ FOI UMA CRIANÇA MUITO CURIOSA. E EXISTE UMA HISTÓRIA QUE DIZ QUE, AOS 5 ANOS DE IDADE, VOCÊ DESENVOLVEU UMA CERTA OBSESSÃO POR FÍSICA, E AOS 7 ANOS DE IDADE PUBLICOU OS SEUS PRIMEIROS PENSAMENTOS SOBRE O TEMA. ISSO É VERDADE?
Heh, heh! Isso foi uma piada. Eu realmente não lembro o que estava fazendo quando tinha 5 anos. É bem possível que eu estivesse apenas molhando a minha cama.
No entanto, eu desenvolvi de alguma forma uma obsessão com o sexo feminino, por volta dos 7 ou 8 anos.
Não desenhei nada nessa época, só dispendi
Alberto ruiz-diaz
Estados unidos [email protected] www.brandstudio.com
uma quantidade terrível de tempo observando e admirando mulheres.
A minha obsessão não tinha nada a ver com sexo, eu só achava que suas formas eram fascinantes e eu estava intrigado com o quanto elas eram diferentes dos homens.
Eu podia sentar na minha janela por horas só para vê-las caminhando. Estava hipnotizado com o quanto elas eram graciosas, curvilíneas e cheias de vida nessa época e ainda sinto da mesma forma hoje.
As mulheres são os mais belos seres criados por Deus!
San Diego Comi-Con é enorme e é importante para mim porque os nossos livros e nosso trabalho ficam expostos a diferentes tipos de público.
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A COMI-CON É HOJE UMA DAS MAIORES FEIRAS DE QUADRINHOS DO MUNDO, ONDE VOCÊ TEM PARTICIPADO JÁ HÁ ALGUNS ANOS. O QUE ELA REPRESENTA PARA VOCÊ?
Temos que fazer uma distinção entre os quadrinhos de super-heróis das grandes corporações (Marvel e DC) e do resto.
Quadrinhos corporativos são conchas patéticas, eles não fazem qualquer dinheiro porque o público é muito limitado.
Esses quadrinhos são mantidos vivos só para alimentar os negócios com filmes e o negócio de licenciamento de personagens (brinquedos, roupas, jogos de vídeo, etc.)
Os melhores quadrinhos estão sendo produzidos por editores independentes e individuais, mas poucos deles fazem uma vida decente no meio; a maioria dos criadores de quadrinhos estão apenas à espera de um acordo para um filme ou um acordo para um brinquedo ou um acordo para um jogo.
A maioria dos quadrinhos americanos hoje são uma droga.
COMO VÊ HOJE O DESENVOLVIMENTO DO MERCADO DE QUADRINHOS?
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Porque eu sou louco. Não sou feliz quando alguém tem controle sobre o meu sustento.
Eu não sou bom em trabalhar em um ambiente de equipe, eu odeio que me digam o que fazer, vindo de pessoas que desprezo.
Toda a minha vida fui me preparando para este momento.
EM DETERMINADO MOMENTO DA SUA CARREIRA, VOCÊ DEIXOU TODO O TRABALHO DE UMA VIDA, TRABALHANDO COM A DC, PARA RECOMEÇAR DO ZERO, ABRINDO A SUA PRÓPRIA EDITORA, A BRENDSTUDIO PRESS. POR QUE TOMOU ESSA DECISÃO?
Estou mais feliz e mais saudável do que nunca e menos incisivo para explosões violentas.
E COMO ESSA DECISÃO MUDOU A SUA VIDA?
Eu amo todos os aspectos da Pop Art: caricatura, quadrinhos, desenho de personagem, animação, design gráfico, design de livros e direção de arte, ilustração, design, design de brinquedos e jogos, mas a minha única obsessão é desenhar, esculpir e pintar mulheres.
OS SEUS TRABALHOS SÃO MARCADOS PELOS DESENHOS DE MULHERES, SEMPRE MUITO ATRAENTES. ESSA CONTINUA SENDO A SUA OBSESSÃO?
E será até o dia em que eu morrer.
E CONTINUA SENDO AINDA HOJE?
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“Só o fato de você ter um sempre por perto já te garante horas de desenho que, sem ele, não existiriam.
Como tudo na vida, desenhar é gostar e praticar, e como pra mim o sketchbook não tem função além dessa, posso soltar o traço, testar outras técnicas, mudar minha letra, inventar uma piada, rafear uma ideiazinha, enfim, encher as páginas com o que der vontade e depois começar um novo.
Quando comecei a usar esses cadernos não percebia algumas coisas, mas conforme fui acumulando sketchbooks, comecei a notar as mudanças pelas quais meu desenho foi passando, como foi evoluindo, quais eram as influências e as bobagens que eu pensava em cada época.
É um bom registro, pq você começa a relacionar outros eventos da sua vida por aquelas páginas, onde estava quando
desenhou aquilo, com quem estava, o que estava pensando.
Todas essas experiências acabam enriquecendo muito o trabalho, a maneira de ver o traço e de pensar o desenho.”
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“Nos meus caderninhos os temas variam muito; costumo passar por fases.
Tem a fase do lápis, da caneta, dos amigos, dos rafes de HQs, do desenho de observação ou até da viagem total.
Pra mim, variar é o mais interessante - se eu vejo que estou me repetindo de alguma forma, já mudo o enfoque e tento outra coisa.
Costumo até enjoar momentaneamente dos cadernos; se isso acontece continuo em outro.
É por isso que tenho alguns começados em estágios diferentes, mas que lentamente vão ao mesmo tempo se completando.
O importante pra mim é poder, dentro dos limites dessas páginas encadernadas, cultivar a liberdade de rabiscar o que quiser.”