Cladogramas Evolutivos
Cladogramas evolutivos nos permitem uma análise mais detalhada do grau de parentesco entre os mais diversos tipos de organismos.
Então, olha só: ele vai estudar, na verdade, os processos evolutivos, ou seja, de descendência entre espécies que são distintas, mas que possuem, através do seu código genético, um ancestral comum.
A sistemática filogenética é a área que estuda os cladogramas evolutivos.
Na verdade, é através da construção das árvores filogenéticas, ou seja, dos cladogramas, que nós vamos agrupar organismos distintos, mas que possuem um certo grau de parentesco ou ancestralidade em comum.
Tudo isso fica muito difícil de a gente conseguir interpretar.
Então eu trouxe uma figura aqui, para exemplificar melhor um pouquinho o que a gente está falando.
Se a gente for pegar lá os domínios da vida, nós temos lá o domínio Monera, que a gente chamava isso aqui de filo, lembra?
Monera.
Quem está aqui?
As bactérias.
Quase todas as bactérias, porque existe um outro grupo de bactérias chamadas de arqueobactérias, que estão dentro do grupo das Arches.
Por exemplo, as extremófilas; bactérias que vivem em condições ambientais extremamente desfavoráveis, inóspitas.
Aqui, dentro de protozoários, a gente tem os protozoários unicelulares que, em geral, são os causadores de doenças, Trypanosoma cruzi, e por aí vai.
E também as algas, está?
Embora as algas, atualmente, já nem estejam mais nesse grupo.
Mas o Enem ainda cobra assim.
Dentro das plantas são todas as plantas.
Dentro dos fungos, todos os fungos.
E dentro dos animais, todos os animais.
Percebam o seguinte: todos esses grupos, que a gente chama de filo, filo Monera, das Archeas, dos Protistas, das plantas, dos fungos e animais, têm um ancestral comum que está aqui.
A gente não sabe quem é esse cara.
A gente especula que seja lá uma bactéria fermentadora, mas a gente não tem bem certeza disso.
Essa bactéria fermentadora, esse ancestral comum a esses organismos, se dividiu em um determinado momento da história da vida na Terra.
Em bactérias e um outro grupo.
Quem é esse outro grupo?
Seria o grupo dois, três, quatro e cinco.
Então, o grupo um se dividiu, digamos assim, olha, em grupo zero e grupo dois, está?
O grupo 1 se dividiu em grupo zero e grupo dois.
Só que o grupo dois se dividiu, por exemplo, em grupo A e grupo B.
Esse grupo B se dividiu em um grupo C, D, E e F, e por aí vai.
Está?
O que você tem que prestar atenção?
O nó é o que marca o ancestral comum entre diferentes grupos.
Então vamos pegar aqui, olha: fungos e animais possuem um ancestral comum, que está no grupo cinco.
E se eu perguntasse para vocês: gente, aonde que está o ancestral comum entre plantas e protozoários?
Onde que está?
Então, olha aqui, olha.
Plantas e protozoários.
Então cadê a planta?
Vem para cá, vem para cá, vem para cá e vem para cá, está aqui.
E protozoários também.
Então o ancestral comum de plantas e protozoários está no nó três.
Quem é um ancestral comum entre fungos e plantas?
Vamos ver.
Vamos descer aqui, olha.
Plantas está aqui.
E os fungos, não é?
Eu posso dizer assim, olha.
O ancestral comum entre plantas e fungos que está aqui no quatro, é o mesmo ancestral entre plantas, fungos e animais, concordam?
Porque, olha, entre plantas
e fungos está aqui.
Entre animais e fungos está aqui.
Só que o cara que deu origem à planta, deu origem a alguém que originou fungos e animais.
Entenderam?
Muito importante isso.
O ancestral comum de um determinado grupo vai estar sempre na linha de encontro, que a gente chama de nó.
Para exemplificar isso ainda mais, vamos analisar essa imagem aqui, olha só.
A gente tem lá uma especiação.
Porque, quando eu tenho um nó que marca um ancestral comum entre C e D, eu também posso dizer assim, olha.
O grupo C e D é parente um do outro e o seu ancestral comum está representado pelo nó ancestral comum.
Concordam?
Beleza.
E aí, se eu for mais abaixo, eu tenho um outro nó que traz quem?
Traz esse grande grupo aqui, olha.
O grupo B, C, D.
Está lá.
e se eu for pegar mais aqui embaixo, eu tenho um outro grupo, que é quem?
O grupo A, B, C, D.
Está aqui.
Concordam?
E se eu for mais para baixo ainda, tem um outro grupo, que é o grupo X, A, B, C, D.
Beleza?
Algumas considerações a fazer: sempre o ponto de encontro é nó; quando eu tenho algo abaixo do nó, que não tem mais ponto de encontro, a gente chama de raiz ou primeiro ancestral comum.
Provavelmente esse cara aqui é o cara que deu origem a todos os outros.
A gente não sabe quem é, mas foi um cara que deu origem a todos os outros.
Aqui eu tinha um ancestral comum que nós vamos chamar ele de Senhor y.
Esse cara aqui, é o ancestral comum.
Então o Senhor y está aqui.
A partir do momento que o Senhor y se modificou em duas espécies, que a gente vai chamar de C e D, a gente diz que o Senhor y é um ancestral comum da espécie C e da espécie D.
E que espécie C e espécie D viraram espécies diferentes por um mecanismo de especiação, que a gente chama de cladogênese.
Isso aqui é um mecanismo de especiação.
O que faz surgir uma nova espécie, ou melhor dizendo, o que é uma espécie, não é?
Isso aqui é um conceito muito amplo.
Espécie é muito amplo.
Mas geralmente, a gente diz que espécie são todos os organismos com potencial reprodutivo.
Potencial reprodutivo.
Entre si,não é?
Potencial reprodutivo entre si, com descendente fértil.
Então tem que deixar filhotes também.
E esses filhotes têm que ser descendente fértil, não é?
Descendentes férteis.
Esses filhotes têm que ser capaz de se reproduzir também.
Isso é o conceito de espécie.
Claro que ele é muito amplo, não é?
Para a ecologia vai ser um, para a genética vai ser outro, para a fisiologia vai ser outro.
Enfim.
Mas isso é um conceito mais abrangente.
Está?
Então eu tenho lá o ancestral comum y que se diferenciou em duas espécies C e D, por vários mecanismos.
Um deles é esse daqui, chamado de cladogênese.
Existe um outro que é a anagênese, ou seja, dizer assim, olha: “cara, esse ancestral comum raiz, aqui, que a gente pode dizer que é o y linha - deixa eu botar ele aqui, olha, y linha - ele originou tanto o x quanto o A, B, C, D”.
Beleza, esse cara aqui, originou essas outras espécies, não por cladogênese e sim por anagênese.
Por que?
Por diferença de tempo.
Simplesmente por isso.
Uma outra forma de representar isso aqui ou pedir informações disso daqui, deixa eu escrever para vocês uma maneira mais comum de ser representado.
Agora a gente vai botar aqui os grupos.
Beleza.
A gente tem os grupos.
Olha que interessante a informação que a gente pode coletar dessa figura aqui, que eu quero que vocês me ajudem.
Eu vou dizer para vocês o seguinte: “gente, eu tenho lá o organismo A, o grupo A, o grupo B, o grupo C, o grupo D e o grupo E.
Beleza?
E aí eu vou botar os nós aqui, e vou fazer algumas perguntinhas para vocês.
E e aqui tem o F, não é?
Na ponta disso aqui.
Beleza.
Gente, quem é o mais aparentado de quem?
Ora, tem vários aparentados de vários.
Por exemplo, E e F são o grupo mais próximo de si, mais aparentado de si, do que se eu fosse pegar F com C.
F com o C tem um ancestral comum?
Tem.
Eu vou dizer.
Está aqui, olha.
Eu venho no F e venho no C: pum!
Vamos dar número, não é?
Um.
O ancestral 1, o ancestral dois, o ancestral três, o ancestral quatro, o ancestral cinco.
Beleza?
Então, o ancestral comum entre E e F é o cinco, que está aqui.
E o ancestral comum entre F e C é o três, que está aqui.
Quem é mais parente de quem?
Ah, E e F são mais parentes entre si porque o ancestral comum está aqui, nesse nó.
do que F e C, porque o ancestral comum está aqui, nesse nó.
Ou seja, mesmo dentro de grupos distintos, a gente tem ancestrais comuns.
A gente só tem que buscar, procurar no cladograma, quem é mais aparentado de quem.
De que forma que eu acho isso?
Procurando um ancestral comum que está lá na base do nó de cada um dos grupos.
Se eu perguntasse para vocês: gente, quem é mais aparentado entre quem?
Cuidado.
D e B, ou E e A?
Quem que é mais aparentado dentre quem?
Vamos ver.
Quem é o ancestral comum de B e D?
Vamos fazer essa ligaçãozinha, aqui, olha.
B e D, eu desço nos nós.
É o ancestral dois.
E quem é o ancestral comum de E e B, não é?
Olha, E e B.
Está lá, olha.
O ancestral comum de B e E também é o dois.
Daí você fala assim: ah, então eles têm o mesmo ancestral comum!
Sim, mas o mais aparentado de B é o D, porque ele está mais próximo na linha do tempo, que é justamente isso que significa essa linha horizontal.
Essa aqui é a linha do tempo.
Para mim achar um ancestral comum mais próximo, eu vou até o nó.
E para mim achar o mais aparentado entre si, eu vou de acordo com a linha do tempo.
Ou seja, aqui é a linha do tempo zero e aqui, digamos, é a linha do tempo atual.
Quando a gente fala de um tipo de especiação por anagênese, nada mais, nada menos do que estamos falando sobre a linha do tempo.
Linha do tempo.
Cada bifurcação dessa, que a gente representa por nó, nós vamos chamar de ramo.
Nós temos alguns ramos distintos aqui.
Nós temos o ramo CD.
Também temos o ramo BCD.
Nós também temos o ramo ABCD e nós temos o ramo XABCD.
Cada uma dessas bifurcações gera um ramo, onde nos ramos, olha que característica interessante, deixa eu voltar tudo aqui, tanto faz se eu dizer que no último ramo a gente tem CD, ou eu posso girar isso aqui, no mesmo eixo.
Dizendo que eu tenho agora o ramo DC.
Percebam, por exemplo, deixa eu pegar um aqui, da vida real.
A gente tem esse ramo aqui, nos vertebrados, que é o ramo aves e mamíferos.
Mas eu também posso apresentar isso dessa forma aqui, olha: mamíferos e aves, sem nenhum tipo de prejuízo.
Aí vocês me diriam assim, olha: professor, então quem surgiu primeiro numa escala do tempo?
Aqui, na imagem A e na imagem B, nós temos as aves sendo primeira do que os mamíferos.
Ou seja, numa escala do tempo, não é?
Porque isso aqui significa tempo, olha, aves surgiram primeiro que mamíferos.
Porém, como eu posso virar sem prejuízo dentro do mesmo ramo, eu tenho aqui, na segunda figura, dizendo que mamíferos surgiram primeiro que aves.
Ou seja, dentro do mesmo grupo, a gente pode ter essa inversão sem prejuízo.
Agora, entre grupos distintos, não.
Por que?
Concordam comigo que, se eu for comparar B com D e C ou B com C e D, de qualquer uma das formas, esse cara aqui, vai ter surgido primeiro?
Porque eu estou comparando ramos distintos agora.
Beleza, gente?
Então, assim, olha.
A análise do cladograma vai facilitar para vocês, quando a questão der uma figura interpretativa e pedir informações.
Então, a gente já sabe que os ramos podem variar entre si, na base de um ramo eu tenho sempre o nó, e a evolução, ela se dá de acordo com uma escala do tempo, onde, quanto mais próximo da raiz da base, menos tempo é e quanto mais longe da raiz ou da base, mais perto dos ápices dos ramos, mais distante é.