Cruzamento Teste
O que é o cruzamento teste, professor?
O cruzamento teste é o seguinte: é um tipo de cruzamento manipulado pelo ser humano, portanto não natural; um cruzamento artificial que a gente faz para descobrir um determinado genótipo que a gente tem interesse em saber.
Como é que é?
É quando o ser humano pega dois organismos, por exemplo, dois animais, um boizinho e uma vaca, cruza esses dois animais porque ele tem interesse em saber qual o genótipo de um dos pais.
Por exemplo, vamos supor que eu seja um fazendeiro milionário - talvez eu seja e você não saiba - e eu tenho lá, uma vaca que eu quero procriar.
E aí eu vou numa feira de touros, lá, e compro um touro muito, muito, muito premiado e boto para procriar com essa vaca e nasce um filhote.
Eu esperaria que nascesse um filhote mega power, porque o boi que eu comprei é super premiado e tal e eu tenho uma vaca com uma linhagem boa.
Porque eu conheço a linhagem da vaca.
Então era para dar um super bezerro.
Só que daí, quando eu cruzo sai um bezerro menor do que imaginei que sairia.
Daí, o que que eu faço?
Bom, eu tenho duas desconfianças: ou a minha vaquinha não é tão boa quanto eu pensava ou na verdade eu comprei um bezerro que, um boi que nem era tão reprodutor assim.
E aí, o que que a gente faz?
A gente cruza esses indivíduos e analisa a descendência.
Vou dar um exemplo aqui para vocês: vamos supor que a minha vaquinha seja uma vaquinha marronzinha, lá, que eu conheço o genótipo dela.
Eu vou dizer que essa vaquinha, para a característica sei lá, produção de leite, ela produz cinquenta litros de leite por dia.
E somente vaquinhas que são azinho azinho conseguem produzir cinquenta litros de leite por dia.
Então eu quero que tenha bois que cruzem com essa vaquinha para dar filhotes que também sejam azinho azinho, para que produzam mais leite por dia, e assim sucessivamente.
E aí eu comprei, lá o boi que eu não conheço, mas que eu quero saber o quê que ele é.
Porque afinal de contas, eu quero que um boi de linhagem pura cruze com a minha vaquinha, para dar terneiros lá, mais bem desenvolvidos.
Então esse cara aqui, ele pode ser duas coisas aparentemente.
Olhando o pelo, simplesmente pela cor do pelo, a gente sabe que ele pode ser, ou azão azão ou azão azinho.
O quê que eu sei que não é?
Azinho azinho, porque se ele fosse, ele seria marronzinho.
Ele é um boi preto.
Então eu sei que ele não é azinho azinho.
Beleza.
Claro, isso é fictício, não é, gente?
Eu estou criando um exemplo.
Na vida real não é assim.
Na vida real são
vários genes que se comunicam para dar a cor do pelo do gado, por exemplo.
Mas aqui, no nosso mundo fictício, a gente vai dizer que a vaca marronzinha é azinho azinho, e o boi preto, ou ele é azão azão, ou ele é azão azinho.
Beleza.
E aí é o seguinte, gente, eu cruzei esse boizinho com essa vaca.
Em quê que eu tenho interesse?
Aí vai depender.
Vamos supor que, se der mais indivíduos azinho azinho, melhor para mim é.
Então eu quero que o boi seja isso daqui, olha.
Porque o azão azão nunca vai dar descendência azão azinho.
E eu cruzei, gente, e deu isso daqui como resultado.
Gerou quatro descendentes, sendo metade deles marrom, e metade deles preto.
Gente, se deu isso daqui, o quê que eu tenho cem por cento de certeza que esse gado aqui é?
Professor, como é que vou saber?
Ora, analisando a descendência, a gente tem como saber o que que são os país.
Concordam comigo?
Olha, se deu boizinhos pretos e marronzinhos.
Se deu boi marrom e eu sei que marrom obrigatoriamente é o genótipo que eu conheço lá, olha, é azinho azinho, só tem uma maneira de dar filhotes azinho azinho.
Como?
Ora, a mamãe deu um azinho dela, ela só tem azinho para dar.
Olha, vem um azinho para cá, um outro azinho para cá.
Se eles ainda têm outro azinho, tem que vir do pai.
Então o pai, com cem por cento de certeza, é heterozigoto.
Concordam?
Olha, ele mandou esse azinho dele para cá e uma outra cópia desse azinho dele para cá.
Está, professor, e como é que esses daqui são pretos?
Ora, a mãe só tinha azinho, doou um azinho.
Esse cara recebeu um azinho da mãe.
E, olha, veio lá um outro azão do pai.
Então por quê que ele é preto?
Porque ele é azão azinho.
Mesma coisa para esse cara: recebeu um azinho da mãe, não é, veio um azinho para cá, e veio um azão do pai.
Veio para cá, olha.
Isso é o cruzamento teste.
O cruzamento teste nada mais é do que quando eu cruzo um indivíduo que eu conheço o genótipo - por isso que eu trouxe aqui para vocês com um genótipo conhecido - versus um indivíduo que eu tenho interesse em saber o fenótipo.
E aí simplesmente, analisar os descendentes.
Isso é o cruzamento teste.
Mas existe um outro tipo de cruzamento - deixa eu baixar aqui - chamado de retrocruzamento.
O que que é o retrocruzamento?
Ou, em alguns lugares, as pessoas confundem com o endocruzamento.
Endocruzamento e retrocruzamento têm uma pequena variação.
Mas para vocês, para vestibulandos, é a mesma coisa.
O endocruzamento, geneticamente falando, é quando eu tenho uma população que cruza entre si.
Então, mais cedo ou mais tarde vai ter indivíduos aparentados, seja de primeiro ou segundo grau, cruzando entre si.
Retrocruzamento é de maneira mais prática.
Comum, por exemplo, com o gado de corte.
Há pouco tempo atrás, houve denúncia de que numa fazenda lá, não me lembro onde que era, no sudeste brasileiro, tinha criação de búfalo.
E o búfalo é um animal que ele vive muito bem largado no campo, assim, solto, não é?
Só que quando tu cria o animal solto - inclusive essa foi uma questão do Enem - tem o risco de pai cruzar com filho, mãe cruzar com filho e irmãos cruzarem entre si.
E isso é ruim, geneticamente falando, porque aumenta o risco de incidência de doenças.
O retrocruzamento é justamente isso.
É quando eu tenho lá, os papaizinhos que deram a descendência e eu pego esses descendentes para cruzar com os pais, seja qualquer um dos pais.
Ou eu pego esses descendentes para cruzarem entre si.
Esse aqui com esse aqui e esse aqui com esse aqui.
Isso é bom?
É ruim?
Geneticamente desfavorável, ou seja, reduz a variabilidade genética da população.
É ruim.
A gente não quer que isso ocorra.
Ah, mas isso ocorre?
Ocorre.
O ser humano, quando não tem controle, faz isso.
Está, professor, mas pegando o exemplo lá do búfalo, não é?
Eu tenho, sei lá, mil cabeças de búfalos num campo lá, numa fazenda tal.
E eu deixo eles soltos no campo.
E eles vão se reproduzindo.
Vai chegar um momento em que vai ter um risco de um búfalo filhote cruzar com um búfalo pai ou mãe, ou um búfalo filhote cruzar com um irmão.
E isso aumenta o risco de doenças, por exemplo.
Exatamente.
Então, o que que a gente teria que fazer?
Proibir que esses búfalos se reproduzam?
Não, eles têm que se reproduzir.
Aí o cara mata o meu rebanho.
Eu só tenho que separar.
Então, olha só, tu separa dos teus filhos e os teus filhos separam de ti e dos teus irmãos.
É isso o que a gente faz.
No campo, a gente cria lotes.
Aí esse cara aqui vai cruzar com uma outra vaquinha, não é?
E vai ter lá os seus filhotinhos.
Essa vaquinha aqui vai cruzar com outro boizinho.
E vai ter lá, seus filhotinhos.
De tal forma que esse cara aqui cruza com esse, não é, com uma outra vaquinha e tem esses filhotinhos, e assim sucessivamente.
Está, e depois?
Eu poderia pegar um neto, não é, que seria do cruzamento desse cara com uma outra búfala, que a gente não conhece e retrocruzar com o avô?
Não, porque isso seria um cruzamento de segundo grau e não é legal.
Primeiro e segundo grau têm grande risco.
A partir de terceiro ou quarto já pode acontecer.
Se esse boi preto cruzasse com uma vaquinha tal e tivesse filhotes; um desses filhotes cruzasse com outro boi e tivesse filhote; e aí eu pegasse o filhote e retrocruzasse com um dos avós lá, aí tudo bem.
Mas até segundo grau o risco de aparecer alguma doença é maior.
Então a gente não considera.
Beleza?
Então, o que faríamos, nesse caso, para evitar que houvesse, não é - deixa eu apagar aqui, olha - para evitar que houvesse esse risco de aparecer alguma doença, má formação, ou anomalia no rebanho que eu tenho solto, não é?
O que que eu poderia fazer?
Lotear, separar os animais.
É isso que responde a questão do Enem, quando aparecer.
Beleza, gente?
Então, sobre endocruzamento, que é a mesma coisa que retrocruzamento, e cruzamento teste, pode vir Enem, que a gente está de braços abertos, esperando.