Alimentos Transgênicos
Alimentos transgênicos: vilão, herói, julguem vocês.
Eu não estou aqui para isso.
Mas, certo é que a prova do Enem, por ter um caráter geopolítico, aborda esses conceitos, não é?
Conceito de alimentos transgênicos.
E aqui vai uma ressalva interessante: o propósito da criação dos alimentos transgênicos é muito, muito muito legal.
Que foi basicamente, acabar com a fome no mundo, porque, dentre outras características, o alimento transgênico tem uma alta produtividade.
Então eu conseguiria plantar em terras até mesmo impróprias para o cultivo e extrair alimento daí.
Mas, como nem tudo são flores, a gente sabe que a maioria do alimento transgênico que é produzido não vai diretamente para consumo humano.
Vai, por exemplo, para a criação de bovinos, de equinos, de suínos, para alimentação animal, para ração, não é, para a soja, para a produção, por exemplo, de biocombustível, não é?
E por aí vai.
Mas o nosso foco vai ser na formação do processo de alimentos transgênicos e nos potenciais usos, que é isso que o Enem aborda em suas questões.
Está bom, gente?
Então tentem acompanhar aqui comigo.
Bom, vamos relembrar então, como é feita a fabricação de qualquer coisa transgênica, seja ela um alimento ou não.
Primeiro de tudo, nós temos que ter lá um organismo, não é, que geralmente é a bactéria - esse é o micro-organismo modelo de estudo para a criação de transgenia - de onde eu vou extrair o DNA bacteriano.
Lembra?
Então eu peguei a bactéria e isolei o DNA bacteriano.
Lembrem-se que o DNA bacteriano é circular, só tem um cromossomo, aquele cromossomo, ele é meio linear, mas a gente tem um outro DNA bacteriano também, que é o DNA plasmidial, que é aquele DNA em forma de anel extracromossômico, que, por exemplo, tem genes de resistência.
Então eu peguei a bactéria doadora.
Essa bactéria aqui a gente vai chamá-la de doadora, e extrai o material genético dela.
Depois, o que que eu faço?
Eu multiplico esse DNA.
Então isso daqui, a gente conhece o processo de duplicação, duplicação ou replicação do DNA.
Duplicação ou replicação.
Aí fiz várias cópias dele.
E agora, o que que eu faço?
Agora, eu pego esse DNA que eu fiz várias e várias cópias, e só extraio dele o gene em que eu tinha interesse, que está aqui, de vermelhinho, destacado para vocês, olha.
Está lá, essa fitinha vermelha.
Isso daqui é o que eu tenho interesse.
Todo o resto do DNA bacteriano não me interessa, eu vou jogar fora.
Mas esse pedacinho vermelho é muito interessante, eu o quero.
Está, professor, eu extrai o DNA bacteriano, sequenciei-o, multipliquei-o e agora eu retiro o gene alvo.
Está.
Vamos supor que esse gene alvo seja um gene capaz de produzir uma proteína que mata um fungo.
Um gene antifúngico.
Beleza.
Está lá.
Extraí esse gene da bactéria.
E agora, que que eu faço?
Agora eu pego esse gene e insiro-o num vetor viral.
Como é que é, professor?
Eu pego este gene em que eu tenho interesse - deixa eu botar o nome do gene aqui, olha - gene antifúngico.
É um gene que mata fungos, que a bactéria
produz naturalmente porque o fungo, por exemplo, é um micro-organismo que pode competir com a bactéria por algum determinado substrato.
Então eu extraí esse gene em que eu tinha interesse, e agora eu vou injetar esse gene através de um vetor que geralmente, gente, vejam, é um vírus.
Para quem lembra, é esse virinhos aqui, olha.
A gente o chama de bacteriófago, lembram disso?
Ele tem lá, umas perninhas aqui, um corpinho aqui em forma de mola e também perninhas que lembram muito uma aranha, não é?
Esse aqui é o famoso bacteriófago ou tefago, e está lá o gene em que eu tinha interesse.
Eu joguei dentro desse virinhos, o gene antifúngico.
Então esse vírus vai levar esse gene em que eu tinha interesse, que eu extraí da bactéria, para dentro dos tecidos da planta.
Então o que que eu faço?
Eu pego esse gene e jogo dentro da planta.
E aí deve haver o exato encaixe ligação do gene em que eu tinha interesse com o DNA da planta.
Quando ocorre a exata ligação deste gene que foi trazido por um vírus para dentro da planta com o DNA da planta, eu digo, portanto, que eu tenho agora a técnica da hibridização, certo, gente?
Agora nós vamos ter a técnica da hibridização, ou seja, essa planta é uma planta híbrida: que tem o DNA dela e um DNA bacteriano que foi trazido por um vírus.
Professor, qual é o papel do vírus?
É exatamente essa a pergunta que o Enem fez.
O vírus é um vetor, não é?
Que que são vetores, mesmo?
Os vetores transportam.
Nesse caso, o vírus é um vetor de um gene, ele transporta um gene da bactéria, não é?
Ele transportou o gene da bactéria para dentro da planta.
Está, professor.
Agora eu tenho uma planta híbrida.
Exatamente.
Essa planta híbrida, nada mais é, gente, do que uma planta transgênica.
Pode destacar isso aí.
Essa planta híbrida nada mais é do que uma planta transgênica, ou seja, o que que é planta híbrida?
Possui dois tipos de DNA distintos.
Dois ou mais, mas aqui tem pelo menos dois, existem linhagens que têm vários tipos.
Beleza, professor.
E é assim que eu tenho plantas transgênicas, então.
É, agora eu tenho que pegar essa planta e multiplicá-la em escala, não é, gente?
Eu tenho que produzir várias e várias e várias cópias dessa plantinha.
Então, há uma reprodução da planta transgênica lá.
Professor, me dê exemplos de plantas transgênicas.
Vou falar: soja, milho e o trigo principalmente.
Mas principalmente soja e milho.
Esses são os dois produtos que o Brasil mais produz em termos de alimentos transgênicos.
Quê mais que eu preciso saber?
Bom, uma coisa interessante, que pode ser que o Enem pergunte, é qual é o melhor uso - não único, não o mais potencial, não.
Qual é o melhor uso dos alimentos transgênicos?
Bom, a primeira coisa que vem direto é que as plantas transgênicas, por serem mais resistentes a pragas, ao uso de inseticidas, como a soja da Monsanto, essas plantas não morrem quando a gente bota esse cara aqui, olha.
Quem é o glifosato?
O glifosato é o principal agrotóxico usado nas lavouras de larga escala.
Então, quando eu jogo glifosato para matar inseto - portanto é um inseticida - a planta às vezes acaba morrendo ou acumulando uma quantidade muito grande de glifosato.
O glifosato é tóxico para inseto, para plantas, e também para a gente.
Então, quando eu jogo muito o glifosato, pode ser que morram também as plantas.
Ou pode ser que a planta acumule muito glifosato e passe para a gente.
E aí, não é, a gente tem os riscos que é o uso de defensivos agrícolas, de agrotóxicos, porque é tóxico para a nossas células.
E o pior não é isso.
O pior é que, tudo bem, quando a gente pega, não é, o alimento, a gente o lava, então muito pouco vai ficar ali.
Não chega a um por cento de resíduo, que tem do agrotóxico no alimento, quando a gente vai consumir.
Ainda mais quando a gente ferve, cozinha, e tudo mais.
Isso se elimina.
O problema é que esse agrotóxico jogado lá na lavoura, quando chove, lixivia e vai para rio.
Então, praticamente todos os rios do Brasil estão envenenados com agrotóxico, devido à agricultura em larga escala.
Mas isso é processo lá para o professor de Geografia de vocês.
Beleza.
Além disso, as plantas transgênicas geralmente, isso é uma, praticamente uma regra, são mais resistentes à seca.
Claro, tem linhagens que não.
Mas a grande maioria são mais resistentes às secas e também a variações climáticas como, por exemplo, variações abruptas de temperatura no mesmo dia.
Em algumas regiões do país, por exemplo no Sul, a gente pode ter ali no outono, chegando a dois graus, próximo de zero portanto, dois graus e indo no meio do dia lá próximo do dia, a vinte e oito graus.
Então essa amplitude térmica, para a maioria das plantas, é muito ruim.
Plantas transgênicas toleram essa variação climática de boa.
Além disso, a maioria das plantas transgênicas a gente cultiva, porque elas são mais nutritivas, não é?
Elas têm uma produção de nutrientes maior, como é o caso, o próprio Enem trouxe isso para a gente, do arroz dourado, que produz mais vitamina A.
Então, pessoas que têm déficit de vitamina A podem comer de boa o arroz dourado, que é um arroz transgênico, porque vai ter boas quantidades de vitamina A.
E também a gente tem uma necessidade de menos uso de agrotóxico.
Por que?
Porque ela é mais resistente, como é o caso, por exemplo, de uma linhagem de milho, chamado milho BT.
Para finalizar, gente, é bom que vocês saibam que esses alimentos transgênicos, eles acumulam menos herbicida.
Então, embora a maioria das linhagens sejam mais resistentes, e eu já use menos herbicida, o herbicida que eu uso ainda não vai ser acumulado na planta; a planta lida melhor com isso.
Então a gente ajuda a reduzir a quantidade de herbicida no corpo da planta, absorvido por ela.
Então isso também chega menos às pessoas, por exemplo, o caso da soja da linhagem R R.
E a gente também, por exemplo, tem hortaliças.
Aí eu estou falando mais de plantas acessíveis ao consumo humano, que vão apresentar genes de roedores para a produção de vitamina C.
Olha que interessante.
Eu peguei um gene de roedor, de um animalzinho bem parecido com o rato, extraí, isolei, hibridizei e joguei dentro da planta.
Que planta?
A alface.
Agora eu tenho uma alface que produz uma quantidade maior de vitamina C.
E para finalizar mesmo, existem muitos, muitos, muitos estudos com plantas transgênicas e um, feito na Universidade do Ceará inclusive, é muito promissor.
O que ele fez?
Ele pegou plantas transgênicas e está desenvolvendo nessas plantas, genes para vacinas de diversas patologias.
Por exemplo, o vírus da dengue.
Imagina que legal, gente, a gente comer uma alface, um tomate, uma fruta e já ficar vacinado, imunizado contra a dengue.
Isso é demais!
E está sendo desenvolvida na Universidade Federal do Ceará.
Bom.
O uso e a aplicabilidade que o Enem vai dar para o transgênico é infinito.
Ele pode contextualizar isso e cobrar das maneiras mais diversas possíveis, a gente não precisa saber todos os exemplos.
A gente só precisa saber como o alimento transgênico é feito, como é feito o processo de transgênico e em quê que ele pode ser usado.