






































Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Ilustrar Magazine, primeira revista 100% brasileira sobre ilustração, feita por ilustradores e para ilustradores.
Tipologia: Notas de estudo
1 / 46
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!







































uita gente me perguntou o que me levou a desenvolver a Revista Ilustrar, e sempre que pensava na resposta vinha na minha cabeça uma entrevista que Hugh Hefner, fundador da revista Playboy, deu certa vez.
Ele dizia que quando era novo não era uma pessoa muito popular e que não era convidado para as festas da faculdade ou dos amigos. Então quando criou a revista Playboy resolveu criar também suas próprias festas, e levá-las onde quisesse.
A Revista Ilustrar tem mais ou menos esse mesmo espírito. Como não havia nenhuma revista desse gênero antes no Brasil, então criamos a nossa própria. Mas para esta festa todos estão convidados.
E no segundo número temos como sempre convidados especias, e entre eles o americano Martin French, com uma entrevista prá lá de especial, onde além de mostrar toda a sua inteligência e talento, também deixou um presente a todos, com uma dedicatória especial.
Também temos uma nova seção chamada “Curtas”, com pequenas notas interessantes, e para o próximo número estão previstas outras novidades.
Espero que gostem, e para o próximo número tem mais.
Um grande abraço...
Foto: arquivo Ricardo Antunes
eberson Santiago nasceu em 1983 na cidade de São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, mas cresceu em Mauá, também no mesmo estado.
Aos 13 anos foi estudar desenho na Quanta Academia de Artes na cidade de São Paulo.
Antes de publicar seu primeiro trabalho teve diversos empregos, inclusive numa banca de jornal onde teve contato com diversos tipos de jornais e revistas.
Morou em São Paulo durante 3 anos e 3 dias.
Hoje, Weberson é ilustrador do jornal Folha de São Paulo e seus desenhos estão freqüentemente nas páginas de revistas como Rolling Stone, Galileu e Época Negócios.
Além disso também ilustra livros para as editoras Moderna e Saraiva.
Atualmente mora em Mogi das Cruzes (São Paulo) com sua esposa e seu filho, e nas horas vagas toca clarinete.
Foto: Eduardo Schaal / arquivo Weberson Santiago
©Weberson Santiago
Pra mim a parte mais importante numa ilustração é a idéia. Por isso geralmente gasto boa parte do tempo do trabalho pensando nas possibilidades gráficas para poder transmitir com clareza a essência do texto.
Esse "pensar" muitas vezes é feito através de rabiscos e mais rabiscos. Geralmente a etapa do desenho é muito curta, desenho de uma maneira rápida e expressiva, pra ficar algo leve, sincero e objetivo.
Gosto de usar todos os tipos de materiais: guache, aquarela, acrílica, caneta velha, papel amassado e por aí vai. Ultimamente tenho desenhando muito com bico-de-pena mosquito e colorido tudo no Photoshop. Tenho usado muito também o lápis integral e lapiseira 0.5 com o grafite 4B.
Eu uso uma mistura de mídias para criar as minhas imagens. Tudo começa com um desenho e pintura tradicionais, muito deles feitos em preto e branco em carvão, grafite e tinta. Os desenhos e pinturas são criados separadamente - estudo de figuras, marcas de pincel e texturas, símbolos gráficos, e scanneados para o computador. Eu desenho e componho a imagem básica no Photoshop usando as múltiplas imagens que criei à mão.
O Photoshop está mais para uma ferramenta de design do que de pintura no meu processo. Então imprimo a imagem em grande formato em papel de aquarela e pinto, desenho e colo novamente no impresso. Também uso serigrafia como base ao invés de mídia digital, e pinto e desenho de volta na impressão. No geral, estou procurando criar um diálogo visual entre marcas chapadas e texturizadas e símbolos, e uma dinâmica interação entre desenho, pintura e design.
Minhas influências são bastante variadas. Alguns dos artistas que têm me inspirado muito são Toulouse Lautrec, os pintores americanos Jacob Lawrence e Richard Diebenkorn, os ilustradores americanos Aaron Douglas e Maxfield Parrish, o designer gráfico americano Lester Beal, e o artista de poster britânico Tom Purvis.
Eu também amo a arte dos posters revolucionários da América Latina durante o século XX.
Sim, a minha lista de clientes é bem diversificada, o que eu gosto muito. Parte do prazer de ser ilustrador é trazer a sua própria voz e visão para uma extensa gama transversal de conteúdos. Nesse ponto, eu diria que a ilustração para livros e posters é a minha preferência. Ela oferece muita liberdade e parece ser onde eu estou concentrando a maior parte do meu esforço comercial e pessoal.
Eu estou atualmente trabalhando em três projetos para livros com conteúdos meus, bem como uma série de cartazes que também são produzidos por mim. Em relação ao tipo de trabalho mais complicado, trabalhos em publicidade sempre oferecem um maior desafio devido ao fato de que existem muitas vozes criativas que entram no jogo enquanto o trabalho está sendo criado.
Tentar atender essas demandas pode ser difícil. Eu acho que ainda cabe ao ilustrador se manter verdadeiro na sua visão pessoal e ao mesmo tempo ir ao encontro das necessidades dos clientes. Em último caso, foi para isso que você foi contratado. Você só deve lutar pela sua visão pessoal em alguns casos.
A imagem "Esperança" foi parte de uma série de imagens que eu trabalhei lidando com música e esperança - usando culturas de todo o mundo como meu contexto, ela não foi para um cliente de São Paulo.
Eu fui simplesmente influenciado pela cultura e quis comentá-la visualmente.
As imagens foram então impressas como posters e usadas para angariar fundos para um grupo sem fins lucrativos nos Estados Unidos que trabalham com crianças que vivem com HIV/AIDS.
As questões das crianças de rua, adolescentes desabrigadas, e jovens vivendo na pobreza e na doença é muito próximo do meu coração e muito pessoal.
Ambos os meus filhos são adotados de países em desenvolvimento - ambos vêm de situações de extrema pobreza, então eu tento interagir com essas questões como artista quantas vezes eu puder.
Em última análise, meus filhos têm sido minha grande influência como um artista enquanto têm aberto meus olhos para questões mais amplas da vida e da cultura que excedem largamente minha própria experiência como americano.
O tempo que eu tenho passado na nossa casa em Cascade Mountains tem sido de grande influência. Eu passei os primeiros 9 anos da minha carreira de free-lancer lá e ela me ofereceu um cenário único para se fazer arte. As imagens que eu crio não têm o sentimento rural, envolvência natural, mas as cores e as texturas e as luzes do planalto do alto deserto encontram seu caminho nas minhas ilustrações.
O afastamento do lugar também me permitiu concentrar totalmente na base do trabalho que eu pretendia criar no início da minha carreira sem as distrações da cidade. Você faz alguns sacrifícios ao separar-se, mas globalmente, ele foi uma decisão positiva profissional e pessoalmente.
Mesmo que eu gaste mais tempo na cidade agora, esses 10 acres em Indian Ford Creek são ainda meu santuário onde eu volto a me concentrar.
“Esperança”
“Trabalho há dez anos como chargista, caricaturista e ilustrador em um jornal esportivo. Para sobreviver nessa jaula de leões tive que aprender a aceitar a contradição diária entre a minha natural obsessão por detalhe e acabamento e o pouquíssimo tempo para desenvolver as ilustrações.
Essa urgência de resolver tudo rapidamente, sem muita abertura para estudar novas soluções foi o que primeiro me despertou a necessidade de fazer sketches. Comecei rabiscando caricaturas. Se no trabalho diário me via obrigado a deixar a ousadia de lado para cumprir o horário do fechamento, nesses esboços, eu me permitia atirar pra qualquer lado sem me preocupar com o que iria acertar.
Numa tentativa de ampliar essa brincadeira, comprei recentemente um caderno comum com o intuito não só de fazer desenhos aleatórios mas também de pintá-los de forma descompromissada. Afinal, por mais que eu queira, é impossível ficar sobrepondo camadas e camadas de aquarela em um papel offset 75 g/m2.
O melhor dessa coisa toda é que, no fim das contas, volta-e-meia eu pego essas "ousadias" aparecendo meio que de surpresa nos trabalhos do dia-a-dia...”