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Ilustrar Magazine, primeira revista 100% brasileira sobre ilustração, feita por ilustradores e para ilustradores.
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!








































Visca, Fernando Vicente, Marcelo Daldoce, Czeslaw Slania, Weberson Santiago, Carlos Meira e colunas de Brad Holland e Renato Alarcão
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Foto: arquivo Ricardo Antunes
eliz Ano Novo a todos! Aqui estamos nós novamente, começando mais um ano onde esperamos, de coração, que todos possam ter um 2010 muito mais alegre e colorido, através dos desenhos, pinturas e ilustrações de todos esses artistas talentosos que têm participado da Revista Ilustrar.
Uma das várias funções da ilustração é exatamente essa, levar a arte ao alcance de todos, presente no dia a dia através das coisas mais simples, tornando a vida das pessoas mais agradável e prazerosa.
Para começar bem o ano, convidamos alguns ilustradores com técnicas e estilos bem diferentes, numa grande viagem visual.
Na seção Portfolio temos o ilustrador Visca com forte influência urbana; no Sketchbook mais um membro do Estúdio Macacolândia, Marcelo Daldoce; na seção Memória temos o polonês Czeslaw Slania, talvez o ilustrador mais presente no bolso de todo mundo.
O Passo a passo fica por conta de Weberson Santiago, que explica em detalhes a sua técnica; e nas 15 perguntas temos o incrível trabalho de papel cortado de Carlos Meira.
Na seção internacional, temos a presença do espanhol Fernando Vicente, além das colunas de Renato Alarcão falando sobre o futuro da profissão de ilustrador e Brad Holland, falando sobre os Retratos de Faium.
Espero que gostem e que tenham um excelente começo de ano!
Dia 1 de Março tem mais...
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Dia 1 é dia de Ano Novo...
© Revista Ilustrar
DIREÇÃO, COORDENAÇÃO E ARTE-FINAL: Ricardo Antunes [email protected]
DIREÇÃO DE ARTE: Neno Dutra - [email protected] Ricardo Antunes - [email protected]
REDAÇÃO: Ricardo Antunes - [email protected]
REVISÃO:
COLABORARAM NESTA EDIÇÃO:
ILUSTRAÇÃO DE CAPA: Fernando Vicente - www.fernandovicente.es
PUBLICIDADE: [email protected]
DIREITOS DE REPRODUÇÃO: Esta revista pode ser copiada, impressa, publicada, postada, distribuída e divulgada livremente, desde que seja na íntegra, gratuitamente, sem qualquer alteração, edição, revisão ou cortes, juntamente com os créditos aos autores e coautores. Os direitos de todas as imagens pertencem aos respectivos ilustradores de cada seção.
Helena Jansen - [email protected]
Angelo Shuman (Divulgação) - [email protected] Neno Dutra (Brad Holland) - [email protected]
Rogerio Caetano (Slania) - [email protected] Adriane Pureza (Slania) - [email protected]
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Luiz Rosso (Slania) - [email protected] Sandro Castelli (Slania) - [email protected]
Danilo Marques (Slania) - [email protected]
F O R M A Ç Ã O
Desenho desde sempre, e como todo ilustrador ou artista plástico que tem em sua principal ferramenta o desenho, não parei mais.
Cursei Design Gráfico na primeira turma de design da Faculdade de Comunicação e Artes Senac em São Paulo, não concluí por diversos fatores mas a experiência foi muito importante
para mim, e já na época da faculdade apareceram alguns trabalhos profissionais.
Pouco a pouco as coisas começaram a caminhar e nisso já são 10 anos como ilustrador profissional. Para a área não é muita coisa mas já deu para sambar um pouco…rs
artista plástico e ilustrador Visca - só Visca, como ele mesmo gosta de reforçar - é um artista com claras influências urbanas, onde seu trabalho gráfico tem encontrado inspiração na confusão das grandes cidades, mas também na música, no caos, nas pessoas, nos eletro- eletrônicos antigos, nos restaurantes peculiares e nos dias nublados.
O resultado dessa sopa de influências é um trabalho vibrante, intenso e cheio de vida, e carregado de símbolos.
Visca tem trabalhado no mercado editorial e publicitário, e é colaborador fixo do jornal Folha de S. Paulo, e sócio e diretor de criação do estúdio de criação Mocotó Brasil Estúdio, localizado em São Paulo.
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Foto: arquivo Visca
© Visca
Visca
são paulo [email protected] www.viscafactory.com
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Gosto do trabalho de alguns grafiteiros, mas nenhum em especial chegou a me influenciar diretamente.
A influência do graffiti vem somente como mais um elemento urbano, como todas as questões da metrópole onde moro, que é São Paulo, e das pessoas que vivem aqui.
C A O S U R B A N O
Sou totalmente ligado a isso: as questões individuais do cidadão urbano, o caos do dia-a-dia, o domingo tranquilo.
Observo muito essas coisas, todas as questões são muito ricas de informações visuais, símbolos, sentimentos individuais e coletivos, ritmo, etc.
I N F L U Ê N C I A D A S A R T E S P L Á S T I C A S
Para mim a influência das artes plásticas é essencialmente importante.
Assim como as artes gráficas e a música, sempre gostei de estudar sobre a vida e obra de artistas dos quais gosto do trabalho como: Friedensreich Hundertwasser, Francis Bacon, Pablo Picasso, Ralph Steadman, John Coltrane, Miles Davis... entre muitos outros.
Aparece muito também em todo o processo criativo, já que construo a mensagem que preciso passar através de uma ilustração, dependendo do trabalho.
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Por não fazer parte de nenhum grupo ou de um movimento, não acompanho muito de perto... Acho sim, que tem gente fazendo coisa de qualidade, galerias de diversos estilos de arte abrindo, museus recebendo exposições e artistas vivendo do seu trabalho.
Isso é bom e acaba se refletindo numa abertura de um espaço maior para ilustradores, artistas plásticos e designers mostrarem seu trabalho. O problema é quando tudo é colocado num pacote só e não se vê a diferença.
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Adoro conhecer lugares tradicionais, restaurantes e botecos antigos e peculiares… sempre tem alguma coisa especial, feita com carinho, que em todo o planeta você só vai encontrar ali (nem sempre é tão bom, mas vale a visita… rsrs), os funcionários são sempre antigos e na maioria te tratam bem, verdadeiras pérolas carregadas de histórias.
No caso dos objetos eletrônicos, gosto muito também do design futurista de todas as décadas até os anos 80… Depois disso a coisa ficou meio agressiva… rs.
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Foto: arquivo Brad Holland
© Brad Holland
Existem três tipos de artistas: artistas plásticos, artistas comerciais e artistas de verdade. Verdadeiros artistas são os que não querem saber por qual dos dois outros tipos você irá tratá-los.
Este foi o tema da palestra que dei para a Conferência de Ilustradores em Santa Fé, Novo México, há alguns anos. Nele, aleguei que os estilos da arte vêm e vão – assim como as teorias sobre eles, mas que, na visão a longo prazo, a arte é definida apenas pela forma como os artistas fazem bem o seu trabalho.
Para mostrar meu ponto de vista, eu me concentrei em alguns slides e umas palavras sobre algumas pinturas antigas que foram desenterradas por arqueólogos há cerca de cem anos. O texto a seguir é retirado de uma transcrição desse discurso.
Quero terminar, mostrando alguns quadros que estão entre os meus favoritos de todos os tempos. Estes são retratos feitos há 2.000 anos, em uma pequena aldeia a oeste do Cairo, chamada Oasis Faium. Eles foram pintados em encáustica - cera quente em madeira - por artistas anônimos.
OS MISTERIOSOS
RETRATOS FAIUM
por Brad Holland
Essas pessoas eram cristãos coptas. Eles moravam em uma encruzilhada do mundo helênico e incorporaram todas as correntes cruzadas que faziam parte da era do Mediterrâneo Imperial.
Eles eram cidadãos romanos, então queriam seus retratos pintados como cidadãos romanos. Mas eles também foram os herdeiros de toda aquela cultura helenística que havia se espalhado na esteira das conquistas de Alexandre. Eles eram cristãos, então acreditavam na ressurreição do corpo. Mas também foram os descendentes dos faraós, e assim, acreditavam que seus corpos deveriam ser preservados como múmias, para a Ressurreição.
Estes retratos anônimos são quase os únicos exemplos que temos de pinturas de cavalete da época romana. Isso porque a destruição do Império Romano foi tão completa que tudo o que foi considerado suficientemente importante para ser preservado foi destruído. E estas pinturas foram preservadas porque elas foram enterradas com os mortos e que foram destinadas a nunca serem vistas novamente na Terra – uma das pequenas piadas da história sobre imortalidade.
Agora, como eu disse, os cristãos coptas acreditavam na ressurreição do corpo. Então, esses retratos foram pintados porque eles antecipavam uma Segunda Vinda, quando Deus iria retornar e reunir as almas
aos seus corpos. Uma vez que isto era também o que os faraós tinham acreditado, a tradição levou-os a usar estes retratos como fotos de identidade - ou, dito de outro modo, uma versão pobre do homem da máscara de ouro do rei Tut.
A ideia era que, em vida após a morte, Deus, como o egípcio "Ka", voltaria à Terra e visitaria a casa mortuária, onde ele iria separar todas as almas e corpos e reuni- los. Assim, os retratos eram uma maneira para Deus dizer quem era quem. Você não gostaria de ter sua alma em um corpo errado.
É de salientar que estas pinturas mostram geralmente as pessoas no auge de suas vidas. Isso significa que ou eles morreram relativamente jovens, ou então viveram até uma idade muito mais avançada, mas tinham pinturas deles próprios, mais novos, costuradas em seus mantos.
Cerca de trinta anos é a idade que a maioria das pessoas escolheria como uma idade permanente, uma idade ideal para durar toda a eternidade. Portanto, não deveria ser surpreendente que a maioria das pessoas nestes retratos parecessem ter essa idade. Afinal, é da natureza humana querer ficar no auge de sua vida. Então, usar pinturas como estas em sua múmia seria como levar a foto de um artista de cinema a um cirurgião plástico dizendo "Eu quero ficar parecido com ele". Você pode empacotar a múmia com um retrato da sua própria juventude, como se dissesse: "Deus, por favor, quando você me trouxer de volta, não me traga de volta como esta múmia seca. Traga-me de volta do jeito que eu era quando tinha 30 anos”. Talvez essa fosse a lógica aqui - a crença por trás desses retratos.
A primeira vez que vi essas imagens em um livro foi quando eu era adolescente. Eu não sabia da sua história, mas achei-as inspiradoras. Existe muito pouca vaidade nestas pinturas. Um ego muito pequeno. É quase inconcebível que os artistas que
os pintaram estavam pintando para chocar alguém. Ou para quebrar qualquer regra. Ou, para ser considerada como a última pessoa na história da arte.
Não sabemos se o sentimento profundo em suas pinturas veio de sua fé em Deus, ou da fé em sua habilidade própria. Mas de qualquer forma, isso veio porque eles acreditavam em algo maior que eles mesmos. E foi isso que eu achei tão inspirador quando era jovem - quando todos os artistas famosos ao meu redor, como Ad Reinhardt, estavam dizendo que tinham levado a arte aos limites até onde ela poderia ir - ou cabeças duras, como o meu amigo Waynesville, que sinceramente acreditava que a arte era nada mais do que uma afirmação espontânea do ego.
Houve uma modéstia nestas pinturas que estava faltando na era moderna. Elas foram pintadas por artesãos, que consideravam a pintura como um trabalho - apenas um trabalho. E faziam isso como um trabalho. Mas também acreditavam que, fazendo o trabalho deles, estavam falando com Deus.
Foto: arquivo Hiro Kawahara / no Metropolitan Museum of Art
Brad holland
Estados unidos [email protected] www.bradholland.net
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E isso não é uma má ideia para um artista ter em mente: pensar que, se você faz o seu trabalho bem o bastante, com frequência, com muita seriedade de propósitos, com alegria suficiente e com bastante fé no que você está fazendo, que no seu melhor dia, você pode estar falando com Deus - ou com o melhor depois Dele: para aquela centelha etérea de vida que vem de algum lugar e habita em todos nós, pelo tempo que estivermos autorizados a sermos habitados.
E essa comunhão com os outros é o que faz com que queiramos nos tornar artistas em primeiro lugar. Lembre-se da primeira vez que você quis desenhar ou pintar. Você queria ser um artista para que pudesse chocar alguém? Ou preencher um espaço nos livros de história da arte? Estes são todos os vírus sociais, que podem infectar a arte - e podem infectar a sua alma. A verdade é que você se tornou um artista porque queria falar com as pessoas, mesmo que você quisesse falar com as elas sem palavras.
Eu mencionei estas pinturas, porque nós temos falado sobre a história da arte - não a história da maneira que é ensinada nos
livros de história da arte, mas como a arte foi criada por artistas ao longo da história.
A história da arte é o que é porque a arte do passado foi criada por pessoas que viviam em sociedades específicas - e todas essas sociedades já se foram. As sociedades aristocráticas que produziram El Greco e Velasquez sumiram. E assim são as sociedades tribais que produziram as incríveis máscaras africanas e os bonecos vudu das ilhas dos Mares do Sul – tudo desapareceu.
Tudo ao redor do mundo tem sido substituído por modernas democracias de massa, que, ainda que imperfeitamente realizadas, melhoraram a qualidade de vida de milhões de pessoas que, de outra forma, estariam vivendo uma vida pouco melhor do que os animais. Mas essa mudança, que é global, criou um problema para nós como artistas - porque, como você faz alguma coisa de real valor em uma cultura onde as virtudes principais são a rapidez, economia, popularidade, celebridade e riqueza? Como você faz alguma coisa transcendente em um mundo incansavelmente material? Nós realmente não sabemos.
Tudo o que podemos dizer com certeza é que a antiga disputa sobre o que é arte e o que é ilustração não significa nada, é uma coisa do passado, um artefato de um curioso desvio na longa História da Arte. Foi um período que durou umas poucas centenas de anos, durante as quais algumas pessoas tentaram confinar a arte e defini- la como uma ferramenta do zeitgeist, o que quer que seja que o zeitgeist pudesse significar para eles. Mas nada disso importa agora. Em qualquer obra de arte, o que importa não é o nome pelo qual você a chama, mas quanta autoridade ela transmite. E na arte, a autoridade nunca é transmitida por definição.
Para ser um artista moderno, você só precisa de viver em tempos modernos e registrar o conforto ou desconforto que sente com o que se passa ao seu redor. Como tudo isso irá acrescentar-se, como cada um de nós faz o seu trabalho todos os dias é o que vai definir o que se torna arte. Essa será a sua definição real. Você, eu - todos nós – somos, todos, experimentos.
Extraído do discurso, a Conferência ilustradores (ICON), Santa Fe, 24 de junho de 2001 © 2001 Brad Holland
Foto: arquivo Ricardo Antunes / no Metropolitan Museum of Art
Foto: arquivo Ricardo Antunes / no Metropolitan Museum of Art
Para saber mais sobre os Retratos de Faium, consulte no Wikipédia:
http://en.wikipedia.org/wiki/Fayyum_mummy_portraits
Talvez na pintura, porque não surge a partir da encomenda de um cliente, não tenho a pressão do tempo e é um trabalho mais livre.
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DE TODOS ELES, EM QUAL TEMA SENTE MAIS PRAZER EM TRABALHAR?
Sim, entre as minhas preferências estéticas estão os anos 50, eu acho que é uma época imbatível em termos de ilustração, moda, publicidade e fotografia.
MAS MESMO OS TEMAS SENDO TÃO DIFERENTES, EM TODOS ELES EXISTE UMA LIGAÇÃO VISUAL, UM AR NOSTÁLGICO QUE REMETE AOS ANOS 50. O QUE MAIS O ATRAI NESSE ESTILO VISUAL? OU O QUE O ATRAI É MESMO A ÉPOCA?
Na verdade não, acabou chegando na Internet com o Google Earth graças a um admirador anônimo, mas é uma série de pinturas.
Os mapas sempre me fascinaram graficamente: sua forma, sua cor, desde os atlas geográficos, especialmente os antigos, até os grandes mapas onde aprendemos geografia na escola.
Nas telas da série Atlas o jogo é como sentar na grama e observar as nuvens, são os próprios mapas que lhe ensinam que formas escondem.
Se nas séries mecânica e de anatomia descubro o interior, na série do Atlas é a pele, a orografia (as nuances do relevo) do corpo.
GOSTARIA QUE COMENTASSE ALGUMAS DAS SÉRIES. NO CASO DA SÉRIE ATLAS, EXISTE UM PLUG IN PARA QUE SE POSSA VER OS TRABALHOS NO GOOGLE EARTH. A SÉRIE FOI PARA UMA EXPOSIÇÃO VIRTUAL LÁ NO GOOGLE EARTH?
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Quando eu pinto, gosto de fazê-lo sobre materiais impressos, é uma forma de desvincular a ilustração da pintura, e de unir minha paixão por cartazes, atlas geográficos e anatomia com o meu trabalho.
Levo anos me abastecendo desse material por toda Madri, em lojas e feiras de antiguidades.
Uma vez comprei desses cartazes de oficina mecânica que me acompanharam durante vários anos antes de se converterem em pinturas.
Sempre busco um nexo de união com o que eu gosto, me leva ao meu território, onde me sinto confortável
NA SÉRIE ANATOMIA, EXISTE UM CONTRASTE DA LIBERDADE DE PINTURA DA ANATOMIA COM A RIGIDEZ DAS MÁQUINAS. O QUE BUSCOU DESSE CASAMENTO DE CONTRASTES?
Vanitas é a minha última série de pinturas, ela e dois outros passatempos, gravuras antigas da anatomia e da fotografia de moda dos grandes nomes dos anos 50, Blumenfeld, Avedon, etc.
(N.E.: Nas artes, "vanitas" são as representações simbólicas da relação conflituosa com a morte).
E A SÉRIE VANITAS?
Na Espanha, na realidade não, na verdade a série de pin-ups se vendeu em uma galeria que se dedica propositadamente à ilustração e quadrinhos, e por outro lado as minhas séries de pinturas eu exponho e vendo em uma galeria de arte.
Apesar de eu achar que isso aos poucos irá mudar.
NO CASO DAS PIN-UPS, A MAIORIA FORAM ILUSTRAÇÕES VENDIDAS EM GALERIA DE ARTE, CONSEQUÊNCIA NATURAL DE MUITOS ILUSTRADORES. O MERCADO DAS ARTES PLÁSTICAS TEM RECEBIDO BEM OS ILUSTRADORES?
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O mercado está atualmente vivendo momentos muito complicados; sem ir mais longe, a imprensa está sofrendo um duro golpe por culpa da Internet e não sabemos qual vai ser o seu futuro.
Por outro lado, nesse momento eu tenho tido bastante trabalho, talvez precisamente por causa da variedade de temas que toco, editorial adulto, infantil, caricatura, etc., mas é verdade que o mercado está em um processo de profunda mudança.
SEU TRABALHO É ESSENCIALMENTE EDITORIAL. NUMA ÉPOCA DE CRISE COMO ESSE ANO DE 2009 E COM O ACHATAMENTO DE PREÇOS DO MERCADO EM GERAL, COMO SENTE O DESENVOLVIMENTO DO MERCADO ATUAL?
Como eu já tinha comentado, temos de nos adaptar à mídia e aos formatos.
Mas em qualquer caso, o meu trabalho no estúdio permanece com materiais clássicos que, uma vez escaneados, funcionam perfeitamente na Internet.
E COM O SURGIMENTO DE NOVAS MÍDIAS DIGITAIS, COMO VÊ O FUTURO DA ILUSTRAÇÃO EDITORIAL? EM ESPECIAL PARA QUEM TRABALHA COM MATERIAL TRADICIONAL, COMO É O SEU CASO COM A TINTA ACRÍLICA.
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Neste momento o panorama espanhol é muito ativo; apesar da crise há muitas edições e há um ressurgimento dos quadrinhos através das graphic novels que estão atraindo novos leitores.
Outra coisa é no nível econômico, onde as tarifas estão estagnadas e têm uma tendência para baixar.
Em qualquer caso, é preciso seguir olhando para o futuro, onde certamente encontraremos novas formas de expressão.
POR FIM, A ESPANHA É UM PAÍS COM UMA LONGA TRADIÇÃO ARTÍSTICA E UMA PRODUÇÃO INTENSA. COMO VÊ O CONTEXTO ATUAL DAS ARTES NA ESPANHA?
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Foto: arquivo Marcelo Daldoce
© Marcelo Daldoce
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ela segunda vez o Estúdio Macacolândia, um dos maiores estúdios de ilustração do Brasil, participa da Revista Ilustrar através dos seus sócios.
A primeira vez foi com Marcelo Braga, na edição nº 11, e agora Marcelo Daldoce.
Com um estilo muito pessoal, Daldoce tem atuado tanto no mercado publicitário quanto editorial, onde muitos de seus trabalhos podem ser vistos; por exemplo, na revista Playboy.
No entanto, companhia constante de Marcelo são seus sketchbooks, que carrega sempre com ele e utiliza principalmente durante suas viagens, e que agora mostra aqui.
“O mais importante na ilustração é o desenho, a estrutura. Um bom acabamento não salva uma estrutura ruim.
Nesses tempos de photoshop e pouco prazo é importante ter um sketchbook para desenhar sempre que possível.
Você pode não perder o desenho, mas pode perder a prática.”
Marcelo daldoce
São Paulo [email protected] http://daldoce.blogspot.com