Fermentação
Quando a gente pensa em processo de obtenção de energia, provavelmente aquele que surgiu há milhares e milhares de anos atrás, o que deu início a todos os processos de fluxo energético na natureza, foi o processo de fermentação.
Então, para a gente entender fermentação, a gente tem que entender também do fluxo de energia que ocorre entre os diferentes tipos de organismos.
Então, a gente começa a entender isso, quando a gente entende o papel do sol no nosso planeta.
O sol manda milhares e milhares de luz, calor, temperatura, ele manda tudo isso para o planeta, para os ecossistemas, está?
E aí, a gente sabe que as bases dos ecossistemas são os organismos produtores.
São as plantas.
As plantas pegam a energia solar e, através de um processo que a gente chama de fotossíntese, vão transferir uma parte dessa energia para os outros organismos.
Por exemplo, os herbívoros, que comem essa energia, beleza?
Quando a fotossíntese é bem sucedida, ela forma a glicose, não é?
Lembra que a principal função da fotossíntese é a criação de açúcar e de glicose.
Essa glicose vai ser passada para o próximo nível trófico, não é?
Para os próximos organismos.
E é através dessa glicose que nós vamos começar a entender o processo de fermentação.
Por que?
A glicose passará por um processo chamado de glicólise, que nada mais é do que a quebra da glicose.
Essa quebra da glicose vai formar uma molécula muito especial, chamada de piruvato, ou ainda, deixa eu dar, batizar o piruvato aqui, olha.
O piruvato também pode ser chamado, gente, de ácido pirúvico.
Está?
Então, piruvato ou ácido pirúvico é a mesma coisa.
Professor, o que que é o ácido pirúvico?
É a metade, digamos assim, a grosso modo, de uma glicose está?
Então, cada glicose vai gerar duas moléculas de ácido pirúvico ou piruvato.
E o que que acontece?
Bom, esse ácido pirúvico ou piruvato irá servir de subsídio para outros processos metabólicos.
A saber: as fermentações e a respiração celular.
Professor, quais são os tipos de fermentações que eu preciso saber?
É exatamente sobre isso que a gente vai falar agora.
Deixa eu descer um pouquinho, aqui, para a gente.
Olha só.
Quando a gente fala de processo de fermentação, a gente está falando do que?
A grossíssimo modo, não é?
A gente está falando o seguinte, olha.
A fermentação nada mais é do que o uso anaeróbico, anaeróbico, da glicose.
Ou seja, é pegar a glicose e quebrar ela sem o O 2, está?
Então, olha, sem o O dois.
Quando eu pego a glicose, qual é a fórmula química da glicose?
Vamos lembrar aqui, C 6, H 12, O 6.
Nesse processo, onde eu pego a glicose e quebro
ela, pego esse C 6, H 12 e quebro, eu formo ATP.
Lembra o que que é o ATP?
Adenosina trifosfato, não é?
Que é a principal molécula energética do corpo.
Uma molécula aqui e uma outra molécula aqui, ou seja, na quebra da glicose, eu formo uma, duas moléculas de ATP.
Além disso, eu vou formar esses carinhas aqui, olha.
Lembra deles?
O tal do nad e o tal do fad.
Lembram disso?
Aqui tem nad sendo formado, olha.
Quem são o nad, e depois o fad?
São, podem anotar, transportadores de elétrons.
Transportadores de elétrons.
Beleza.
Então, além das duas moléculas de ATP, eu formo duas moléculas de nad, por glicólise.
O que que vai acontecer?
Lembram do piruvato?
O cara que eu falei que pode chamar também de ácido pirúvico, que ele tinha papel fundamental nesse processo?
Esse piruvato vai sofrer um processo de descarboxilação.
Pelo amor de Deus, professor, que que é isso?
Perder C O dois, Então, o piruvato sofre a descarboxilação.
Descarboxilação.
E aí, olha, tu lembra que o nad era um transportador de elétrons?
Então ele vai vir aqui no ácido pirúvico, vai arrancar um elétron dele e olha, sair fora.
Aqui, mesma coisa.
O nad veio, veio no ácido pirúvico, pegou um elétron e saiu fora.
Está, e o que que sobra?
O que que sobra desse piruvato que perdeu elétron e saiu C O dois, através da descarboxilação?
Sobra esse carinha aqui, gente.
O álcool etílico ou etanol, é a mesma coisa.
Olha, etanol ou álcool etílico.
Vamos analisar o que que sai na fermentação do tipo alcoólica.
Primeira coisa: vai ser formadas ou vão ser formadas, melhor dizendo, duas moléculas de ATP, que estão aqui.
A molécula um de ATP e a molécula dois de ATP.
Então, vamos lá.
Além de duas moléculas de ATP na glicólise, o que mais são formados?
Dois nads.
Estão aqui.
Além de dois nads e de dois ATPs, dois C O dois.
E dois etanol.
Concordam?
Beleza.
Está tudo aqui.
Deixa eu escrever isso aqui bonitinho para a gente.
Uma glicose.
Uma glicose é igual a dois ATPs, dois NADH, então aqui, dois nad, dois C O dois e dois álcoois.
Dois álcoois.
Duas moléculas de álcool, não é?
Beleza.
Isso é o resultado da fermentação alcoólica.
Isso tudo aqui é resultado da fermentação alcoólica.
Beleza.
Está lá.
Tranquilo, gente?
Agora vamos para um outro tipo de fermentação para vocês verem que não é só aquilo ali que tem, está?
Também temos a fermentação lática.
O que que a gente tem na fermentação lática?
Gente é muito, muito, muito, muito parecido.
Olha aqui: nós vamos ter as duas moléculas de ATP sendo produzidas.
Olha lá elas, duas moléculas de nad.
A diferença é que, percebam, o ácido pirúvico na fermentação lática não vai sofrer descarboxilação, ou seja, não vai formar C O dois.
Não tem C o 2 sendo liberado.
Em compensação, esse C O 2, que não está sendo liberado, ele dá origem ao ácido lático.
Porque a gente vai ter duas moléculas de ácido lático sendo formadas.
Olha lá.
Estão elas aqui, olha.
Então, o que que eu tenho na fermentação lática?
Vamos anotar isso?
Eu tenho uma molécula de glicose dando origem, formando, não é?
Dois ATPs, dois NADH e duas moléculas de ácido lático.
Qual é a principal diferença da fermentação alcoólica para a lática?
O próprio nome diz: na fermentação lática eu formo ácido lático e não libero o C O dois.
Na fermentação alcoólica eu formo duas moléculas de álcool e libero o C O 2.
Está lá, olha: álcool e C O 2.
Isso é muito, muito importante.
Para finalizar, a gente tem que entender.
Quem é que faz a fermentação alcoólica?
Geralmente, leveduras.
Leveduras.
As leveduras fazem fermentação alcoólica.
Geralmente, quando cai no Enem, é elas que o Enem pede.
E aí, duas coisas precisa saber: o C O 2 que ela libera é usado para crescimento de massa de pão.
Crescimento, crescimento de pães.
Por isso ela é usada muito na indústria de panificação.
Além disso, o álcool é usado na indústria de bebidas, mesmo.
A levedura, gente, para quem não lembra ou não sabe, anotem também, olha, ela é um fungo unicelular.
Ela faz a fermentação alcoólica.
Lembrando que a fermentação, todos os processos de fermentação são anaeróbicos, seja fermentação alcoólica ou lática, está?
Beleza.
E quem faz a fermentação lática?
Não é, isso aqui é a fermentação lática, olha.
A fermentação lática, podem anotar isso, é feita, ela é feita por animais.
A gente, inclusive, faz ela, não é, gente?
E algumas bactérias.
Têm outros tipos de fermentação?
Tem.
Tem a fermentação acética, que produz o ácido acético, feita pelas acetobactérias.
Por exemplo, é a transformação do vinho em vinagre, não é?
Lembra que o vinagre é o ácido acético?
Mas, para o Enem, as campeãs são a fermentação alcoólica e a fermentação lática.
Alcoólica, feita por leveduras aproveitadas na indústria do pão e de bebidas.
A levedura é usada como fermento biológico, por exemplo.
E a fermentação lática é feita por bactérias e também por animais.
É ela, gente, que faz a gente ter cãibra.
O ácido lático, ele é causador da cãibra.
Claro, a cãibra pode ter outra origem.
Mas, geralmente, o ácido lático causa cãibra e lembrem-se que o saldo energético da fermentação é muito baixo, seja álcoólica ou lática.
Então, se meu corpo tiver que escolher entre fazer a fermentação ou a respiração celular, lembra que a respiração celular dá até trinta e dois ATPs, é óbvio que ele vai preferir fazer a respiração celular.
Está, professor, mas por que que às vezes, então, eu deixo de fazer a respiração celular e passo a fazer a fermentação lática?
Porque teu corpo não tem mais oxigênio.
Por exemplo, quando tu faz um exercício físico muito longo, muito extenuante.
Jogador de futebol, por exemplo, sente cãibras nas pernas pelo acúmulo do ácido lático.
Acumulando ácido lático, ele vai ter cãibra.
E por que que ele acumula ácido lático?
Porque ele está fazendo exercício há tanto tempo, que o sangue dele já não consegue mais suprir a demanda de oxigênio que ele precisa para fazer a respiração celular.
E ele ativa uma rota anaeróbica que é a fermentação lática.