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Ilustrar Magazine, primeira revista 100% brasileira sobre ilustração, feita por ilustradores e para ilustradores.
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!



































































Foto: arquivo Ricardo Antunes
uita gente me pergunta o que é, exatamente, a Revista Ilustrar: seria uma revista ou a apresentação do portfolio de ilustradores?
Na verdade são os dois; é realmente uma revista apresentando portfolios, mas acima de tudo é também uma grande homenagem aos artistas que se dedicam à ilustração, apresentando os mais talentosos, criativos e inspiradores do mercado.
Dessa forma, a revista tenta, através de seus convidados e de seus portfolios, apresentar as melhores referências sobre como ser um grande profissional de ilustração.
Assim, nesta edição temos a participação de Junior Lopes e suas inusitadas ilustrações com retalhos de tecidos; Soud, em um passo a passo sensacional; Hiro contando suas histórias na seção 15 perguntas; Ricardo Antunes - este que vos fala - na seção Sketchbook; o saudoso Eugênio Collonese - recentemente falecido - na seção Memória, e, na seção Internacional, o brilhante ilustrador e artista plástico argentino Carlos Nine.
Espero que gostem, e dia 1 de janeiro tem mais, com uma edição especial. Aguardem...
Abraços
Foto: arquivo Junior Lopes
© Junior Lopes
araense da cidade de Castanhal, mas morando em São Paulo, Junior Lopes tem um trabalho bastante variado, atuando como ilustrador, cartunista, quadrinista, retratista e desenhista de moda.
Mas é com os seus retratos feitos a partir de retalhos de tecido que seu trabalho ganha força, expressividade e originalidade sem igual.
E essa originalidade acabou projetando seu nome no exterior, onde tem exposições planejadas em Moçambique e Alemanha, além de ter exposto seus trabalhos em Porto Alegre, no ano passado.
A seguir, Junior fala mais detalhes da sua trajetória.
Autodidata total. O Allan Sieber tem um cartum genial, que é um cartunista dando uma entrevista, todo sujo, com mosquinhas circulando sua cabeça e o balão é o seguinte:
"hoje vocês me vêem dormindo numa confortável caixa de papelão, mas saibam que nem tudo foram flores nesse percurso!".
É mais ou menos por aí… rsss
Somos páginas em branco, né?
Tudo que lemos, ouvimos e vemos vai se amalgamando e nos moldando (para o bem ou para o mal) nesses monstrinhos que nos tornamos.
Ler é fundamental.
Caretice é não se deixar envolver por esse universo preto e branco de idéias dispostas nessas caixinhas de celulose chamadas livros.
Essa parte é surreal: acordei um dia, de ressaca, e, indo para o banheiro, vi, no chão da sala, o rosto de Jimi Hendrix.
Achei que fosse delirium tremens , mas eram simplesmente retalhos de uma saia que minha sogra estava costurando!
O retalho maior era escuro e pedaços brancos formavam, miraculosamente, o design do rosto (esse retrato está no blog). O mais louco é que é tudo verdade.
Eu costumo ver formas (e acho que você também) em coisas completamente desconexas, tipo aquela brincadeira de ver desenhos em nuvens.
Às vezes, no escuro do quarto, uma calça jogada no chão parece um perfil de um rosto ou algo do gênero... Ricardo, eu sou meio maluco, cara! rsss
Depois que colei esse Jimi Hendrix em uma cartolina, vi que ali tinha algo novo a ser explorado… Então foi só aprofundar o conhecimento.
Fiz uma exposição em Porto Alegre, no ano passado, a convite de uma escola de arte têxtil, presidida por uma artista maravilhosa, chamada Maria Rita.
Essa escola mantém um intercâmbio com países africanos e o convite veio
naturalmente para expor, em Moçambique, uma série de 15 retratos de personalidades moçambicanas.
Estou também fazendo uma série de retratos de artistas brasileiros e alemães, para uma possível exposição em Berlim, no ano que vem.
estre argentino dos quadrinhos e da ilustração, Carlos Nine tem um enorme reconhecimento internacional, devido ao seu traço original e técnica brilhante.
Premiado diversas vezes, seu trabalho é bem mais extenso, atuando também como escultor, roteirista, pintor e escritor, sendo autor de vários livros.
Além disso, costuma dar seminários, workshops e cursos, na Argentina e na França.
Mais recentemente participou do projeto “Cidades Ilustradas”, onde cada volume mostra uma cidade brasileira pelo traço de um artista - e coube Carlos Nine apresentar a sua de Porto Alegre.
Foto: arquivo Carlos Nine
© Carlos Nine
Tudo depende das épocas da vida.
Na infância a minha grande influência foi a arte gráfica, que qualquer um poderia encontrar em revistas populares.
Na verdade, muito antes de saber que existem Picasso ou Van Gogh ou Monet, as crianças são confrontadas com quadrinistas ou ilustradores.
Se esses interesses se transformam ao
longo dos anos em vocação é lógico pensar que esse processo se originou na obra certamente modesta e quase anônima desses pioneiros.
E é muito provável que dificilmente alguém recorde dessas primeiras experiências estéticas.
Eu nunca me esqueci, sinto enorme gratidão por eles, já que tiveram e têm uma enorme responsabilidade pedagógica.
Muitas vezes uma boa idéia, ou uma boa imagem, se desvirtua porque não se encontra a técnica ou linguagem adequada para poder ser representada em sua exata natureza.
É devido a isso, e aproveitando que na escola de belas artes pude aprender a experimentar em diversas técnicas, que trato de aplicar o mais conveniente para cada caso.
Muitas vezes o meu trabalho foi rejeitado por aqueles que me haviam contratado, geralmente porque as imagens os assustavam.
Em alguns casos teriam alguma razão, mas outras vezes acontece o de sempre, os diretores de arte são, na maioria, bastante conservadores.
Também não se pode acusá-los de grandes delitos; em última análise quase sempre cumprem ordens ou comandos.
Porém, em outras ocasiões eu os pude convencer com argumentações insólitas que me foram dotando ao longo do tempo de um grande trabalho para dizer mentiras.
Acima de tudo, o que eu quero ver impresso é um bom desenho, meu próprio, mais além do que pensa o autor do texto ou o diretor de arte.
Se para eles é necessário mentir um pouco, não é tão grave, e além disso serve também como um exercício de imaginação.
É curioso, porque eu nunca gostei de caricatura, apesar de ter tido que fazê-las durante quase dez anos na revista "Humor", mas é uma especialidade específica que não me atrai, falando especificamente de trabalhar sobre personagens conhecidas, políticos etc.
Eu as aprecio só como espectador, em especial as obras de Daumier.
Sim, no entanto, me interessa criar personagens onde apareçam alguns traços caricaturados ou definitivamente animalescos.