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Ilustrar Magazine, primeira revista 100% brasileira sobre ilustração, feita por ilustradores e para ilustradores.
Tipologia: Notas de estudo
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www.revistailustrar.com
Especial
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ENDEREÇO DO SITE: www.revistailustrar.com ricardo antunes são paulo / Lisboa [email protected] www.ricardoantunes.com Dia 1 é dia de ilustração infantil... uando decidimos fazer a primeira edição especial da Revista Ilustrar, lá atrás na edição nº 4, uma porção de opções haviam surgido para a edição, e todas muito boas... difícil era saber por qual optar, e mais difícil ainda segurar a vontade enorme de fazer de cada edição uma edição especial. Tivemos a edição especial sobre ilustradoras (nº 4), depois a edição especial sobre grande mestres (nº 8) e agora sobre ilustração infantil, um tema que toca a todos porque nos acompanha desde sempre - e para alguns em especial faz parte da própria formação. Para contar sobre isso temos nesta edição o trabalho delicado de Lúcia Hiratsuka na seção Portfolio; o colorido e inspirador Sketchbook de Mariana Newlands; um Passo a Passo incrível de uma ilustração da Revista Recreio, feito por Rogério Coelho. As 15 perguntas ficam a cargo de Cris Eich e suas aquarelas cheias de vida, e a seção internacional fica por conta do premiado ilustrador australiano Shaun Tan. Além das tradicionais colunas de Brad Holland e Renato Alarcão falando sobre ilustração infantil, teremos uma terceira coluna especial, assinada por Mauricio de Sousa, falando sobre Monteiro Lobato. Espero que gostem, e dia 1 de novembro tem mais. Um grande abraço Q
- E D I T O R I A L : ............................................................... **2
escendente de japoneses e nascida no interior de São Paulo, Lúcia Hiratsuka tem dedicado toda a sua carreira à ilustração de livros infantis e juvenis, o que lhe rendeu diversos prêmios. A influência da origem japonesa é evidente em seus trabalhos, mais ainda por ter sido aluna de um dos grande mestres do sumi-ê
Lúcia Hiratsuka São paulo [email protected] www.luciahiratsuka.com.br © Lúcia Hiratsuka Foto: arquivo Lúcia Hiratsuka P
Acho que a maior influência é a minha vivência na roça até os dez anos. Cada vez mais eu venho buscando expressar a textura da terra, a sensação do vento, os movimentos dos capins. A influência da arte oriental também é forte. Falando dos artistas, lembro que no período de pintura a óleo eu olhava principalmente as obras de Matisse, Paul Klee, Vieira da Silva e Dienbenkorn. Na ilustração de livros posso citar Chihiro Iwasaki, Mitsumasa Anno, Suekichi Akaba, Binette Schroeder, Lizbeth Zwerger, Helme Heine. E no Brasil, minhas referências foram Angela Lago, Ciça Fittipaldi, Ricardo Azevedo e Eva Furnari. P R I N C I P A I S I N F L U Ê N C I A S Esteve presente desde que eu era criança, por conta dos livros e revistas japonesas, com muitas ilustrações. Mas ao sair da faculdade eu não sabia qual caminho seguir. Até que conheci a Eva Furnari e ela me incentivou, deu as primeiras orientações como ilustradora; num segundo momento, aprendi com ela também sobre narrativa. O primeiro livro que publiquei foi em 1984. Nessa época, não havia tantas possibilidades no mercado editorial. E isso me permitiu aprimorar devagar. Trabalhava num banco e me dedicava aos estudos da Literatura Infantil e Juvenil. Somente no início dos anos 90 é que consegui ilustrar mais. Paralelamente aos trabalhos solicitados pelas editoras, fui elaborando os projetos pessoais. O que me fascina é pensar nesse diálogo do desenho e da palavra, contar uma história nesse suporte que é o livro. A I L U S T R A Ç Ã O I N F A N T I L
Massao Okinaka teve uma vida de intensa dedicação às artes. Nas vezes em que saíamos em grupo para desenhar, enquanto os outros relaxavam admirando uma paisagem, ele buscava um motivo, um enquadramento para a sua pintura. Okinaka sensei não era de filosofar muito durante as aulas, mas ensinou que, depois do aprendizado com o mestre, o aluno teria que romper e buscar o próprio caminho.
A Noite de Q por Brad Holland A seguir, uma entrevista feita pela editora Fausta Orecchio, em Turim, Itália, com Brad Holland, depois de ter ilustrado o livro “A Noite de Q”, publicado por Fausta. Fausta Orecchio: Brad, você acabou de fazer lgumas pinturas para o nosso novo livro, “La Notte di Q” (A Noite de Q). As imagens são um pouco sombrias para um livro infantil. Você gostou de trazer este tipo de profundidade a um conto de fadas? Brad Holland: Bem, ele é chamado de “A Noite de Q.” Se tivesse sido chamado de “A tarde ensolarada de Q”, as imagens teriam sido mais otimistas. FO: Sim, mas de alguma forma acho que ainda teria alguns toques escuros. BH: Bem, a luz intensa cria sombras intensas. FO: A história é tanto um conto de fadas quanto uma fábula política, não acha? BH: Um conto de fadas no sentido clássico. O mal vem a uma cidade. Algumas pessoas se entregam, outras resistem. FO: Na Feira do Livro de Turim, alguém na plateia sugeriu que o soldado com a vassoura era um símbolo de limpeza étnica. BH: Bem, na verdade eu desenhei o soldado com uma vassoura porque me recordei que, quando a Primeira Guerra Mundial começou, os EUA não tinham um exército permanente e os soldados treinaram com vassouras em vez de rifles. FO: A arte feita para as crianças deveria ser diferente de outros tipos de arte? BH: Eu não sei se você conseguiria adivinhar com sucesso o que se passa na cabeça de uma criança. Até uma certa idade, as crianças são muito influenciáveis. Elas respondem a expressões exageradas e gestos amplos, então suponho que elas respondam a estímulos semelhantes na arte. Coelhos com grandes olhos, caras de palhaço... As crianças são muito rápidas para pegar dicas de comportamento, muito mesmo; então você pode manipular o estado de espírito delas até certo ponto, embora não necessariamente em qualquer direção previsível. Você pode sorrir como um gambá para um garoto e ele vai sorrir de volta e dar risadinhas. A próxima criança que você tentar o mesmo vai chorar loucamente. Você nunca vai saber se o assustou ou se ele está apenas irritado porque você está tentando fazê-lo de idiota. FO: A que tipo de livros você reagia quando era criança? BH: Minha mãe sempre insistia em ler para mim histórias que nunca acrescentavam nada - o trenzinho trabalhador que estava sempre tentando subir a colina era um de seus favoritos. Coisas como essa. Eu nunca gostei deles. Mas a mãe de minha mãe costumava ler para mim estes grandes e antigos contos de fadas alemães, onde as crianças se perdem na floresta e as bruxas tentam colocá-las no forno. Esse era o tipo de história que me mantinha acordado por noites pensando se não havia um monstro debaixo da cama. FO: Você se lembra de alguma história em particular? BH: Com certeza. Um crocodilo que falava a um macaco montado em suas costas, e depois comeu-o. Um coelho que criou uma armadilha para o sol, pegou-o, prendeu-o, e em seguida tirou fora sua longa cauda ardente. Meu favorito era o Príncipe Feliz, um conto de fadas de Oscar Wilde. FO: O que havia de especial nessa história? BH: Sempre que a vovó me perguntava qual a história que queria ouvir, eu sempre dizia: “Vamos ler ‘Andorinha, Andorinha, Pequena Andorinha!’”. Esse era um refrão que aparecia recorrentemente na história. Ele brotava tantas vezes que era como um trecho da Pedra de Roseta para mim. Eu não conseguia ler quando
Brad holland estados unidos [email protected] www.bradholland.net
© Brad Holland Foto: arquivo Brad Holland
tinha quatro anos, mas eu podia seguir os símbolos na página e reconhecia aquela particular configuração das palavras. Então eu aprendi a identificar “andorinha, andorinha, pequena andorinha” como uma frase inteira - o que significava que eu sabia duas palavras. Então, porque eu tinha virtualmente memorizado a história, eu poderia escolher outras palavras que estavam perto delas e outras palavras perto dessas, e assim por diante. FO: Então essa foi a maneira que você conseguiu ler? BH: Sim. Na época em que andava no jardim de infância, eu era mais ou menos um decifrador de livros. Claro, me deparava constantemente com diversas palavras enormes que simplesmente tinha de contornar, mas eu assumia esse esforço. É por isso que nunca tive muita paciência para as histórias que estavam nos ensinando na escola. “See Spot Run”, “See Dick Hit Jane” (http://www.tagnwag.com). Isso eram coisas muito minguadas depois que você lê O Príncipe Feliz. FO: O Príncipe Feliz é uma história bastante triste. BH: Sim, é, mas é sobre o amor, e o amor muitas vezes é uma história triste. FO: Muita gente pensa que histórias como essa são para assustar crianças e torná-las inseguras. BH: Você não deveria falar baixo com as crianças. Você tem que fazer concessões pela experiência delas, mas - depois de uma certa idade - não pela compreensão delas. Se elas não entendem alguma coisa, irão armazenar isso lá atrás em suas mentes até que algo nas suas experiências destrave isso. Pode demorar anos, mas acaba por não se perder muito. FO: Então você não se incomodaria se suas imagens deixassem as crianças intrigadas? BH: Não. Se uma imagem é convincente ela será transmitida adiante às crianças. A compreensão seguirá por dias, semanas, anos. É bom fazer com que as crianças se perguntem sobre o significado das coisas. O mundo está cheio de coisas que elas nunca vão entender, então elas devem se acostumar a isso. FO: Eu gostei do que você disse na abertura de sua exposição, quando contou a história sobre seu pai lendo para você. BH: Sim, meu pai não era do tipo que tratava uma criança como um bebê. Ele teria lido a você qualquer coisa que estivesse lendo para ele próprio. Minha mãe sempre dizia, “Walt, ele não pode compreender essas coisas”. E o meu pai diria apenas: “Ele não precisa entender”. FO: Ele sabia que você estava conseguindo retirar algo... BH: Bem, de qualquer maneira ele sabia que eu estava prestando atenção. Lembro que uma vez ele tinha um livrinho barato de 25 centavos sobre Genghis Khan que ele pegou na farmácia. Ele começou a ler aquilo para mim no meio de um capítulo. Foi tudo um borrão para mim. Quem foi Gengis Khan? O que era um Khan? O que era uma horda? Depois de um tempo, meu pai me disse para parar de fazer perguntas ou ele daria um nó no meu rabo.
© Brad Holland © Brad Holland
FO: Tudo ao mesmo tempo? BH: Sim, era tipo uma loja-faz-tudo. Steve apenas alinhava todas estas páginas e fazia o layout delas, uma após a outra. Ele era muito prolífico. FO: E você fez desenhos para esses jornais? BH: Na maioria deles, sim. Não posso dizer que fiz várias coisas durante esse período que eu colocaria na minha lista de Grandes Êxitos, mas tenho um monte de coisas fora do meu sistema que eu precisava publicar. FO: O que você quer dizer? BH: Às vezes você tem um monte de personalidades extras acumuladas dentro de você - como sobras de todas as identidades que você absorve à medida que desenvolve meios de expressar sua própria identidade. Você precisa expelir todas as coisas que não se ajustam. A forma como uma febre faz as toxinas saírem pelo suor. Steve e eu estávamos fazendo isso. Separar todas as coisas que nós estávamos nos tornando de todas as coisas que poderíamos ter sido, se tivéssemos nos tornado outra coisa. FO: Sua menção de muitas personalidades levanta uma questão interessante. Eu faço uma distinção entre os ilustradores que expressam a si próprios, e aqueles que modificam seu estilo para atender diferentes livros. Qual deles é você? BH: Eu expresso a mim próprio modificando o meu estilo para combinar com a minha intenção. FO: E qual é a sua relação com design gráfico? O design nunca arruinaria o efeito de sua arte? BH: O design gráfico é uma questão de fazer as decisões corretas. Às vezes a decisão certa é deixar uma imagem sozinha. Eu costumo fazer o design de imagens ao invés de compô-las, então adicionar muito design nelas pode às vezes ser a decisão errada. FO: Existe uma característica sobre o design gráfico que é amigável ao seu trabalho? BH: Meu estilo é bastante direto. Funciona melhor quando você não tenta enfeitá-lo. FO: Uma última pergunta: Por que você escolheu trabalhar com uma pequena editora na Itália? BH: Porque você me pediu para fazer o tipo de livro que nenhum editor americano jamais me pediu para fazer. Como eu disse, é um conto de fadas, no sentido da raiz da palavra. Não é uma história que foi encolhida para caber em um mundo encolhido. Mostra um garoto em eventos que são maiores do que ele
© Brad Holland
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Sim, porque elas são abertas e flexíveis. Tenho percebido ao longo dos anos que a tarefa de um ilustrador é provocar ideias, e não revelá-las, e que cada imagem é como um estranho espelho como exemplo da realidade, e cabe ao leitor encontrar seu próprio significado. Também acho que não importa o quanto do realismo você usa, uma obra de arte é sempre um pouco abstrata de alguma forma, é sempre uma metáfora, apenas uma representação imaginária. Eu não vejo uma grande diferença entre uma imagem muito realista e uma muito surrealista. Ambas são estranhas, à sua própria maneira. Muitos ilustradores e escritores costumam usar o realismo como for ma de linguagem. No seu caso é o oposto; no geral você usa a fantasia como for ma de expressão. Acha que as metáforas são melhores para a comunicação? Acho que você tem que aceitar que todos vivem em um universo privado diferente, e isto é especialmente verdade quando se comparam adultos e crianças. Acho que para as crianças, o mundo ainda é um lugar muito estranho, aberto a múltiplas interpretações - e eu acho que na verdade é a visão correta. Como adultos, tendemos a esquecer isso um pouco, porque aprendemos significados fixos que são úteis e parecem funcionar repetidas vezes. O risco é que nos esquecemos que o mundo ainda é estranho. Acho que a arte e as histórias muitas vezes ajudam a nos lembrar dessa estranheza fundamental, e ao fazê-lo, podem fazer uma conexão entre adultos e crianças. E de que for ma as metáforas e simbolismos facilitam na comunicação com crianças e adultos? Essa é uma pergunta interessante. Para começar, não vejo meu trabalho como escapista, de buscar um mundo alternativo. Ao contrário, eu estou tentando chegar mais perto do real, apenas por olhar a vida real de um outro ângulo. Por exemplo, na minha história “The Lost Thing”, o mundo de fantasia é uma cidade pós-industrial, onde todo mundo só está interessado nas coisas que eles já conhecem. Na verdade é um mundo de fantasia chato. Mas é igualmente fascinante para nós, olhando de fora. Do mesmo modo, a nossa própria realidade certamente pode parecer chata e aborrecida a maior parte do tempo, mas isso é apenas porque paramos de questioná-la ou olhá-la de maneira diferente; nós acreditamos que as coisas estão “normais”. É sempre interessante quando um visitante de outro país encontra os detalhes da nossa vida cotidiana – e a vê como sendo muito rara e exótica. Vejo a arte como um tipo semelhante de viagem internacional. A maioria das minhas histórias circundam em torno deste tema, a questão do que é familiar e o que é estranho, o que é chato e o que é interessante. Minha teoria é que elas são muitas vezes as mesmas coisas. Em seus livros, você cria quase sempre mundos próprios. O mundo real é mais chato que o imaginário? I^
Sim, penso que sim. Quando pinto, eu tendo a me concentrar em um assunto muito particular, que eu estou vendo com meus olhos. Eu ainda estou mudando e abstraindo o que eu vejo, mas ainda está intensamente ligado a uma experiência visual direta. Quando escrevo e ilustro histórias, eu acho que estou olhando para as coisas com a minha mente. Eu só me refiro às minhas memórias, bem como às memórias de outras pessoas na minha ilustração. Por exemplo, “The Arrival” é baseado em muitas histórias de imigrantes que eu estava pesquisando por muito tempo; “The Rabbits” é um recontar surrealista da colonização da Austrália. Meus livros são mais uma espécie de conversa pública, e as minhas pinturas se mantêm razoavelmente pessoais e privadas. Não sei bem o porquê disso... é só como eu acabei fazendo coisas. Mais uma vez, eu não diria que minhas pinturas são mais “realistas” do que os meus livros, elas apenas parecem ser mais específicas sobre o assunto, por exemplo, elas são sobre uma árvore em particular, uma rua ou uma pessoa em particular. Os livros são mais ou menos sobre tudo e todos (incluindo coisas inexistentes), então os seus temas são muito gerais. No entanto, apesar de seus livros e suas ilustrações falarem do imaginário, suas pinturas são mais realistas. É uma busca por um outro ponto de vista? Eu acho que é essencial, e na minha própria cultura - a Austrália pós- industrial - muitas vezes subestimado. Eu quase não me tornei um artista porque, como adolescente, o sistema educativo parecia ignorar as artes plásticas como sendo a extremidade inferior dentro do espectro dos acadêmicos, ou de alguma forma “não séria”. Não era associada com o desempenho acadêmico. No entanto, muitos dos problemas que vejo na sociedade em geral me parece serem causados pela falta de imaginação criativa, ou questionamento artístico. As artes tendem a ser vistas como um pouco de cobertura de açúcar sobre o bolo da sociedade, mas devem ser parte do bolo, como o Direito, a Medicina, a Ciência, a Agricultura e assim por diante. Acho que é importante para as crianças que sejam incentivadas a prosseguir qualquer interesse artístico que tenham, e a maximizar o espírito inato que muitas vezes podem ser suprimidos na vida adulta, quando as pressões de outras responsabilidades intervêm. É muito difícil ser artista e se manter inspirado, então eu sinto alguma obrigação de encorajar os outros. Eu encontro muitos adultos que, mais tarde na vida, se arrependem de não terem buscado seus interesses artísticos quando eram crianças ou adolescentes. Além das adaptações de seus livros para filmes e peças de teatro, você tem estado envolvido em vários outros projetos, alguns relacionados às crianças. Qual a impor tância do estímulo da ar te, pintura e escrita desde criança?
Metade do tempo é gasto fazendo pesquisas e vários rascunhos - “The Arrival” passou por mais versões do que eu gostaria de pensar! Acho que depois de dois anos e meio, eu ainda não tinha um trabalho real “acabado” para apresentar - nada com que eu estivesse feliz, pelo menos
Sabe, eu não tenho certeza. Acho que as pessoas são tão espertas quanto sempre têm sido, ou talvez até mais espertas. Estamos também muito alfabetizados visualmente, temos acesso a incríveis ideias e informações, e somos muito mais educados do que os nossos antepassados. Então eu não acho que há um problema aí. No entanto, as coisas estão fluindo muito rápido, e é possível que a atenção tenha diminuído... Eu sempre sinto que a minha está diminuindo o tempo todo! Uma coisa que eu gosto na pintura e escrita é que elas são uma mídia bem lenta e contemplativa - por um momento elas calam um monte de ruído e nos fazem olhar para dentro. Eu acho que a interioridade é a chave para poderosas, coerentes e duradouras ideias. Muito do que vemos todos os dias é superficialmente impressionante, mas numa análise mais aprofundada não resiste a um exame minucioso. Arte e livros para mim são todos sobre esse exame, separando as partes significativas das partes de distração. No geral, em muitos comentários que você já fez, algo sempre presente é o conceito de ar ticular ideias, mais impor tante do que desenhar bem ou escrever bem. Acha que o mundo hoje em dia tem pensado menos?