Tecido Nervoso
O tecido nervoso, de todos os quatro tecidos humanos que a gente estuda, ele é o mais difícil, porque é o que tem mais funções relacionadas; é o tecido nervoso.
Então, geralmente esse é um calo, assim, um tecido que as pessoas, em via de regra, têm um pouco de aversão.
Mas o fato é que quando aparecem questões relativas ao tecido nervoso, elas são muito restritas a um pequeno grupo de alternativas.
Então, se a gente pelo menos conseguir identificar o tipo celular que está sendo referido para a gente, ou ainda uma ou outra situação, a grande maioria das questões, a gente já vai conseguir resolver.
A primeira coisa que a gente tem que lembrar de tecido nervoso é a constituição celular dele.
O tecido nervoso vai ter basicamente dois tipos de células: células que são especializadas na condução do impulso elétrico nervoso, que nós vamos chamar essas células de neurônios.
São as células mais famosinhas, eu diria assim, do sistema nervoso e células que não têm essa especialização de condução de impulso, que são as células da glia.
Ou seja, se nós fôssemos comparar isso com, por exemplo, pessoas que praticam esportes, nós temos pessoas profissionais, que são os neurônios e pessoas que praticam esporte amador, que são as células da glia.
Então neurônio é uma célula especializada na propagação, na transmissão, na captação do impulso elétrico nervoso.
As células da glia não; são células admiradoras do processo.
Claro, elas têm uma função específica, mas não é a função de transmissão e propagação de informações.
Além disso, esse conjunto de células da glia, que nós vamos chamar de neuroglia.
Portanto, células da glia ou neuroglia para a gente vai ser a mesma coisa.
A diferença é que existe um conjunto de células da glia que nós vamos chamar de neuroglia, será constituída pelas células de Schwann.
Essas celulinhas, chamadas de células de Schwann, vão formar uma estrutura chamada de bainha de mielina, somente nas células do sistema nervoso periférico.
A gente vai ver depois, a função da bainha de mielina.
Uma das funções dela.
Então, nas células do sistema nervoso periférico, as células de Schwann vão formar a bainha de mielina.
Já nas células do sistema nervoso central, a bainha de mielina será formada pelos oligodendrócitos, um outro tipo celular.
E olha que interessante.
O Enem exigiu exatamente isso.
Qual era o nome das células que formavam a bainha de mielina nas células do sistema nervoso periférico.
E a resposta era células de Schwann.
Mas pode ser que eles perguntem qual é o nome das células que formam a bainha de mielina no sistema nervoso central.
E aí a resposta seria os oligodendrócitos.
Outra coisa: o neurônio, ele é formado basicamente por três partes, que nós vamos ver já já.
Uma delas, que é a mais diferentona delas, chama-se axônio.
A gente chama popularmente de rabinho ou caudinha lá do neurônio.
O conjunto de vários axônios, várias caudinhas e suas bainhas de mielina, nós vamos chamar de fibra nervosa.
Então, gente, toda vez que vocês ouvirem falar que um determinado acidente foi grave ao ponto de romper uma fibra nervosa, significa dizer que houve a ruptura, a ruptura do axônio de vários neurônios com suas bainhas de mielina.
E aí, muito provavelmente, vai haver a perda de comunicação de estruturas, fazendo com que o indivíduo, por exemplo, não consiga mais movimentar um determinado órgão, uma determinada estrutura, um determinado membro.
Isso até hoje a gente não consegue fazer o religamento, digamos assim.
Claro, dependendo da estrutura.
Estruturas mais simples, como, por exemplo, uma fibra nervosa de um dedo, até é possível.
Mas uma fibra nervosa da coluna vertebral, já é mais complicado.
O que é a fibra nervosa?
São vários axônios com suas bainhas.
Os nervos, por suas vezes, são feixes de axônios.
Vários e vários e vários axônios reunidos, aglomerados uns aos outros.
Entenderam?
Então, olha.
O conjunto formado por axônio e bainha é fibra.
Agora,
quando têm várias fibras, que são os axônios com suas bainhas, quando têm várias fibras, portanto vários axônios com suas bainhas, eu vou ter lá os nervos, está?
Então, ah, eu estou com os nervos à flor da pele.
Você está com seus axônios e suas bainhas à flor da pele.
Beleza?
Anatomicamente falando e citologicamente falando, é isso o que você tem.
Eu vou mostrar aqui para vocês agora, deixa eu baixar aqui, a anatomia de um neurônio, ou seja, quais são as principais estruturas que, se aparecessem na prova, a gente deveria saber reconhecer.
Primeira coisa: o neurônio, basicamente tem três partes.
Essa primeira parte aqui do neurônio, deixa eu desenhar aqui, essa primeira partezinha, olha, nós vamos chamar de corpo neuronal.
O corpo neuronal é toda essa partezinha aqui, olha.
Que vai ter lá as organelas aqui dentro, ou seja, mitocôndrias, centríolos, enfim, lisossomos, todas as organelas citoplasmáticas normais que uma célula tem.
Além das organelas, no próprio corpo neuronal, nós vamos ter essas estruturas aqui, olha.
Que lembram muito galhos de uma árvore.
Nós vamos chamar isso de dendritos, tal como esses aqui.
Só que esses dendritos são de recepção, ou seja dendritos receptores.
Eles são responsáveis por captar o estímulo.
Então, no corpo neuronal, nós vamos ter as organelas e o núcleo, tal como em qualquer outra célula, e esses galhos de árvore que são responsáveis por captar os estímulos nervosos.
Então esses galhos de árvores captam os estímulos nervosos e vão transmitir por esse rabinho, caudinha que nós vamos chamar de axônio.
Isso é o axônio, gente.
O que é o axônio?
O axônio é um prolongamento do neurônio, responsável por propagar o impulso elétrico nervoso.
Os dendritos receptores captam o estímulo nervoso, a informação sensorial, o axônio transmite.
Transmite para onde?
Lá para a raiz, digamos assim, dessa grande árvore chamada neurônio.
Então a gente pode dizer que aqui tem os galhos, aqui tem o tronco e aqui está a raiz.
Beleza?
Bom, o axônio vai ter algumas particularidades.
A primeira delas é justamente aquela estrutura que a gente falou lá em cima, que é a bainha de mielina.
O que é a bainha de mielina?
A bainha de mielina é uma estrutura presente nos neurônios de animais vertebrados, não é?
Animais invertebrados não possuem bainha de mielina.
Responsável por isolar eletricamente.
Então a bainha de mielina é um isolante elétrico.
Isolante elétrico, professor?
Como assim?
Isso mesmo.
Isolante elétrico, ou seja ela faz, elétrico, ela faz com que o pulso elétrico que vai ser propagado através do axônio salte de nódulo em nódulo.
Olha.
Percebam que em alguns pontinhos aqui, aqui, a gente não tem deposição da bainha de mielina.
A gente tem os nodulozinhos, nódulos de Ranvier, olha.
Por quê?
Porque dessa forma, a bainha de mielina isolando eletricamente a maior parte do axônio, o pulso, ele é dito saltório.
Ele vai saltando de nódulo em nódulo, ganhando velocidade.
Ou seja, neurônios que possuem bainha de mielina propagam o seu sinal mais rápido.
Neurônios que não possuem bainha de mielina propagam o seu sinal mais lentamente.
Gente, esse mais rápido e mais lento é milissegundos, não é?
Por favor.
Mas isso faz diferença.
Isso faz diferença.
Então, olha só.
No axônio nós vamos ter a bainha de mielina, que a gente já viu, no sistema nervoso central e no periférico, do que é constituído cada um.
A gente viu no sistema nervoso periférico é a células de Schwann que faz, no central são os oligodendrócitos.
O que é um nódulo de Ranvier, mesmo, professor?
É o local do axônio, onde não ocorre a deposição da bainha de mielina.
E é justamente de nódulo em nódulo que o pulso elétrico vai saltar.
Ah, é verdade.
As células de Schwann é o quê, mesmo?
É quem forma a bainha de mielina.
Nas células do sistema nervoso periférico.
Portanto, esse é um neurônio do sistema nervoso periférico.
Beleza.
Está, professor.
Os dendritos receptores captaram um estímulo nervoso e vão propagar agora saltando de nódulo em nódulo pelo axônio.
E aí, quando chega lá?
Quando chega nos dendritos terminais pessoal, vamos supor que a gente pegasse esse neurônio, desse um control C e jogasse ele para cá, control V.
Aqui teria um outro neurônio.
olha.
A gente chamaria - inclusive esse neurônio um e esse neurônio fictício dois, que não está representado aqui, mas a gente poderia - esse neurônio um de neurônio pré sináptico e esse neurônio dois de pós sináptico.
Pré e pós.
Porque esse grande espaço, nós podemos chamar de sinapse.
Claro, a gente vai falar disso lá em fisiologia.
O que seria a sinapse?
A sinapse nada mais é do que o local, ou fenda sináptica, de ocorrência da liberação dos neurotransmissores.
E aí, a gente vai ter lá a inversão do papel do pulso elétrico para um sinal químico, digamos assim.
Daí vai ter a captação lá dos neurotransmissores, e a conversão disso em um novo sinal.
Tudo isso porque a gente precisa ter uma resposta coordenada do sistema nervoso como um todo.
Mas, no que tange a anatomia do neurônio, a gente está bem servido.
Nós vimos que no corpo neuronal nós vamos ter as estruturas normais que todas as células têm, todas as organelas com o núcleo.
Além disso nós temos esses galhos, que a gente chamou de dendritos receptores, que vão captar o estímulo nervoso, fazendo com que ele seja transmitido pelo axônio, por essa caudinha, que é toda modificada.
Por exemplo, ela é revestida com isolante elétrico, chamado bainha de mielina, que, nas células do sistema nervoso periférico são formadas pelas células de Schwann.
E esse pulso captado pelos dendritos vai saltar de nódulo em nódulo, ganhando velocidade até que chegue nos dendritos terminais, que estão lá no finalzinho do neurônio.
Esses dendritos terminais vão liberar um monte de neurotransmissores na fenda sináptica, fazendo com que o outro neurônio que está depois da fenda sináptica, portanto pós sináptica, capte esses mensageiros celulares e dê sequência na propagação do impulso elétrico.
E aí, por exemplo, a gente pode ter um neurônio muscular e aqui, por exemplo, células da placa muscular.
E aí a gente tem uma junção neuromuscular e aí, não é?
A contração de um bíceps, por exemplo.
Beleza, gente?
No que tange, então, a anatomia de um neurônio, era isso.
Para finalizar, eu quero só trazer essa imagem aqui, para vocês, que é a imagem do arco reflexo.
Como é que funciona?
Você está caminhando, lá na sua rua e finca um prego no pé.
A primeira coisa que acontece são os neurônios lá da sola do seu pezinho perceberem, não é?
Neurônios vão ter transmissores de dor, os nossos receptores.
Então eles vão perceber que houve um disparo para dor.
Esses neurônios sensitivos enviam um sinal para dentro da sua medula.
Por que?
Porque é um caminho mais curto, não é?
Veio do pé até a coluna.
Não precisa subir até lá o cérebro, e depois voltar.
Veio até a medula.
Beleza.
Esses neurônios sensitivos levam, via neurônio sensorial, até a medula.
A medula, na medula vai ter a conexão, esse neuroniozinho vermelho, chamado de interneurônio, e aí, esse interneurônio vai falar assim, olha: olha, você que veio trazendo a dor eu vou informar para um outro neurônio que tem que recolher o seu pé lá do prego, porque se não, vai continuar doendo.
E aí esse interneurônio vai fazer a integração da informação, dizendo: ei, neurônio motor, puxa a panturrilha, o pé, levantando e tirando o prego que está enfiado no seu pé.
Ou seja, nas cinco etapas deste processo, na primeira nós vamos ter a recepção da informação.
Depois o envio dessa informação.
É como se esse segundo neurônio, aqui, o neurônio sensorial, fosse um mensageiro até um neurônio que faz a comunicação.
Ele traduz.
Esse neurônio que traduz, que é um interneurônio, ele vai dizer: ei, está doendo e temos que fazer alguma coisa!
Então ele vai dar a ordem.
Ele vai dizer: olha - aqui no centro de integração, que é a medula - olha, neurônio motor, você vai precisar fazer alguma coisa.
Eu sugiro que você, por exemplo, levante sua perna, lá, seu pé e tire o prego que está enfiado.
E o neurônio motor, ele é um executor.
Ele vai dizer: beleza!
Então o neurônio motor, ele envia, que ele está aqui em vermelhinho, ele envia um sinal lá para a junção neuromuscular, fazendo com que haja contração, por exemplo, da panturrilha ou do calcanhar e a gente erga o pé.
Só que isso tudo, gente, é muito, a gente não coordena; é muito rápido.
É um reflexo natural do nosso corpo.
É a mesma coisa, para quem lembra lá do seriado Chaves, quando ele, o doutor Chapatin dá uma batida com aquele martelinho no joelho dele; ele dá um chutezinho.
Aquilo é um arco reflexo.
Então vai de neurônio sensitivo para neurônio sensorial para um interneurônio ou neurônio intermediário até um neurônio motor.
Ainda esses outros neurônios podem ter nomezinhos diferentes.
Por exemplo, esse neurônio sensorial pode ser chamado de aferente, aferente.
Porque ele está chegando com a informação.
E esse neurônio efetor pode ser chamado de eferente, porque ele está saindo.
Ou esse aqui também, eferente.
Então, já caiu arco reflexo no Enem e pode ser que apareça de novo.
Gente, no que diz respeito a histologia do sistema nervoso, estamos bem preparados para qualquer questão.