Peixes Ósseos
Chegamos no maior grupo de vertebrados terrestres.
Como assim vertebrados terrestres?
Os peixes não vivem na água?
Quando a gente fala terrestre, a gente quer dizer animais que vivem no planeta Terra, né gente?
Então o maior grupo de vertebrados terrestres são os peixes.
Se nós somássemos as outras espécies, ainda assim, o número de peixes seria maior, existem milhares e milhares de espécies de peixes e algumas ainda nem conhecidas de tão vasto e amplo que é, por exemplo, o tamanho dos nossos oceanos.
Os peixes ósseos também podem ser chamados de osteíctes, porque osteícte, no latim, significa dizer ósseo.
Então peixes ósseos ou osteíctes são a grande maioria esmagadora dos peixes que, por exemplo, servem de consumo para a alimentação humana e dos demais animais.
E é sobre as características desses queridos que nós vamos falar agora, beleza?
Bom, a primeira coisa que a gente tem que lembrar é que eles têm um esqueleto fortemente calcificado.
Isso é, inclusive, uma das principais características que distinguem os peixes ósseos, a maioria dos peixes que a gente encontra por aí, dos peixes cartilaginosos, que são os tubarões, as raias e as quimeras.
Uma das principais diferenças é justamente que o peixe ósseo possui aquele endoesqueleto fortemente calcificado, por isso que a gente diz que ele é um peixe do tipo ósseo.
Tubarões, raias e quimeras não possuem calcificação do esqueleto, portanto são peixes do tipo cartilaginosos.
Além disso, eles possuem escamas dérmicas, com fácil descamação.
Você já deve ter visto ou ouvido falar de como é que se limpa um peixe para consumo.
A gente passa lá a faca e vai retirando as escamas que revestem o corpo desses animais.
Diferentemente dos tubarões, que são peixes cartilaginosos, esses caras conseguem descamar com uma certa facilidade, não é muito difícil.
Até mesmo se você tentar pegar um peixe num rio, num lago ou até mesmo em um oceano, pode ser que fiquem para trás algumas escamas, muito diferente de como é com os tubarões.
Se a gente arrancar uma das escamas dos tubarões, a gente está arrancando, na verdade, um pedaço da pele deles, já nos peixes ósseos não.
Essas escamas, elas se destacam com maior facilidade, escamas dérmicas que se destacam até com uma certa facilidade, facilmente a gente poderia dizer.
Esses carinhas possuem glândulas secretoras de muco, o que torna muito difícil a gente tentar capturar com as mãos, por exemplo.
Se você já deve ter tentado pegar um peixe dentro da água, ele é muito liso, parece até que está ensaboado, né?
A estrutura que faz com que eles sejam lisos é o muco secretado por algumas glândulas epidérmicas.
Por que os peixes têm que secretar muco dentro da água?
Principalmente para facilitar a sua hidrodinâmica, o seu processo de movimentação dentro da água.
Quando a gente tenta pegar um peixe, provavelmente a gente vai remover essa camada.
E aí removendo essa camada, o animal vai ter dificuldade de se locomover dentro da água.
Além disso, esse muco também é uma estrutura que confere proteção contra, por exemplo, microrganismos patógenos, como fungos e bactérias que pode atacar a pele desses animais.
Então gente, não vamos sair por aí
pegando peixinho que a gente vê nos lagos, nos rios e nos açudes, principalmente de grandes centros urbanos, porque a gente está fazendo um mal danado para esses animais.
Ao retirar essa cobertura de muco, a gente está abrindo uma janela para que microrganismos infecciosos possam causar algum tipo de contaminação e, eventualmente, até a morte do animal.
Então, parem de tentar pegar peixinhos, por mais legais que eles pareçam ser.
Outra coisa que o Enem pode te cobrar é uma das principais diferenças em relação às estruturas respiratórias dos peixes ósseos com cartilaginosos.
Lembra que o peixe cartilaginoso lá, os tubarões, eles têm lá as fendas branquiais visíveis.
Já esses caras aqui não ó, eles vão ter o opérculo, que é aquela estruturinha que o peixe fica, quando o peixe está tentando puxar ar pela boca, ele fica batendo, parece umas orelhinhas, né?
Mas aquilo são os opérculos.
Opérculos, na verdade, é um par das fendas branquiais que se modificou para que haja a proteção das outras fendas.
Então peixes do tipo ósseo possuem opérculos bem visíveis e esses opérculos revestem externamente, como uma espécie de proteção, para as fendas branquiais que ficam ali escondidas atrás dele.
Peixes ósseos possuem opérculos bem visíveis que, né?
Revestem protegendo as fendas, peixes cartilaginosos não possuem opérculos.
Esses carinhas também possuem quatro pares de fenda, diferentemente dos cartilaginosos, que podem ter de cinco a sete.
Por que é que eles tem só quatro?
Porque a quinta se modificou em opérculo, então não se esqueçam disso.
Outra característica importante é onde fica a localização da boca.
Os peixes ósseos possuem uma boca terminal, a cauda está numa região bem oposta à boca.
A boca está no final da ponta do nariz e a cauda está lá atrás.
Lembra que tubarão tinha a boca embaixo, na região ventral?
Os peixes ósseos possuem uma boca na região terminal, né?
Próximo da cabeça.
Eles também vão ter bexiga natatória, que é aquela estrutura que pode encher e esvaziar, mudando a densidade desses animais.
À medida que eu encho a bexiga natatória, eu fico mais denso.
Com isso, eu consigo afundar na coluna de água.
Se eu esvaziasse a bexiga natatória, eu fico menos denso.
Com isso, eu consigo flutuar na coluna de água.
É dessa forma, com o desenvolvimento dessa estrutura, que os peixes conseguem ser, ter movimentação para cima e para baixo.
Lembram que peixes cartilaginosos não possuem essa estrutura, então para descer e subir, eles tem que bater a cauda ativamente.
Os peixes ósseos não, né?
Às vezes eles estão paradinhos ali e a gente nota que ele consegue subir e descer na coluna de água, simplesmente regulando a entrada e saída de água através da bexiga natatória.
A linha lateral é uma estrutura presente em ambos os peixes, tanto cartilaginoso quanto ósseo.
Ela é também uma estrutura receptora, que vai perceber variações na coluna de água, fazendo com que esses animais consigam ter um melhor, uma melhor geolocalização, um georreferenciamento embaixo da água.
Sabendo, por exemplo, se um predador está tentando atacar pelos lados ou por trás, ou também sabendo se uma presa está tentando, né?
Se afastar por trás ou pelos lados.
Outra coisa é em relação à reprodução desses animais.
São, em sua grande maioria, pelo menos as espécies que se conhecem até hoje, dioicos, ou seja, a gente tem macho e fêmea separado.
Embora a gente não consiga, na maioria das vezes, diferenciar o macho da fêmea, a não ser por alguma variação no seu tamanho, que machos geralmente possuem um tamanho um pouquinho maior.
Mas a grande maioria das espécies não possuem o que a gente chama de dimorfismo sexual.
A gente não consegue bater o olho e dizer: esse é o macho e essa é a fêmea.
A não ser, claro, que a gente seja, né?
Criador e tudo o mais, tenha o contato com esses animais, a gente consegue, às vezes, bater o olho e dizer: ah, isso é macho e isso é fêmea.
Mas, de maneira geral, as pessoas que não têm esse treinamento não conseguem diferenciar, então a gente diz que não tem dimorfismo sexual muito evidente.
A fecundação é externa.
A fêmea deposita seus ovinhos, o macho vai lá e despeja um espermatozoide.
Depois disso, os ovinhos eclodem com um estágio larval chamado de alevino.
Alevino é o estágio de larvinha dos peixes.
O ovo dos peixes, tal como o alevino, também é consumido pela população humana.
O ovo dos peixes é um prato famoso, bem caro e nobre, chamado de caviar, e o alevino é uma larvinha que é até consumido em alguns países de origem asiática, por exemplo.
No Brasil, eu já ouvi falar que existem casos de consumo de alevino quando eles misturam com outros grãos, por exemplo, e comem, de maneira geral, junto com isso.
O coração é bicavitário, tal como é o coração dos cartilaginosos, e a circulação é do tipo simples.
O que seria dizer uma circulação simples?
O sangue passa uma única vez pelo coração, não passa duas como é o caso da gente, dos répteis e das aves, por exemplo.
A excreção também é variada, faz um asterisco aí ó.
A excreção de peixes ósseos são do tipo amônia, e é isso que confere aquele cheiro forte de peixe.
A gente sabe quando o peixe está estragado, porque ele secreta muito a amônia, então a gente sente um cheiro muito forte.
Quando o peixe está mais velho, o cheiro forte de peixe é o cheiro de amônia.
Amônia, gente, é altamente solúvel em água e, também, ela é altamente tóxica.
Por isso que somente animais que vivem em água conseguem secretar ela.
Animais que vivem fora da água, longe da água, como é o exemplo, como é o exemplo de alguns répteis, que vivem até no deserto, secretam ácido úrico, como é o caso dos tubarões.
A amônia, portanto, é uma substância altamente tóxica e altamente solúvel em água, por isso que ela deve ser eliminada por organismos que moram dentro da água.
Eu quero destacar essa estrutura, que é justamente a bexiga natatória dos peixes.
É ela que pode aumentar e reduzir o volume, fazendo com que ou esse animal desça na coluna de água ou este animal suba na coluna de água.
Se eu pego e encho uma bexiga natatória de água, fico mais pesado, logo eu desço.
Se eu elimino essa água e encho de ar, eu fico menos pesado, menos denso, logo eu subo, beleza?
E para finalizar, já caiu uma questão no Enem envolvendo um fenômeno de desova chamado piracema.
A piracema acontece nos rios brasileiros, por exemplo, com os peixes subindo contra a correnteza.
E, quando ele sobe contra a correnteza, ele produz hormônios, secreta hormônios que vão auxiliar na maturação sexual.
Esses animais precisam desse mecanismo, que é como se fosse uma atividade física muito forte, para que quando ele chegue lá em cima no rio, no local mais calmo, eles façam a desova.
E aí o Enem perguntou de que maneira que a construção de barragens interferia na piracema.
Quando a gente represa, né?
Uma barragem, a gente interrompe o fluxo migratório desses animais, então a gente interfere diretamente no ciclo reprodutivo.
De novo, a piracema é um fenômeno natural que acontece de desovas de peixes aonde eles sobem contra a correnteza para fazer essa desova, para fazer a postura.
E quando a gente constrói barreiras que não existiam naturalmente, por exemplo, o caso das barragens, a gente está impedindo com que esses animais consigam completar o seu ciclo reprodutivo, reduzindo assim a biodiversidade, e aí ocasionando até mesmo a extinção de algumas espécies.