Angiospermas
Agora, chegou o grupo de plantas que mais caem em provas, independente de qual seja a banca, do Inep, do Enem, dos vestibulares tradicionais, porque as angiospermas, elas possuem algumas características que são exclusivas delas e que fizeram com que esse grupo tivesse um sucesso reprodutivo tão grande, se tornando o maior grupo de plantas do nosso planeta.
Então, a gente tem mais de duzentos e cinquenta mil espécies já descritas, fora aquelas que a gente não conseguiu descrever, mas que existem, não é porque a gente não descreveu que não existe.
Beleza, gente.
Mas vamos paras as características do grupo, marcantes.
Eu vou trazer aquelas que são as principais que já caíram no Enem, por exemplo.
A primeira coisa que a gente lembrar é o único grupo daqueles quatro grupos vegetais que é um grupo monofilético.
Ou seja, briófitas, pteridófitas e gimnospermas não são um grupo monofilético.
Professor, o que é um grupo monofilético mesmo?
Possui o mesmo ancestral comum.
Além disso, as angiospermas, também, é o maior grupo de plantas.
Eu comentei isso com vocês.
É maior grupo vegetal em termos de biodiversidade, chegando a duzentos e cinquenta mil espécies descritas.
Isso de acordo com o último levantamento.
Cada vez que sai um novo estudo, se acrescentam novas espécies e esse número tem um potencial de passar de trezentos mil, para vocês terem noção.
O Brasil é um dos principais países do mundo que conta com uma maior diversidade de plantas do planeta.
Nós temos aqui no Brasil representantes de todos os vegetais e alguns deles exclusivamente aqui em nosso país, não ocorrendo em outros, por exemplo, que a gente chama de plantas nativas ou endêmicas daqui do Brasil.
São plantas fanerógamas.
Então, aqui, a gente tem que começar a relembrar de alguns conceitos, gente.
Que que é uma planta fanerógama?
São aquelas plantas que têm estrutura de reprodução visível.
O que são plantas sinfogâmicas?
Lembra que o grão de pólen se desenvolve em tubo polínico?
Às vezes o tubo polínico, ele só desce até encontrar a célula germinativa e às vezes ele desce e faz uma volta, um contorno, e penetra por baixo lá na estrutura reprodutiva feminina.
Plantas que conseguem fazer com que o seu tubo polínico se desenvolva crescendo e procurando a célula germinativa, nós chamamos de sinfogâmicas.
Que produzem flores, gente.
Olha aqui.
Nós não tínhamos falado em nenhum grupo vegetal que tinha flor, angiosperma é o único.
Ou seja, toda a planta que vocês verem e tiver uma flor, vocês podem cravar que é uma angiosperma.
Não existe outro grupo vegetal que tenha flor que não seja angiosperma.
Ah, mas a araucária não tem a pinha?
A pinha não é uma flor.
Nem de longe a pinha lembra uma flor, né, gente?
E a grande maioria das plantas que têm flores, vão produzir frutos que a gente consegue ver e dizer: ah isso é um fruto.
Outras vezes, vai ter fruto, também, mas vocês vão ter muita dificuldade para entender que aquilo é um fruto, mas não se preocupem.
A gente vai falar num segundo momento sobre frutos e aí eu vou explicar a diferença dos frutos comuns para os outros menos comuns, digamos assim, mas toda angiosperma tem flor e, geralmente, a flor se desenvolve e forma fruto.
O pinhão não é um fruto.
O pinhão é uma semente.
Beleza?
E os frutos levam a proteger a semente.
Então, a semente, geralmente, está dentro do fruto.
Nem sempre eu vou ter fruto e nem sempre eu vou ter semente, mas, geralmente, quando tem fruto, o fruto está protegendo a semente.
Por exemplo, em gimnospermas, a gente só tem semente, tanto é que gimnosperma significa dizer semente nua, sementes que não têm frutos.
Outra característica importante é que as angiospermas, elas conseguiram conquistar habitats pouco explorados por outras plantas, por exemplo,
como ambientes aquáticos, inclusive ambientes marinhos e, também, nos desérticos, ambiente que eu tenho pouca disponibilidade de água, por exemplo, o cactos, o cactos é uma planta que vive adaptada a um ambiente desértico com pouca disponibilidade de água.
Claro que a planta vai ter que desenvolver outras estruturas anatômicas, funcionais para viver naquele ambiente, mas ele consegue.
As angiospermas apresentam, e isso,fica muito evidente quando a gente fala de processo de polinização, uma coevolução com animais.
Embora gimnospermas possam apresentar essa coevolução quando a gente fala do pinhão lá, da araucária, a gente pode falar da gralha, da gralha azul.
A gralha é o principal dispersor da semente de araucária.
As gralhas azuis, elas vão lá, pegam um pinhãozinho, enterram para comer depois, esquecem onde enterraram e vão pegar outro.
Nesse esquecer de onde enterrou, ela acabou de plantar uma araucáriazinha.
Então, as gralhas azuis, para as araucárias, para as gimnospermas, são o principal agente dispersor da semente.
Aqui em angiospermas, nós temos vários animais, insetos, para levar o grão de pólen.
Então, a gente tem dispersão do grão de pólen, dispersão da semente.
A gente tem dois tipos de dispersão diferente aqui em angiospermas.
Lá nas gimnospermas não, a dispersão do grão de pólen, ela é sempre pelo vento.
Aqui não, aqui a gente vai ter insetos, dispersando semente, aves dispersando semente, mamíferos, roedores, enfim, morcego, que é um mamífero voador, a gente pode ter vários animais aqui.
Algumas espécies são parasitas, sim, isso eu trouxe, justamente, porque o seguinte, gente.
Existe um estudo bem recente que levantou o número de espécies parasitas de angiospermas, chegando até três mil.
Ou seja, quando a gente pensa em planta, é impossível a gente pensar em uma planta que não faça fotossíntese, mas acreditem existem plantas que não fazem.
Elas conseguem se nutrir da seiva de outras plantas.
O cipó chumbo é uma planta que faz isso, por exemplo.
Então, ele até é amarelo, ele não é verde.
Então, sim, existem plantas parasitas que não fazem fotossíntese ou a fotossíntese é um processo secundário.
Elas pegam o alimento, principalmente extraindo de outras plantas.
Existem plantas parasitas não fotossintesizantes dentro das angiospermas de tão diversificado que é esse grupo.
O processo de polinização, como eu comentei com vocês, é bem sofisticado, tendo três principais.
Tem aves levando o grão de pólen.
Tem insetos levando o grão de pólen.
E tem, também, o morcego levando o grão de pólen.
Para cada um desses tipos de polinização tem um nome.
Quando é aves, nós falamos que o processo chama se ornito, porque ornito é ave, um ornitólogo é um especialista em aves.
Ornitofilia é o transporte do grão de pólen por aves.
Morcego é quiropterofilia, porque o morcego é um representante da classe dos quirópteros.
Insetos é entomo, entomo é o estudo dos insetos.
Entomofilia.
Beleza?
Então, olha só.
As angiospermas podem ter seu grão de pólen disperso por várias aves, que vão lá, o beija-flor vai sugar o néctar da florzinha e pega o grão de pólen e leva para outra planta.
Por insetos, como as abelhinhas e vários outros.
E o morcego lá, também, quando vai sugar o néctar, ele pode levar o grão de pólen para tudo quanto é canto.
Como é que a gente divide as angiospermas atualmente?
A gente tem quatro grupos.
Lembrando que todos eles são monofiléticos e possuem o mesmo ancestral comum.
É essa classificação aqui, gente.
Nós temos as angiospermas basais, as monocotiledôneas, as magnolioides e as eudicotiledôneas, as verdadeiras dicotiledôneas.
E esses dois grupos aqui aparecem bastante prova, que são as monocotiledôneas e as eudicotiledôneas.
A gente até poderia dizer assim: ah, a maioria das monocotiledôneas são cereais e gramíneas, cereais e gramíneas.
E a maioria das eudicotiledôneas são as leguminosas e, popularmente, a gente chama de frutíferas.
Quase todos os frutos que a gente come são eudicotiledôneas.
Mas, eu trouxe aqui para vocês, olha só, as principais diferenças desses dois grupos, porque é justamente isso que o Enem já abordou.
Eu trouxe uma tabelinha aqui só para vocês, para facilitar a vida de vocês.
Então, olha só.
Nós vamos analisar cinco estruturas, por exemplo, o número de folhas embrionárias que cada uma das, dos grupos vai ter.
A disposição ou a organização do feixe vascular, quando a gente der um corte no caulezinho, a gente vê isso.
A organização das raízes, como que é a disposição lá de floema e xilema, das nervuras dos vasos condutores de seiva.
E o número de pétalas, também.
Eu estou comprando cereais e gramíneas com leguminosas e frutíferas.
Cereais possuem um cotilédone só.
Por isso que o nome é monocotiledônea.
Ou seja, quando a gente planta lá milho, arroz, centeio, cevada, tudo isso que a gente vai plantar, vai nascer uma única folhinha embrionária, tipo isso aqui, uma única folhinha desse.
Aqui a gente tem vários ramos, porque depois se formam vários ramos, mas enquanto é um embrião, nós vamos ter somente uma folhinha.
Vamos ter, vai ter isso aqui saindo.
Você botou um milhozinho lá.
Do milhozinho vai sair uma única folhinha desse tipo aqui.
Então, um único cotilédone para os cereais e para as gramíneas.
Já no caso das eudicotiledônias, que são as leguminosas, feijão, vagem, soja, ervilha, enfim, todas as plantas que tem a vagenzinha que se abrem lá são chamadas de leguminosa, também as frutíferas vão ter dois cotilédones.
Ou seja, quando a semente germinar, vai nascer duas folhinhas embrionárias, vai nascer isso aqui.
Vai nascer uma folhinha, geralmente, para a esquerda e uma folhinha, geralmente, para a direita.
É isso aqui que se desenvolve.
Plantou um feijãozinho, vai nascer duas folhinhas.
Claro, dessas duas, depois, podem nascer várias, mas quando é o embrião, lá dentro da semente, duas folhinhas embrionárias.
Isso que é cotilédone, cotilédone é folha embrionária.
Beleza, se a gente pegasse ali um pé de cana.
Para quem não sabe, cana é uma gramínea.
E fizer um corte e colocar um corante específico, a gente vai ver essas bolinhas aqui.
Isso são os vasos condutores de seiva, xilema e floema.
Não tem organização, é tudo espalhado.
Então, em plantas do tipo monocotiledôneas, que são gramíneas e cereais, nós não vamos ter a organização do cilindro central.
Diferentemente do que ocorre se a gente fizer um corte no caule de um feijão, de uma soja, de uma ervilha, de uma lentilha ou de qualquer árvore frutífera.
Nós vamos ver que xilema e floema possuem uma disposição ao redor do cilindro central, sendo o xilema mais interno e o floema mais externo.
Então, a gente teria um monte de xilema aqui assim e um monte de floema aqui.
Cada um desses raiozinhos é um floema.
Então, o cilindro central de monocotiledôneas não tem organização e das dicotiledôneas é a organização central.
A raiz também, gente.
A raiz de uma gramínea, ela não tem uma raiz principal.
São várias radículas, ou várias raízes do tipo secundária.
Nas eudicotiledôneas, nas leguminosas e frutíferas, nós temos uma raiz principal, que a gente chama de axial ou pivotante, de onde desta raiz principal partem raízes secundárias, radículas, tem uma raiz principal, coisa que não tem na gramínea, a gente chama essa raiz de fasciculada ou cabeleira.
A nervura da folha, é só pegar uma gramínea na mão.
Vai ver que as nervuras são todas assim, paralelas, exagerando, deixa eu fazer uma aqui, se eu fizer uma grama aqui, uma folha de grama compridinha, nós veremos uma coisa assim, as nervuras são assim, mais ou menos assim.
Agora, se a gente pegasse uma folhinha normal, nós veríamos uma nervura central, de onde partem nervuras secundárias.
Nas gramíneas e cereais, nervuras paralelas e a planta, se a gente destacar aqui, no pé tipo uma bainha, assim.
Então, as gramíneas possuem nervuras paralelas com invaginação, que é a bainha quando se fecha.
Já essas plantinhas do tipo eudicotiledôneas, né, as leguminosas e as frutíferas, a planta, a folha vai ter um pecíolo, que é o famoso talinho da folha.
Essa aqui não tem pecíolo, essa aqui tem.
Então, peciolada com a nervura em forma de rede, isso aqui pode dizer que lembra uma rede.
Na verdade, isso aqui é sem bainha, eu botei com, mas é sem bainha.
Essa aqui é com bainha e essa em bainha.
Número de pétalas.
Geralmente, ou as flores vão ter três ou seis, nove, doze, múltiplas de três.
Já nas eudicotiledôneas, quatro ou cinco e múltiplas de quatro ou cinco.
Então, aqui é três, aqui é quatro, cinco.
Ou aqui é seis, aqui é oito ou dez.
Essas são as principais características que podem aparecer dos dois grupos preferenciais das angiospermas, que são as monocotiledôneas e dicotiledôneas.