Vírus
Quando a gente fala de vírus, a maioria das pessoas entendem que são microrganismos que causam doenças e tudo mais.
Mas na verdade é sobre exatamente isso que a gente vai falar hoje.
A primeira coisa que a gente tem que lembrar de vírus é que eles não são seres vivos, está?
O Enem não vai cair muito nessa, perguntando se ele é ou não.
Mas, para a gente, a gente tem que lembrar que os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios.
Eu costumo dizer que o vírus é um pacotinho de proteína, que pode ser do bom ou do mau; e essa proteína obrigatoriamente só vai se manifestar dentro das células, parasitando elas.
Então, vírus que do latim significa veneno, mas nem sempre é do mal, está?
São parasitas intracelulares obrigatórios; devem obrigatoriamente viver dentro da célula hospedeira.
Além disso, não são organismos celulares; eles não têm célula.
Isso é uma das coisas que tornam o vírus um ser não vivo, não é?
Ele é acelular e ele não vai ter nenhum tipo de processo metabólico próprio.
Todo o tipo de processo metabólico que os vírus têm, obrigatoriamente ele vai ter dentro da célula hospedeira.
Lembra, porque ele é um parasita obrigatório.
E o que ele faz?
Ele se apodera da maquinaria celular da célula hospedeira.
Então ele usa essa maquinaria, os ribossomos, as enzimas, não é?
As proteínas da célula hospedeira para ter qualquer tipo de processo metabólico, porque ele por si só não apresenta; só vai apresentar quando obrigatoriamente ele está dentro das células que ele está parasitando.
Eles possuem uma alta especificidade quanto ao seu hospedeiro, ou seja, geralmente o vírus x só vai atacar o hospedeiro x, tal como o vírus y só ataca o hospedeiro y.
Existem algumas exceções, existem alguns vírus que, devido aos seus processos de mutação, podem atacar mais de um hospedeiro, mas no geral, a maioria esmagadora dos vírus atacam especificamente somente um organismo.
A gente viveu a pandemia do coronavírus, onde inicialmente se acreditava que o coronavírus pudesse ter seu reservatório natural em morcegos, e de alguma forma se hibridizou esse vírus e entrou na população humana, está?
Mas, no geral, os vírus são altamente específicos para somente um hospedeiro.
O tamanho é variado de até duzentos a mil nanômetros.
O que seriam mil nanômetros, para vocês terem uma ideia de escala?
O Maracanã seria uma célula humana; uma bola de futebol no centro do estádio Maracanã seria uma bactéria; dentro dessa bola de futebol, nós poderíamos colocar até dez milhões de alfinetes.
Cada um desses alfinetes seria um vírus.
Para a gente ter uma ideia de tamanho.
O vírus é muito, muito, muito muito pequeno.
Inclusive, a gente não consegue ver ele a olho nu e muito menos num microscópio ótico, que são aqueles mais comuns.
A gente só consegue ver os vírus em microscopia eletrônica.
Isso não apareceu, mas pode ser que apareça.
Ah, e diferentemente da bactéria, o vírus, não se esqueçam, ele tem que entrar dentro da célula obrigatoriamente.
Bactérias podem viver ao redor das células.
Altas taxas de replicação e mutação, o que faz com que seja muito difícil os processos de vacinação.
Então, por isso que, para a grande maioria dos vírus, a gente não consegue ter uma vacina eficaz.
Porque eles se reproduzem muito, se replicam muito, e cada replicação tem uma taxa de mutação.
Então, quanto mais replicação, mais mutação.
Quanto mais mutação, mais variação.
Mais diferente o vírus fica a cada vez que se multiplica.
E aí é por isso que a gente não consegue ter vacinas tão eficazes.
Possuem uma adaptação variada
ao seu hospedeiro.
Isso aqui é bem interessante a gente falar.
Vírus, gente, a gente nunca pensa do ponto de vista do vírus, não é?
A gente pensa sempre do ponto de vista humano.
Mas assim, se eu sou um organismo, se eu sou um vírus, está?
E eu tenho que viver dentro de um hospedeiro, por exemplo, o ser humano, eu não quero matar o ser humano.
Por quê?
Se eu matar o ser humano, é como se eu tocasse fogo na minha própria casa.
Eu estou matando o local onde eu moro, o local onde eu me alimento, o local onde eu me reproduzo.
Então, vírus que matam os seus hospedeiros são vírus mal adaptados ao seu hospedeiro.
Por exemplo, vários vírus, não é?
A gente teve surtos aí da covid, que são vírus que matam muito seus hospedeiros; o vírus do HIV lá, quando surgiu, matava muito seu hospedeiro.
Em compensação, a gente tem vírus que quase não matam seu hospedeiro.
Por exemplo, o vírus da herpes, não é?
O vírus da herpes, a maioria das pessoas tem ou vai ter.
Existe um estudo que diz que noventa por cento da população tem ou vai ter.
E a maioria das pessoas nem sequer tem sintoma, não é?
É assintomático.
Então o vírus da herpes, ou até propriamente o vírus da gripe, hoje em dia, já é um vírus que está bem adaptado à população humana, não causando a morte do ser humano.
Um vírus bem adaptado, portanto.
Vírus que mata é mal adaptado.
Vírus que não mata que é, na maioria das vezes, assintomático, é um vírus bem adaptado.
Em se tratando de estrutura dos vírus, deixa eu baixar aqui um pouquinho, eu trouxe a imagem aqui, para vocês, de um vírus que a gente chama de vírion.
O que seria um vírion?
Seria uma partícula viral solta no ambiente.
Ele não está dentro de uma célula hospedeira.
Ele está dentro do ambiente.
Ele está solto por aí nas superfícies, não é?
Na superfície dos alimentos.
Por isso da importância de a gente lavar bastante os alimentos, cozinhar os alimentos.
Na superfície dos móveis que a gente usa, das maçanetas, dos prédios, do carro, do ônibus e por aí vai.
Este vírus é chamado de vírus encapsulado.
Ou ainda, a gente pode dizer que tem um envelope.
Envelope.
E o que tem nessa cápsula ou envelopes?
Tem duas coisas: tem proteínas dos vírus, representada por essas setinhas laranjas - então, essas setinhas laranjas são proteínas de origem viral, proteínas virais - mais tem essa coisinha cinza, uma bicamada de falso lipídio, que é a membrana.
Só que a membrana não é do vírus.
A membrana é da célula hospedeira.
Então, na cápsula ou envelope viral, nós vamos ter as proteínas virais mais membranas das células hospedeiras.
Por isso, pessoal, que vírus do tipo envelopado, que é uma boa quantidade de vírus que causa mal para o ser humano - são vírus envelopados - eles são tão difíceis de matar.
Porque, apesar de terem proteínas que são deles, feitas dentro da célula hospedeira mas que são deles, eles vão levar consigo membranas da célula hospedeira.
Então as nossas células de defesa, quando olham esses caras pensam: “bah, eu acho que isso aqui é um corpo estranho!
Nunca vi essas proteínas aqui, circulando no sangue!
Se bem que, ah não, olha lá!
Ele está envolto por membrana, as nossas membranas!
Deve ser só uma partícula de célula que se soltou!” Então, essa membrana da célula hospedeira acaba fornecendo para os vírus uma camuflagem.
E aí, às vezes, a gente tem dificuldade de perceber que aquilo é um organismo patógeno, não é?
Com potencial de causar mal para a gente.
A gente não consegue atacar.
Para que a gente tenha, por exemplo, uma vacina que consiga identificar esses vírus e matar eles, qual é das estruturas da cápsula ou do envelope viral que essas vacinas têm que identificar?
As membranas da célula hospedeira ou as proteínas de origem viral?
Exatamente.
As proteínas de origem viral.
Então uma vacina eficaz tem que mimetizar para as nossas células de defesa, proteínas de origem viral.
E aí as nossas células de defesa vão reconhecer e atacar.
Beleza?
Os ácidos nucleicos do vírus está representado aqui por vermelhinho, olha, podem ser do ou tipo DNA ou do tipo RNA.
Nunca, até então, os vírus possuem os dois tipos de ácido nucleico.
O vírus, ou ele é de DNA, ou ele é de RNA, está, gente?
A estrutura verde, que tem esse formato aqui de seis lados iguais, não é?
Formato hexagonal, aqui, olha.
Chama-se capsídeo.
Então o capsídeo, ele tem esse formato, um hexágono.
Está?
Seis lados iguais.
Notem que ele é feito de várias esferinhas, olha, bolinhas.
Proteínas globulares de origem viral.
Essas proteínas nós vamos chamar de capsômeros.
Então, o que são capsômeros?
Proteínas que formam o capsídeo, está?
Então, capsômeros: meros é parte, capso vem de, justamente, cápsula, não é?
Então são partes que formam essa estrutura maior chamada de capsídeo.
Beleza, gente?
Além disso, deixa eu apagar aqui para vocês, olha, a gente tem um outro virinhos muito, muito, muito interessante, chamado de fago ou tefago, bacteriófafo ou tefago.
Está aqui ele, olha.
Ele é bem semelhante, essa parte aqui, na sua cabeça.
Mas ele tem lá um corpinho e uma caudinha.
Esse vírus aqui é chamado de bacteriófago ou tefago, está, gente?
É um vírus comum de bactérias.
Ele é muito usado, é um virinhos bom, usado como veículo, ele vai levar genes para organismos transgênicos.
Organismos transgênicos.
Ele é muito usado, portanto, na biotecnologia.
Transgênicos.
Então, não se esqueçam do bacteriófago ou do tefago.
E, para finalizar, deixa eu baixar aqui, vamos estudar um pouquinho, o ciclo reprodutivo.
Tem basicamente dois que podem aparecer para a gente no Enem.
Ou a gente vai ter o ciclo lítico, ou vai ter o ciclo lítico ou vai ter o ciclo lisogênico.
O que difere de um para outro?
Bom, o vírus injeta o seu DNA, o seu ácido nucleico, não é?
Ou DNA ou RNA.
Vírus de DNA e vírus de RNA são distintos um do outro.
Os de RNA nós chamamos de retrovírus e os de DNA, de adenovírus.
Beleza?
A gente colocou lá o ácido nucleico, DNA ou RNA, aqui está especificamente falando do DNA.
O DNA viral vai se ligar ao DNA da bactéria ou da célula hospedeira, tornando agora um DNA híbrido.
Esse DNA híbrido pode ter dois caminhos, olha.
A gente chama ele de prófago, está?
Esse DNA viral é o prófago.
Ele entrou, se hibridizou com o DNA bacteriano, a bactéria vai ser produzir gerando várias cópias desse DNA, e essa multiplicação bacteriana carrega o DNA viral.
E a bactéria vive, ou a célula hospedeira vive de boa, o vírus não se manifesta e a gente diz que a pessoa tem o vírus, mas ele não se expressa.
O vírus está incubado.
Ocasionalmente esse DNA viral vai se soltar do DNA bacteriano e vai se iniciar o outro ciclo.
Beleza?
Mas o que eu quero chamar a atenção para vocês: nesse ciclo, que a gente chama de lisogênico, não ocorre a ruptura e morte da célula.
A célula permanece intacta e o vírus não se manifesta, permanecendo incubado dentro dela.
O outro processo é a mesma coisa.
O vírus colocou lá o DNA - ou o RNA, não é?
O ácido nucleico para dentro da célula.
Esse DNA se hibridizou e aí houve a multiplicação desses vírus dentro da célula.
Logo após a multiplicação, centenas e milhares de cópias virais são feitas dentro da célula e após isso, esses vírus vão sair da célula, causando a sua ruptura, a sua morte.
Então, no ciclo, eu gosto de dizer que o ciclo é clítico.
Tipo cebolinha, sabe?
Na verdade, seria crítico, porque causa a morte da célula, a lise, não é?
Então, a partir de agora vocês vão dizer que tem o ciclo clítico e o ciclo lisogênico.
No ciclo clítico, a coisa está crítica, e a célula acaba morrendo porque é rompida.
Já no ciclo lisogênico, o vírus botou o seu DNA, o DNA hibridizou, a célula hospedeira se reproduziu e o vírus não saiu da célula e não causou sua morte.
O vírus fica inativado ou incubado, sem manifestar sintoma.
Pode ser que as imunidades baixem e ele note isso, o vírus perceba que a célula está com o sistema imunitário, que o organismo está com o sistema imunitário baixo e ative o ciclo lítico.
Mas é no ciclo crítico, clítico, que a célula é lizada e morre.
Pode ser que o Enem aborde um dos tipos de reprodução dos vírus.
Lembrando que o ciclo clítico ou crítico é aquele que o vírus sai matando e rompendo a célula.
Beleza, gente?
Então, sobre vírus era isso.
Vocês têm condições de responder qualquer questão que o Enem exigir de vocês.