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Ilustrar Magazine, primeira revista 100% brasileira sobre ilustração, feita por ilustradores e para ilustradores.
Tipologia: Notas de estudo
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ENDEREÇO DO SITE: www.revistailustrar.com ricardo antunes são paulo / Lisboa [email protected] www.ricardoantunes.com Cada vez maior...
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- E D I T O R I A L :............................................. **2
SILVANO MELLO utodidata, Silvano Mello tem se dedicado ao humor gráfico desde 2007, desenvolvendo seu trabalho nas áreas de cartum, charge e caricatura. Durante esse período, recebeu 29 prêmios e menções honrosas em concursos nacionais e internacionais em países como Brasil, EUA, Rússia, Irã, Síria, Turquia e Azerbaijão. Com um trabalho refinadíssimo e usando uma linguagem que remete ao cinema mudo, Mello tem trabalhos publicados no jornal Le Monde Diplomatique Brasil, na revista Dossiê, do próprio jornal Le Monde Diplomatique Brasil e no Suplemento Literário Pernambuco, entre vários outros. A Lembro de, ainda muito jovem, com cerca de 4 ou 5 anos, ter feito meus primeiros rabiscos numa calçada que existia em frente à casa de meus pais, usando pedaços de tijolo ou carvão. Com esta idade ainda não frequentava a escola e não tinha acesso a qualquer material que pudesse ser utilizado para desenho, como lápis, giz ou tinta. Os poucos materiais que tínhamos em casa pertenciam a meus irmãos que já tinham idade escolar, mas utilizá- los para outros fins que não fossem escolares resultaria numas boas palmadas. Por um bom tempo fiz meus desenhos sem muito propósito ou ambição de ganhar alguma grana. Desenhava pelo simples prazer de desenhar, até mesmo porque o mais importante era ter um emprego e ajudar no sustento da casa. Não tenho noção de quantos desenhos fiz e que ficaram perdidos, sumiram ou foram simplesmente jogados fora. Hoje me arrependo de não tê-los guardado. Bom, são lições da vida! O C O M E Ç O SILVANO MELLO Jaboticatubas - MG [email protected] http://mellocartunista.blogspot.com © Silvano Mello Foto: arquivo Silvano Mello P
Em meados de 2007 resolvi me dedicar novamente ao desenho. Participei de salões de humor, adquiri novos materiais, mantive contatos com outros artistas, busquei informações, aprendi novas técnicas, etc. De lá pra cá venho tentando conciliar meu trabalho como funcionário público e cartunista. Costumo dizer que sou um cartunista coruja, pois geralmente só desenho à noite, quando tenho tempo disponível e tranquilidade para desenvolver minhas ideias. Confesso que nos primeiros meses foi um pouco frustrante participar de salões de humor, pois em alguns deles meu trabalho nem era selecionado e concorrer com os chamados “feras” e “medalhões” do humor gráfico, que sempre eram premiados, gerava um enorme desânimo. Mas a troca de informações com outros cartunistas, me fazendo entender que isso fazia parte de um processo natural, de um aprendizado e que com tempo o meu trabalho seria reconhecido, renovou minha autoestima. S A L Õ E S D E H U M O R P
Angel se tornou um grande amigo e conselheiro, pois sempre me ensina algo novo, seja por meio de seu próprio trabalho ou com alguns dos sábios conselhos que me passa. No início chegaram a me falar que meus desenhos lembravam muito o seu trabalho, mas o próprio Boligán me disse que isso é algo natural, pois todos nós temos nossas influências, que nos servem de referência até encontrarmos nosso próprio caminho e forma particular de expressão. A N G E L B O L I G Á N P
Uma de minhas paixões, além do desenho de humor, é a ilustração na literatura infantil. Principalmente aquelas dos livros onde a história é contada somente com imagens. Toda criança começa a ter acesso ao mundo e também aos livros por meio das imagens. Elas começam a interpretar aquilo que lhes é ensinado através das imagens. Não posso afirmar que uma mensagem expressa somente com imagens será mais bem interpretada do que aquela em que também se use o texto, mas com certeza posso dizer que o alcance dessa mensagem, expressa visualmente, será muito maior e mais amplo pois rompe com as barreiras da linguagem falada ou escrita, remetendo ao citado cinema mudo onde a observação, a atenção e o olhar do espectador eram totalmente atraídos. O ser humano é atraído pelo olhar. Uma mensagem, quando expressa somente com imagens, exige mais deste olhar, atrai a atenção de forma mais acentuada, atiça a curiosidade, levando o espectador a um estudo detalhado daquilo que observa e ao desejo de decifrá-lo. O P O D E R D A I M A G E M
Eu acredito que meu trabalho é a expressão das minhas palavras, dos meus pensamentos. Não sou muito bom com palavras, com o ato de falar e por isso utilizo este dom concedido por Deus para expressar o que penso e o que gostaria de dizer. O limite para o que um cartunista possa dizer, de forma pessoal, com seu trabalho pode ser muito relativo. Eu particularmente acredito que antes de tudo devemos ter consciência de nossa atitude, daquilo que queremos transmitir. Devemos estar cientes de que uma mesma informação poderá ser interpretada de formas muito diferentes e que muitos poderão ficar não muito contentes. É preciso ter sua opinião baseada em informações verídicas, nunca em mentiras ou em boatos, que lhe assegurem a razão daquilo que deseja dizer. Mas acima de tudo estar consciente do seu papel, daquele que leva a informação, de que o seu direito termina onde começa o do outro e que seu trabalho poderá influenciar muitas pessoas, de forma positiva ou não. T R A B A L H O O P I N A T I V O P
Muitos associam a palavra “cartunista” àquele cara que faz a charge do jornal, onde as críticas às mazelas da sociedade estão sempre presentes ou àquele outro que faz um cartum escrachado, cômico, muitas vezes contendo uma piada gráfica com duplo sentido. Eu gosto de pensar que sou um cartunista que faz rir, mas que também informa. Há alguns cartuns meus que às vezes até não causam nenhum riso, mas quase sempre trazem alguma informação. Acredito sim que o cartum tem a função de causar riso, pelo simples prazer de rir, de fazer uma piada, com qualquer tema ou situação cotidiana, mas pode também fazer pensar, refletir e questionar. O cartum é uma ferramenta poderosa dentro da sociedade. Uma ferramenta que pode e deve ser usada de forma crítica ou cômica. Penso que a função do cartunista é usá-la, da melhor maneira possível, seja para fazer rir, para informar, causar questionamentos ou para expressar sua opinião. A função do cartunista, acima de tudo, é fazer com que “o viver a vida” seja algo muito melhor, com muito humor! C R Í T I C A S O C I A L P
GLEN ORBIK Otrabalho que Glen Orbik vem produzindo ao longo dos anos é único na medida que resgata as ilustrações retrô da época de ouro da ilustração americana, mas com um certo frescor dos dias de hoje. Assumidamente em um estilo dos antigos livros de bolso de décadas atrás e altamente inspirado em filmes noir das décadas de 30 a 50, Glen Orbik tem aplicado todos esses recursos em cenas atuais, fazendo com que seus trabalhos se tornem atemporais. Nesta entrevista exclusiva Glen fala como o veterano da ilustração Fred Fixler, os filmes e o teatro acabaram por ser importantes em sua formação. Tudo isso junto. Muitos dos meus interesses iniciais eram as histórias em quadrinhos do costume, Sci-Fi, e de fantasia, como a maioria das crianças de 13 anos de idade que eu conhecia. Até eu ter começado as aulas com Fred, tive pouca orientação ou ideia de quantos eram os ilustradores surpreendentes que haviam naquele momento, e quantos existiram antes. Meus interesses começaram com o fato de que Fred desenhava as mulheres incrivelmente bonitas. Perguntei-lhe quem eu deveria estudar sobre o assunto e ele recomendou Robert McGinnis. Minha coleção de histórias em quadrinhos simplesmente evoluiu para uma coleção de livros de bolso por causa das artes das capas. Começando pelo óbvio: você tem um estilo vintage, com uma atmosfera noir em suas ilustrações. Esse estilo bem definido apareceu pela exigência dos textos que você ilustra, por influência de Fred Fixler (com quem você estudou) ou por um gosto pessoal? GLEN ORBIK ESTADOS UNIDOS [email protected] www.orbikart.com
© Glen Orbik Foto: arquivo Glen Orbik
Bem, como é possível não amar a iluminação dramática e encenação? Essa é a parte divertida ao fazer o trabalho de capas - seu trabalho é chamar a atenção das pessoas do outro lado da sala. Algo como criar um “grande efeito” ou quando vemos uma imagem em um outdoor enquanto viajamos a 100 km pela estrada. Então, como eu gosto de imagens dramáticas, tentei me posicionar em um campo onde tenho que forçar esse recurso. Basicamente, estamos apenas fazendo uma versão moderna do chiaroscuro. A primeira coisa que Fred nos ensinou em sala de aula foi a forma de ver a forma definida pela luz e sombra - fonte de luz forte, em vez de luz ambiente. Um recurso comum usado em seu trabalho é a iluminação e sombras densas, criando um clima noir com efeito dramático. Para você, o drama é importante como parte da composição de uma cena? I^
Eu teria sido um tipo muito diferente de artista (de fato, sem ter tido a influência dele, eu talvez nem estivesse ganhando a vida como artista). Minha visão dos ilustradores antes da escola de arte era limitada a apenas quadrinhos e animação. Eu pensei que estava indo para a escola de arte simplesmente para aprender a “desenhar melhor”. Nunca tive uma dica de que eu pudesse realmente aprender a pintar e viver disso. Fred, além de ser um artista fantástico, foi um grande artífice. Além de aprender a desenhar, nós também aprendemos como organizar, como resolver problemas. Como ver o ofício envolvido na arte de outros profissionais e analisar o que eles fizeram, o que estão tentando fazer e como eles fizeram isso. É estranho, mas fazendo a arte menos misteriosa, ela se torna muito mais emocionante quando somos capazes de realmente entender o que nós estamos olhando. Isso, e o fato de que tive várias aulas com ele, que ainda tenta ensinar seus métodos ao longo de quase 30 anos. Tal como já falamos, uma de suas influências mais importantes é o ilustrador Fred Fixler, com quem você estudou durante muito tempo - e absorveu muito do seu estilo. Até que ponto ele foi importante na formação de seu trabalho atual? I^
Laurel Blechman, minha parceira no crime nos últimos 25 anos ou mais, já era uma aluna avançada de Fred Fixler quando comecei. Ela tem um amplo conhecimento de figurino, história e teatro em geral (sua mãe tinha sido uma designer de moda na década de 1940). Colaboramos em praticamente todas as fases no trabalho um do outro. Laurel é a única que abriu meus olhos para o palco e o teatro, bem como aos filmes noir clássicos como uma mina de ouro de ideias e impressões a serem usadas como uma rampa de lançamento. E como outros tipos de arte, como cinema em geral, música e literatura podem ajudar e influenciar a concepção de uma ilustração?