Clonagem
Talvez esse seja o assunto mais enigmático que a prova do Enem pode abordar.
Embora muito tenha se visto em filmes que a clonagem humana é totalmente possível depois da descoberta da ovelha Dolly, que é o clássico exemplo quando a gente estuda clonagem animal, sabe-se que, de fato, a colagem animal, ela se modificou muito, principalmente por questões éticas que possibilitariam a clonagem em seres humanos.
O intuito da técnica é muito promissor, porque através da clonagem animal, por exemplo, nós poderíamos clonar órgãos humanos que não houvessem rejeições quando fossem transplantados para a própria pessoa que está necessitando, visto que teria o mesmo DNA que ela.
Então não sofreria rejeição.
Mas essas técnicas ultimamente ficaram de lado por questões éticas.
Como o nosso intuito não diz respeito à parte ética, a gente vai tentar entender o mecanismo de formação de um clone animal, porque é isso que o Enem aborda em suas provas.
Beleza?
Então acompanha aqui, gente.
Tudo começou, óbvio, com uma ovelhinha que doou uma célula germinativa, um ovócito, tal como as meninas, que têm o ovócito secundário, a ovelhinha tem também a sua célula germinativa, o seu gameta, chamado de ovócito.
Essa ovelhinha, portanto, que nós vamos chamar de ovelhinha, vamos dar um nomezinho para ela.
Vamos dizer que ela é a Mary.
A ovelha Mary doou lá, o ovocitozinho.
Tem uma outra ovelhinha, que a gente extraiu dela, células da glândula mamária, que nós vamos chamá-la de ovelhinha Larry.
Então nós temos a Mary e a Larry.
Beleza.
A Mary doou células germinativas, o ovócito, e a Larry doou células mamárias, células de um tecido qualquer.
O que que aconteceu, gente?
A gente pegou o ovócito da Mary e isolamos dele, o núcleo.
Então é como se eu pegasse o ovócito e olha, sacasse fora o núcleo.
Beleza.
Não tem mais núcleo.
Está lá, só o esqueleto da célula sem núcleo.
E aí, o que que a gente fez?
A gente pegou as células da glândula mamária da Larry e deixamos somente o núcleo.
Então, é como se a gente tirasse todo o resto.
Para não ficar só uma bolinha laranja, eu deixei aqui.
Mas pensem que é essa célula com núcleo.
Beleza.
E o que que a gente fez?
Bom, para que a gente conseguisse colocar o núcleo dessa célula dentro disso aqui, algumas coisas deveriam ter sido feitas ou foram feitas, melhor dizendo, nessa célula, que permitisse isso.
Tirar o núcleo de uma célula é relativamente fácil.
Agora, pegar esse núcleo íntegro e jogar dentro do outro, não é tão simples assim.
Então, a primeira coisa que a gente teve que fazer, a gente teve que isolar o núcleo das células da Larry, que é essa ovelhinha ali, que deu para a gente o núcleo.
Então, a gente isolou esse núcleo lá, olha só.
A gente isolou o núcleo das células da glândula mamária da Larry.
Beleza.
Depois que a gente tirou esse núcleo, a gente o colocou dentro de um meio de cultura.
A gente falou, a gente fala cientificamente, que a gente incubou.
É jogar dentro.
De um meio de cultura em que não houvesse nutrientes.
Por que?
Se os nutrientes fossem fornecidos para o núcleo dessa célula isolada, essa célula poderia sofrer o processo de modificação, mutação, e aí a gente teria uma célula diferente daquela que a gente tem interesse em analisar.
Então a gente colocou o núcleo isolado dentro de um meio de cultura em que não houvesse nutrientes para que a célula permanecesse no que a gente chama de estado de latência ou estado de dormência.
Agora que a gente pegou as células da glândula mamária da Larry, isolou esse núcleo, colocou-o dentro de um meio de cultura incubado, sem nutrientes, para que ele não sofresse modificações, somente agora nós temos uma célula nucleada, ou melhor dizendo, um núcleo celular pronto para o processo de clonagem.
Então tem que passar por esse processo: isolamento, incubação no meio de cultura sem nutrientes, para que ela permaneça no estado de latência e de dormência.
E agora, o que que a gente fez?
Bom, agora a gente juntou tudo isso dentro de um liquidificador e bateu.
Claro que não, não é?
A gente fez uma infusão, ou seja, nós pegamos este ovócito que não tinha núcleo e jogamos dentro dele o núcleo da célula do Larry.
Então agora nesse conjunto nós temos esqueleto do ovócito de Mary, mais núcleo da glândula mamária da Larry.
E agora, professor?
Bom, agora, gente, para que haja paridade do núcleo da célula da Larry com o ovócito da Mary, nós temos que fazer uma estimulação elétrica.
A gente dá um choquezinho.
Com esse choquezinho a gente acaba ativando alguns genes que permitem a integração do núcleo da Larry com o esqueleto das células da Mary.
Está, professor.
E agora?
Bom, gente.
Agora a gente transfere esse material para um novo meio de cultura.
Agora sim, com nutrientes.
Para que?
Para que haja o processo de proliferação celular.
Agora eu quero que essa célula se multiplique cada vez mais.
Beleza.
Vai ter essa multiplicação?
Vai.
Deixa eu botar aqui para vocês.
Vai ter essa multiplicação.
E agora, que que a gente vai fazer?
Agora, gente, a gente vai colocar essa massa celular que é muito, muito, muito parecida com um embrião, dentro do útero de uma terceira ovelhinha que nós vamos chamar de Perry.
Eu não sou muito bom para nomes, pessoal.
De Perry.
Então nós temos a Mary, a Larry e a Perry.
Beleza.
Então agora, a Perry nada mais é do que uma ovelhinha, entre aspas, barriga de aluguel.
Porque ela está recebendo o conjunto esqueleto Marry mais núcleo Larry.
Beleza.
Está, e o que que vai acontecer?
Dentro de Perry, dessa ovelhinha, vai se desenvolver essa massa celular.
Vai se desenvolver esse embrião.
E os pesquisadores viram que esse desenvolvimento fez surgir, exatamente.
A ovelhinha mais famosa do planeta Terra, que é a ovelhinha chamada de Dolly.
Gente, quem é a ovelha Dolly?
A Dolly é clone de quem, gente?
Alternativa A: Dolly é clone de Larry; alternativa B: Dolly, na verdade, clone de Mary; ou alternativa C: Dolly é clone de Perry.
Eu deixo para vocês pensarem um pouquinho.
Pausa o vídeo e daqui alguns minutinhos vocês respondam novamente.
Beleza.
Já pensaram?
Então, acertou quem marcou a letra A.
Por que a letra A?
Por que que a Dolly é um clone de Larry?
Exatamente.
Porque Larry foi a ovelhinha que doou o núcleo celular.
E o que que tem dentro do núcleo celular?
Ora, tem o DNA de Larry.
Então a ovelha Dolly é um clone de Larry.
Professor, mas ela não foi gerada dentro de Perry?
Então não deveria ter as características da mamãezinha dela?
Não.
Está.
Não tem, porque a mãe foi só uma barriga de aluguel, serviu só de espaço para a proliferação.
Mas então ela não deveria ter a cara da Mary, visto que a Mary é que tem a célula germinativa?
Mas lembra que da célula germinativa da Mary, foi tirado o seu núcleo.
Era só uma casca, era só um esqueleto.
Um veículo.
Quem tem o DNA com as características é a ovelha Larry.
Portanto a ovelha Dolly é um clone da ovelha Larry.
Entenderam?
E é exatamente isso que o Enem vai fazer com vocês.
Só que ele não vai usar a Dolly que nem eu usei, porque esse é o caso clássico.
Ele vai usar uma planta, um protozoário, um fungo, uma ave, um boi.
Qualquer outro animal que não seja a Dolly, porque essa já foi explorada e estudada muito.
Beleza, gente?
Mas o que que vocês têm que ter em mente?
O seguinte: o organismo clonado é, na verdade uma cópia perfeita de quem deu o DNA para que ele fosse clonado.
De novo: o organismo clonado, que nesse caso aqui, o clone, melhor dizendo, que nesse caso aqui é a Dolly, é uma cópia perfeita do organismo que doou o núcleo, o DNA para que houvesse o clone.
Entendido?
Bom, o Enem pode vir exatamente pedindo uma dessas etapas aqui.
Você tem que estar atento a isso, mudando o exemplo, é claro.
Mas outro ponto que eu quero chamar atenção para vocês é o seguinte: quando a gente clona células, a gente não tem só o DNA do núcleo.
Nós também temos o DNA mitocondrial.
Então aqui, olha, nesse ovócito isolado tem o DNA mitocondrial de Mary.
Então, olha só que interessante.
Se o Enem perguntasse: a ovelha Dolly tem quantos tipos de DNA?
A resposta seria dois.
Um DNA nuclear de Larry e um DNA mitocondrial de Mary.
Por quê?
O DNA mitocondrial está dentro da mitocôndria.
E dessa célula foi só tirado o núcleo.
As mitocôndrias e as organelas permaneceram.
Então na Dolly a gente tem o DNA do Larry, que foi a ovelha que deu o núcleo para que houvesse esse processo de clonagem, e também de Mary, que foi a ovelha que cedeu o ovócito.
E da ovelha Perry?
Poderia ter alguma coisa?
Gente, que doido isso, não é?
Poderia, porque Dolly poderia ter resquício de células que foram passadas para ela enquanto ela estava se desenvolvendo na barriguinha de aluguel de Perry.
Mas isso não é tão bem descrito cientificamente.
Por isso que a gente não diria, mas poderia.
Poderia ter, portanto na Dolly, uma parte de células, de acordo com a técnica do mosaicismo ou do microquimerismo, de Perry.
Então, moral da história: Dolly é uma colcha de retalhos, digamos assim, das três ovelhas?
Não.
Ela tem a aparência, ela é o clone, ela tem o DNA, então, portanto, ela é o clone perfeito de Larry.
A mesma carinha da Larry lá.
Beleza, gente?
Sobre clonagem é isso.
Nada além disso pode ser exigido pelo Enem, porque a gente até aprofundou bastante essa questão.
Está bom?
Espero ter ajudado vocês e até mais.