O Sr. Fábio dos Santos é o gerente geral de uma planta de estamparia em uma empresa do setor automobilístico, situada em Paranaguá, no estado do Paraná.O Sr. Fábio dos Santos convocou uma reunião geral para avaliação e análise crítica da gestão da planta relativa ao mês corrente e também para avaliar os resultados dos últimos três meses.Nesta reunião estiveram presentes o gerente do controle da qualidade, os gerentes da segurança e saúde ocupacional, meio ambiente, recursos humanos, logística, suprimentos, automação, instrumentação, projetos, o gerente da operação da linha de estamparia e o gerente da manutenção. Também participaram da reunião os supervisores da operação e da manutenção e os representantes das empresas contratadas que prestam serviços na área de operação e manutenção.Inicialmente o Sr. Fábio fez uma apresentação sobre o cenário do mercado, mostrando a dificuldade que a empresa vem apresentando em vender os seus produtos em função do baixo volume de vendas pelas montadoras em decorrência da crise econômica provocada pelas altas taxas de juro, pela escalada ascendente do dólar e pela falta de confiança dos investidores o que dificulta o crédito para o consumidor e da alta da inflação, que diminui a confiança para se fazer novos financiamentos. Isto tem provocado baixas margens de lucro das empresas dificultando o investimento.Por isto apresentou um programa de redução de custos para fazer frente à situação e se mostrou bastante preocupado com a perda de mercado solicitando a todas as áreas da empresa que participem deste programa com afinco e que possam contribuir proativamente para a redução do custo de produção e do aumento de produtividade.O gerente da operação apresentou os seus indicadores e metas relativos ao corrente mês e disse que não foi possível cumprir as metas estabelecidas no planejamento anual. Não cumpriu as metas relativas ao volume de produção, ficando 20% abaixo do previsto. Não cumpriu também as metas de qualidade, de produtividade e de custos. Disse que esta situação de não cumprimento das metas já vem ocorrendo há algum tempo, pelo menos nos últimos oito meses.Disse que o pessoal da operação tem feito o máximo possível para cumprir os planos e metas, mas que não tem obtido sucesso. A culpa, segundo ele, é da manutenção que não deixa os equipamentos funcionar a contento. Ele nem procura mais o gerente da manutenção, pois não adianta nada. Os equipamentos falham constantemente por deficiências da manutenção e como a operação não está diretamente ligada aos problemas nos equipamentos eles não fazem nada. Já reclamaram muito, mas se cansaram e hoje em dia se preocupam somente com a operação, que é a responsabilidade deles. Aproveitou para mostrar um programa de capacitação do pessoal da operação que é realizado durante o tempo em que os equipamentos estão parados para a preventiva programada ou quando a parada por falhas é muito longa.Em relação às reclamações dos clientes pela má qualidade dos produtos e pelo atraso no prazo de entrega disse lamentar profundamente e que o Sr. Fábio deveria cobrar da manutenção, real responsável pela situação. Aliás, disse ele, qualidade dos produtos é um problema do departamento da qualidade e atraso na entrega é problema da programação e controle da produção ou da logística.Disse que aproveitaria a reunião para mostrar para a manutenção que as paradas nos equipamentos estão sendo repetitivas e que estão provocando muitos retrabalhos nos produtos e encerrou a apresentação dizendo que a operação gostaria muito de colaborar, mas que o problema é da manutenção.Pelo lado da manutenção o gerente alegou que não tem conseguido obter informações confiáveis sobre o estado dos equipamentos e que realmente a empresa de manutenção contratada não tem um bom conhecimento dos equipamentos e que por esse motivo ocorreram tantas falhas e tantas demoras nos reparos. Alegou que muitos dos problemas não são da manutenção e sim da automação e da instrumentação. Disse que apesar do pessoal da inspeção nos equipamentos e do planejamento da manutenção ser da própria empresa o número de falhas depende somente da terceira contratada para realizar os serviços de reparos. Disse que o efetivo é muito baixo e que o pessoal não tem a qualificação necessária, mas que ele já reclamou com o pessoal de recursos humanos e o pessoal de contratos, que são os verdadeiros responsáveis em contratar e treinar os empregados e que até agora não obteve resposta. Disse que a manutenção tem encontrado muitos problemas de falta de peças de reposição e que isto também não é um problema da manutenção e sim do pessoal de suprimentos.Disse que também aproveitaria a reunião para dizer ao pessoal da operação que “haja efetivo e sobressalente”. A operação não tem cuidado ao operar os equipamentos e que eles são os responsáveis pela maioria das quebras. Que os equipamentos estão muito sujos e deteriorados e que a operação não faz a devida limpeza da área. Quanto à qualidade dos produtos isto é um problema operacional e que a operação deveria resolver os problemas de reclamações dos clientes e não jogar a culpa na manutenção.Quanto ao programa de redução de custos da empresa disse que se fosse possível a manutenção até gostaria de participar, mas, que com tantos problemas, custo não é tão prioritário no momento para a manutenção. O gerente de manutenção alegou mais uma vez que o fato de a operação não estar conseguindo cumprir os prazos de entrega dos materiais e das constantes reclamações dos clientes este não é um problema da manutenção. Disse que os custos também estão elevados, pois com muitas falhas há necessidade de se comprar muitas peças de reposição, e que o consumo de óleo nas máquinas está muito elevado devido a constantes vazamentos e por isso a compra de óleo foi intensificada. Disse que o volume de horas extras realizadas também está muito alto, pois alguns funcionários estão afastados do trabalho ou por terem se acidentado na realização de tarefas perigosas ou por doenças ocupacionais. E isto está ocorrendo tanto com os funcionários do efetivo próprio quanto com os funcionários de empresas contratadas. A manutenção tem solicitado há alguns meses a contratação de mais 20% de mão de obra própria e de pelo menos mais 30% do efetivo contratado, mas, ainda não foi atendida.O gerente da manutenção aproveitou para deixar claro para o gerente da operação que ele deve se preocupar mais com a produção de peças e menos com os problemas da manutenção e que deveria conscientizar melhor os operadores para não destruírem os equipamentos, o que aumenta a necessidade de eventuais manutenções.
Ao analisar esta reunião de análise crítica dos resultados você poderia concluir:1) O que há de errado na planta do ponto de vista da gestão da manutenção?2) Quais dos setores que participaram da reunião fazem parte da função manutenção?3) A manutenção tem sido eficaz e eficiente? Por quê?4) O que há de errado na gestão da manutenção como parte estratégica da empresa?5) Este pode ser um exemplo de gestão de manutenção moderna e produtiva? Por quê?6) O que você, como engenheiro da gestão da manutenção, conhecedor de várias ferramentas de gestão, propõe para melhorar a gestão da manutenção nesta planta de estamparia?