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Guias e Dicas
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revista ilust 19, Notas de estudo de Artes

Ilustrar Magazine, primeira revista 100% brasileira sobre ilustração, feita por ilustradores e para ilustradores.

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 23/04/2015

herbert-do-nascimento-silva-junior-
herbert-do-nascimento-silva-junior- 🇧🇷

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www.revistailustrar.com

ENDEREÇO DO SITE: www.revistailustrar.com ricardo antunes são paulo / Lisboa [email protected] www.ricardoantunes.com Editora nova no ar...

hegamos à edição nº 19 com uma novidade: a Revista Ilustrar

passa a ter a sua própria editora, que se chamará Reference Press, onde

passaremos a publicar livros com artistas nacionais e estrangeiros em

parceria com a editora Brand Studio Press, do ilustrador Alberto Ruiz Dias.

E logo o primeiro livro é com uma das maiores personalidades da

ilustração brasileira: Benício. Muita coisa boa vem por aí, aguardem.

Além da editora, a edição 19 da Ilustrar traz também convidados de alto

nível, com a participação de Maurenilson, mais um grande ilustrador de

Brasília na seção Portfolio, e Fabiana Shizue no Sketchbook, com desenhos

com um traço único.

No Step by Step temos uma formidável caricatura feita por Lucas Leibholz,

e nas 15 perguntas temos uma entrevista com Mauro Souza.

E para fechar, a participação internacional do grande ilustrador e artista

plástico Marshall Arisman, além das tradicionais colunas de Brad Holland,

com um texto emocionante sobre direção de arte, e Renato Alarcão,

falando sobre grandes mestres.

Espero que gostem, dia 1 de janeiro tem mais.

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- E D I T O R I A L : ................................................................ **2

  • P O R T F O L I O :** Maurenilson .............................................. **4
  • C O L U N A I N T E R N A C I O N A L :** Brad Holland .............. **11
  • I N T E R N A C I O N A L :** Marshall Arisman ........................ **16
  • S K E T C H B O O K :** Fabiana Shizue ................................. **24
  • S T E P B Y S T E P :** Lucas Leibholz ................................ **31
  • C O L U N A N A C I O N A L :** Renato Alarcão ....................... **36
  • 1 5 P E R G U N T A S P A R A :** Mauro Souza ...................... **38
  • C U R T A S** ....................................................................... **49
  • L I N K S D E I M P O R T Â N C I A** ....................................... 51 DIREÇÃO, COORDENAÇÃO E ARTE-FINAL: Ricardo Antunes [email protected] DIREÇÃO DE ARTE: Neno Dutra - [email protected] Ricardo Antunes - [email protected] REDAÇÃO: Ricardo Antunes - [email protected] REVISÃO: Helena Jansen - [email protected] COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: ILUSTRAÇÃO DE CAPA: Fabiana Shizue - [email protected] PUBLICIDADE: [email protected] DIREITOS DE REPRODUÇÃO: Esta revista pode ser copiada, impressa, publicada, postada, distribuída e divulgada livremente, desde que seja na íntegra, gratuitamente, sem qualquer alteração, edição, revisão ou cortes, juntamente com os créditos aos autores e co-autores. Os direitos de todas as imagens pertencem aos respectivos ilustradores de cada seção. Foto: arquivo Ricardo Antunes Angelo Shuman (Divulgação) - [email protected]

MAURENILSON Nasci no Ceará. Meus pais vieram para Brasília quando eu tinha 1 ano de idade. De lá para cá, tropecei num monte de pedras antes de virar ilustrador. Desde os sete anos tenho compulsão em riscar. Meu pai desenhava e trabalhava com letreiros na época em que as ploters não dominavam o mercado. Ele me dava umas dicas, comprava lápis, me deixava brincar com as tintas e os pincéis dele. Mesmo assim, num dado momento da minha vida, achei que isso não fosse me levar a lugar nenhum, então tentei sufocar minha compulsão fazendo um curso técnico em eletrônica (era profissão da moda na época) na ilusão de que eu entraria para o ITA ou para a IBM e pronto, teria um emprego, ganharia bem e seria um exemplo de sucesso. Na metade do primeiro ano de curso surgiu uma oportunidade de emprego num grande banco, passei a estudar eletrônica no turno da noite. Por alguma razão isso piorou a minha compulsão. Nunca conseguia terminar o desenho de um circuito sem desenhar uma criatura, um herói, um cenário. Tive que mudar de curso e acabei fazendo acadêmico. percurso que Maurenilson teve até se tornar ilustrador foi um tanto atribulado. Compulsivo por desenho, nasceu no Ceará, cresceu em Brasília, estudou eletrônica (sempre com dificuldades em terminar o desenho de um circuito sem uma caricatura no meio), e trabalhou em um banco (onde seu nome aparecia sempre entre os últimos em termos de rendimento, além das advertências que levava por desenhar nos recibos de depósitos). Decidiu então sair do banco e, sozinho, foi estudar programas gráficos. O resultado apareceu logo, com a chance em trabalhar em uma agência de publicidade. Mais para frente, uma oportunidade de trabalhar como infografista surgiu no jornal Correio Braziliense, se tornando 10 anos depois um dos maiores ilustradores de Brasília e um premiado diretor de arte do jornal. O C O M E Ç O O maurenilson Brasília [email protected] www.flickr.com/photos/maurenilson © Maurenilson Foto: arquivo Maurenilson P

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Eu riscava tudo que aparecia na minha frente, isso incluía, claro, alguns impressos do banco, o que me rendeu algumas advertências verbais da minha chefe: “Dá pra você parar de riscar os recibos de depósito?!”. Depois de oito anos, fui mandado embora. Eles precisavam de alguém que vendesse bem todos os produtos do banco e eu só queria vender os que eu compraria. Não é preciso dizer que meu nome, quase sempre, estava entre os últimos em rendimento nas vendas. Sair foi a melhor coisa que me aconteceu. Decidi dar vazão à minha vontade de desenhar, mas precisava descobrir uma porta de entrada. Os quadrinhos me pareciam muito distantes, exigiam habilidades, paciência e tempo que eu não tinha. Então encontrei os programas gráficos. Dominá-los e somá-los aos desenhos me abriria as portas das agências de propaganda, eu poderia fazer mascotes, desenhar embalagens e os rótulos dos produtos. Preparei um portfolio com umas peças- fantasma, peguei a lista telefônica, liguei para cinco agências: das cinco, duas estavam precisando de pessoas. Visitei as duas e fiquei na que eu achava melhor. Aprendi muito nesse período. Percebi que o aprendizado não é necessariamente o que te ensinam e sim a forma como você vê ou vai resolver determinado problema. Estava preparando um portfolio novo para recomeçar minha peregrinação pelas agências (de tempo em tempo fazia isso para procurar algo melhor) quando conheci o meu amigo Kleber Sales (capa da Ilustrar nº 12). O grande Klebauvisk, como costumo chamá-lo, me disse que o Correio Braziliense estava abrindo uma vaga de infografista. Preparei meu portfolio, me apresentei na editoria de arte e o editor me contratou como ilustrador. C O M P U L S Ã O P E L O D E S E N H O P

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Acho que um artista gráfico não pode negligenciar nenhuma influência. Apesar de ter como base de trabalho o computador, nunca abandonei o lápis. Todos os trabalhos que faço começam com um pequeno rascunho. Quando canso da finalização por computador, vou para os lápis de cor, eventualmente uso as tintas, trabalho com recortes; raramente utilizo essas experiências no jornal, faço mais em casa. O dia-a-dia da redação é muito corrido e cada um se apega à técnica na qual se sente mais seguro. Quanto ao design gráfico, acho que o bom design gráfico traz muito aspectos positivos: o uso de cores, de tipografia, de formas, texturas e padrões variados, mas também temos a sua influência para algo que considero ruim. Algumas revistas especializadas em arte digital exibem em suas capas uma sobreposição de grafismos aleatórios que formam uma massa gráfica colorida sem nexo. Esse tipo de trabalho explodiu em tudo que é mídia; às vezes se consegue um resultado interessante, mas tem sido usado em demasia, é um modismo que, felizmente, já está passando. D E S I G N + I L U S T R A Ç Ã O P

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Gosto muito de lidar com as massas de texto e fundí-las com a ilustração. Muitos dos trabalho que fiz ficam estranhos quando vistos sem os textos. A área editorial oferece a oportunidade de lidar com a informação de maneira gráfica, transformando a notícia em algo visual. Além disso, sempre existe a possibilidade de usar algo que está na mídia para passar uma informação relevante. Por exemplo: na época em que estava passando o filme Piratas do Caribe, em vez de darmos um serviço do filme, fizemos, no suplemento infantil, uma matéria sobre piratas. Com mapas, explicando todo o contexto histórico na época, o motivo de o filme se chamar Piratas do Caribe, quem eram os piratas mais temidos e mais famosos, como eram suas respectivas bandeiras e de onde vieram os símbolos delas. Gosto muito de ilustrar para crianças. No futuro gostaria de editar uma revista para o público infantil, tendo como base infográficos direcionados a ele. Á R E A E D I T O R I A L P

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Palavras e Imagens: Op_Ed aos 40 Part 1: Um Tiro no Escuro por Brad Holland Começou como uma experiência. Baseado no trabalho de artistas, atuando de forma independente uns dos outros - isso nunca teria sido tentado sem o gênio de um astuto diretor de arte e teria nascido morto sem a imaginação de um editor visionário. Seu sucesso exalou uma nova vida no moribundo campo da ilustração. Ele redefiniu o que arte gráfica poderia ser e fazer na era moderna. Ele afirmou a independência de artistas como comentadores. A surpresa é que isso aconteceu no New York Times. O Times, antes como agora, era visto como fundamental aos motores e agitadores do mundo. Não era um lugar onde você esperava encontrar refugiados de Screw e do New York Review of Sex refazendo a página editorial. Mas foi o que aconteceu. Um novo vídeo no site do Times oferece um breve olhar no improvável tiro no escuro que veio a se chamar ilustração conceitual. Apesar de eu estar lá desde o começo, conheço partes da história apenas de fofoca e dedução. O que se passou no interior do santuário no West 43rd Street - a colaboração e choque de personalidades - é uma história melhor contada por aqueles que trabalharam lá. Minha parte começou no centro da cidade, na 80 Fifth Avenue, nos escritórios esfarrapados de um jornal falhado de comunidade de esquerda lutando para sobreviver como um jornal de sexo. O seu diretor de arte era um Steve Heller de 19 anos de idade. O New York Review of Sex and Politics (dando-lhe seu próprio nome impróprio) era uma fênix agitando suas asas em um esforço para se reerguer das cinzas do New York Free Press. O Free Press entrou em colapso no ano anterior, morto por uma série de decisões da Suprema Corte, que liberou as leis que regulavam a pornografia e gerou uma erupção de tablóides de sexo altamente populares, que incluíam o original, Screw, e suas outras cópias, Kiss e Pleazure. Pleazure, com “z”, como em “sleaze”. Em “A Youth in the Youth Culture”, Steve Heller reconta os últimos dias do Free Press e o nascimento de sua impura reencarnação: “O Freep não teve realmente leitores fiéis, o que se tornou preocupantemente aparente quando fizemos correr nosso primeiro nú na capa. Isso foi na verdade um acidente fortuito. A história principal tinha caído, e o editor tinha posto uma peça sobre um artista “happening” erótico, chamado Kusama, na capa. Kusama era o perfeito cão de caça de publicidade e forneceu todos os papéis com fotografias de suas obras vivas feitas de homens e mulheres nuas em orgias sob seu olhar vigilante. As vendas da edição com uma de suas fotografias de arte/orgia na capa voaram ao céu. As vendas da semana seguinte afundaram quando rodamos a capa com uma ilustração sóbria. A nudez seguiu nas capas de virtualmente todas as edições subsequentes”. Nem mesmo esse indeciso sacana não poderia avançar contra a corrente da falta de leitores do jornal. Ao menos a decisão foi tomada para sacanear em grande escala. E com isso, o New York Free Press se tornou no The New York Review of Sex and Politics. Apesar do nome, o Review of Sex nunca foi realmente um jornal sincero Brad holland estados unidos [email protected] www.bradholland.net

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Suares estava certo de que ele tinha o visual. Fluente em várias línguas, ele estava alinhando um pequeno bando de artistas ao redor do mundo, diferentes uns dos outros em estilo e conteúdo, mas semelhantes em seus potenciais para redefinir o que a arte popular poderia fazer no mundo em mudança da mídia de massa. Agora ele tinha de vender seu conceito - e com ele, eu - para Harrison Salisburry. Eu tinha ouvido pela primeira vez sobre Harrison no segundo grau. Como correspondente do Times em Moscou, ele era uma das poucas fontes de notícias fora do paranóico império de Stalin. Ele tinha ganho o Prêmio Pulitzer pela sua reportagem russa, então voltou aos EUA, cobriu o movimento dos direitos civis no sul e dirigiu a cobertura do Times sobre o assassinato de Kennedy. Agora, com a idade da aposentadoria obrigatória se aproximando, ele tinha tomado o comando da nova página Op-Ed, criada para expor os leitores da Times a uma gama mais selvagem de opiniões do que eles poderiam encontrar nas colunas regulares do jornal. Harrison parecia tão ansioso quanto Suares para dar à página um visual que fosse além da ilustração decorativa. Mas estava igualmente claro que ele não queria cartoons políticos com burros e elefantes e políticos com seus nomes escritos nas camisas. Harrison era alto, cortês e gracioso. Parecia que ele tinha gostado espontaneamente dos meus desenhos. Agradeceu a Suares por me levar até lá e me perguntou como eu visualizava ilustrar artigos se ele fosse me passar alguns. Momentaneamente emperrado, sem uma resposta mal-humorada, eu me arrastava por uma resposta verbal. Eu não via meus desenhos como ilustrações, disse, mas não sabia do que mais chamá-los. Finalmente eu tropecei no arremesso de vendas que passei a usar com editores daquele dia em diante. Eu disse: imagine que você tivesse me trancado em uma sala e o escritor em outra. Você nos dá a mesma tarefa. O escritor entrega um artigo, eu entrego uma pintura. Você casa os dois e eu espero que o casamento resulte. Harrison sorriu, e em seu sorriso eu percebi que Suares havia encontrado um editor que - independentemente de ele entender de arte ou não – entendia de independência. Ele me mandou para casa naquele dia com um artigo em duas partes, que ele planejou lançar. O tema era a reforma da assistência social e o trabalho era um teste. Tive muitos dias para trabalhar na peça. Não me lembro de quantas ideias em sketches eu fiz - muitas, eu acho

  • mas me lembro de não ter mostrado nenhuma a ninguém. Quando decidi os desenhos que queria, fui direto para a tinta. Naqueles tempos, uma solução standard para um artigo sobre a assistência social teria sido uma ilustração literal, talvez um assistente social em uma família necessitada, provavelmente com pistas visuais plantadas por toda a ilustração: o assistente social poderia estar segurando um cartaz, por exemplo, com um papel rotulado “Departamento de Assistência Social”. Ou a família necessitada poderia estar chamando o assistente no seu escritório, com tudo claramente rotulado. Meu desenho para a Parte 1 do artigo não poderia ter sido mais diferente. Uma nuvem de tempestade, feita de rostos chorando lágrimas até um inferno onde as lágrimas nunca se extinguiriam, era uma imagem tão inacessível naqueles tempos que eu esperava que Harrison a rejeitasse - como a maioria dos editores daquela época teria feito. Naqueles tempos eu sempre tinha que mandar meus desenhos em duas etapas. Naturalmente, eu tinha de convencê-los que meus desenhos estavam certos para as tarefas - mas isso era a segunda etapa. A primeira etapa significava convencê-los que eu não estava iludido em pensar que eles poderiam aceitar tais desenhos assim rápido. Harrison nunca me fez saltar através desse tipo de aro. Ele elogiou o desenho e disse que tinha colocado no cronograma a sua publicação. Eu estava agradecido e impressionado. Ao aceitar o desenho sem reboliço, pensei que ele tinha mostrado real imaginação. O desenho foi ressaltado para causar perplexidade a muitos, talvez a maioria de seus leitores. Ele parecia disposto a deixar os leitores coçando suas cabeças por uma proposta maior em treiná-los a ver pensamentos através das imagens. Com uma imagem aceita, eu tinha mais a fazer; e essa, eu sabia, seria uma venda difícil. Para o meu gosto, o desenho para a Parte 1 tinha sido um tanto óbvio. Apesar de sua abstração como uma ilustração, ele era, de fato, ainda somente uma imagem de uma situação de assistência social. Faltava-lhe a mordida do comentário. Bom para a Parte 1 do artigo, pensei, mas para a Parte 2 eu queria mostrar como efetivamente uma imagem pode transcender um texto, sair

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dele e acertar de volta nele. Isso é o que eu pensei que o meu desenho na Parte 2 iria fazer - e para meu desapontamento, esse foi o desenho que Harrison rejeitou. Na abordagem da Parte 2 do artigo, eu tinha decidido fazer uma analogia da bagunça da assistência social com o vício da droga. Eu tomei isso como uma premissa de que a dependência da assistência social era auto-perpetuada. Não me recordo se o texto dizia isso, mas queria que a imagem o fizesse. A imagem de bocas comendo me levou à imagem de um viciado alimentando seu hábito. Eu modelei a figura em um amigo que tinha acabado de morrer de overdose. Um editor mediano - e mesmo um muito bom - iria tipicamente matar uma imagem, não importa o quão autoritário, se ela falhasse em repetir feito um papagaio o texto, não importando o quanto fosse medíocre. Mas aqui foi onde Harrison mostrou o que separa um bom editor de um grande - e o que fez a página Op-Ed tão única. Ele não me falou que estava rejeitando o desenho porque era grotesco ou porque as pessoas não iriam querer ver viciados na mesa do café da manhã. Ele não falou que a analogia era muito obtusa ou que ele não concordava com a premissa. Em vez disso, ele disse que o desenho era muito forte para se perder no artigo sobre a assistência social. Ele iria providenciar um novo artigo para ir com o desenho. Harrison era tão bom quanto a sua palavra. O desenho do viciado ficou rolando em seu escritório por muitas semanas, então publicou o desenho com uma matéria dura que ele encomendou chamada Direto na Veia. “Na idade de 17 anos”, ela começava, “eu tinha um hábito. Eu era viciado em heroína”. O autor era alguém chamado Sandy Smith. Sua biografia dizia que ele era um escritor, ex-presidiário e viciado em drogas. Ele morreu de overdose em junho de 1972. Isso foi 2 anos depois de seu relato ter sido publicado com meu desenho no jornal. Na época fiquei desapontado por Harrison ter separado meu desenho do artigo sobre assistência social. Tal como eu pensei que meu primeiro desenho da assistência social era muito óbvio, eu agora achava que o desenho do viciado tinha sido usado em um paralelo que fazia dele também muito óbvio. Mas eu era um moleque naquela época. Hoje acho que Harrison estava certo. Seu julgamento foi mais sutil do que meu entusiasmo. Sua ação ainda mostrou mais do que um bom julgamento. Nós todos temos encontrado editores que vão matar uma obra de arte, mesmo uma mais forte que o artigo para que foi feita, e nem pensam mais nisso de novo. Para eles, palavras são o único meio válido de transmissão de pensamento. Harrison reconheceu que arte pode carregar um tipo diferente de pensamento e, ao fazê-lo, ele e Suares lançaram uma contribuição ao jornalismo que outros editores e diretores de arte ao redor do mundo foram rápidos para emular e imitar. Três anos depois Harrison incluiu meu desenho do viciado na primeira antologia de palavras e imagens que foi publicada na página Op-Ed. Na sua introdução em The Indignant Years, ele resumiu a premissa que tem feito a página Op-Ed tão influente. “Op-Ed é um casamento de ideia e imagem, do artista e do escritor, uma simbiose de formas criativas. Arte não é empregada no Op-Ed para ‘ilustrar’, dando ao leitor uma imagem de uma cena que o escritor está tentando descrever. A imagem é empregada não como uma ajuda visual, um dispositivo de espaço para romper blocos de texto, um meio de cristalizar conceitos abstratos. Não. A tarefa das imagens do Op-Ed é criar um ambiente que estende e aprofunda o impacto da palavra; fornecer um ambiente no qual o escritor pode mais intensamente penetrar na cabeça do leitor, uma atmosfera que estimula imaginação, que cria um temperamento, uma emoção, consistente com as ideias, as questões ou a experiência que o escritor apresenta.

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© Brad Holland © Brad Holland

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om uma sólida carreira internacional, Marshall Arisman é reconhecido pelos seu talento como ilustrador, artista plástico, professor de artes e escritor, tendo feito capas para algumas das mais importantes revistas americanas, como a Times, U.S. News & World Report, The Nation e muitas outras. Seu extraordinário trabalho como professor é principalmente em relação ao mestrado do curso “Ilustração como Ensaio Visual”, onde é professor e diretor do Masters na School of Visual Arts, de Nova York. Seu expressivo trabalho como ilustrador e pintor mostra uma visão muito pessoal do mundo e da vida, como veremos a seguir.

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Eu nasci e cresci em uma cidade pequena. Sem ter uma ideia do que significava design gráfico eu escolhi isso como meu principal estudo quando fui para a Pratt Institute, no Brooklyn. Me formei em 1960, conseguiu um emprego na General Motors e depois percebi que não gostava de trabalhar com outras pessoas, resolvendo problemas de design de outra pessoa. Então parei. Depois do exército eu cansei da ilustração. Persegui isso por três anos, nunca fazendo mais de US$ 3.000 em qualquer ano. Eu falhei. Estava fazendo imagens para “eles”, diretores de arte, clientes, etc. Minha falta de sucesso como ilustrador foi uma bênção. Sem nada a perder, comecei a fazer imagens para mim mesmo, baseado no mundo ao meu redor quando eu cresci. Comecei com armas. Meu irmão tem carregado uma arma desde que ele tinha quinze anos. E m s e u c o m e ç o d e c a r r e i r a c o m o i l u s t r a d o r v o c ê d i z q u e f i c o u 3 a n o s c o m u m p o r t f o l i o o n d e a p r e o c u p a ç ã o e r a a g r a d a r a o s o u t r o s , e q u e t u d o m u d o u q u a n d o p a s s o u a a g r a d a r a v o c ê p r ó p r i o. O q u e p r o v o c o u e s s a m u d a n ç a? marshall arisman estados unidos [email protected] www.marshallarisman.com

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Meus desenhos de armas de fogo se transformaram em um ensaio visual sobre a violência. Violência fazemos a nós mesmos, violência fazemos uns aos outros e violência fazemos com o meio ambiente. Dois anos depois, os desenhos tornaram-se um livro intitulado “Frozen Imagens” (1972) que agora está fora de catálogo. Mandei o livro para amigos, incluindo alguns diretores de arte que eu já tinha visto antes. Para minha surpresa e espanto, na semana seguinte recebi uma encomenda de uma ilustração para a página Op-Ed do The New York Times. Temas como Uganda, bombas nucleares, poluição, etc. Meu livro de desenhos me estabeleceu como o sujeito a ser chamado quando o inferno desaba e os demônios se libertam. Como eu me coloquei nessa categoria, não tenho arrependimentos. Vivemos em um mundo violento. Isso é um fato. Na encomenda do trabalho me foi dada total liberdade para me expressar. A indústria editorial estava tentando me usar e eu estava tentando usá-la. Na minha opinião, um negócio justo. Naquele tempo, meu trabalho pessoal (pinturas) também era sombrio, mas com menos narrativa. Eles também tinham publicado e comecei a mostrar em galerias. Isso durou 20 anos, até que o meu trabalho pessoal se deslocou para outras direções. E s s a m u d a n ç a n o s e u p o r t f o l i o s e d e u c o m s e u l i v r o “ F r o z e n I m a g e s ”. A p e s a r d e t e r s i d o u m a m u d a n ç a d e f i n i t i v a e m s u a c a r r e i r a , t a m b é m a c a b o u p o r c r i a r o r ó t u l o d e u m i l u s t r a d o r c o m e s t i l o v i o l e n t o. A t é q u e p o n t o i s s o p o d e t e r l i m i t a d o s e u c a m p o d e a t u a ç ã o? Eu sou de Libra, preciso de equilíbrio. Um astrólogo uma vez me disse que eu mataria por equilíbrio. Passo meu tempo em três diferentes áreas. Sou presidente de um programa de pós-graduação, “Ilustração como Ensaio Visual” da School of Visual Arts; escrevo e ilustro meus próprios romances e livros infantis e faço vídeos. E continuo a pintar e fazer arte para mim mesmo. Para mim, esse desvio é saudável, todas as áreas elogiam as outras. N o e n t a n t o a s u a c a r r e i r a n ã o é b a s e a d a a p e n a s n a i l u s t r a ç ã o , e s i m e m 3 a t i v i d a d e s q u e s e c o m p l e m e n t a m : i l u s t r a ç ã o / a u l a s / g a l e r i a s d e a r t e. D e q u e f o r m a e l a s s e c o m p l e m e n t a m?

  • Ilustrações do livro “Frozen Images” I^

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O programa de pós-graduação cria uma comunidade de artistas figurativos que querem contar histórias. Nós aceitamos 20 alunos por ano, damos a cada aluno um espaço de estúdio com acesso 24 horas por dia, 7 dias por semana. O currículo é voltado a ajudar os alunos a identificarem histórias pessoais, tanto escritas como visuais e, em seguida, escolher um modelo que os atraia. Graphic Novel, gibis, livros infantis, animação, uma série de trabalhos para uma galeria, etc. Tudo em essência são ensaios visuais com conteúdos pessoais. Ao trabalhar em uma série de imagens interrelacionadas, os alunos podem introduzir o elemento de tempo e explorar histórias em profundidade. N o c u r s o d e g r a d u a ç ã o q u e v o c ê l e c i o n a , c h a m a d o V i s u a l E s s a y, v o c ê f a l a m u i t o s o b r e t r a b a l h a r e m s é r i e s. C o m o i s s o p o d e a j u d a r n o d e s e n v o l v i m e n t o d o t r a b a l h o d e c r i a ç ã o d e u m i l u s t r a d o r?

  • Pintura da série “Light Runners”

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A banalização da violência que aparece na ilustração é o resultado de ilustradores fazendo imagens que não são pessoais. Se você acredita, como eu, que a arte é uma espécie de mediação entre nós e o mundo exterior, então o crítico social como ilustrador é uma pessoa que está verdadeiramente indignada com a injustiça que nos cerca. M u i t o d o s e u t r a b a l h o c o m o i l u s t r a d o r é u m a c r í t i c a à b a n a l i z a ç ã o d a v i o l ê n c i a. A t é q u e p o n t o é p o s s í v e l o i l u s t r a d o r t e r o p a p e l d e c r í t i c o s o c i a l?

  • Pintura da série “Light Runners” “Ayahuasca Series”

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